Pedro Aguilar. “O foco e futuro do Braga Rugby é a formação”

Francisco IsaacOutubro 18, 201820min2

Pedro Aguilar. “O foco e futuro do Braga Rugby é a formação”

Francisco IsaacOutubro 18, 201820min2
O actual presidente do Braga Ruby explicou o futuro do clube numa entrevista em que também abordou outros temas. Fica a conhecer melhor Pedro Aguilar
Pedro, antes de mais, consegues dizer como começou esta sua ligação ao rugby? Já vão quantos anos de vida no rugby?

PA. Antes de tudo queria agradecer a oportunidade proporcionada para falar sobre Rugby e em particular sobre o Braga Rugby.

Comecei a jogar Rugby, no final dos anos oitenta, por isso há 30 anos. Comecei numa equipa que se tentou formar na Universidade do Minho, treinada por um jogador do CRAV. Ao fim de algumas semanas já estava a treinar em Arcos de Valdevez com o CRAV.

Começaste num “primo” do rugby de Braga, o CRAV. Tens recordações desses anos em Arcos de Valdevez? O rugby era muito diferente no Norte em comparação com hoje em dia?

PA. Guardo ótimas recordações desses tempos e dos muitos anos que passei no CRAV quer como jogador quer, depois, como treinador.

Quando comecei a jogar o rugby era diferente. No Norte havia menos equipas: CRAV (Arcos de Valdevez), UTAD (Vila Real) e CDUP (Porto). Mais tarde, apareceu o Famalicão. Assim, se vivesses no Norte e quisesses jogar Rugby tinhas de te deslocar a um destes locais. Por isso, fiz durante muitos anos, pelo menos, 2 vezes por semana, a viagem Braga – Arcos- Braga, só para treinar (+/-90km). Como eu, outros jogadores do CRAV que eram de Caminha, Ponte Lima, Esposende, Porto e muitos outros locais do Norte.

Nessa altura, a distribuição demográfica do rugby não era muito diferente da atual, o que nos obrigava a estar sempre a viajar e na maioria das vezes para Lisboa. Nessa altura, as estradas eram outras e ir jogar a Lisboa, de 15 em 15 dias, era uma aventura. Eu sou de Braga, nos dias de jogos em Lisboa, o autocarro saía dos Arcos às 5h da manhã, passava em Braga às 6h, para as 14h jogarmos em Lisboa. Lembro-me uma vez que num jogo contra Agronomia, para não levarmos falta de comparência por causa do atraso (também não havia telemóveis para avisarmos), tivemo-nos de equipar no autocarro entre o portão da tapada e o campo. Quando chegamos ao campo, saímos diretos do autocarro para o aquecimento. Depois, mal o jogo acabava, era tomar banho, entrar no autocarro para vir para cima e chegar às 2h da manhã a casa.

Por outro lado, as condições existentes eram muito piores. Na altura o CRAV era dos poucos clubes que tinha campo relvado. Jogávamos em todo o tipo de campos, pelados (o mais comum), inclinados, etc…cheguei a jogar num campo de milho, que tinha ainda os resto da colheita no chão, mas isso foi em Espanha; os balneários eram qualquer espaço junto ao campo onde desse para as pessoas se equiparem, etc…. Penso que devido a este tipo de dificuldades, o espírito do rugby, de verdadeira e franca camaradagem entre todos, era muito forte.

Qual era a tua posição já agora? E trocaste de posições na tua carreira toda como jogador?

PA. Joguei sempre na primeira linha. A maioria das vezes como pilar direito e pontualmente a esquerdo. Quando já era treinador do CRAV e se fez um levantamento de dados, soube que tinha feito mais de 300 jogos pelo CRAV o que para um pilar não está mal.

Chegaste a jogar em Lisboa ao serviço do Técnico Rugby. Foste bem recebido na altura? E qual foi o teu primeiro jogo pelo Técnico?

PA. Estive no Técnico durante 8 ou 9 anos, onde fui recebido e tratado de forma exemplar. Na altura, fui trabalhar para Lisboa e o meu treinador no CRAV, o Sr. Júlio Faria arranjou forma de eu começar a treinar com o Técnico.

Joguei pelo Técnico apenas duas épocas. Nas restantes, embora treinando sempre com o Técnico, e sendo tratado como se fosse um dos seus jogadores, jogava pelo CRAV. Nessa altura fazia todos os treinos do Técnico e às sextas ainda conseguia treinar nos Arcos. Apenas na semana antes dos jogos entre o CRAV e o Técnico é que, por vontade própria, não aparecia e treinava sozinho.

