Lucas Martins marcou dois ensaios na vitória do SU Agen, num fim-de-semana em que vários portugueses estiveram em acção
Lucas Martins marcou dois ensaios na vitória do SU Agen, num fim-de-semana em que vários portugueses estiveram em acção
Este artigo não é uma análise à final do Campeonato Nacional de Rugby feminino sénior, mas sim uma celebração e aplauso ao jogo brutal que as Sport Porto/CRAV e Sporting Clube de Portugal ofereceram aos adeptos da bola oval nacional, com a equipa do norte a garantir o bis, depois de terem conseguido o feito pela primeira vez no ano passado.
Jogado perante um CAR Jamor bem composto, Sport Porto/CRAV e Sporting CP entraram em campo decididos a demonstrar o porquê de serem finalistas e de merecerem uma hipótese de conquistarem o troféu. As campeãs nacionais em título pareceram ser a melhor equipa nos primeiros 40 minutes, conseguindo construir uma vantagem de 14 pontos, com Catarina Ribeiro a ser um das principais protagonistas, a par de Daniela Correia. Com um resultado de 26-12 ao intervalo parecia que o título já estava mais que entregue até que o Sporting CP decidiu dar a volta ao resultado com a formação Leonor Amaral a impor um autêntico show que foi muito para além de um ensaio marcado.
Mas depois, antes dos 70 minutos o Sport/CRAV conseguiu um importante ensaio, antes de Joana Mano, aos 73′, conseguir encontrar o buraco da agulha pela lateral e fugir para dar o ensaio do empate a 31 pontos. Com Daniela Correia a ter que converter dois pontos encostado à linha, o CAR Jamor parou no tempo com a internacional portuguesa a meter uma sensacional conversão entre os postes, dando a liderança à sua equipa.
A jogar com 14 o Sporting CP tentou de tudo para reverter a ordem dos acontecimentos, mas a equipa nortenha foi segura e compacta até ao apito final, garantindo um bis inédito e que demonstra o crescimento e amadurecimento de uma equipa que tem sido fundamental para o crescimento da selecção nacional.
Foi um imenso espetáculo que demonstrou que o rugby feminino português não só tem de estar à mesma mesa que o masculino, mas que merece um bom investimento para continuar a dar passos acertados, sendo este o momento X para garantir algo de maior do que participar no Women’s Rugby Europe Championship ou ir aos 7s Series da Rugby Europe.
Foto de destaque de Miguel Rodrigues Fotografia.
Samuel Marques com 14 pontos e Storti com 14 protagonizaram o maior embate de jogadores lusos neste fim-de-semana como te conta Francisco Isaac
Portugal garantiu a segunda vitória consecutiva neste Men's Rugby Europe Championship e Francisco Isaac analisa o encontro ao pormenor
O que é o Lisbon Junior 7s? Francisco Isaac explica-te neste artigo dedicado a uma prova que decorrer desde 2018
Portugal saiu de Mons com um 47-17 garantindo para já o 1º lugar do grupo B, com Francisco Isaac na análise do jogo
O CRAV/Sport voltaram a celebrar mais uma vitória conjunta, desta feita no campeonato de sub-18 feminino, um feito que merece destaque
Simon Mannix já escolheu a equipa que vai a jogo na fase-de-grupos do Rugby Europe Championship 2026 e Francisco Isaac analisa ao pormenor
Rodrigo Marta, Lucas Martins e Vincent Pinto assinaram ensaios nesta jornada da Pro D2 e estão prontos para o que vem aí
Ponto final na Super Cup 2025/2026 com os Lusitanos a perderem a hipótese de se sagrarem campeões da competição, depois de uma derrota algo pesada frente aos Iberians que até pode ter consequências a nível da EPCR Challenge Cup e a obtenção de investimento provindo da World Rugby e Rugby Europe. A análise ao encontro em três pontos.
