Quim Jó surf family e a paixão pelas ondas, mar e surf

Palex FerreiraJunho 2, 20218min0

Quim Jó surf family e a paixão pelas ondas, mar e surf

Palex FerreiraJunho 2, 20218min0
Quim Jó é um dos decanos do surf nacional e conta ao Fair Play a sua história com o mar, nesta entrevista em exclusivo.

Um dos mitos do surf nacional, Joaquim Jorge ou, como é conhecido, Quim Jó, foi entrevistado pelo Fair Play para falar da sua ligação com o mar, a paixão pelo surf e toda a cultura que gira em torno das práticas aquáticas, ao qual está ligado há décadas.

Nome? Idade? E tempo de surf?

QJ. Quim Jó, tenho 51 anos e estou ligado há 38 anos ao surf (comecei aos 13).

Porquê o surf?

QJ. Eu sempre tive casa na Ericeira, e quando o surf começou a aparecer, eu e os meus amigos começámos a deslizar nas ondas em pranchas de esferovite, na praia do sul, e mais tarde com uma prancha do Álvaro (La Luna). Material, tínhamos que ir a Ribeira D’Ilhas ver se havia bifes, e se queriam vender. Estávamos em 1982 / 1983.

Continuas a ir surfar regularmente?

QJ. Vou menos do que gostava, mas continuo a ir surfar com alguns desses meus amigos da Ericeira. Também vou à Costa porque me sinto em casa, mas tem muito crowd. Tento fazer uma surftrip por ano, com os meus irmãos e esses amigos, mas nem sempre tem sido possível.

Tipo(s) de prancha(s) preferidos e porquê?

QJ. Eu nunca fui um grande surfista, daí que use pranchas com muitos litros, agora uso JS com 42 litros, e uma FireWire 6.0 TwinFin do Rob machado. Vivi bastantes anos na Costa e surfava de longboard com a minha mulher. O meu filho Joaquim (Quim Jó) nasceu na costa, no Garcia da Horta e foi na Costa que começou a surfar, acho o sítio perfeito para começar e evoluir.

Foto: Arquivo pessoal
Como vês o teu filho (Quim Jó) actualmente no panorama nacional e que futuro terá no mundo do surf, cada vez mais competitivo.

QJ. O Joaquim sempre foi um miúdo bastante competitivo, começou na ginástica desportiva, e só aos 7 anos é que começou a fazer surf. Ainda fez as duas modalidades dois anos, mas aos nove anos decidiu pelo surf. Para mim não foi fácil ao princípio, porque o surf para mim era um estilo de vida e a maneira de me divertir com os meus amigos, para nós o importante era estarmos juntos e sermos felizes. Tinha dificuldade em aceitar o espírito competitivo no surf.

Tentei ajudar da melhor maneira que consegui, mas sempre me senti muito apoiado , porque o Joaquim começou na Surftechnique (APS) com o David Raimundo e com o Nuno Telmo, que também me ensinaram a ser pai de um atleta de alta competição, e a lidar com toda esta realidade. Ás vezes queremos ajudar os nossos filhos e sem querem acabamos por prejudicá-los e meter-lhes uma grande pressão. Temos que separar as coisa, existem os treinadores, e eu sou o pai. Apesar de fazer surf há muitos anos, tenho consciência que não tenho conhecimentos suficientes de surf para opinar.

O Joaquim tem tido alguns bons resultados, e é um miúdo muito focado nos seus objectivos, tem 17 anos e todos os sonhos do mundo. Vai acabar agora o 12º ano, vai tentar matricular-se na universidade, e congelar a matrícula. Vai parar os estudos durante uns tempos, para se dedicar ao seu sonho. Eu acho que esta geração, tem alguns surfistas com muito potencial, mas têm que trabalhar muito, para chegarem onde querem. Portugal, por muito que nos custe ainda tem uma cultura de surf muito pequena. Esta é a primeira geração filhos de surfistas, mas ainda nos falta muito.

