Marcelo Brito, Author at Fair Play

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Marcelo BritoJunho 21, 20176min0

A queda da União Desportiva Oliveirense da Ledman LigaPro, na época 2015/16, suscitou o interesse dos verdadeiros adeptos do desporto rei no que aconteceria, nos seguintes anos ao gigante de Oliveira de Azeméis. Houve quem projectasse uma queda, a pique, para os distritais, mas houve também quem guardasse no silêncio a esperança de ver os unionistas regressarem aos campeonatos profissionais. Pois bem, bastou uma época para a Oliveirense dar um murro na mesa e voltar ao segundo principal escalão do futebol nacional.

Iniciado o Campeonato de Portugal Prio, o percurso da União Desportiva Oliveirense mostrou-se aquém do espectado. Na primeira metade da fase regular, Série C, o clube apenas venceu três jogos – Sousense, Moimenta da Beira e Salgueiros – tendo empatado por duas vezes e perdido por quatro. Até então, a esperança dos mais fiéis seguidores fraquejava. Iniciada a segunda volta, o clube de Oliveira de Azeméis acordou e arrasou toda a concorrência.

Nos restantes nove encontros, empatou duas vezes e somou sete triunfos – seis consecutivos. Garantiu o primeiro lugar da Série em igualdade pontual com o Salgueiros e, assim, a título de curiosidade, atirou o eterno rival Sanjoanense para fora na luta pela ascensão à Segunda Liga.

Como consequência de um apuramento ‘tremido’, nem todos colocavam a Oliveirense como principal candidato à subida, tendo em conta as equipas presentes na fase de promoção da Zona Norte. Clubes com igual e forte capacidade financeira como Merelinense, Salgueiros, Gafanha ou até o próprio Marítimo ‘B’, não conseguiram destronar uma caminhada sólida, concisa e objectiva dos pupilos de Luís Miguel.

Oito vitórias em 14 partidas, mais três empates e outros tantos desaires garantiram à Oliveirense o regresso à Ledman LigaPro. Aqui, destaque para a última jornada. A União perdeu com o Salgueiros e, mas o Merelinense não aproveitou, tendo empatado a dois em Viseu frente ao Lusitano.

Na luta pelo título de campeão do CPP, a Oliveirense não conseguiu colocar a cereja no topo do bolo ao perder frente à formação que mais consistência apresentou durante a temporada, Real, tendo perdido por 2-0.

O homem por trás do sucesso

Até aqui, apenas dados estatísticos que abrilhantaram, mais, a história oliveirense. Mas afinal, a quem devemos atirar as culpas pelo sucesso do clube? Pessoalmente, e tudo bem que os treinadores não jogam, mas arriscaria no timoneiro Pedro Miguel.

Um ‘velho’ conhecido de um emblema que orientou durante oito épocas consecutivas – entre 2004 e 2012 – e que não teve receio de assumir e unir, com sucesso, uma equipa psicologicamente abalada pelos problemas causados pela ‘Operação Jogo Duplo’, investigação sobre resultados combinados e apostas ilegais na Segunda Liga, proveniente de uma denúncia da Federação Portuguesa de Futebol. É público que Hélder Godinho, Luís Martins, Ansumané e Pedro Oliveira, ex-jogadores do plantel unionista, chegaram a ser detidos para interrogatório.

O plantel levou uma ‘lavagem’ e Pedro Miguel contou apenas com um leque de atletas que disponibilizaram-se em trabalhar única e exclusivamente em prol do emblema que carregaram ao peito. Salienta-se a lealdade do central formado no clube, Sérgio Silva, a quem propostas, de divisões com maior dimensão, não faltaram.

A este, juntou-se a experiência dos defensores Zé Pedro e Raúl, da dupla de médios da ‘casa’ Oliveira e Godinho e ainda de Gabi, proveniente do Estarreja. Na frente, nota para a irreverência dos estrangeiros Edivândio, Cuero e Alemão e ainda da jovem promessa do futebol nacional Serginho, também ele formado localmente. Estes quatro jogadores contribuíram, no total, com 24 golos. A Oliveirense marcou, em toda a época, 44…

Como reforços do clube para a temporada transacta, Ricardo Tavares (Sanjoanense), João Mendes (Operário Lagoa), Clayton (Académico de Viseu), Leozão (Madureira, Brasil) e Kiki (Mafra) mostraram-se cruciais para completar o puzzle de Pedro Miguel.

A Oliveirense está de volta aos campeonatos profissionais, mas volta a pairar a dúvida da consistência do emblema. Voltará a integrar o lote de candidatos à ascensão ao principal escalão nacional de futebol? O futebol aveirense está exclusivamente representado por Feirense, sendo que Beira-Mar não consegue sair dos distritais e Arouca desceu ao segundo escalão na última temporada, na… última jornada.

O clube não deve sonhar demasiado alto para a realidade financeira. Urge cimentar-se na Ledman LigaPro e, diria, com os apoios e estrutura necessária e imprescindível, almejar a subida à elite do futebol nacional num prazo de dez anos. O passo não deve ser maior do que a perna.

