6 clubes que foram ao “inferno” e que regressaram ao mais alto nível pt.1

Francisco IsaacMaio 20, 20208min0

6 clubes que foram ao “inferno” e que regressaram ao mais alto nível pt.1

Francisco IsaacMaio 20, 20208min0
O cair na segunda divisão (ou até terceira) é sempre visto como um cenário aterrador mas que pode ajudar a reformatar o clube em direcção a uma nova era. Do inferno ao céu revisto neste artigo

O cair na segunda divisão é sempre visto como um perigo para a existência de um clube ou mesmo a reformatação total que força um recomeço desde as divisões inferiores… contudo, para estes quatro emblemas esse “problema” abriu caminho para uma era mais estável e até recheada com títulos e glórias. Escolhemos 4 clubes que superaram a descida divisão ou o reinício quase total para voltarem à divisão principal do seu país num par de épocas!

ACF FIORENTINA

A Fiorentina atravessou momentos de alta glória quer seja pelos títulos que conquistou (as duas Serie A entre as décadas de 50 e 60 do século XX) ou por a infindável lista de estrelas que agraciaram a história deste mítico clubre italiano, como Gabriel Batitstuta, Rui Costa, Roberto Baggio, Daniel Passarella, entre tantos outros, mas também teve o seu quê de desilusões e caídas até à Série C2 – 4ª divisão – como aconteceu no ano de 2002. Se no passado já tinham sido vítimas de uma relegação muito curta para a Série B, no ano de 2002 foi um dos piores desastres da história do emblema florentino com a direcção de Cecchi Gori a não conseguir evitar o estado total de ruína, apresentando dívidas na ordem dos 500M€ o que implicou logo o não pagamento a atletas, staff técnico e outros membros da estrutura.

Com a queda na Série B no final da época de 2001/2002, Gori esperava ter soluções para dar volta à situação catastrófica, mas perante a dura realidade foi impossível fazer marcha-atrás e o pior viria em Julho de 2002: recusa da Liga Italiana em aceitar a inscrição da Fiorentina na Serie B. Ora isto forçava desde logo uma descida até às C’s e perante esse cenário Gori, com a administração que tomou controlo da situação, optaram por cessar a existência da Associazione Calcio Fiorentina… até que uma série de adeptos mais fervorosos liderados pelo empresário Diego della Valle, rapidamente foi reposto o futebol em Florença com a inscrição da Associazione Calcio Fiorentina e Florentia Viola na Serie C2, dando o mote para que os dias de glória regressassem brevemente mas liderados por uma lógica coerente e competente. O único jogador que transitou da AC Firorentina para a ACF Fiorentina CF foi Angelo di Livio, um dos maiores ícones de sempre dos Viola tendo se retirado em 2005, seis anos após ter ingressado no clube vindo da Juventus.

Em apenas três épocas regressaram à principal divisão de futebol italiana, mostrando uma total sanidade económica que ainda se mantém nos tempos actuais, isto e apesar de estarem sempre entre a luta para chegar à Liga Europa ou para evitar a descida de divisão. A verdade é que a Fiorentina podia perfeitamente ter findado por completo e cessado a sua existência, contudo a teimosia de alguns foi capaz de refundar um clube que apaixona adeptos por todo o Mundo, e mesmo estando longe de ser um contender consistente para ir às provas internacionais da UEFA é um dos principais emblemas do Calcio.

A paixão dos Viola pela sua Fiorentina mesmo no C2 em 2003

PARMA CALCIO 1913

Exactamente como o seu “vizinho” da Fiorentina, o Parma já foi vítima uma e outra vez de uma gestão descuidada e que arrebentou por completo com as contas do clube ao ponto de ser necessário refundá-lo e recomeçar todo de novo um projecto, como aconteceu em três ocasiões diferentes. Sim, o Parma, emblema que conquistou a três taças de Itália e duas taças UEFA, já recomeçou e acabou em três momentos diferentes: 1966, com descida até à Série D e consequente dissolução do clube; recomeço em 1968 e excelentes resultados obtidos até 2004; 2004 insolvência devido ao escândalo Parmalat e reestruturação de todo o clube, com a necessidade de refundar com nome diferente devido às dívidas existentes e impossíveis de pagar mas manteve-se na Serie A só até 2015 altura em que voltou a declarar insolvência e desta vez foi forçado mesmo a cair para a Serie D, sendo necessário nova refundação do clube que vigora até hoje.