Não me lembro qual foi o meu primeiro jogo pelo Técnico, mas lembro-me bem de um jogo que fiz pelo Técnico e em que marquei um ensaio contra o CRAV. Lembro dessa jogada como se fosse hoje.

Depois de Lisboa, Braga… foi muito difícil começar com a modalidade no Minho? Quais foram os passos mais importantes em incentivar a modalidade na cidade bracarense?

PA. Depois de Lisboa, regressei ainda ao CRAV, primeiro como jogador, mais 2 ou 3 épocas, e depois como treinador dos seniores durante 5 ou 6 anos. Só depois, em dezembro de 2010 é que criamos o Braga Rugby. A criação do Braga Rugby foi da responsabilidade de alguns ex-jogadores que tinham jogado em alguns clubes do Norte, nomeadamente CRAV e UTAD, alguns universitários que na altura tentavam jogar na Universidade do Minho e algumas pessoas que simpatizavam com a modalidade. A recetividade ao projeto foi boa pois rapidamente conseguimos alcançar mais de 100 atletas inscritos na Federação ainda que houvesse muita gente que desconhecia a existência de um clube de rugby em Braga.

Um dos principais passos que demos para divulgar a atividade foi organizar, logo em Abril de 2011, o primeiro torneio Internacional de Braga para escalões de jovens. Essa organização foi um sucesso. Sucesso que se tem mantido pois, desde aí, o torneio tem sido organizado todos os anos, juntando em Braga, em Abril, durante 2 dias, cerca de 500 miúdos de clubes nacionais de norte a sul e da vizinha Espanha também, dos escalões sub12, sub14 e sub16.

Também, desde o início do clube que desenvolvemos um projeto de inclusão social, que se tem mantido até hoje, do qual muito nos orgulhamos. Temos, desde sempre, acolhidos dezenas de rapazes e raparigas de diversas instituições de acolhimentos de jovens em risco da região de Braga, proporcionando-lhes a possibilidade de praticarem a modalidade. Hoje, há vários destes jovens que, foram para outros locais, inclusivamente para o estrangeiro, mas que se mantêm a praticar a modalidade.

Antes do Braga Rugby o que houve? E quando lançaram o clube foi uma sensação boa mas de que começava uma caminhada desafiante?

PA. Em Braga já se joga Rugby desde 1932. Na altura, o Atlético Clube de Braga chegou a fazer um ou dois jogos de rugby, existindo fotos desses jogos. Penso que o Eng. Pedro Ribeiro, atual membro da comissão de gestão da Federação e um bracarense nado e criado, sabe até qual foi a constituição das equipas. Posteriormente, e já no início da década de 70, foi organizado um jogo de exibição entre o CDUP e o CDUL no estádio 1º de Maio.

Mais recentemente, o rugby regressou à cidade através da universidade. Primeiro, no final da década de 80, de uma forma muito incipiente (foi quando eu comecei), e depois, já durante a década de 90, através do SCRUM, projeto mais sólido mas que acabou por desaparecer antes da entrada neste século quando a maioria dos seus integrantes deixaram a universidade. Hoje, estão na génese do aparecimento da equipa de veteranos de Braga.

A partir de 2008 comecei, em conjunto com 2 amigos, a dar treinos a crianças, na Universidade do Minho. Assim apareceu a escolinha de Rugby da Universidade do Minho, que se pode dizer que foi a precursora do Braga Rugby. Depois, passado 3 anos se nascia o clube.

Pergunto se têm conseguido atingir os patamares que delinearam para os primeiros 10 anos?

PA. O caminho não tem sido fácil, mas os objetivos têm sido atingidos, se não totalmente, pelo menos parcialmente. Sempre defendemos que o nosso projeto seria baseado nos escalões de formação, sendo as equipas seniores uma consequência do trabalho feito na base. Hoje, podemos dizer que estamos a competir em todos os escalões de formação e que alguns dos frutos do trabalho realizado na formação já começam a ser colhidos nos seniores. A equipa sénior tem vindo a crescer e ano passado já atingiu a meia-final do CN3 onde perdemos frente aos JAGUARS que viriam a ser os campeões.

Por outro lado, o facto de termos sempre vários atletas da formação chamados aos estágios Regionais, e alguns chamados aos estágios nacionais é motivo de orgulho.