Em todas as gerações tem havido excelentes surfistas, e o que é verdade que só dois até hoje conseguiram chegar ao world tour. Esta geração tem tido mais facilidade, em viagens e em campeonatos pelo mundo fora, mas há outros países que dão muito mais apoio a atletas surfistas, pelo que os torna muito mais competitivos. Vimos agora no QS 3000 na costa, e na ronda 5 já só tínhamos 4 atletas Portugueses em prova, e franceses 17.

Nós temos melhores ondas que em França, só nos falta cultura de surf e vontade de vencer. O Joaquim tem um longo trabalho pela frente, mas acho que vai se esforçar para chegar o mais longe possível. E eu só tenho que o apoiar como pai, e estar sempre presente, nos bons e nos maus momentos.

Um dos teus irmãos está associado à música (Frankie Chaves), são uma família muito ligada ao mar e ao surf, porque para além de surfistas, também adoram pescar submarina, (inclusive o Quim Jó -o teu filho) que já alinha contigo nestas nestas pescarias, como é viver esse lifestyle?

QJ. Eu tenho 3 irmãos e uma irmã, o meu irmão Frankie e o Zé, são os que mais partilham este estilo de vida. As nossas férias costumam ser combinadas de maneira a estarmos juntos, e juntarmos os primos todos. No verão costumamos ir a Hossegor (França), que para mim na Europa é onde existe maior cultura de surf. Outras vezes vamos para Sagres ou Costa Vicentina. Maior parte dos meus sobrinhos fazem surf, alguns tal como o Joaquim seguiram a competição que é o caso da Maria Chaves e do Rodrigo Chaves.

Em relação à caça submarina, eu sempre cacei com o meu irmão Zé, o Frankie começou mais tarde, mas já se juntou ao cardume. O Joaquim começou em pequeno a pescar comigo, tanto à cana, de barco, como submarina. Agora desde que tem estado mais tempo a viver na Ericeira, e como alguns amigos caçam como é o caso do Martim carrasco, o Martim Magalhães, Tomás Fernandes, entre outros, ele tem caçado bastantes vezes. Eu fico muito contente, pois foi o meu modo de vida em miúdo e fui muito feliz. Quando há ondas vamos surfar, quando não há vamos caçar e ao marisco.

Foto: Arquivo pessoal
Qual foram os maiores peixes que apanhaste na caça submarina?

QJ. Em Portugal continental, o maior peixe que cacei foi um robalo com 7 kg em Ribeira d’Ilhas, também já tirei safios grandes, mas troféu troféu são os robalos. Nos Açores também já apanhei uns peixes maiores.

Como achas que o surf está actualmente em Portugal e no mundo? E como será o futuro desta modalidade?

QJ. O surf deve ser dos desportos que mais tem evoluído em Portugal, quando eu comecei era um desporto marginal. Hoje é um desporto igual aos outros e até para muitos visto como um desporto de moda. Como tudo que cresce muito rapidamente, acusa as dores de crescimento. Há escolas a mais, há gente a mais dentro de água e muitos estrangeiros, sem noção nenhuma dos perigos do mar, e muitos instrutores sem a mínima noção do que é surf.

Vai ter que haver legislação e controle por parte das entidades marítimas. Penso que a tendência será sempre para crescer, até porque cada vez mais existe uma cultura de surf em Portugal. No princípio da entrevista, descrevi como comprávamos material, neste momento Ericeira tem talvez as melhores lojas de surf da Europa. A recente 58 surf shop é o sonho de qualquer surfista. Peniche também está muito virado para o surf.
Não tenho dúvidas que Portugal vai ser a capital do Surf na Europa, e que o surf cada vez mais vai ter impacto na nossa economia, tem é que ser legislado para evitar futuros problemas.

Como geres actualmente o crowd, com cada vez mais gente na água, vindo de uma geração onde o crowd não era tão elevado, como são os teus dias actualmente?

QJ. Tento ir a sítios com menos crowd, mesmo que as ondas não estejam tão boas, eu e os meus amigos divertimo-nos sempre. Só ir ao mar já é um motivo de festa.

Há espaço para todos e o surf pode ser um desporto de união e de família, mas é importante saber as regras e respeitar os locais. Se formos civilizados, o mar tem ondas que chegam para todos, e para níveis diferentes. Sejam felizes e façam umas ondas.

Foto: Arquivo pessoal

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