Foto: Orgulho Oliveirense

Nova casa para a nova temporada

Certo é que passos estão a ser dados para contrariar as já conhecidas adversidades da Oliveirense. As condições do Estádio Carlos Osório, ou melhor, a falta delas originaram uma decisão da direcção. A União competirá, em 2016/17, no Estádio Municipal de Aveiro, antiga casa do Beira-Mar que, devido a problemas financeiros, actua no ‘velhinho’ Mário Duarte.

Esperam-se ainda conclusões da ‘Operação Ajuste Secreto’, realizada esta semana em Oliveira de Azeméis, na qual Hermínio Loureiro e Isidro Figueiredo – antigo e actual presidente da Câmara local, respectivamente – são encarados como principais arguidos pela Polícia Judiciária.

Em causa está a adjudicação de obras relacionadas com clubes do concelho, entre os quais a União Desportiva Oliveirense. Ainda não são conhecidos detalhes da investigação e, assim não é possível afirmar se o clube sairá ou não prejudicado.

Problemas que não parecem afectar a direcção do clube que, apesar de estarmos numa fase embrionária da época de contratações, já prepara a próxima temporada desportiva a todo o gás. Depois da derrota frente ao Real, o clube não perdeu tempo em anunciar as saídas de Raphael Mello, Tiago Melo, Fazenda, Diogo Silva, Leozão, Zé Pedro Sousa, Kiki e Edivândio. Certas estão as renovações de Oliveira, Gabi, Cuero, Raúl, Rafa e Serginho. Até à publicação deste artigo, o único reforço oficializado é Júlio Coelho, antigo guarda-redes do Penafiel.

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Marcelo BritoJunho 21, 20176min0

A queda da União Desportiva Oliveirense da Ledman LigaPro, na época 2015/16, suscitou o interesse dos verdadeiros adeptos do desporto rei no que aconteceria, nos seguintes anos ao gigante de Oliveira de Azeméis. Houve quem projectasse uma queda, a pique, para os distritais, mas houve também quem guardasse no silêncio a esperança de ver os unionistas regressarem aos campeonatos profissionais. Pois bem, bastou uma época para a Oliveirense dar um murro na mesa e voltar ao segundo principal escalão do futebol nacional.

Iniciado o Campeonato de Portugal Prio, o percurso da União Desportiva Oliveirense mostrou-se aquém do espectado. Na primeira metade da fase regular, Série C, o clube apenas venceu três jogos – Sousense, Moimenta da Beira e Salgueiros – tendo empatado por duas vezes e perdido por quatro. Até então, a esperança dos mais fiéis seguidores fraquejava. Iniciada a segunda volta, o clube de Oliveira de Azeméis acordou e arrasou toda a concorrência.

Nos restantes nove encontros, empatou duas vezes e somou sete triunfos – seis consecutivos. Garantiu o primeiro lugar da Série em igualdade pontual com o Salgueiros e, assim, a título de curiosidade, atirou o eterno rival Sanjoanense para fora na luta pela ascensão à Segunda Liga.

Como consequência de um apuramento ‘tremido’, nem todos colocavam a Oliveirense como principal candidato à subida, tendo em conta as equipas presentes na fase de promoção da Zona Norte. Clubes com igual e forte capacidade financeira como Merelinense, Salgueiros, Gafanha ou até o próprio Marítimo ‘B’, não conseguiram destronar uma caminhada sólida, concisa e objectiva dos pupilos de Pedro Miguel.

Oito vitórias em 14 partidas, mais três empates e outros tantos desaires garantiram à Oliveirense o regresso à Ledman LigaPro. Aqui, destaque para a última jornada. A União perdeu com o Salgueiros e, mas o Merelinense não aproveitou, tendo empatado a dois em Viseu frente ao Lusitano.

Na luta pelo título de campeão do CPP, a Oliveirense não conseguiu colocar a cereja no topo do bolo ao perder frente à formação que mais consistência apresentou durante a temporada, Real, tendo perdido por 2-0.

O homem por trás do sucesso

Até aqui, apenas dados estatísticos que abrilhantaram, mais, a história oliveirense. Mas afinal, a quem devemos atirar as culpas pelo sucesso do clube? Pessoalmente, e tudo bem que os treinadores não jogam, mas arriscaria no timoneiro Pedro Miguel.

Um ‘velho’ conhecido de um emblema que orientou durante oito épocas consecutivas – entre 2004 e 2012 – e que não teve receio de assumir e unir, com sucesso, uma equipa psicologicamente abalada pelos problemas causados pela ‘Operação Jogo Duplo’, investigação sobre resultados combinados e apostas ilegais na Segunda Liga, proveniente de uma denúncia da Federação Portuguesa de Futebol. É público que Hélder Godinho, Luís Martins, Ansumané e Pedro Oliveira, ex-jogadores do plantel unionista, chegaram a ser detidos para interrogatório.

O plantel levou uma ‘lavagem’ e Pedro Miguel contou apenas com um leque de atletas que disponibilizaram-se em trabalhar única e exclusivamente em prol do emblema que carregaram ao peito. Salienta-se a lealdade do central formado no clube, Sérgio Silva, a quem propostas, de divisões com maior dimensão, não faltaram.