Em termos de infraestruturas, todos os escalões começaram a treinar num ringue. Estivemos lá 2 ou 3 anos, mas já evoluímos e agora estamos a treinar em campo “grande”, o campo da Caseta, em Nogueira. Este campo até já tem postes de rugby, mas atualmente não jogamos lá, apenas treinamos. Ano passado, uma tempestade derrubou as redes de vedação do campo, o que nos impede, por questões financeiras (ficaria mais caro o custo das bolas que se perderiam do que o aluguer de outro campo), de fazermos jogos lá. Estamos à espera de uma resolução deste problema por parte do Município que contamos que seja para breve.

Outra das batalhas que temos conseguido levar a bom porto é conseguirmos assegurar treinadores para todos os escalões. Por motivos profissionais e pessoais, temos todos os anos que substituir 1 ou 2 treinadores, o que se tem tornado tarefa árdua, mas realizada com sucesso. Hoje temos um corpo técnico composto por 10 treinadores, quase todos com formação em Rugby e que asseguram os treinos a todos os escalões.

Por fim, o envolvimento dos pais no clube é cada vez mais uma realidade o que também nos tem permitido fazer outras coisas e atingir outras áreas. Para além de algum apoio nas tarefas operacionais do clube, temos pais que começaram a jogar rugby agora e integram a equipa de veteranos.

O Braga está a lutar pela aprovação de uma proposta colocada no Orçamento Participativo da cidade: do que se trata? E qual é o objectivo final?

PA. Nas últimas épocas o clube tem tido cerca uma média de 130 atletas federados. Identificamos como uma debilidade que nos tem impedido de crescer mais o facto de não termos um local que seja identificado pela cidade como o local onde se joga rugby e onde os atletas, os amigos dos atletas os pais, e os simpatizantes do clube se podem encontrar. Por isso, urge resolver o problema das redes de vedação do Campo da Caseta, problema que nos impede de fazer jogos sempre nesse campo e acima de tudo dotar o Campo da Caseta de um espaço onde se consiga desenvolver a atividade social do clube.

Para tentar resolver este problema, candidatamos ao orçamento participativo municipal a construção de um edifício de apoio ao campo da Caseta, onde, para além de dotar o campo de balneários novos, haverá também salas de reuniões, salas polivalentes o e um club house. Se conseguirmos levar mais este desafio por diante, pensamos que o Braga Rugby consegue construir uma base muito importante para o seu crescimento futuro.

Pedro Aguilar (Foto: Braga Rugby)
Sentes que o clube tem crescido em número não só de atletas mas também na qualidade desenvolvida em jogadores e treinadores?

PA. Penso que sim. Como já disse, sempre defendemos que o principal foco do clube deve ser a formação. E o resultado disso está à vista. Tem havido uma melhoria gradual no desempenho desportivo de todos os escalões. Julgo que isto acontece por duas razões: por um lado porque todos os escalões vão recebendo cada vez mais jogadores que já trazem alguma formação de base e, por outro lado, o facto dos trabalho desenvolvidos pelos treinadores estar a crescer qualitativamente, não só pela experiência que estes vão adquirindo ao longo dos anos, mas também porque existe a preocupação permanente de aprendizagem e se manterem atualizados e procurando frequentar cursos sempre que há disponibilidade.

Em termos nacionais, o que é preciso fazer para o rugby português crescer? Em que capítulos estamos a falhar?

PA. Acho que nos falta uma linha de rumo, uma estratégia clara de como se atingir os objetivos. O exemplo claro disto é estarmos constantemente a alterar os regulamentos e a organização das competições. Como sabemos não se trata, na maioria dos casos, de pequenas alterações ou acertos. Falamos de alterações grandes. Isto leva a que muita da energia disponível de quem está ligado ao rugby seja consumida com estas alterações que rapidamente se tornam ultrapassadas por novas alterações. Fazemos muitos quilómetros. Infelizmente andamos pouco para a frente e muito de um lado para o outro.

Deveria haver um plano estratégico para o desenvolvimento do rugby nacional que fosse, antes de mais, acolhido e acarinhado por todos. Que fosse um polo de união e um agregador de vontades e intenção. Enquanto não houver a união de todos e uma visão para o rugby nacional que seja comum a todos, vamos continuar a desperdiçar energia com outras coisas e não com aquilo que realmente interessa.

Há uma distância profunda entre os clubes de Norte e de Lisboa ou é só uma “manta de fumo” para evitar discutir o que realmente importa?

PA. Acho que as duas afirmações são verdade. Acho que a distancia entre os clubes do Norte e do Sul é grande, assim como existe uma “manta de fumo” que não tem permitido a discussão sobre o que realmente se poderá fazer para reduzir esta distância e assim aumentar a competitividade do rugby Nacional.

