As melhores mentiras no futebol: o mentiroso-compulsivo Stephen Ireland!

Francisco IsaacJaneiro 18, 20205min0

As melhores mentiras no futebol: o mentiroso-compulsivo Stephen Ireland!

Francisco IsaacJaneiro 18, 20205min0
Quando um jogador inventa que as duas avós morreram para fugir a compromissos internacionais é bom sinal? No caso de Stephen Ireland, não mas não impediu do irlandês em continuar inventar mentiras!

Sabes de algumas maiores “tangas” perpetuadas no Desporto-Rei? Desde jogadores fictícios (Tó Madeira!), a selecções-fantasma a conversas paralelas enganadoras, fomos em busca de 5 das melhores mentiras do futebol! 

STEPHEN IRELAND… O IRLANDÊS QUE NÃO QUERIA JOGAR PELA IRLANDA!

Quem se lembra de jogar o Football Manager 06, 07 ou 08 e de andar a escolher alguns jovens bem interessantes para contratar como Ben Sahar, Carlos Vela, Adrián, Sérgio Agüero, Georginio Wijnaldum, Jéremy Menez ou Stephen Ireland? Este último surgia no plantel do Manchester City (longe de serem os citizens da actualidade) com 20 anos de idade e uma série de dados estatísticos interessantes, abrindo fome a quem necessitasse de um médio-centro que conduzia não só bem o jogo ofensivo como segurava bem as transições defensivas.

Caso tenham “vivido” 10 anos dentro do Football Manager 08, Ireland acabaria por coleccionar mais de uma centena de jogos pela selecção da Irlanda, afirmando-se como um dos melhores jogadores desta formação para além de reconhecido valor a nível de clubes. Contudo, a vida real de Ireland conta o oposto: 6 jogos e 4 golos. Mas como é que um médio que passou pelo Manchester City, Aston Villa, Newcastle, Stoke City e Bolton Wanderers (não chegou a somar qualquer minuto pelos trotters) e actuou praticamente em 300 jogos na Premier League, não atingiu outros números pelos Boys in Green? Bem, numa palavra: mentiras.

Ireland nunca foi um apaixonado total por representar o pais onde nasceu, inventando constantes mentiras e falsidades para fugir às convocatórias e chamadas de Giovanni Trapattoni, Noel King, Martin O’Neill e Mick McCarthy, todos seleccionadores dos verdes, nestes últimos 15 anos. A primeira mentira é talvez a melhor: a morte das duas avós. Em Setembro de 2007, Ireland foi chamado a representar a Irlanda e depois de um jogo pelo Manchester City foi quase forçado a apanhar um avião para Dublin.

Contudo, o médio-centro só queria voltar para o sossego de casa e estar com os seus filhos (foi pai logo aos 18 anos), uma das razões pelo qual iria inventar constantes mentiras para evitar a ida até à selecção, magicando então uma boa desculpa para ser dispensado, e nada melhor que a morte da avó materna. Steve Staunton, seleccionador da altura, permitiu que Ireland fosse para Cork de forma a juntar-se à família, dispensando-o totalmente de ter que se juntar ao grupo de trabalho durante a janela de jogos internacionais, numa demonstração de apoio e compreensão por parte da equipa técnica da Irlanda.

Porém, um dos directores da Federação Irlandesa de Futebol fez uma ligeira investigação e descobriu que a avó do atleta do Manchester City estava bem de saúde e em casa, confrontando Ireland com a verdade. O jogador não desarmou e explicou que no meio da tristeza teria se enganado em relação a qual das avós tinha falecido, indicando que teria sido a avó paterna. Novamente dispensado e a caminho de Manchester, Ireland voltaria a ser apanhado na mentira (e vamos em 2-0 para a verdade), pois também a avó paterna estava bem e de boa saúde!

Este incidente criou um problema a longo-prazo com a República da Irlanda, com Ireland a admitir que a felicidade por representar o seu país passou num instante quando se apercebeu que tudo era ao mesmo tempo inconstante e monótono, sendo que não suportava estar 10 dias (o tempo médio das concentrações internacionais) longe dos seus dois filhos, como o próprio conta,

“Depois dos primeiros tempos em que fiquei maravilhado, tornou-se algo circunstancial. Steve Staunton [seleccionador da Irlanda à época] disse que até podia trazer os miúdos, mas tinha de enfiá-los num quarto com a babysitter… mas que raio de vida é esta para duas crianças? (…) Por isso não consegui aceitar ser sempre chamado e tive de escolher os momentos em que podia ou não jogar pela Irlanda. 10 dias de concentração era demasiado para mim.”

Por isso, Ireland ao não ter coragem para dizer que não queria pura e simplesmente representar a Irlanda, decidiu entrar numa rede total de mentiras para estar constantemente fora do radar das convocatórias internacionais, mesmo que isso significasse falhar Campeonatos da Europa ou do Mundo. Continuando com as próprias palavras de Ireland,

“Eu sei que a mentira não foi pequena e que ganhou proporções loucas por causa de mim. Foi feita no calor do momento, quando ainda estava no balneário depois do jogo. Eu me lembro de dizer “malta tenho de ir para Inglaterra, a minha avó não está bem.” e de repente tinha todos a abraçar-me e a dar-me apoio. Eu pensei em retirar-me na altura, não queria enfrentar o problema da mentira que criei e cheguei mesmo a falar com o meu contabilista para fazer contas se podia retirar-me em paz ou não. Olhando para trás, não enfrentei bem a situação, devia ter regressado à Irlanda e pedido desculpa mas eu só queria jogar pelo City, onde tudo corria-me bem.”

A partir desse momento, Ireland nunca voltaria a calçar as botas no balneário da Irlanda, fechando a sua carreira internacional com 4 golos em 6 jogos, um registo até digno de um atleta de qualidade. Contudo, o médio continuou repetidamente a inventar histórias e historietas para evitar servir a República da Irlanda, desde dizer que estava doente e fisicamente mal (mesmo quando tinha jogado pelo clube umas hora antes…) a faltar a reuniões com Trapattoni por alegadamente terem roubado o carro. A velha raposa do futebol europeu contou que numa das raras vezes que conseguiu falar cara-a-cara com Stephen Ireland , não gostou da postura e falta de coragem do jogador para dizer se queria ou não representar o Trevo, ultimando o seu final na selecção.

Lembrem-se… quando tiverem que dizer que um ente querido morreu para fugir a uma reunião, encontro ou convívio social, tenham em atenção que hoje em dia é fácil confirmar se é verdade ou não.


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