A este, juntou-se a experiência dos defensores Zé Pedro e Raúl, da dupla de médios da ‘casa’ Oliveira e Godinho e ainda de Gabi, proveniente do Estarreja. Na frente, nota para a irreverência dos estrangeiros Edivândio, Cuero e Alemão e ainda da jovem promessa do futebol nacional Serginho, também ele formado localmente. Estes quatro jogadores contribuíram, no total, com 24 golos. A Oliveirense marcou, em toda a época, 44…

Como reforços do clube para a temporada transacta, Ricardo Tavares (Sanjoanense), João Mendes (Operário Lagoa), Clayton (Académico de Viseu), Leozão (Madureira, Brasil) e Kiki (Mafra) mostraram-se cruciais para completar o puzzle de Pedro Miguel.

A Oliveirense está de volta aos campeonatos profissionais, mas volta a pairar a dúvida da consistência do emblema. Voltará a integrar o lote de candidatos à ascensão ao principal escalão nacional de futebol? O futebol aveirense está exclusivamente representado por Feirense, sendo que Beira-Mar não consegue sair dos distritais e Arouca desceu ao segundo escalão na última temporada, na… última jornada.

O clube não deve sonhar demasiado alto para a realidade financeira. Urge cimentar-se na Ledman LigaPro e, diria, com os apoios e estrutura necessária e imprescindível, almejar a subida à elite do futebol nacional num prazo de dez anos. O passo não deve ser maior do que a perna.

Foto: Orgulho Oliveirense

Nova casa para a nova temporada

Certo é que passos estão a ser dados para contrariar as já conhecidas adversidades da Oliveirense. As condições do Estádio Carlos Osório, ou melhor, a falta delas originaram uma decisão da direcção. A União competirá, em 2016/17, no Estádio Municipal de Aveiro, antiga casa do Beira-Mar que, devido a problemas financeiros, actua no ‘velhinho’ Mário Duarte.

Esperam-se ainda conclusões da ‘Operação Ajuste Secreto’, realizada esta semana em Oliveira de Azeméis, na qual Hermínio Loureiro e Isidro Figueiredo – antigo e actual presidente da Câmara local, respectivamente – são encarados como principais arguidos pela Polícia Judiciária.

Em causa está a adjudicação de obras relacionadas com clubes do concelho, entre os quais a União Desportiva Oliveirense. Ainda não são conhecidos detalhes da investigação e, assim não é possível afirmar se o clube sairá ou não prejudicado.

Problemas que não parecem afectar a direcção do clube que, apesar de estarmos numa fase embrionária da época de contratações, já prepara a próxima temporada desportiva a todo o gás. Depois da derrota frente ao Real, o clube não perdeu tempo em anunciar as saídas de Raphael Mello, Tiago Melo, Fazenda, Diogo Silva, Leozão, Zé Pedro Sousa, Kiki e Edivândio. Certas estão as renovações de Oliveira, Gabi, Cuero, Raúl, Rafa e Serginho. Até à publicação deste artigo, o único reforço oficializado é Júlio Coelho, antigo guarda-redes do Penafiel.

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Marcelo BritoFevereiro 13, 20179min0

O sonho da Associação Desportiva Sanjoanense, clube que milita no Campeonato de Portugal Prio, caiu por terra. Depois da saída com sabor amargo da Taça de Portugal, a esperança em continuar a lutar pela subida à Ledman Liga Pro viu-se extinta. A montra, a formação, está esquecida e não se avizinham anos prósperos. A actual estruturação do CPP beneficia quem investe de meio em meio ano. Algo deve mudar.

Há largos anos que o histórico emblema de São João da Madeira não consegue colocar-se na elite do futebol nacional. A crise financeira, outrora acentuada e que quase cravou o último prego do caixão do clube, atirou a Associação Desportiva Sanjoanense para fora dos nacionais, mas os campeonatos distritais não são o aquário de um emblema que na presente temporada sonhou, e bem, com feitos extraordinários na Taça de Portugal e com a subida à Ledman Liga Pro.

Mas não convém avançar capítulos. Foi neste clube, de uma cidade com pouco mais de 20 mil habitantes, que jogadores como António Sousa, Ricardo Sousa, Vermelhinho, Secretário, Rui Correia, Veloso ou Litos – e outros –, começaram a despontar. O auge do clube alvinegro deu-se na época de 1965/66 quando conquista a segunda divisão nacional conseguido manter-se entre a elite portuguesa.

A nível distrital, é vasto o legado deixado pela Sanjoanense. Três, anteriormente denominados, Campeonatos de Aveiro (1936/37, 1939/40, 1946/47), sete títulos da primeira divisão (1936/37, 1939/40, 1946/47, 1952/53, 1988/89, 2010/11, 2013/14), um da segunda (1987/88), uma Taça (2012/13) e duas Supertaças (2010/11, 2013/14), segundo dados do portal informativo desportivo, zerozero.pt.