Mas o problema não se coloca só com as equipas do Norte. Acho que é um problema transversal ao rugby de fora de Lisboa e que realmente nunca se quis encarar com a devida seriedade para o resolver. Se pensarmos que o Norte tem tantos habitantes como o somatório de Lisboa/Vale do tejo, , Alentejo e Algarve.

O centro tem um pouco menos. Mas na demografia do rugby o Norte representa apenas 15% da população de atletas enquanto Lisboa representa quase 60% (70% se juntarmos o Alentejo e o Algarve). Acho que estes valores dizem tudo e acima de tudo deixam claro um potencial humano que não estamos a aproveitar. Como poderemos reverter a situação? Havendo uma clara estratégia de dinamização do rugby fora de Lisboa, promovendo a equidade e não apenas a igualdade de tratamento entre clubes.

Geralmente faço a analogia entre o rugby nacional e um cartoon que vi há algum tempo atrás. Se tivermos uma vedação de 1,75m e em frente a ela tivermos 3 pessoas, uma com 1 metro, outra com 1,5 metros e outra com 2 metros, apenas a mais alta consegue ver para além da vedação.

Agora, se essas 3 pessoas tiverem acesso a 3 caixas de meio metro de altura e todas forem tratadas por igual, isto é cada pessoa tiver acesso a uma caixa, teremos a pessoa de 2 metros a ver ainda melhor, pois passa a ter 2,5 metros; a pessoa de 1,5metros passa ver sobre a vedação pois passa a ter 2 metros, mas a de 1 metro continua a não ver para além da vedação. Mas se houver uma distribuição das caixas que garanta a equidade entre as 3 pessoas, a pessoa de 2 metro não recebe qualquer caixa e a pessoa que tem 1 metro receberá 2 caixas, ficando a pessoa com 1,5 metros com a outra caixa.

Com esta situação todos conseguem olhar para alem da vedação. Basicamente é isto que se passa no rugby português, em que todos são tratados por igual, o que não ajuda em nada o desenvolvimento do rugby fora de Lisboa que tem a super mais valia das externalidades criadas pela demografia federada atual.

Dou um exemplo mais prático, real e que caracteriza o pensamento e a forma de se estar no rugby português:

Há uns anos atrás uma equipa do Braga de Sub18 disputou a 2ª fase do campeonato do Grupo B não apurados. Eram grupos de 4 equipas e jogos a uma mão apenas. Nesse Grupo estava uma equipa do Centro e 2 equipas da região de Lisboa.

Como nos regulamentos há igualdade entre os diversos clubes, o resultado do sorteio foi que o Braga recebesse a equipa do centro, mas tivesse que se deslocar 2 vezes a Lisboa. A equipa do Centro veio a Braga, foi uma vez a Lisboa e recebeu uma equipa de Lisboa.

Por fim as equipas de Lisboa, uma teve de ir jogar a Coimbra, fazer um jogo em Lisboa e outro em casa, já a 2ª equipa de Lisboa, realizou 2 jogos em casa e o jogo que teve fora foi em Lisboa. Como deves entender isto em nada ajuda o desenvolvimento do rugby fora de Lisboa. Mas, e ainda relativamente a este exemplo, juntarmos o facto de uma das equipas de Lisboa (no caso uma equipa B de um dos grandes nacionais, por isso com maior responsabilidade) ter dado uma falta de comparência na fase de apuramento da prova (penso que num jogo fora com o Elvas).

Assim passamos de um sentimento de falta de equidade para um sentimento de injustiça. (na devida altura alertarmos quem de direito, mas perante as regras nada poderia ser feito).

Esta situação é um exemplo típico do que se passa no rugby Português. Os clubes da “província” são sobrecarregados com deslocações e tudo fazem para não falharem. O dinheiro investido em deslocações por estes clubes poderia dar para conseguir melhor condições para os seus atletas e treinadores e melhorar assim o rugby fora de Lisboa e dessa forma conseguirmos todos crescer qualitativamente e quantitativamente.

Todos sabemos o esforço que clubes como o CRAV ou Loulé (apenas os casos mais extremos, pois isto aplica-se a muitas equipas mais periféricas) fazem para colocarem os seus atletas a jogarem e conseguirem manter todos os escalões a competir. Por outro lado, verificamos que muitas das faltas de comparência acontecem quando estes clubes jogam como visitados. Mais uma vez passamos do sentimento de falta de equidade para o sentimento de injustiça.

