Hugo Seco. “O Irtysh é o clube com mais títulos no país, só por aí diz muito.”

Francisco IsaacAgosto 27, 20186min0

Hugo Seco. “O Irtysh é o clube com mais títulos no país, só por aí diz muito.”

Francisco IsaacAgosto 27, 20186min0
Foi um dos "obreiros" da manutenção do Feirense na Liga NOS em 2017/2018 e agora está a jogar no Cazaquistão. Fica a conhecer melhor Hugo Seco!
Hugo, depois de duas épocas a defender o Feirense, voltas a sair de Portugal mas para um campeonato mais exótico: a Primeira Liga do Cazaquistão. Porquê a saída? E o que esperas fazer nessa liga?

Dentro das possibilidades que havia, decidi juntamente com o meu agente que esta seria a melhor opção. Neste momento e principalmente pela minha idade, tive de pensar mais no lado financeiro. Nesta fase o mais importante é ajudar a equipa a conseguir a manutenção e, se possível, com assistências ou golos da minha parte.

O projecto do Irtysh FC é bom? O que esperas atingir no clube?

O Irtysh é o clube com mais títulos no país, só por aí diz muito do clube. Infelizmente esta época as coisas não estão a correr tão bem e o objetivo neste momento é a manutenção. Cheguei sem pré época e com a época na fase final, mas acredito que posso ser uma peça importante nesta fase importante.

Já tinhas jogado fora de Portugal, pelo Cherno More da Bulgária. Na altura gostaste de sair de Portugal? Que lições aprendeste na altura?

A adaptação na Bulgária foi um pouco complicada, apesar de ter feito meia época muito boa em termos individuais e coletivos, o facto de estar sozinho fez me querer voltar a Portugal.

Pelo Feirense conseguiste ajudar na manutenção por dois anos consecutivos. Ficaste feliz por servir o emblema de Santa Maria da Feira?

Foi um prazer ter representado o Feirense. É um clube muito organizado e com um ambiente familiar pouco comum no futebol.

O ano passado foi até à última jornada… recordas-te daquele momento em que ouves o apito final e sabes que conseguiram a permanência?

Lembro-me perfeitamente. Fomos dados como “mortos“ a três meses de acabar a época, mas só quem estava naquele balneário sabe a união e crença que existia entre nós. Assim que terminou o jogo olhei para o lado e tinha amigos e familiares junto a mim no relvado, algo que jamais irei esquecer.

Consegues explicar por palavras do que se trata a tua profissão e porque é que não é fácil ser jogador de futebol profissional?

Das coisas que mais me revolta é ouvir pessoas dizer que os jogadores de futebol recebem muito para trabalhar duas horas por dia. Muitos não têm noção da realidade do futebol, nem todos recebem milhões! Depois não fazem ideia das coisas que nos privamos para estarmos a 100% fisicamente. Um profissional de futebol trabalha muito mais para além das duas horas diárias no campo. Muitas pessoas não fazem ideia dos esforços que os futebolistas fazem para sobreviver.

Tu és um caso de sucesso em termos de crescimento. Começaste por jogar nas divisões inferiores de futebol em Portugal e foste passando de liga em liga. Houve algum momento de viragem na tua carreira?

Sem dúvida. Depois de algumas épocas perseguido por lesões, falsas promessas de empresários, a minha época em Castelo Branco fez-me voltar a acreditar em mim, e aí devo muito a toda a estrutura e companheiros de equipa com quem trabalhei lá. Muito importante também, foi ter  começado a ser agenciado por uma pessoa séria que acreditou em mim e me lançou para outros palcos.

Tens quase 100 jogos na Liga NOS, tendo chegado só em 2014 à liga. Tens vontade de voltar depois de um tempo no Irthysh? Ou agora estás focado em jogar fora?

Neste momento não penso nisso, estou só focado em ajudar o Irtysh.

Tu jogaste pela Briosa num momento delicado da vida do clube. O que faltou para que na altura conquistassem a manutenção? E gostaste de actuar pela Académica durante aqueles dois anos?

Para a manutenção faltou uma ponta de sorte em alguns momentos chave da época. Foram dois anos maravilhosos, no meu clube do coração, pena ter terminado dessa forma.

Se te perguntássemos quais foram os conselhos mais importantes que ouviste e aprendeste, conseguirias dizer?

Felizmente estou rodeado de boas pessoas, que me transmitem bons conselhos, mas se tivesse que destacar um talvez um que o meu pai me deu “nunca nos deram nada, tudo o que temos hoje foi conquistado com muito trabalho, suor e lealdade por isso, nunca passes por cima de ninguém para atingir os teus objetivos“.

Já entraste na casa dos 30 anos, mas continuas a mostrar uma forma física de bom nível e um detalhe técnico cheio de virtuosismo. Há algum segredo para tal?

Sou uma pessoa muito focada na minha profissão, por vezes os meus amigos até dizem que sou obcecado, mas é assim que me sinto bem. Tenho muitos cuidados com a alimentação e gosto de fazer o meu plano de reforço fora dos treinos.

Com quem mais gostaste de treinar? E qual foi o treinador que mais te marcou?

Não vou destacar um, porque felizmente apanhei alguns jogadores com imensa qualidade e seria injusto destacar apenas um. Gonçalo Paciência, Leandro Silva, Pedro Nuno, Rafa Soares, Tiago Silva são alguns que têm tudo para chegar a outro patamar. Treinador destaco dois, Ricardo António do Benfica e Castelo Branco e o mister Paulo Sérgio. A minha relação com o mister Paulo Sérgio nem sempre foi a melhor, mas só quando o mister saiu da Académica é que percebi que tudo o que fez foi para me ajudar, e posso afirmar que evoluí muito com ele.

Já agora… tu sendo extremo-direito já deves ter apanhado com laterais muito intensos. Quais foram para ti os mais difíceis de ultrapassar?

Sem dúvida o Grimaldo. Muito  forte ofensivamente, obriga o extremo a correr atrás dele.

Tens algum jogo que gostas de recordar com saudade? E o teu melhor golo já agora?

Talvez o jogo da manutenção no Feirense. Golo talvez o que marquei na Académica frente ao Tondela.

Tiveste algum convite que recusaste e que se pudesses voltar atrás aceitavas?

Não digo que voltava atrás, mas um convite para regressar a um clube que a mim me diz muito fez-me hesitar… apesar de ter propostas bem mais vantajosas.

Houve alguém co-responsável pela tua ascensão no futebol português?

Existem algumas pessoas importantes que estiveram sempre a meu lado, mas destaco o Nuno Patrão e o Miguel Marques que apareceram na altura certa da minha carreira.

Tinhas um público muito próximo de ti no Feirense e ainda és um dos jogadores recordados em Coimbra. Queres deixar umas palavras a esses e aos teus familiares?

Adoraria em Maio estar a festejar a subida da Académica à liga e a conquista de uma taça por parte do Feirense. Em relação aos meus amigos, familiares e esposa, agradecer tudo o que têm feito por mim, são sem dúvida a minha maior motivação.

Um dos golos importantes de Hugo Seco na caminhada do Feirense para a manutenção na temporada passada 


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