Estrangeiros ofuscam formação

Conhecida pela sua consistente formação, a Associação Desportiva Sanjoanense decidiu mudar de rumo e começar a pescar no mercado sul-americano. Recentemente, e como exemplo, de São João da Madeira saíram jogadores como Gil Dias, agradável surpresa da Liga NOS, actualmente titular indiscutível no Rio Ave com passagens por Braga e Varzim, ainda vinculado ao Mónaco de Leonardo Jardim. Esta é apenas uma das muitas provas da qualidade existente (ou que existira) nos escalões não profissionais do emblema nortenho.

Segundo os dados apresentados pelo portal informativo zerozero.pt, o actual plantel sanjoanense é composto por apenas 12 portugueses, tendo nove estrangeiros (sete brasileiros, um colombiano e um nigeriano), mas atenção: em nada esta comparação objectiva retirar valor a qualquer um deles! A qualidade não está em causa. Em causa está uma mudança repentina do paradigma sanjoanense que, consequentemente, arruinou com a formação do clube.

Os juniores, que nem há meia dúzia de anos competiam na primeira divisão nacional, lutam agora pela manutenção na segunda; os Juvenis, que outrora militavam no campeonato nacional, nada fazem além da manutenção na primeira divisão distrital; e os Iniciados, habituadíssimos ao ritmo de uma competição nacional, desceram no ano transacto aos distritais e dificilmente conseguirão, já este ano, a promoção. A Sanjoanense está refém de empresários e isso não está certo quando nunca o foi nem nunca precisou (pelo menos para debater-se na categoria que o faz actualmente).

Mas a Sanjoanense não é caso único. Muitos são os clubes que centram as atenções para a montra do emblema – o plantel sénior – e deixam esquecida aquela que devia ser a sua fonte de alimentação. Muitos desculpam-se da falta de qualidade nos plantéis jovens dos clubes para contratar fora, mas, garantidamente, esse nunca foi o problema da Sanjoanense.

Os adolescentes deixaram de querer representar a Sanjoanense e passaram a escolher outros clubes da região e, diga-se, de menor dimensão. E admire-se… esses detêm agora uma formação próspera, com escalões nos campeonatos nacionais com o objectivo de potenciar os jovens e elevá-los ao plantel sénior. Tudo o que fizeram foi seguir o exemplo utilizado anteriormente pela Sanjoanense. Este, um clube que deixou de investir na formação e onde os jovens deixaram de acreditar. Claro que para apostar numa subida aos escalões profissionais é preciso adquirir valências que só a experiência traz, mas a irreverência e o amor ao clube, esse ninguém o traz de fora.

Um exemplo a não seguir

Não quero com isto dizer que os clubes deviam ser expressamente proibidos em apostar nos mercados estrangeiros, mas que deviam ser impostos limites, começando, desde logo, pelos profissionais. Esses, não o fazem.

As direcções de clubes como a Sanjoanense não devem reger-se por reportagens que vêem ou por histórias que ouvem. Devem analisar a sua realidade desportiva e financeira e traçar um plano a, sejamos sinceros, longo prazo para conseguir adquirir valências competitivas adequadas à sua realidade e não dar o tradicional ‘passo maior que a perna’. A não ser que tenham definitivamente orçamentos irreais. O que não acontece.

Para já, muitos clubes – aqueles que os tenham – vão mantendo os problemas submersos com alguns bons resultados que exaltam a paixão do fiel adepto, mas quando eles emergirem, o descalabro vai ser inquestionável.

Sem capitão (e mais), manutenção compromete-se?

No caso específico da Sanjoanense, e puxando a cassete atrás, o esquecimento pela formação é tal que a direcção continua a fazer chegar jovens jogadores do continente sul-americano para colmatar os – calculo – bons negócios que o clube tem feito.

E falo em bons negócios porque vender o capitão de equipa, Rúben Neves ao Salgueiros, rival directo que inclusive ficou na posição ambicionada pela Sanjoanense, só pode acarretar números compensatórios. Não é só a saída de Rúben Neves que pode comprometer a manutenção do clube alvinegro. Zé Pedro, vinculado ao FC Porto rumou ao Gafanha; Vasco Nogueira ingressou no Maia Lidador; Samuel Teles, ex-Sp. Braga, assinou pelo Lourosa; André Pereira foi contratado pelo FC Porto; Gradíssimo e o argentino Kevin Wolf (que chegou, disputou apenas uma partida) também chegaram a acordo para deixar o clube.

Para colmatar essas vagas? Mais dois estrangeiros, neste caso, brasileiros: Davi Ferrari, ex-Angra dos Reis e Zé Lucas, ex-Corinthians. O investimento em contratar no Sul da América, seja ele muito ou pouco, existe e neste caso particular, torna-se deveras acentuado. A Sanjoanense alvejava voos altos na presente época desportiva, mas tudo virou do avesso. Vai encarar, sem três habituais titulares (Rúben Neves, André Pereira e Zé Pedro) a manutenção.

Analisando o que foi a primeira fase, a manutenção não se avizinha uma tarefa árdua. A qualidade do plantel sanjoanense é melhor e, nas condições normais, não vai ceder.

