Seis Nações 2018 – A Era de Sexton e O’Brien na Irlanda?

Francisco IsaacJaneiro 11, 20187min0

Seis Nações 2018 – A Era de Sexton e O’Brien na Irlanda?

Francisco IsaacJaneiro 11, 20187min0
Há uma névoa de optimismo nas terras do Trevo e as Seis Nações 2018 podem reforçar isso! A era de O'Brien e Sexton como os novos líderes da Irlanda

Terra das paisagens verdejantes, da brisa melosa e de um eterno optimismo, a Irlanda está preparada para entrar numa nova Era de conquistas, glória e de erguer novas lendas. É a agora a Era de Dave e Rob Kearney, Conor Murray, Devin Toner, Sean O’Brien e Jonathan Sexton que bem merecem que seja o seu momento numa selecção que já dominou (q.b.) a Europa com um rugby pulsante, alucinante e de atrevimento, contagiando adeptos da oval com facilidade.

Mas o “agora” é em 2018? E é nestas Seis Nações? Como conseguir derrotar uma super-Inglaterra, uma Escócia fulminante e um País de Gales “mordido” no seu orgulho? A essas perguntas só Joe Schmidt poderá responder. O seleccionador nacional (proveniente da Nova Zelândia) tem sido uma “rocha” na selecção do Trevo, estando agora a realizar uma renovação de “sangue”, necessária, para os futuros sucessos da Irlanda.

Jogadores como Adam Byrne, Garry Ringrose (ao que tudo indica deverá falhar o primeiro jogo dos irlandeses), Jacob Stockdale, Joey Carbery, Andrew Porter, Ultan Dillane ou James Ryan (e há tantos outros) são alguns exemplos dos novos “reforços” da selecção do Trevo, que trazem tanto de juventude (todos entre os 20 e os 24) como de excentricidade algo fundamental para novas conquistas.

Mas, e talvez começamos por este ponto, há também os novos “convertidos” à fé do Trevo e um deles pode ser uma das chaves-mestra para desbloquear jogos e campeonatos. Quem? Falamos de…

BUNDEE AKI E O CAMIÃO QUE NÃO TEM TRAVÕES

O centro nascido nas terras das Nuvens altas da Nova Zelândia saiu em 2014 dos Chiefs de Hamilton para o “pequeno” Connacht de Galway, afirmando-se como um dos melhores jogadores ao serviço dos Devil’s Own, assumindo uma agressividade assustadora na entrada no contacto, atirando para o chão os defesas que tentam armar uma placagem a um centro que pesa 103 kilos e tem 1,82.

Raça pura, velocidade que instiga incêndios e com uma intensidade puramente “maliciosa”, Fualaofi “Bundaloo” Aki é um perigo à solta, já que não é só no ataque que faz uma diferença total, mas também a nível defensivo, em que o encaixe na placagem é um dos mais efectivos do Pro14.

A potência que Aki tem dá outra forma ao jogo irlandês, garantindo “armas” suficientes para criar não só situações de rotura, mas de garantia que daquele nº12 não só não vão perder bolas, como vão conquistar sempre a linha de vantagem a cada nova entrada.

A naturalização de Aki vem na mesma lógica que CJ Stander: jogadores úteis e que entrem de imediato na equipa titular ou pelo menos nos 23 convocados da Irlanda. Não são espécimenes para testes ou de tentativas de encaixar no esquema de jogo da Irlanda, são unidades infalíveis e que vão dar outra dimensão ao jogo de Schmidt.

Bundee Aki veio para ficar, para dominar e para extremar a qualidade ofensiva irlandesa já nestas próximas Seis Nações… se têm dúvidas perante esta afirmação então preparem-se pois Aki não é um jogador para “brincar”, é uma ameaça para levar muito a sério.

Exemplo da capacidade de Bundee Aki a defender

RELÓGIO SEXTON E ENFORCER O’BRIEN

O que faz desta Irlanda uma equipa ameaçadora de novo? A excelente forma de Jonathan Sexton, neste espaço de último ano e meio, tem aumentado as esperanças dos adeptos do Trevo no reconquistar das Seis Nações. Depois de ter ultrapassado uma fase muito complicada a nível de lesões, o abertura do Leinster regressou em alta e tem dominado o campo a partir da sua posição.