Num jogo em que os Lusitanos praticamente perderam por uma diferença de 30 pontos é difícil optar por um MVP, mas Diego Pinheiro Ruiz acaba por receber essa distinção pelo bom trabalho realizado na defesa, tendo sido dos poucos que realmente apresentou uma placagem efectiva e que parou o adversário antes da linha-de-vantagem – houve outros com mais placagens, mas era sempre realizada de forma passiva ou com necessidade de um assistente, algo já vislumbrado em Novembro. O asa cedido pelo Provence Rugby da Pro D2 mostrou-se activo e dinâmico, investindo bem sempre sob o portador de bola adversário impedindo que os estragos fossem de maior índole. Infelizmente a nível do ataque teve pouco espaço para brilhar já que os Lusitanos tiveram sentidas dificuldades em controlar a posse de bola durante a maior parte do tempo, apesar de que o asa ainda assim surgiu bem em três momentos, encaixando bons offloads para os seus companheiros de equipa. Foi substituído nos últimos 10 minutos numa altura em que o jogo estava mais que decidido.
Um aplauso terá que ser dado à genica que o banco de suplentes trouxe ao jogo, em especial Afonso Tapadinhas, Rodrigo Marques, Tomás Amado e Samuel Bacon, com estes a lutar constantemente e na procura de equilibrar o jogo pelo menos no que toca às dinâmicas. Apesar de não ter sido suficiente, importa destacar a energia, raça e ambição de quem passou a maior parte do encontro na condição de suplente. Tapadinhas marcou um bis, Marques foi agressivo na placagem (mesmo que tenha terminado com três erros defensivos) e Samuel Bacon foi elegante na maior parte das acções, pontos positivos para estes jogadores que querem um lutar por um lugar nos Lobos.
Quatro cartões amarelos, dezassete penalidades e quatro ensaios que advieram directamente dessa indisciplina. Os Lusitanos apresentaram-se em Amesterdão sem Tomás Appleton (o Fair Play endereça as melhores e uma recuperação rápida ao capitão dos Lobos e Lusitanos) e notou-se no foco e na capacidade de perceber o que o juiz-de-jogo pretendia dos atletas portugueses, com estes a perderem mais tempo em discutir com o próprio ou a não acatar as recomendações feitas, especialmente nos primeiros 40 minutos. Quatro amarelos significaram quarenta minutos a jogar com 14 e, numa equipa carregada de juventude, é difícil contornar este problema. Com uns Iberians experientes e que estudaram bem a lição de Dezembro passado, os Lusitanos rapidamente perderam o controle com o resultado a se avolumar de uma forma gritante, o que acabou por levar à derrota.
Porém, há algo que importa também de assinalar, o facto de que Simon Mannix optou por criticar abertamente a arbitragem num jogo em que os Lusitanos concederam uma derrota por 42-17, quase como dizendo que a franquia lusa tinha tido mais hipóteses de ganhar se o juiz-de-jogo tivesse sido outro. Infeliz, no mínimo, especialmente perante a falta de capacidade do treinador perceber os problemas inerentes à selecção nacional e franquia em jogos em que são submetidos a uma enorme pressão no breakdown ou junto ao ruck e nas fases-estáticas. Por outro lado é também inenarrável dizer que os Lusitanos são uma equipa só de ‘jovens’ e os Iberians são todos profissionais. Não é culpa da Federação de Rugby da Espanha que os seus atletas tenham bolsas desportivas equiparadas a semiprofissionalismo e que a Federação Portuguesa de Rugby não consegue cumprir com o que prometeu em 2022, de que mais de 50% dos atletas seriam também semiprofissionais. Em 2025 frente à Irlanda foi uma ladainha dos ‘ricos e pobres’, em Novembro optou por outro discurso e, agora, em Janeiro a um mês do Men’s Rugby Europe Championship, temos a conversa dos árbitros, os outros que têm mais recursos (sem irem a Mundiais, etc), etc. Há que mudar esta postura, especialmente se o objectivo é incutir os valores de jogo e competitivos certos aos atletas mais jovens.
Foto de destaque da Rugby Europe Super Cup e