Foto: Facebook @ADSanjoanense.oficial

O sonho da Taça de Portugal que saiu caro

Qual a melhor competição para surpreender o país? Exacto, a Taça de Portugal. É nessa competição que os clubes com menor poderio financeiro e capacidade de investimento sonha em ‘fazer Taça’ e tombar o maior número de equipas de divisões superiores possível. A Sanjoanense não tombou nenhum Sporting, Benfica ou FC Porto, mas fez das suas.

Eliminou o Salgueiros na primeira eliminatória num jogo com direito a prolongamento (4-2); cilindrou o Pedras Salgadas (6-1); bateu o Lusitano de Vila Real de Santo António (2-1); deixou por terra o Gil Vicente (1-0); e nos oitavos de final caiu, já no prolongamento e após estar a vencer por duas vezes, perante o Estoril (2-4).

Para quem viu o jogo entre o Estoril e a Sanjoanense, facilmente consegue perceber que estávamos a ver duas equipas equilibradas e a jogar de igual para igual, apesar dos argumentos de diferente nível. Claro que fisicamente o clube de São João da Madeira quebrou muito cedo e isso afectou as investidas ofensivas. Defensivamente, alguns erros individuais, potenciados pela falta de maturidade do jovem plantel alvinegro, pesaram nos momentos cruciais.

O Estoril atirou a Sanjoanense para fora da competição com dois golos de Bazelyuk e outros dois de Bruno Gomes e deixou a formação orientada por Flávio das Neves a disputar apenas o CPP e a possibilidade de integrar a fase de apuramento de campeão.

Antes do embate com o Estoril, a Sanjoanense ocupava o primeiro lugar da Série C do CPP. Depois de um jogo que afectou fisica e psicologicamente os jovens atletas alvinegros, os maus resultados apareceram repentinamente. Aí, dá-se conta e percebe-se os custos de querer disputar de igual para igual, com um clube de primeira categoria, uma eliminatória da Taça de Portugal.

Derrota pela margem mínima com o Sousense (1-2); derrota com a UD Oliveirense (0-2); triunfo com o lanterna-vermelha Cesarense (1-0); derrota expressiva no derradeiro jogo com o Salgueiros (0-3); e vitória na última jornada perante o Cinfães (1-0). Leque de resultados que ofuscou a possibilidade da Sanjoanense lutar pela ambicionada subida à Ledman Liga Pro.

Quem beneficia com a estruturação do Campeonato Portugal Prio?

Para todos os clubes que não disputarão a fase de subida ao segundo escalão português, como é o caso da Sanjoanense, os pontos conquistados na primeira fase dividem-se a… 25%. Ou seja, um clube que conquiste, digamos, 20 pontos, inicia a árdua tarefa da manutenção com cinco. Um clube que tenha conquistado 10 pontos, inicia com, arredondando, três.

Relança a competitividade entre clubes que alvejam a manutenção? Sim, mas não há bela sem senão. Uma equipa prepara e investe para uma época desportiva. No mínimo. É assim que as coisas devem ser feitas. Seja o objectivo subir de divisão ou apenas não descer.

Agora surge a teoria que, cada vez mais, existem equipas a prepararem e investirem de meia em meia época. Os critérios matemáticos da fase de manutenção do Campeonato de Portugal Prio deveriam ser repensados. Dividir os pontos em quatro, acção alienada ao mercado de transferências de Inverno que provoca falhas nos plantéis, vai continuar a ser pejorativo para a Federação Portuguesa de Futebol e para o CPP.

Foto: Facebook @ADSanjoanense.oficial
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Marcelo BritoNovembro 21, 20166min0

A caminhada desde o Campeonato Nacional de Seniores à Liga NOS em apenas três temporadas despertou o interesse no desempenho de Pepa que, ao serviço do Moreirense, não durou mais do que dez jornadas.

Com 35 anos, muitos jogadores começam a pensar em pendurar as chuteiras. É aquela idade de questionamento pessoal sobre a capacidade em continuar a jogar ao mais alto nível ou começar a pensar num outro futuro profissional. Pepa têm-nos, mas a sua carreira de futebolista, por muito prometedora que parecesse, terminou cedo. Deu os primeiros passos no CADE; seguiu para o Benfica onde nunca se afirmou, foi emprestado ao Lierse, da Bélgica; ao Varzim; seguiu para o Paços Ferreira e terminou ao serviço do Olhanense. Mas não é deste Pepa promissor cujo nome outrora fez agitar a estrutura madrilena do Real que irei falar.