Ou seja, a história do Parma tem sido das mais problemáticas do futebol europeu, com constantes insolvências e fechos de estádio ou outras estruturas da sua responsabilidade, forçando um recomeçar cada vez mais difícil e exigente, que implica não só refazer toda a tesouraria mas também de reconquistar os adeptos traídos uma e outra vez pela má categórica gestão dos donos e direcções deste emblema da região Emília-Romanha italiana. Só para se ter uma noção dos problemas financeiros do Parma, as dívidas que levaram à bancarrota de 2015 ascendiam os 230M€ (fornecedores, pagamentos camarários, licenças, etc) mais 65M€ em salários ao futebol profissional (toda a estrutura).

Mas bem, o Parma dos dias de hoje regressou à Serie A em 2018/2019, três épocas depois de ter reiniciado a sua actividade na Série D e tem se mostrado um clube mais forte e promissor, controlando as contas sem esquecer a necessidade de contratar jogadores de qualidade ou pelo menos garantir empréstimos que enriqueçam o clube dentro de campo enquanto se solidificam as contas de um emblema historicamente reincidente em quedas financeiras. Curiosamente, pelo menos um jogador português participou em cada uma das duas últimas fases de queda e levantar do Parma, com Fernando Couto a viver parte da era de glória (fez parte de uma das quatro conquistas europeias dos anos 90), enquanto Bruno Alves assumiu a liderança nestas duas últimas épocas de regresso à Serie A.

Como nota final, estes foram os vários nomes do Parma durante estes últimos 100 anos: Verdi Foot Ball Club (1913-1968) / AC Parmense (1969 a 2004) / Parma Football Club SpA (2004 a 2015) / S.S.D. Parma Calcio 1913. Emotivo, certo?

O dia da subida e regresso à Serie A em 2018

ATLETICO MADRID

Campeões em 2014 em pleno Camp Nou frente ao super e poderoso FC Barcelona… quem se esquece desta imagem de um Atlético Madrid a reinar supremo sobre tudo e todos na La Liga? Quase todos, correcto? Mas e quem se recorda da queda em 2000 quando terminaram num desastroso 19º lugar e foram forçados a jogar na segunda divisão espanhola durante duas temporadas?

A verdade é que o Atlético de Madrid viveu três eras diferentes, uma primeira de grande glória em que estiveram 66 anos consecutivos a jogar na principal competição de futebol em Espanha, uma segunda em que foram forçados a reimaginar todo o seu processo e reconstruir um clube que sofria de sérios problemas financeiros e a terceira de regresso à La Liga e de crescimento sustentado até solidificar o seu lugar como candidato crónico à conquista do título.

Transversal a estas períodos foi Jesus Gil, empresário de sucesso mas que constantemente recebia o rótulo de louco e maníaco, que assumiu a liderança do clube a partir de 1987 só cedendo a mesma em 2003, ao actual presidente Enrique Cerezo. Quando se deu a queda do Atleti em 2000, jogava por lá um jovem talento do futebol nacional, de seu nome Hugo Leal!

Passado um ano da descida chegaria outro português, agora o irreverente Dani que acabaria mesmo por ser o seu último clube numa carreira problemática e que merecia outra sorte. Em relação ao Atlético de Madrid, os dois anos na La Liga2 foram fundamentais para que o clube reiniciasse um caminho de renovação e de reafirmação do seu potencial poderio entre os maiores emblemas do futebol espanhol, ultrapassando então o declinio que se iniciou após a conquista da dobradinha de 1996 sob os comandos de Radomir Antic (curiosamente seria o momento mais alto da carreira do treinador sérvio) e que só seria completamente ultrapassado em 2007, momento em que atingem o 4º lugar no campeonato e começam a causar algum impacto nas provas da UEFA.

O processo de crescimento do Atlético Madrid teve o seu expoente mais alto quando Diego Simeone agarra no plantel – que já tinha conquistado uma Liga Europa na época de 2009/2010 sob o comando de Quique Flores – e consegue trabalhar na perfeição com Cerezo, ao ponto de construírem uma das equipas mais letais no contra-ataque e amplamente agressiva na arte da defesa e de saber sofrer e aguentar a pressão, para além do emblema madrileño respirar confortavelmente em termos de finanças, conseguindo assim passar o período convoluto final da presidência de Jesus Gil (o filho mais velho detém 51% dos direitos do clube, mas cedeu o poder de decisão a Cerezo…na maioria das situações).

Para trás fica então o capítulo de dois anos na segunda divisão espanhola, onde foram motivo de chacota por parte dos seus arqui-inimigos do Real Madrid ou dos seus rivais do Valencia CF que viam assim quase um suposto “fim” nesta caída para a liga secundária de Espanha.

O Atleti de Simeone campeão


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