Duarte Diniz. “Trabalhar duro e formar boas pessoas é o espírito do GDD”

Francisco IsaacAgosto 27, 20186min0

Duarte Diniz. “Trabalhar duro e formar boas pessoas é o espírito do GDD”

Francisco IsaacAgosto 27, 20186min0
Um dos atletas mais promissores do rugby português foi para a Austrália jogar e conversou sobre essa e outras experiências. Fica a conhecer o internacional português Duarte Diniz
Duarte, foi um ano para ti a um ritmo alucinante… começaste a época no Direito em Monsanto, depois foste para a Austrália e ainda voltaste a tempo de jogar pela selecção em Junho. Foi um ano de aprendizagem e crescimento?

Sem dúvida um ano de aprendizagem e crescimento. Estar longe da família e amigos durante um período alargado de tempo foi e está a ser a experiência mais desafiante que alguma vez tive.

Porquê a Austrália? E como classificas a tua experiência por lá tanto a nível desportivo e pessoal?

O meu objetivo inicial era tirar um ano sabático para jogar rugby. Quado decidi que o queria fazer pensei aliar o rugby a um lugar com boa qualidade de vida e que soubesse que me iria divertir a cima de tudo. A ida no passado do Vasco Fragoso Mendes e do Salvador Vassalo também me influenciaram na medida em que só me deram feedback positivo a nível do clube, do rugby e do lifestyle.

A nível desportivo foi um sucesso para mim. Cheguei a jogar na primeira equipa do clube que era um objetivo, e cresci muito como jogador.

Para quem desconhece  patamar em que jogavas, consegues explicar em que divisão joga o Northern Suburbs Rugby Football Club?

Dado que o país é enorme, não existe uma competição nacional de rugby de clubes que funcione como a nossa em Portugal, durante um período alargado de meses. Existe o Super Rugby, competição onde existem 4 equipas australianas, nomeadamente os NSW  Waratahs, equipa da minha região. Abaixo disto temos uma pequena competição que vai apenas de Setembro a Novembro, NRC, que é a primeira competição profissional de “club rugby”na Australia. Criada em 2014, é semelhante à Currie Cup ( Sul Africana ) e Mitre 10 Cup (Neo zelandesa).

O Northern Suburbs RFC joga então na principal competição  de “club rugby” de New South Wales, que vai de Maio a Setembro, onde o nível de rugby de clube é o mais elevado em toda a Australia. Se NSW fosse Portugal, os Norths disputam o Campeonato Nacional. Cada clube tem então 5 equipas, 5 grades. Sendo que os jogadores podem subir e descer entre cada jogo. A “first grade” (primeira equipa) disputa a Intrust Super Shute Shield, competição que todos os fins de semana tem jogos a transmitidos na televisão. Na “second grade” do clube, equipa onde joguei a época toda, a competição tem o nome de Colin Caird Shield.

As competições em que o clube participa (sendo que cada grade é uma competição diferente) vão de Maio a Setembro em paralelo com o Super Rugby que vai de Fevereiro a Agosto.

Durante a época tive a sorte de treinar e até jogar com jogadores experienciados em Super Rugby, pelos NSW Waratahs.

Maiores dificuldades que encontraste no rugby australiano?

Não por ser rugby australiano, mas dominar a gíria usada dentro do campo, quer nos treinos quer nos jogos, foi um desafio. Pedir uma bola curta/ longa, linhas de corrida, comunicação em defesa/ataque, tudo isso que faz parte do jogo,    

Qual foi a reacção dos aussies quando começaste a treinar?

Acima de tudo estranharam a placagem baixa a que todos nós estamos acostumados em Portugal.

Achas importante jogadores da Selecção Nacional terem uma experiência desportiva fora de Portugal? Que conselhos podes dar a quem vai para fora jogar?

 É sempre bom experienciar culturas diferentes do jogo, seja um jogador de Seleção Nacional ou não. Não conheço ninguém que tenha ido para fora jogar que não tenha evoluído ou que não tenha trazido ideias novas para o campeonato nacional.

Foi um ano complicado para o GD Direito, com uma fase-regular menos boa… achas que foi um ano de crescimento?

Foi um ano em que a equipa mudou muito em relação aos anos anteriores. Jogadores mais novos a assumir lugares na equipa sénior, a habituarem se ao ritmo do campeonato nacional. Foi um ano muito importante para o futuro do clube, as gerações mudam e as equipas têm que se moldar aos jogadores que vão subindo para as primeiras equipas. Foi claramente um ano de crescimento e de extrema importância para o GDD.

Voltas agora a jogar pelos “advogados”? O que acrescentar à equipa para além de trabalho, raça e determinação?

Volto claro. Acima de tudo muita vontade de voltar a jogar pelo meu clube com os meus amigos.

Tens com Nuno Mascarenhas uma das competições mais interessantes pela camisola 2 dos Lobos. É bom para ti ter esta disputa saudável?

É bom para mim e para ele. Competição entre jogadores e a disputa de lugares é o que no final do dia faz com que estes trabalhem mais e mais duro para evoluir no seu jogo.  Somos bons amigos e a disputa é muito saudável.

O que é que o GD Direito vos ensina? Consegues explicar a mensagem que é passada entre membros da equipa de Monsanto?

De ano para ano com as mudanças de treinadores e jogadores a mensagem pode mudar, mas o que não mudam são os ideais transmitidos desde que eu entrei para os escalões mais jovens. Trabalhar duro e formar bons jogadores e boas pessoas.

Noutra nota, tu tens participado nas várias edições da Academia Pedro Leal. Achas importante para os mais novos ter esta oportunidade de aprender mais?

Acho ótimo os miúdos terem contacto com treinadores e jogadores de clubes diferentes. Fazem novas amizades e entram em contacto com ideias que para muitos deles secalhar são diferentes do que habitualmente ouvem nos treinos de clube que podem vir a ser muito repetitivos. Isto aliado às visitas dos jogadores que marcam o campeonato nacional como Nuno Sousa Guedes, João Belo etc. , a Academia é um sucesso.

Que conselhos podes dar a jovens talonadores?

 Invistam muito tempo no lançamento

Jogo mais complicado que participaste?

 Portugal vs Geórgia no meu primeiro ano de seleção sénior, 2016.

Melhor talonador para ti a nível mundial?

Malcom Marx

Houve ou há algum jogador que é o role-model em Portugal?

Existem vários, destaco os irmãos Uva, o Gonçalo e o Vasco, João “Pipas” Correia e o Gonçalo Foro.

Que jogador é que voltavas a pôr no Direito que já não jogue no clube?

Apenas joguei com ele um ou duas vezes, mas sem dúvida Gonçalo Malheiro.

Queres deixar uma palavra aos teus colegas de equipa, adeptos do GD Direito e da Selecção Nacional?

Apenas desejar uma grande época a todos os jogadores e clubes, e aos adeptos que continuem a apoiar a sua equipa e o rugby nacional.

Foto: Marnie Mac

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