Pepa, o treinador: Fiel às suas brilhantes ideias de jogo, não as abdica perante nenhuma equipa. É óbvio que os planos de jogo vão-se modificando de partida para partida, consoante o adversário. Se os grandes o fazem, porque não haveriam de fazer os menos grandes? Mas o que fica por explicar é o facto do jovem timoneiro ter conseguido manusear o Moreirense a conquistar apenas oito pontos, repartidos por duas vitórias  e dois empates, somando seis derrotas para a Liga NOS. Se é uma explicação que pretende, eu bem gostaria de a dar na sua exactidão, mas caso não o consiga, espero roçá-la. Na primeira jornada empata a um frente ao Paços Ferreira, mas, uma jornada depois, imagine-se contra quem foi primeira a vitória… sim, ao Feirense! Muitos poderão estar a interrogar-se de qual o espanto de uma equipa consolidada na primeira divisão ir a Santa Maria da Feira ‘espetar três no bucho’ da equipa local e recém-promovida. O engraçado é que Pepa foi o grande obreiro da escalada fogaceira ao patamar máximo do futebol nacional. Pepa ganha 22 dos 46 jogos disputados – incluindo Taça de Portugal e da Liga – com o Castelo ao peito e, a meras jornadas do fim do campeonato, é despedido para dar lugar a José Mota que acabaria o seu trabalho. Pepa já demonstrou ser profissional e ético naquilo que faz, ou pelo menos fá-lo transparecer nas suas intervenções, mas a sua melhor vingança ao ‘despacho’ dos dirigentes feirenses, foi uma vitória exímia e sem contestação… dentro de campo.

Créditos: Zerozero.pt
Créditos: Zerozero.pt

O problema surge depois deste início de campeonato comprometedor. O Moreirense de Pepa perdeu cinco jogos consecutivos. Marítimo (0-1), Sporting (3-0), Estoril (2-0), Vitória Guimarães (1-0) e Boavista (2-0) imperaram-se ao Moreirense de Pepa. No embate a contar para a oitava jornada, empate a uma bola com o Rio Ave. O desfecho de jogo até poderia ter sido outro não falhasse Pedro Rebocho uma grande penalidade já em tempo de compensação.

Desloca-se a Tondela e arranca três pontos (1-2) e de seguida perde na sua fortaleza frente ao Vitória de Setúbal (pelo meio fica a vitória frente ao Estoril a contar para a Taça CTT). Mas afinal, o que é que se passa em Moreira de Cónegos? Tive a oportunidade de ver o Moreirense jogar e é notória a tentativa dos jogadores em protagonizarem as ideias tácticas básicas do seu treinador. Imperar na posse de bola e focar-se transições rápidas. Simples… mas, neste caso, sem sucesso prático.

É óbvio que depois da brilhante prestação do ano transacto, o mau arranque de campeonato do Arouca é ‘caso de estudo’, mas o Moreirense continua, na minha opinião, a ser a grande desilusão do campeonato. A falta de experiência, de matreirice e de ‘ratice’ vá, têm prejudicado os comandados de Pepa que não está a conseguir transparecer na qualidade de jogo da equipa de Moreira de Cónegos as suas qualidades como (bom) treinador, pois ele tem-nas.

Ia elaborando este texto e a pensar qual seria a fórmula para Pepa dar a volta por cima, mas… tarde demais! Hoje, segunda-feira, dia 21, deparo-me com uma notícia a anunciar o despedimento de Pepa. Seria naturalmente difícil para os dirigentes do Moreirense manter a confiança num homem que não conseguiu ultrapassar uma terceira eliminatória da Taça de Portugal frente a um Vizela de um escalão inferior, perdendo pela margem mínima.

O que falhou? Simples. Os resultados. O Moreirense não jogava mal, mas os resultados positivos insistiam em não aparecer. Será o campeonato português curto demais para a estrutura directiva do Moreirense perder tão prontamente a paciência com Pepa? É certo que Pepa treinou a Sanjoanense, fez um belo trabalho e a sua saída acabou por ser controversa, tendo o próprio dado entrevistas a criticar a estrutura sanjoanense. Subiu de escalão e de um Campeonato Nacional de Seniores (CNS) rumou à segunda divisão onde, como dito em cima, teve influência inegável na subida do Feirense e voltou a subir para a Liga NOS onde acabou por ser, uma vez mais, ‘despachado’.

Terá Pepa que dar um passo atrás para dar dois à frente? Será difícil para uma equipa de primeira linha que pretenda resultados a curto prazo voltar a apostar no timoneiro, mas não tenho dúvidas que Pepa tem qualidade para singrar em Portugal. A inexperiência pesará no seu currículo? Sim, e sem querer comparar Pepa com a lenda Alex Ferguson, o escocês não teve sete anos no banco dos Red Devils até alcançar o primeiro troféu? A esse, somou mais 37… Ah! E o escocês não foi despedido do St. Mirren? Foi… Foram pacientes com Sir Alex e estamos a falar de um Manchester United que teve 18 anos sem vencer o campeonato inglês até à chegada do melhor treinador da sua história. Esperaram, deixaram o escocês fazer o cultivo dos seus ideais e métodos de trabalho e é certo e sabido que colheram os frutos… muitos frutos.

Em Portugal tudo funciona de maneira diferente e apressada. Pepa é um exemplo de que os treinadores que são despedidos nem sempre o são devido à falta de qualidade para levar um clube ao seu expoente máximo. Cada caso é um caso, mas as estruturas clubísticas nacionais fervem em pouca água e é sempre mais fácil mudar um treinador do que um plantel…

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Marcelo BritoOutubro 5, 20166min0

Se existem equipas a despertar interesse nesta fase embrionária da Liga NOS, são Chaves e Feirense. Os recém-promovidos chegaram, bateram o pé e estão aí para as curvas.

