“Cromos” da bola lusa: Radi Zdravkov, Peter Borota e Juary

Pedro PereiraJulho 5, 20204min0

“Cromos” da bola lusa: Radi Zdravkov, Peter Borota e Juary

Pedro PereiraJulho 5, 20204min0
Juary encantou as hostes do FC Porto, depois de ter sido uma semi-referência no Santos e a Caderneta dos Cromos conta algumas histórias do avançado brasileiro. Zdravkov e Borota também surgem neste "conto" de jogadores que passaram pelo futebol português

O futebol português é rico de histórias e exibições de grande nível de atletas que vieram de fora e a Caderneta dos Cromos revela três especiais que merecem ficar bem colados à caderneta da bola lusa!

RADI ZDRAVKOV: UMA CHAVE MESTRA NO DESPORTIVO DE CHAVES

O melhor jogador de sempre do Grupo Desportivo de Chavews. Chegou em 1986 depois de ter estado no México, no Mundial, a representar a Bulgária. “Empatámos dois jogos, sempre no Estádio Azteca e com 100 mil pessoas nas bancadas. Fiz o passe para o Sirakov no golo contra a Itália.

Mas o melhor foi mesmo o contato com o Maradona no relvado. Nunca vou esquecer isso. Um mês depois estava a treinar no Chaves.” Era um prodígio com a bola nos pés. Aceitou a proposta do Chaves porque foi a primeira oportunidade que lhe permitiu sair de um regime ditatorial búlgaro comunista da altura. A vinda de Radi e a sua qualidade de jogo, foram determinantes para que o Chaves chegasse à Taça UEFA. Apesar do grande feito, o Chaves apenas venceu um jogo em competições além fronteiras, vencendo os romenos Universitatea Craiova.

PETER BOROTA: O HOMEM QUE TROCAVA COM DAMAS

Borota chegou a Portugal em 1982, aterrando no nosso rico Algarve. Depois de 3 épocas em terras de Sua Majestade e mais de 100 jogos pelo Chelsea, Borota chegou ao Portimonense para tentar convencer o treinador Artur Jorge de que merecia assinar contrato. Na mesma época, chegara para a baliza do Portimonense, nada mais nada menos que Vítor Damas, um dos maiores guarda redes da história do nosso futebol. Num dos primeiros treinos, Borota é posto à prova. Damas, sentado no banco a apreciar as skills do iugoslavo desabafou para o colega do lado: “Este Borota defende tudo.Ele tira-me o lugar!”. A verdade é que Borota era bom. E convencer Artur Jorge que merecia ficar no plantel foi a parte mais fácil.

O treinador de bigode farto cedo percebeu que tinha comprado uma dor de cabeça para o resto da época: tendo 2 super guarda redes, como articula a coisa para que nenhum fique sem jogar? A solução foi andar uma época inteira alternando entre Damas e Borota. Num dos jogos que Borota foi para o banco, levou óculos escuros e um rádio para ouvir musica durante o jogo.

JUARY: UM ESPECIALISTA QUE FEZ O GOLO DA HISTÓRIA DO FC PORTO

Juary nasceu sem a certeza se ficaria para sempre em São João de Miriti, cidade pequena do estado do Rio de Janeiro. Sem certeza se seria embalado pelo colo da sua querida mãe até não caber mais nos seus braços. Começou a jogar na estrada da sua rua e garante que foi amor à primeira vista por aquele joguinho que era a maior cerimónia das tardes dos traquinas da sua rua. Porém, sem a certeza se seria um amor suficiente para se tornar profissional. Como ele conta na Conversa de Cromos, ainda miúdo, o racismo negou-lhe a entrada no portão principal do campo do Fluminense, o que o fez pendurar as botas e voltar a jogar de pé descalço, na rua, sem compromisso. Injustiça ao portão, injustiça na rua, injustiça no mundo e decidiu estudar. Direito.

Mas rápido o pai o convenceu a voltar para ao futebol. Juary sempre viveu na incerteza se o caminho que percorria nas camadas jovens de Vila Belmiro lhe ofereceria um baú reluzente capaz de fazer valer cada lágrima de esforço ou se, pelo contrário, seria mais um dos muitos protótipos de Pelé que prometiam mais do que eram. Era o combo perfeito para se erguer um dos determinantes elementos da primeira e autêntica geração dos Meninos da Vila.

Tinham como missão fazer esquecer da era Pelé. No Santos FC, foram 101 golos, com direito a dança frenética no canto do terreno. Em Avellino, viveu momentos inesquecíveis e encantou até Raffaele Cutolo, que o tinha como jogador favorito na época. No FC Porto, fez, para mim, o golo mais importante da história do clube. Se o percurso foi incerto, o final da jornada não engana: Juary é um cromo raro, encantador e que deixou saudade por onde passou.


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