Obviamente que as deslocações são o caso mais evidente onde os clubes fora da capital são muito penalizados, mas poderíamos falar da organização competitiva dos campeonatos, poderíamos falar da distribuição de material, poderíamos falar dos seguros, poderíamos falar de assembleias gerais (algumas delas vitais para o futuro do rugby Nacional) sistematicamente marcadas para dias de semana e sempre em Lisboa, etc……..

Como resolver o problema: Definir como uma das bases da estratégia para o desenvolvimento do rugby nacional a equidade e não apenas de a igualdade entre os clubes e as regiões; apoiar mais as associações regionais por forma a que estas conseguissem promover o aparecimento de novos núcleos de rugby na “província”. Se no Norte temos tanta população como Sul, devemos fazer tudo para conseguirmos ter o mesmo número de atletas que já temos no Sul. Quando digo o Norte, o mesmo é aplicável ao Centro. Se isto acontecesse passaríamos dos 6 000 atletas de hoje para 15 000 atletas.

Engraçado que há uns dias ouvi na rádio um bom exemplo vindo do futebol. O Ajax quer propor à federação holandesa de futebol que o dinheiro arrecadado pelos clubes holandeses na liga dos campeões seja distribuído pelos clubes do campeonato holandês, para que desta forma a competitividade do campeonato local possa subir, e assim consigam ser mais competitivos internacionalmente.

Onde vê o Braga daqui a 10 anos? E qual o papel que a autarquia e Universidade podem ter na difusão da modalidade?

PA. Vejo o Braga Rugby concentrado num único local, com um campo de jogos e treinos único e com as devidas estruturas físicas de apoio. Para tal é fundamental o apoio do Município. Por outro lado, vejo também o Braga Rugby como um clube em termos demográficos ao nível do maior clube do Norte, o CDUP. Em termos qualitativos a Universidade poderá ter um papel importante, pois o desenvolvimento de parcerias/intercâmbios com outras universidades que tenham fortes tradições de rugby podem ajudar a esse crescimento.

Consegues dizer um objectivo que tem de ser cumprido a curto-prazo, um sonho difícil de se realizar e um desejo que gostasses que viesse a ser cumprido?

PA. Um objetivo a curto prazo será a instalação das redes de vedação no campo da Caseta para que assim possamos centralizarmos as atividades desportivas do Braga Rugby num único espaço. Um sonho difícil mas que pode acontecer brevemente é a construção das infraestruturas de apoio a este campo para que assim consigamos desenvolver um projeto de “academia” do Braga Rugby, juntando as atividades desportivas às atividades sociais e lúdicas. Por fim um desejo, será conseguirmos ter as nossas equipas a disputar as mais altas competições nacionais e termos jogadores formados pelo clube a representar Portugal.

Consegue definir o Braga Rugby em três palavras?

PA. Paixão, resiliência e solidariedade.

Melhor jogador que já jogou pelo Braga Rugby? E o melhor de sempre em Portugal que viu jogar?

PA. Melhor jogador que já jogou pelo Braga Rugby, garantidamente eu (risos).

Melhor de sempre que passou em Portugal é uma pergunta muito ingrata pois já houve vários bons jogadores portugueses e estrangeiros a jogarem em Portugal. Vários nomes vieram-me à cabeça, mas o que primeiro que me surgiu foi o Hafu (Belenenses) pela “magia” que trazia ao jogo.

Uma mensagem para a comunidade portuguesa de rugby e o que gostava que fosse feito no futuro?

PA. Nesta altura de indefinição no rugby português acho fundamental que todos aqueles que lidam com a nossa modalidade se unam com o objetivo comum de melhorar o rugby português, pondo de parte quezílias antigas e clubites exacerbadas e estando disponíveis a dar para um bem comum: o rugby nacional. Sobre o que gostava que fosse feito no futuro, já disse anteriormente.

Pedro Aguilar com as escolas (Foto: Braga Rugby)

2 comments

  • Lionel

    Outubro 18, 2018 at 11:26 pm

    Partilho dos mesmos desejos! Dar a conhecer o RUGBY a comunidade Bracarenses.

    Reply

Entre na discussão


Quem somos

É com Fair Play que pretendemos trazer uma diversificada panóplia de assuntos e temas. A análise ao detalhe que definiu o jogo; a perspectiva histórica que faz sentido enquadrar; a equipa que tacticamente tem subjugado os seus concorrentes; a individualidade que teima em não deixar de brilhar – é tudo disso que é feito o Fair Play. Que o leitor poderá e deverá não só ler e acompanhar, mas dele participar, através do comentário, fomentando, assim, ainda mais o debate e a partilha.


CONTACTE-NOS



newsletter