Num cenário completamente descabido e intolerável, terminaria a Liga NOS à sétima jornada e teríamos um feito notável em Portugal. Os flavienses, vindos da segunda divisão pela mão do ‘Rei das Subidas’, Vítor Oliveira, disputariam a terceira pré-eliminatória de acesso à Liga Europa.

Mas por onde começar? Pelo encarregado geral da fábrica flaviense, Jorge Simão. Para muitos, esta é a prova de fogo que o jovem timoneiro de apenas 40 anos tem que superar para se afirmar no panorama nacional. Mas não o é. Depois de um modesto percurso como futebolista onde representou Carregado, Fanhões, Real e Atlético do Cacém, Jorge Simão assumiu-se como técnico principal em 2013/14 ao serviço do Atlético Clube de Portugal. Seguiu-se Mafra e Belenenses em 14/15 e, na temporada transacta, com as cores do Paços Ferreira, ajuda os castores a terminarem no sétimo lugar. Curto, mas ao mais alto nível nacional, o timoneiro acrescenta este ano ao seu curriculum vitae, o desafio de fazer permanecer na primeira, um clube vindo da segunda. Obstáculos? Muitos, mas com certeza que nem o técnico Jorge Simão esperava encontrar-se nos lugares europeus à sétima jornada. Agravada à sua qualidade como treinador, está o facto do plantel flaviense não ser um plantel assim tão modesto quanto o julgam ser. E não apenas de investimento falo. Há (muita) qualidade. Podemos começar com a contratação do defesa-central Felipe ao Wolfsburgo, de Freire ao Apollon Limassol, de Nemanja Petrovic ao Partizan, do velho conhecido Pedro Queirós ao Astra Giurgiu, do ex-sportinguista Simon Vukcevic e de William, antigo avançado do Kayserispor. A chegada a Trás-os-Montes do lateral direito Paulinho, o empréstimo conseguido de Battaglia, Ponck e Elhouni e as permanências de Braga, João Mário e Perdigão consolidam o rumor da existência de pérolas em terras transmontanas.

Jorge Simão agarrou os peões e começou a traçar os seus trajectos. Individualmente, também, mas como um todo, especificamente. Uma pré-época quase imbatível (apenas vencidos pelo Famalicão e pela margem mínima) fez crescer água na boca, seguido de um início de campeonato prometedor. Enfrentaram na primeira jornada o Tondela, já bem oleado pela mão de Petit e empataram a um. Seguiu-se um Boavista bem conhecedor do modelo de Erwin Sanchéz e… novo empate, mas a dois. À terceira foi mesmo de vez. Venceram, na deslocação à Madeira, o Nacional por 1-0 com um golo do experiente Braga, empatam com o Vitória de Setúbal, voltam às vitórias na difícil deslocação a Arouca, perdem com o tricampeão nacional Benfica e à sétima jornada deixam bem clara a ambição para esta temporada. Recebem, no mítico Municipal Engenheiro Manuel Branco Teixeira, uma histórica e emblemática formação vinda de Belém e vencem por uns expressivos 3-1 com direito a cambalhota no marcador. Battaglia, Braga e William contornam o início prometedor dos lisboetas coroado com um golo de Domingos Duarte, e levam o Municipal ao rubro. Balanço feito e temos um Chaves com 12 pontos em 7 jogos, atrás de Benfica, Sporting, Porto e.. Braga, clubes que nos brindam com a sua participação nas competições europeias assiduamente. Estamos numa fase embrionária da grande maratona que é o campeonato nacional, mas será que podemos esperar um Chaves a combater-se com os demais ambiciosos Guimarães, Rio Ave, Belenenses e Paços de Ferreira pelos lugares europeus? A praxe aos flavienses está feita, as primeiras frequências ultrapassadas e os transmontanos não querem deixar cadeiras para trás. Aliás, querem distinguir-se dos demais, afastando-se prematuramente do buraco negro que é a despromoção e afirmarem-se no panorama nacional e quem sabe… internacional.

Feirense vai de Mota

Se Jorge Jesus deixou um Ferrari com o combustível atestado e com revisão feita para Rui Vitória conduzir e desfrutar, há quem ande de Mota e a ultrapassar muitos carrinhos. O Feirense, promovido no ano transacto, a par do Chaves, pela mão de Pepa com uma ajuda final e crucial de José Mota, parece querer afastar o fantasma da descida. Não é a primeira vez que isto acontece. Promove-se em 2010/11 e despromove-se em 2011/12.

