21 Fev, 2018

Cinco treinadores com valor em Portugal

Daniel FariaDezembro 27, 20177min0

Cinco treinadores com valor em Portugal

Daniel FariaDezembro 27, 20177min0
O treinador português é cada vez mais tido como um profissional de qualidade naquilo que faz. Isso é inegável. É comum ver treinadores lusos que executam bem o seu trabalho, com a Liga NOS a assumir um papel de “liga formadora” de treinadores talentosos, que depois enveredam em aventuras fora do país.

Temos vários exemplos disso, seja Paulo Fonseca no Shakhtar, Leonardo Jardim no Mónaco, entre muitos outros casos que ilustram a tese de que o treinador português é detentor de uma qualidade inequívoca.

E realmente isso é verdade. O treinador luso é aplicado e procura sempre o máximo de conhecimento na sua generalidade, destacando-se por isso. Pois bem, neste artigo são apresentados cinco treinadores com potencial e que acabaram por se destacar neste ano de 2017 que está agora a caminhar para o seu fim.

Sem mais demoras, vamos aos “eleitos”.

Daniel Ramos (Marítimo)

Daniel Ramos parece ter conquistado o coração dos maritimistas com o seu trabalho. (Foto: MF)

Pegou numa equipa em zonas de despromoção e levou-a à qualificação europeia. Um belo “cartaz” para começar. Amante do trabalho duro, com grande enfoque nos aspectos técnico-tácticos, o treinador natural de Vila do Conde transformou o Marítimo numa equipa temível, principalmente dentro de portas, onde não perde há mais de um ano.

Com grande organização em campo, principalmente em termos defensivos, o Marítimo por vezes assemelha-se a uma equipa italiana nos seus encontros. Matreiros, dão a iniciativa de jogo ao adversário e assim que possível, trabalham a transição rápida, marcam o golo e organizam-se bem lá trás. Seguidamente, o processo repete-se, tentando marcar novamente, gerindo depois o encontro.

Depois da boa época de estreia, Daniel Ramos continua a fazer história, uma vez que protagoniza uns dos melhores arranques de sempre do Marítimo na primeira liga, sendo 5.º classificado com 27 pontos.

Palmo a palmo, foi ascendendo dos escalões inferiores até à primeira liga, agarrando a oportunidade e “brilhando” actualmente ao serviço do clube madeirense.

Nuno Manta Santos (Feirense)

Nuno Manta Santos está ao serviço do Feirense há duas décadas, sendo um histórico no emblema. (Foto: MF)

Um treinador com “grande tradição” no Feirense e que garantiu um feito histórico ao serviço do clube: a manutenção. Sempre que o Feirense subiu, acabou por regressar ao escalão secundário no ano seguinte e foi Nuno Manta Santos quem conseguiu o feito, sempre com muito trabalho e procurando evitar os “holofotes”.

Um treinador humilde e trabalhador, crente do trabalho duro e da dedicação a um clube. Duas décadas depois de treinar todos os escalões jovens do Feirense e de se sentar no banco do plantel principal como adjunto, Nuno Manta dos Santos tomou as rédeas da equipa e fez história. Com um futebol agradável e positivo, o Feirense passou a ser respeitado e tido em conta.

Exigente e com brio profissional, é um homem da casa, conhecedor profundo do clube que representa há praticamente 20 anos. Talentoso, Nuno Manta Santos é um treinador que privilegia a boa organização defensiva com saídas rápidas para o ataque usufruindo da qualidade física e técnica dos seus elementos mais ofensivos, onde se verifica uma grande proximidade entre as linhas defensiva e média, obrigando os adversários a recorrer do jogo exterior para se aproximarem da baliza.

Pedro Martins (Vitória de Guimarães)

Versátil e ambicioso, Pedro Martins é dos melhores treinadores em Portugal. (Foto: MF)

Depois de boas épocas ao serviço de Rio Ave e Marítimo, Pedro Martins cumpre a sua segunda temporada ao serviço do Vitória. Adepto de equipas equilibradas e seguras do ponto de vista defensivo, Pedro Martins utiliza dois sistemas tácticos que vai escolhendo em função das necessidades de cada jogo e tendo em conta o potencial dos adversários.

Ambicioso e “sem complexos” quando o assunto é alterar a estratégia de jogo, Pedro Martins é um homem racional na abordagem que faz ao jogo. Frequentemente projecta as suas equipas em 4-4-3 ou -2-3-1, construindo desde trás e procurando futebol apoiado.

No entanto, há uma versatilidade nos sistemas usados pelo técnico, com os mesmos a variarem durante o encontro. Na versão 2016/17 do Vitória, chegamos a ver um 4-4-2 clássico a transformar-se rapidamente em 4-2-3-1, adaptando assim o sistema às necessidades. Ambicioso, versátil e organizado, assim é Pedro Martins.

Luís Castro (Desportivo de Chaves)

Luís Castro evidenciou-se no Rio Ave, orientando agora o Desportivo de Chaves. (Foto: MF)

Evidenciou-se no Rio Ave, pela sua postura e qualidade como treinador. Não se assume como um “resultadista”, pois procura implementar sempre um futebol vistoso nas equipas por onde passa, mas ao mesmo tempo pragmático.

Pragmatismo, mas tentando sempre colocar um ou outro apontamento “vistoso”, são argumentos fortes quando se fala no perfil de Luís Castro, um homem conhecedor do fenómeno futebolístico, fazendo transparecer isso nas ideias que fomenta nas suas equipas.

Após um início complicado na Liga, em que esteve no último lugar, o Chaves goza agora de uma certa estabilidade, sendo 9.º classificado com 19 pontos, mais oito que o Estoril, a primeira equipa que se apresenta em lugares de despromoção.

Quando chegou ao clube, referiu que o seu desejo era ter um Desportivo de Chaves competitivo e confiante. Pois bem, pelo que se vê, esse desiderato é cumprido na íntegra, pois o Chaves é uma equipa aguerrida e com qualidade, ancorada num homem experiente e com bons princípios de jogo.

Miguel Cardoso (Rio Ave)

Miguel Cardoso tem colocado o Rio Ave a praticar um futebol atractivo. (Foto: MF)

Se calhar, o menos conhecido da lista, mas com enorme valor pelo que tem mostrado na formação do Rio Ave. Antigo adjunto de Paulo Fonseca, no Shakthar, chegou para o lugar deixado vago por Luís Castro e evidenciou-se pela sua capacidade de trabalho e perfeccionismo.

Ambicioso e com objectivos fortes – quer por exemplo levar o Rio Ave ao Jamor depois de ter eliminado o Benfica da Taça de Portugal – esta é a primeira grande “aventura” como treinador principal.

Autoritário “quanto baste”, parece controlar bem o balneário, mostrando uma máquina “bem oleada” em campo, difícil de bater, próxima da zona europeia na tabela classificativa.

“Perfeccionista”, “viciado no trabalho”, “inteligente” e “predestinado”, é a forma como é reconhecido pelas pessoas que o conhecem. Depois de um excelente início de campeonato, com três vitórias e um empate frente ao Benfica, Miguel Cardoso promete continuar a surpreender naquela que é a sua primeira experiência como treinador principal, aos 45 anos.

A equipa pratica um futebol atraente com os jogadores a procurar jogar com critério. Outro ponto forte é a pressão alta exercida pela linha defensiva subida, dificultando ao máximo a saída do adversário para o ataque, procurando depois sair a jogar através desse avanço de linhas, chegando mais rapidamente a zonas de finalização.


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