Sandro Maximiliano, o Prof Surfista que apaixona as ondas

Palex FerreiraAbril 27, 20226min0

Sandro Maximiliano, o Prof Surfista que apaixona as ondas

Palex FerreiraAbril 27, 20226min0
Fica a conhecer melhor Sandro Maximiliano, uma das referências do surf português nesta entrevista em exclusivo do Fair Play

Sabes quem é Sandro Maximiliano, um dos surfistas com mais estilo, paixão e trabalho feito nas ondas e praias portuguesas? Fica a conhecê-lo melhor nesta entrevista em exclusivo.

Idade?

Old School

Tempo de surf?

35 anos pelo menos

Praia(s)/onda(s) preferida(s)

Para mim mais importante que a qualidade das ondas, são aquelas praias com valor sentimental, onde crescemos, onde temos família, onde vivemos. No meu caso, a Praia de St.Amaro de Oeiras, a Praia das Maçãs em Sintra, a Praia da Rainha na Caparica e a Praia do Morro em Espírito Santo, no Brasil.

Quem são/eram os teus ídolos?

No Surf, o Dapin. Pela amizade, pela longevidade, pela excelência na água e pela dedicação incondicional ao Surf.

No pódio de um circuito da Associação de surf da Costa da Caparica (ASCC) com o Hugo Zagalo
Que filmes de surf que te mais marcaram até hoje?

Alguns antigos nos Anos 80, mas um bom exemplo mais recente é o Bustin Down The Door, devia ser obrigatório nas escolas de surf e na formação dos treinadores.

Qual a melhor surfada até hoje?

São centenas… perto e longe de casa. Desde o Atlântico, ao Pacífico e ao Índico.

Foste competidor do Circuito Nacional, durante alguns anos, achas que o SURF nacional segue no rumo certo?

Foram cerca de 20 Anos a participar em campeonatos nacionais e campeonatos regionais e também 07 anos no circuito europeu profissional. No campeonato nacional universitário, fui campeão uma vez e fui vice-campeão duas vezes. A minha última competição curiosamente foi no Brasil, em 2016, fiz uma final na categoria Masters em Espírito Santo, onde morava o meu pai. Penso que o SURF nacional segue o rumo normal de um país como o nosso que tem uma costa enorme e com boas ondas o ano inteiro. Hoje em dia está tudo facilitado, existem treinadores, existem promotores de eventos, o melhor equipamento está acessível, uma maior facilidade para viajar, e os surfistas evoluem muito mais depressa do que no nosso tempo. Podemos seguir o mesmo caminho dos brasileiros há uns 15 atrás, mas só alguns é que vão conseguir chegar longe, porque ainda temos muito a mentalidade do campeão do bairro e hoje em dia para ser profissional isso já não chega.

Tens vontade de voltar a competir um destes dias?

Se não tivesse o meu SURF um bocado limitado por causa de lesões, talvez sim, pontualmente.

No decorrer de formação para treinadores de surf (Foto: Arquivo do próprio entrevistado)
Uma história de uma viagem (SurfTrip) que mais te marcou?

São dezenas de histórias e viagens. Por exemplo, no Havai em 92 surfei em backdoor com o Kelly Slater uns dias após ele ter ganho o primeiro título mundial, e estive na mesma festa de final de ano que ele numa casa em Sunset Beach, o resto não posso contar (risos).

O que achas da evolução do surf, no mundo?

Tem coisas boas e outras péssimas. Por um lado assegurou a minha vida profissional, mas por outro lado só veio estragar a essência do SURF no mundo inteiro.

Estás ligado via Universidade ao ensino do surf em Portugal desde há muitos anos, como nasceu essa vontade de contribuir para o surf português?

Foi tudo natural, nada planeado, as coisas foram acontecendo.. juntar a minha carreira desportiva com a minha formação académica foi um projecto de vida. Estava destinado.

Onde se basearam na formação, sendo que no início ainda pouco se falava no surf como formação, já existiam alguns países (por exemplo: EUA, Austrália, etc) com esse tipo de formação?

Honestamente, a primeira versão do programa para lecionar na licenciatura em 2002, construí sozinho, foi pela minha cabeça, espontaneamente fui colocando tópicos e arrancou assim. Depois fui melhorando o programa com pesquisa, informação e experiência.

Quem na tua opinião mais académica, são os grandes inovadores da parte lectiva do treino?

Todas as faculdades têm gente de valor, especialistas e estudiosos nas diversas áreas do treino, é só fazer o transfer adequado para a modalidade. Mas para isso é fundamental ter sido um praticante com bom nível técnico e tático, e com algum envolvimento na competição de preferência.

Ao longo dos anos quantos alunos foram formados pela Universidade?

Na formação de treinadores de SURF já passámos os 800 treinadores de norte a sul do país.

Qual a equipa docente e se serem surfistas, alguns deles, ajuda muito nessa formação?

São mais de 25 formadores e quase todos são surfistas e vários com percursos no treino e na competição. Costumo dizer que a nossa formação é construída por surfistas para surfistas. É assim que deve ser se quisermos valorizar a nossa actividade em vez de banalizá-la.

O que é necessário para tirar essa formação?

Alguns requisitos gerais e específicos de acesso. Por exemplo, um treinador qualificado em Portugal deve saber falar e compreender o português, e também deve ser no mínimo um surfista mediano, entre outros requisitos básicos.

Sandrinho a aplicar uma stickada by the books! (Foto: Arquivo do próprio entrevistado)
Qual o futuro da formação em surf?

Honestamente não sei, recentemente apareceram várias formações que não deviam sequer ser certificadas, estão a baixar demasiado a fasquia, a desrespeitar regulamentos e a banalizar não só o rigor da formação, mas fundamentalmente a própria actividade profissional do treinador de surf. Toda a gente sabe disto e não me parece que as entidades reguladoras estejam a tomar providências, pelo menos por enquanto. Quanto a nós, vamos continuar a fazer o nosso trabalho.


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