As melhores mentiras feitas no Futebol: Bahrain e a vitória ao falso-Togo

Francisco IsaacNovembro 28, 20184min0

As melhores mentiras feitas no Futebol: Bahrain e a vitória ao falso-Togo

Francisco IsaacNovembro 28, 20184min0
Em 2010 o Bahrain entrou em campo frente ao Togo num jogo que acabou por ser falso. Esquema de corrupção, detidos e uma mentira que enganou um estádio inteiro. Conhecias?

Sabes de algumas maiores “tangas” prepetuadas no Desporto-Rei? Desde jogadores fictícios (Tó Madeira!), a selecções-fantasma a conversas paralelas enganadoras, fomos em busca de 5 das melhores mentiras do futebol! 

UM JOGO OFICIAL, QUE NÃO FOI OFICIAL MAS QUE O BAHRAIN QUER QUE SEJA OFICIAL

Quantas vezes ouviram (ou até disseram e desejaram) “isto não pode ser a minha equipa a jogar, não são os mesmos jogadores!” e na realidade foi verdade? Nunca, correcto? Bem com o Togo a 15 de Setembro de 2010 foi verdade. 18 jogadores, três treinadores, staff médico e até dirigentes enganaram a selecção do Bahrain por completo, ao entrarem em campo como uma equipa-fantasma.

Mas como é possível que tal aconteça? E que certificação tinha o Bahrain para poder dizer que o jogo era oficial? Vamos então recuar até ao início de toda a estória. Durante o ano de 2010, o Bahrain recebeu um pedido para realizar um jogo com a sua congénere do Togo. Nos meses subsequentes, a Federação de Futebol do Bahrain recebeu a documentação oficial com o selo e carimbo do Togo.

A 7 de Setembro, jogo realizado no Estádio Nacional do Bahrain e vitória da equipa da casa por 3-0, que ainda tiveram cinco golos anulados… tudo excessivamente estranho, como Josef Hickersberger, o seleccionador do Bahrain testemunhou,

“Jogo aborrecido e foi uma perda de tempo completa. Vários dos jogadores da equipa do Togo pareciam estar cansados e fora-de-forma. Fica a vitória.”.

Passado nem uma semana, a Federação de Futebol do Togo lançou um comunicado a afirmar que desconhecia do jogo em causa, que de forma alguma era oficial e que aqueles jogadores que marcaram presença no Bahrain não eram sequer internacionais tongoleses. Iniciaram de imediato uma investigação profunda a este acontecimento… a FIFA e CAF ficaram surpresas com a situação e suspenderam os jogos do Togo.

Espectadores do encontro queixaram-se exactamente do mesmo que o seleccionador do Bahrain, que os jogadores do Togo “não corriam”, “a maioria não conseguia fazer uma sequência de jogo certa” e que no geral foi “um jogo muito pobre”, para além de estranharem a quantidade alarmante de golos anulados ou de grandes-penalidades não marcadas sempre a favor do Bahrain.

Com o intensificar da trama, as suspeitas recaíram todas num esquema de corrupção complicado de desmontar e que os resultados iniciais não conseguiram disfarçar que algo mais sinistro se passava dentro da Federação do Togo. O primeiro suspeito foi o antigo seleccionador-adjunto da Selecção Nacional tongolesa, Tchanile Bana, que pouco depois admitiu que foi só ele a organizar todo o esquema, tendo levado a equipa consigo e assumido o papel de seleccionador e dirigente.

Todavia, as autoridades do Bahrain levantaram o problema de terem recebido documentação oficial da federação do Togo e que era impossível um simples treinador ter conseguido os carimbos e confirmações oficiais. Do outro lado, Antoine Folly, um dos dirigentes do comité tongolês de futebol, exigiu que os responsáveis fossem trazidos a público… cinco dias depois, o próprio dirigente foi detido e acusado de fazer parte do esquema de corrupção que ainda tinha um terceiro elemento, o secretário da Federação, cunhado do então Presidente da Federação, General Seyi Memene.

Ficou provado que a selecção que se deslocou no início de Setembro em 2010 não era oficial e que tudo estava baseado num esquema de apostas (os cabecilhas receberam 60 mil dólares adiantados para tratarem de todos os trâmites). Contudo, a CAF e FIFA, assim como as autoridades, não quiseram ir até ao “fundo da toca”, deixando no ar um clima de suspeição e corrupção perpetuado pelas próprias organizações.

Esta “brincadeira” acabou por prejudicar severamente a imagem do Togo e da CAF, e voltou a pôr ao descoberto os esquemas de corrupção e apostas sistematicamente desenvolvidas em África… em 2009, já a Federação do Zimbabwe tinha enviado uma equipa-fantasma para jogar frente à Malásia, o que levou à prisão do presidente da mesma organização.

Dos 18 jogadores-fantasmas nunca mais se ouviu falar, o Togo continua debaixo de uma névoa de dúvida e o General Memene, vice-presidente agora da CAF, está sob suspeita de envolvimento em esquemas de corrupção com o Mundial 2022 no Qatar. Para o Bahrain o jogo nem contou para o ranking, foram envolvidos num esquema de corrupção sem saberem e ainda perderam dinheiro.


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