Bons pontapés tácticos “misturados” com uma leitura de jogo impressionante, Sexton voltou a sorrir, arriscando em entradas, acelerando o jogo quando este necessita de uma mudança de ritmos. Foi um dos melhores durante os Internacionais de Outono, com vários detalhes e pormenores que fizeram as delícias dos adeptos irlandeses. O jogo contra a Argentina (vitória por 28-19) foi uma espécie de “vingança” pelo que aconteceu no Mundial em 2015 – Sexton lesionou-se e ficou de fora desse jogo.

O 10 “abriu” a defesa dos Pumas com várias jogadas, em especial a do 1º ensaio: capta a oval após uma excelente entrada de Chris Farrell, acelera pelo meio da defesa e prende dois defesas em si abrindo caminho para o início da vitória irlandesa.

É esta genialidade que o Planeta da Oval sentia faltas de Sexton e fez muita falta em jogos de mata-mata. Por falar em regressos, houve outro que tem sido essencial para dar outra dimensão à Irlanda: Sean O’Brien.

O asa é um autêntico “bicho” na hora de placar, voltar a colocar-se de pé e estar pronto para nova ronda de defesa para além de arrancar as bolas mais dificeis no ruck, algo que demonstrou tanto durante as British and Lions Series, como nos test-matches da Irlanda nesta recta final de 2017. Com aquela “agressividade” contagiante, O’Brien é um lutador autêntico, defensor do não-desistir e de trabalhar o máximo possível nas fases estáticas.

Na ausência de Heaslip, terá de ser O’Brien (e O’Mahony) a comandar a avançada irlandesa, auxiliando o capitão, Rory Best.

O MESTRE RORY BEST E O PADAWAN STOCKDALE

O quão enorme é Rory Best? É o último da geração das últimas grandes lendas do rugby irlandês, já que após os abandonos de Brian O’Driscoll e Paul O’Connell, é o jogador mais velho do Trevo. Com 35 anos, Best tem sido uma “rocha” total na formação ordenada, na liderança dentro de campo e no passar da “chama” para os jogadores mais novos.

Foi com Best que a Irlanda ganhou à África do Sul (em casa dos Springboks) e aos All Blacks, algo histórico e, no mínimo, digo de “lenda”. Para além da capitania e espírito de liderança, o talonador gosta de entrar no contacto, tem skills (ninguém se esquece daquele jogo fenomenal contra a Nova Zelândia em Dublin no ano de 2015) e não sabe parar quieto durante 60 minutos, apresentando uma forma física invejável para a idade.

Do outro lado do “espelho” está Jacob Stockdale, um ponta que vai dominar a sua ala durante os próximos anos. E porquê é que dizemos isto? Stockdale tem flair, explosão, um jeito quase único para encontrar o espaço e fugir sem que ninguém o consiga apanhar, a somar a um instinto especial para marcar ensaios.

O jogadores com 21 anos já jogou por quatro vezes ao serviço da Irlanda e também marcou quatro ensaios, com uma exibição espectacular contra a Argentina em Novembro passado. Vai ser muito complicado parar o jovem jogador do Ulster quando ganhar experiência, “calo” e manha.

Super Ensaio de Stockdale 

PREVISÕES DO FAIR PLAY

Comecemos pelo fim… a Irlanda acaba as Seis Nações em 2018 fora, em terreno inglês… parece mesmo “história” dos livros, uma vez que pode ser a “final” esperada entre candidatos ao título (e até do Grand Slam). A 17 de Março arranca esse último jogo. Recuando para trás, a Irlanda começa fora no Stade de France, mas depois recebe três jogos no Aviva Stadium, Itália, Escócia e País de Gales.

Olhando bem para o “roteiro” da Selecção do Trevo, a situação está favorável para voltarem aos títulos… agora depende se conseguem produzir o seu melhor rugby em campo. Têm força para derrotar a Escócia? E a mega-Inglaterra?

MVP DA IRLANDA: Jonathan Sexton (Leinster)
MELHOR AVANÇADO: Sean O’Brien (Leinster)
MELHOR 3/4’S: Jonathan Sexton (Leinster)
SURPRESA: John Stockdale (Ulster)
XV TITULAR (PROVÁVEL): Cian Healy, Rory Best, Tadgh Furlong, Devin Toner, Iain Henderson, Peter O’Mahony, Sean O’Brien, CJ Stander; Connor Murray, Jonathan Sexton, Jacob Stockdale, Bundee Aki, Chris Farrell, Simon Zebo e Rob Kearney

O Melhor jogo da Irlanda nas Seis Nações 2017


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