Vítor Bruno, em primeiro plano, a celebrar com os restantes companheiros. (Foto: Facebook CD Feirense)
Vítor Bruno, em primeiro plano, a celebrar com os restantes companheiros. (Foto: Facebook CD Feirense)

Tal como o Chaves, o Feirense reforçou-se. Há quem diga que melhor, há quem diga pior. Pois bem, o mercado estrangeiro foi prioridade para José Mota que contratou Guima e Vítor Bruno ao Cluj, Tasos Karamanos ao Olympiakos, Tchami ao Giresunspor, Jean Sony ao Steaua de Bucareste, Vaná ao Coritiba e Peçanha ao Viitorul, mas também pescou junto ao Atlântico. Os defesas centrais Paulo Monteiro e Luís Rocha reforçam o Feirense vindos do União da Madeira e Freamunde, respectivamente e Luís Aurélio é contratado em definitivo ao Nacional. Consegue ainda os empréstimos de Kakuba ao Estoril e Ricardo Dias e Tiago Silva ao Belenenses. Peças fundamentais que ajudaram na subida como Semedo, Cris, Rúben Oliveira, Fabinho e Barge permanecem de Castelo ao peito e querem provar que são jogadores de elite nacional.

Sabemos que o nigeriano detentor de 70% da SAD dos fogaceiros, Kunle Soname, quer, num prazo de dez anos, colocar o Feirense na órbita da Europa, fazendo exemplo de clubes como Rio Ave e Vitória de Guimarães. Já o disse publicamente em entrevista a um jornal regional Correio da Feira e afirmou-o de seguida ao nacional O Jogo. Para os feirenses, ouvir isto é satisfatório, pois conectam estas palavras com o sinónimo de investimento, algo que o clube de Santa Maria da Feira bem precisa para se manter na elite nacional. No que toca à matemática e às estatísticas, apenas três pontos separam os dois promovidos à Liga NOS no ano transacto, com vantagem para os do Alto Minho. O Feirense venceu Estoril, Tondela e Boavista e perdeu com Rio Ave, Moreirense, Nacional e… Benfica e encontra-se na décima posição. Neste momento, e não só pela classificação momentânea, estima-se que o Chaves faça um percurso bem longe da despromoção, cenário que não parece encaixar no teatro da Feira. O Feirense tem armas, principalmente pelo experiente e conhecedor da realidade nacional, José Mota, mas o plantel é um pouco curto para uma competição tão longa e exigente. No meio de um Ferrari, de um Lamborghini, de um Mercedez-Benz AMG e de muitos BMW’s, será a mota de Mota uma Harley-Davidson? Asseguro-lhe que uma Zundapp, não o é.

Em Maio, cá estaremos.

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Marcelo BritoSetembro 29, 20163min0

Deixando de lado uma introdução dramática e pouco lógica, passamos rapidamente à resposta: Não! O que não quer dizer que não roce o ‘milagre’, para os mais fiéis. Nem precisaríamos de falar no caso do Sporting e podíamos perfeitamente passar, de forma imediata, para os seis anos que o amadorense passou ligado aos conterrâneos lisboetas, Sport Lisboa e Benfica.

Os mais distraídos esquecem-se da enorme recuperação que ‘JJ’ fez, trazendo o Benfica de novo para a ribalta. Foi chegar, ver e vencer. Literalmente. Conquistou o primeiro campeonato nacional em 2009/10, deixou-se surpreender pelo jovem André Villas-Boas e pelo inesperado Vítor Pereira nos três anos seguintes, mas ofereceu a Luís Filipe Vieira o desejado bicampeonato. Atingiu finais europeias, valorizou jogadores em preços astronómicos e afirmou as águias no panorama nacional. Muito bem, temos aqui uma síntese de JJ de águia ao peito. Mas o que está presente na cabeça dos portugueses, ou daqueles que se lembravam em 2015 que o futebol existe, é o Sporting de Jesus. Perdão, o Sporting Clube de Portugal treinado por Jorge Jesus. E como ‘JJ’ nos habituou, foi chegar, ver e vencer. Conquista o primeiro título no seu primeiro jogo oficial (depois de vencer dois torneios de pré-época, valha o que valha) e vocês sabem bem a quem… Para a Taça eliminou… sabem bem quem e, para o campeonato, no seu antigo habitat natural, humilhou em poucos minutos o seu sucessor nas águias. Falhou redondamente o objectivo de conquistar o campeonato nacional, mas fez renascer um Sporting que, eu particularmente, nunca vi jogar. Lembro-me dos dois últimos títulos dos leões, das suas equipas, dos golos, mas não era um fã acérrimo de sistemas tácticos, movimentações, transições, superioridades numéricas, entre outros. Valorizou, tal como no rival, jogadores a valores astronómicos e recolocou o Sporting na rota dos dois maiores clubes nacionais nos últimos anos (de títulos falo).

Agora, ao ver um jogo do Sporting, sei – isto se o navio leonino não voltar a naufragar em rios como o do Ave – que irei ver espectáculo; irei ver futebol no seu sentido literal; irei ver jogadores de 300 mil euros ou ‘de borla’ a serem vendidos por dezenas de milhões e sei que Jesus fez, mais uma vez, um milagre. O Sporting está a atravessar a fases ‘Jesus’ e sei que por trás de Jesus existirá, esse sim por muito anos, um Bruno de Carvalho. Eu ia chamar-lhe presidente, mas o homem é um hooligan disfarçado. E atenção, isso não é mau! É extremamente bom. Os hooligans lutam pelo clube que amam.

Foto: rr.sapo.pt
Foto: rr.sapo.pt

Artigo da autoria de Marcelo Brito


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