5 jogadores que desiludiram o Mundo do Rugby em 2018

Francisco IsaacDezembro 11, 20187min0

5 jogadores que desiludiram o Mundo do Rugby em 2018

Francisco IsaacDezembro 11, 20187min0
Michael Hooper não foi o capitão que a Austrália precisava, George Ford não manteve o lugar na Inglaterra e estes são 2 dos jogadores que desiludiram o Mundo do Rugby neste ano! Concordas?

Estamos a menos de um ano do Mundial de Rugby e as Selecções mundiais começam a aperaltar-se para o maior evento da modalidade! Entretanto as competições internas continuam em alta intensidade, apesar do Super Rugby estar em fase de “férias” depois de mais uma época de elevado gabarito.

2018 foi um ano sem dúvida de muito rugby, com a extraordinária ascensão da Irlanda de Jonathan Sexton, Jacob Stockdale e CJ Stander, à confirmação de mais um ano de reinado no Hemisfério Sul dos All Blacks de Rieko Ioane, Beauden Barrett e Broadie Retallick, ao domínio do azul-mar do Leinster, entre outros pormenores.

Mas no meio desta convulsão de rugby toda, também se deram grandes desilusões com alguns jogadores a ficarem abaixo das expectativas. Quem? Descobre estes 5 atletas analisados pelo Fair Play

JULIAN SAVEA (HURRICANES/RC TOULON)

2017 foi um ano de tremenda desilusão para o ponta que durante anos semeou “terror” nos seus adversários, muito devido ao poder de explosão, poder de choque e sentido de aproveitamento a cada nova arrancada.

Perdeu o lugar nos All Blacks e, parcialmente, nos Hurricanes logo em 2017 e em 2018 nunca conseguiu atingir um nível minimamente bom para reconquistar o lugar no setpiece de Steve Hansen. Acabou por se conformar com um contrato soberbo oferecido pelo RC Toulon.

Contudo, a mudança para o Velho Continente não foi de todo positiva, uma vez que Savea soma 1 ensaio em 12 jogos, num registo muito pobre para quem tinha feito 45 ensaios em 116 jogos pelos Hurricanes e 46 ensaios em 54 jogos pelos All Blacks. Savea está menos veloz, não consegue enganar os adversários com tanta facilidade como no passado e nem a questão da destreza explosiva tem feito a diferença pelo seu novo clube.

Ironicamente, tem sido uma época desastrosa a todos os níveis para o RC Toulon, que está bem longe do apuramento para a fase-final do Top14 e a Heyneken Champions Cup também está em perigo.

Conseguirá Julian Savea dar um ar da sua graça nos próximos meses?

WESLEY FOFANA (CLERMONT/FRANÇA)

O Clermont está em alta, com um plantel bem entrosado e apetrechado e um rugby fascinante, mas Wesley Fofana ainda não conseguiu exercer o seu domínio no par de centros como em anos anteriores.

O internacional francês tem tentado ultrapassar alguns problemas físicos que têm o incomodado desde 2016, sem que conseguisse apresentar a forma de outrora que apaixonou os adeptos dos Les Bleus constantemente. Apesar do mau registo, soma 6 jogos e três ensaios, numa clara alusão ao que consegue fazer de melhor quando não está a contas com uma lesão.

Aos 30 anos e a um ano do Mundial do Japão, o centro está a tentar regressar às primeiras escolhas de Jacques Brunel sendo que para atingir esse objectivo é necessário voltar a colocar toda aquela magia no ponto mais alto possível. Para quem não se lembra de Fofana, é facilmente descrito pela intensidade aplicada, ritmo alto e dinamismos muito similares aos centros da Nova Zelândia, caracterizado pela dureza no contacto e espectáculo na fuga pela linha-de-defesa.

Vai a tempo de tirar o lugar a Gäel Fickou e Mathieu Bastareaud dos Les Bleus?

GEORGE FORD (LEICESTER TIGERS/INGLATERRA)

De peça imprescindível de Eddie Jones passou a suplente utilizado da Selecção da Rosa num par de meses, principalmente pela falta de qualidade na manobra ofensiva inglesa durante as Seis Nações 2018. Ford nunca foi a resposta como médio-de-abertura, completamente e constantemente maniatado pela pressão total aplicada por selecções como a Irlanda ou França, revelando-se -1 na estratégia do seleccionador inglês.

