Onde é que anda o flop: Silvio Marić, o croata das Antas com pés tortos

Francisco IsaacJunho 28, 20206min0

Onde é que anda o flop: Silvio Marić, o croata das Antas com pés tortos

Francisco IsaacJunho 28, 20206min0
Chegou em 2000 para reforçar o ataque do FC Porto depois de uma experiência negativa no Newcastle... a história curta do croata na Invicta, que acabou rotulado de Flop.

Nas várias entradas desta rubrica do Fair Play do “Onde é que anda o flop”, surgem alguns nomes que se cruzaram ou estiveram perto disso, como é caso de Juan Pizzi, Juan Esnáider, Iván Kaviedes, partilhando todos aquela fase de três anos e zero títulos conquistados. Para preencher este elenco de avançados que não conseguiram chegar aos 5 golos no total dos seus registos, existe ainda um 4º que chegou vindo da Premier League e acabou por também acabar na porta de saída passado alguns meses… Silvio Maric de seu nome e de apenas 2 golos marcados na a época que jogou pelos azuis-e-brancos.

Poucos se lembram concretamente dos méritos e feitos do mítico jogador do Dínamo de Zagreb, como os seis campeonatos levantados pelo emblema da capital da Croácia ou a sua participação no Campeonato do Mundo de 1998 em que a selecção dos Vatreni foi capaz de conquistar a medalha de bronze. Maric fez parte de uma das gerações mais especiais do futebol croata, alinhando ao lado de Davor Suker, Zvonimir Boban, Robert Jarni, Igor Tudor, Dario Simic ou Igor Stimac, nomes inesquecíveis que passaram por alguns dos emblemas mais mediáticos do Mundo.

Maric era um elemento vocacionado para o ataque, que podia operar tanto como médio-ofensivo encostado à área ou a surgir nas alas para um lançamento em profundidade de jogo, ou mesmo como um segundo avançado oferecendo uma linha de passe “limpa” e directa. Entre 1994 e 1999 (foi lançado nos séniores com 17 anos mas só realmente foi considerado como opção a partir dos seus 19) singrou no Dinamo de Zagreb, pautado sempre por um futebol de grande elegância e de fácil execução, sem esquecer a agressividade com que atacava a baliza, oferecendo assim uma certa letalidade intensa que o levou a ser chamado para a selecção nacional croata em 1997.

Com 22 anos nas pernas, Silvio Maric conseguiu conquistar uma das vagas para estar presente naquele que seria um dos Mundiais mais lendários da história do Desporto-Rei, alinhando num total de quatro jogos (Japão, Argentina, Alemanha e França) nesta campanha inesquecível e histórica de uma das selecções mais apaixonantes de ver jogar nessa edição do Mundial.

O médio-ofensivo/avançado regressou a Zagreb e realizou, talvez, dos seus melhores seis meses no clube com prestações de alto nível, em específico na Liga dos Campeões onde se cruzou curiosamente com o FC Porto. Este primeiro semestre da temporada 1998/1999 valeu-lhe o interesse de alguns emblemas internacionais, como Marselha, Bétis, Valência e Newcastle, sendo que foram os Magpies a pôr fim ao leilão com uma proposta em redor dos 6M€, um valor minimamente elevado para a época, sobretudo para o futebol croata.

O único golo marcado por Maric pela Croácia

Infelizmente, esta saída para o futebol inglês foi o início de quatro anos de malapata com vários problemas a impossibilitarem-lhe atingir um patamar diferente e que poderia tê-lo colocado na mesma senda que Boban, Suker, Stanic (chegou a ter uma passagem “infeliz” pelo SL Benfica, mas ainda assim melhor que Maric pelo FC Porto) ou Simic. Ao serviço do Newcastle nunca se adaptou à interatividade e intensidade do futebol inglês, pareceu algo perdido na maioria dos jogos e desfasado do que a equipa procurava, sem capacidade de cooperar com a eficiência no apoio a Alan Shearer, perdendo o comboio para o jovem Kieron Dyer.

Para piorar, Maric começou a sofrer algumas lesões no ano 2000, o que só prejudicou um potencial comeback, caindo na lista de transferíveis no fim da temporada. Dos vários pretendentes, surgiu o FC Porto com uma proposta de 300 mil euros, o suficiente para conquistar o concurso do croata que tinha desvalorizado quase 5,5M€ em apenas uma época e meia, e este não foi um bom prognóstico para o que se seguiria a seguir.

O croata chegou em Julho de 2000 às Antas e aguentou-se apenas 12 meses, completando uns meros 11 jogos que se traduziram em 422 minutos e apenas 2 golos, explicando-se esta ausência quase por completa de toda a época devido às contínuas lesões sofridas ao serviço do plantel então treinado por Fernando Santos – sofreu na pré-época uma rotura de ligamentos cruzados. Contudo, e agora entra a parte estranha… terá Silvio Maric realmente sido um flop por completo?

Sim, as lesões e a falta de forma sentida no decurso da temporada ajudaram e muito à pobre imagem deixada nas Antas, mas a verdade é que sempre que conseguiu jogar revelou traços agradáveis que noutro contexto e com outra “paciência” poderiam tê-lo tornado num jogador muito útil ao emblema azul-e-branco. Veja-se que Maric chegou à Invicta com 25 anos, uma idade perfeita para singrar num futebol mais “calmo” como o português mas que ainda assim com olhos postos nas provas da UEFA mas a falta de paciência do novo treinador (Octávio Machado), as lesões recorrentes e o facto da direcção querer oferecer uma nova vaga de reforços – para além de sentirem que Pena chegava para todos os “trabalhos” – forçaria a sua saída no Verão de 2001.

Mas verdadeiramente, terá Maric sido um flop em termos de más exibições? É que analisando as prestações frente ao SL Benfica (para a Taça de Portugal), Sporting CP, Marítimo, Estrela da Amadora, dá para perceber que era um dos futebolistas mais esclarecidos do plantel, requintado de bons pormenores técnicos e que conseguia impor um certo tremor aos adversários. Infelizmente, esses pormenores não foram suficientes para convencer a sua permanência e acabou transferido para o Dinamo de Zagreb a custo-zero… um negócio algo ruinoso, quando o FC Porto dispensou 300 mil euros para garantir um atleta na “flor da idade”.

O avançado croata acabou por voltar a conquistar o título de campeão pelo seu clube de origem e ainda teve a oportunidade de alinhar pelo Panathinaikos, onde conquistou a dobradinha em 2003/2004. Continua assente na história do Dinamo de Zagreb como um dos seus mais recentes ícones e talvez não mereça a etiqueta de flop pelo FC Porto, apesar de em Newcastle ser considerado um dos piores reforços alguma vez contratados pelo emblema inglês.

Um dos golos de Maric pelo FC Porto


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