Arquivo de Rugby Nacional - Página 3 de 73 - Fair Play

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Francisco IsaacFevereiro 21, 20262min0

Este artigo não é uma análise à final do Campeonato Nacional de Rugby feminino sénior, mas sim uma celebração e aplauso ao jogo brutal que as Sport Porto/CRAV e Sporting Clube de Portugal ofereceram aos adeptos da bola oval nacional, com a equipa do norte a garantir o bis, depois de terem conseguido o feito pela primeira vez no ano passado.

Jogado perante um CAR Jamor bem composto, Sport Porto/CRAV e Sporting CP entraram em campo decididos a demonstrar o porquê de serem finalistas e de merecerem uma hipótese de conquistarem o troféu. As campeãs nacionais em título pareceram ser a melhor equipa nos primeiros 40 minutes, conseguindo construir uma vantagem de 14 pontos, com Catarina Ribeiro a ser um das principais protagonistas, a par de Daniela Correia. Com um resultado de 26-12 ao intervalo parecia que o título já estava mais que entregue até que o Sporting CP decidiu dar a volta ao resultado com a formação Leonor Amaral a impor um autêntico show que foi muito para além de um ensaio marcado.

Mas depois, antes dos 70 minutos o Sport/CRAV conseguiu um importante ensaio, antes de Joana Mano, aos 73′, conseguir encontrar o buraco da agulha pela lateral e fugir para dar o ensaio do empate a 31 pontos. Com Daniela Correia a ter que converter dois pontos encostado à linha, o CAR Jamor parou no tempo com a internacional portuguesa a meter uma sensacional conversão entre os postes, dando a liderança à sua equipa.

A jogar com 14 o Sporting CP tentou de tudo para reverter a ordem dos acontecimentos, mas a equipa nortenha foi segura e compacta até ao apito final, garantindo um bis inédito e que demonstra o crescimento e amadurecimento de uma equipa que tem sido fundamental para o crescimento da selecção nacional.

Foi um imenso espetáculo que demonstrou que o rugby feminino português não só tem de estar à mesma mesa que o masculino, mas que merece um bom investimento para continuar a dar passos acertados, sendo este o momento X para garantir algo de maior do que participar no Women’s Rugby Europe Championship ou ir aos 7s Series da Rugby Europe.

Foto de destaque de Miguel Rodrigues Fotografia

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Francisco IsaacJaneiro 25, 20264min0

Ponto final na Super Cup 2025/2026 com os Lusitanos a perderem a hipótese de se sagrarem campeões da competição, depois de uma derrota algo pesada frente aos Iberians que até pode ter consequências a nível da EPCR Challenge Cup e a obtenção de investimento provindo da World Rugby e Rugby Europe. A análise ao encontro em três pontos.

MVP: DIEGO RUIZ

Num jogo em que os Lusitanos praticamente perderam por uma diferença de 30 pontos é difícil optar por um MVP, mas Diego Pinheiro Ruiz acaba por receber essa distinção pelo bom trabalho realizado na defesa, tendo sido dos poucos que realmente apresentou uma placagem efectiva e que parou o adversário antes da linha-de-vantagem – houve outros com mais placagens, mas era sempre realizada de forma passiva ou com necessidade de um assistente, algo já vislumbrado em Novembro. O asa cedido pelo Provence Rugby da Pro D2 mostrou-se activo e dinâmico, investindo bem sempre sob o portador de bola adversário impedindo que os estragos fossem de maior índole. Infelizmente a nível do ataque teve pouco espaço para brilhar já que os Lusitanos tiveram sentidas dificuldades em controlar a posse de bola durante a maior parte do tempo, apesar de que o asa ainda assim surgiu bem em três momentos, encaixando bons offloads para os seus companheiros de equipa. Foi substituído nos últimos 10 minutos numa altura em que o jogo estava mais que decidido.

MELHOR PONTO: SUPLENTES QUISERAM MAIS

Um aplauso terá que ser dado à genica que o banco de suplentes trouxe ao jogo, em especial Afonso Tapadinhas, Rodrigo Marques, Tomás Amado e Samuel Bacon, com estes a lutar constantemente e na procura de equilibrar o jogo pelo menos no que toca às dinâmicas. Apesar de não ter sido suficiente, importa destacar a energia, raça e ambição de quem passou a maior parte do encontro na condição de suplente. Tapadinhas marcou um bis, Marques foi agressivo na placagem (mesmo que tenha terminado com três erros defensivos) e Samuel Bacon foi elegante na maior parte das acções, pontos positivos para estes jogadores que querem um lutar por um lugar nos Lobos.

PONTO A MELHORAR: INDISCIPLINA CUSTOU CARO

Quatro cartões amarelos, dezassete penalidades e quatro ensaios que advieram directamente dessa indisciplina. Os Lusitanos apresentaram-se em Amesterdão sem Tomás Appleton (o Fair Play endereça as melhores e uma recuperação rápida ao capitão dos Lobos e Lusitanos) e notou-se no foco e na capacidade de perceber o que o juiz-de-jogo pretendia dos atletas portugueses, com estes a perderem mais tempo em discutir com o próprio ou a não acatar as recomendações feitas, especialmente nos primeiros 40 minutos. Quatro amarelos significaram quarenta minutos a jogar com 14 e, numa equipa carregada de juventude, é difícil contornar este problema. Com uns Iberians experientes e que estudaram bem a lição de Dezembro passado, os Lusitanos rapidamente perderam o controle com o resultado a se avolumar de uma forma gritante, o que acabou por levar à derrota.

Porém, há algo que importa também de assinalar, o facto de que Simon Mannix optou por criticar abertamente a arbitragem num jogo em que os Lusitanos concederam uma derrota por 42-17, quase como dizendo que a franquia lusa tinha tido mais hipóteses de ganhar se o juiz-de-jogo tivesse sido outro. Infeliz, no mínimo, especialmente perante a falta de capacidade do treinador perceber os problemas inerentes à selecção nacional e franquia em jogos em que são submetidos a uma enorme pressão no breakdown ou junto ao ruck e nas fases-estáticas. Por outro lado é também inenarrável dizer que os Lusitanos são uma equipa só de ‘jovens’ e os Iberians são todos profissionais. Não é culpa da Federação de Rugby da Espanha que os seus atletas tenham bolsas desportivas equiparadas a semiprofissionalismo e que a Federação Portuguesa de Rugby não consegue cumprir com o que prometeu em 2022, de que mais de 50% dos atletas seriam também semiprofissionais. Em 2025 frente à Irlanda foi uma ladainha dos ‘ricos e pobres’, em Novembro optou por outro discurso e, agora, em Janeiro a um mês do Men’s Rugby Europe Championship, temos a conversa dos árbitros, os outros que têm mais recursos (sem irem a Mundiais, etc), etc. Há que mudar esta postura, especialmente se o objectivo é incutir os valores de jogo e competitivos certos aos atletas mais jovens.

Foto de destaque da Rugby Europe Super Cup e 


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É com Fair Play que pretendemos trazer uma diversificada panóplia de assuntos e temas. A análise ao detalhe que definiu o jogo; a perspectiva histórica que faz sentido enquadrar; a equipa que tacticamente tem subjugado os seus concorrentes; a individualidade que teima em não deixar de brilhar – é tudo disso que é feito o Fair Play. Que o leitor poderá e deverá não só ler e acompanhar, mas dele participar, através do comentário, fomentando, assim, ainda mais o debate e a partilha.


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