A nível de clubes, Ford mudou em 2017 do Bath Rugby para os Leicester Tigers, numa busca em encontrar um emblema mais ao seu gosto em termos de estratégia de jogo… todavia, os Tigers, que já foram no passado campeões ingleses, atravessam uma das piores fases da sua longa História e Ford acabou por não ser resposta que os “tigres” procuravam para dar outra dimensão seu jogo.

Nos Internacionais de Inverno passou ao “lado” e só com o Japão teve a oportunidade de voltar a vestir a camisola nº10… ironicamente, foi o pior encontro da Inglaterra durante os Test Matches de Novembro apesar das tentativas do abertura em mudar a velocidade de jogo da Inglaterra.

Será que a colocação de Owen Farrell na posição de médio-de-abertura da Inglaterra é definitiva? Ou o “sol” ainda brilhará para Ford?

MICHAEL HOOPER (WARATAHS/AUSTRÁLIA)

Foi um ano catastrófico para o rugby australiano, com um dos piores registos a nível internacional nos últimos 50 anos em que Michael Cheika tem claras culpas pela forma pobre como os Wallabies se têm apresentado em campo. Erros, faltas constantes, estratégia caótica, rugby anárquico sem a velocidade necessária para dar continuidade a esse tipo de jogo, com a terceira-linha a revelar uma clara falta de sentido de emergência e predisposição para ajudar na manobra ofensiva e defensiva de forma constante, os problemas têm se acumulado.

No meio destes problemas todos está Michael Hooper, o capitão dos Wallabies Tem revelado claros sinais de fadiga e ausência de frescura mental para dar outra dimensão à posição de 7 nos Wallabies, depois de mais uma época exaustiva nos Warratahs onde também não foi dos melhores.

Se David Pocock roçou o perfeito em 2018, misturando uma placagem “agressiva” e um sentido de turnover genial, já Michael Hooper nunca foi aquele 7 de aparecer no momento certo, sempre longe das melhores movimentações, descurando constantes oportunidades para ser um jogador importante a nível do ataque.

A nível da defesa, Michael Hooper esteve alguns furos abaixo do pretendido, chegando muitas vezes atrasado ao confronto físico, sem participação efectiva no breakdown ou no apoio ao 1º placador.

Depois de um 2017 em grande, 2018 foi uma época medíocre para um dos melhores asas a nível Mundial.

TAULUPE FALETAU (BATH/PAÍS DE GALES)

Se Billy Vunipola tem estado excessivamente envolvido com lesões, o que retirou profundidade, agressividade e “dureza” à Inglaterra, o que dizer de Taulupe Faletau? O nº8 internacional pelo País de Gales esteve praticamente afastado da Selecção durante todo 2018, tendo jogado em só dois encontro, frente à Itália e França, ambos para as Seis Nações.

É considerado um dos 3ªas linhas mais demolidores no contacto físico, difícil de parar logo no momento, oferecendo uma fisicalidade de excelência ao Bath Rugby e País de Gales. Contudo, as constantes lesões têm lhe retirado o poder de explosão e aquele ritmo de ponta que criava dissabores para os adversários, estando bem longe do Faletau de 2016.

Com a ascensão do “louco” Ross Moriarty nos Dragões Vermelhos, Taulupe Faletau vai ter sérias dificuldades em conseguir “roubar” um lugar que já foi seu e que para lá voltar terá de apresentar outros argumentos a Warren Gatland. A falta de sucesso do Bath Rugby é outro detalhe importante e um regresso ao País de Gales poderia proporcionar um futuro mais certo ao 3ª linha que nasceu no Tonga.

Lesões e mais lesões para Faletau (Foto: Getty Images)

Com a chegada das Seis Nações 2019 e do Mundial de Rugby (se for convocado será a sua 3ª participação na competição), o nº8 de 28 anos tem um caminho sinuoso pela frente e terá de enfrentá-lo com todo o vigor, ritmo e agressividade possível.


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