21 Fev, 2018

Toronto FC: Os canadianos que tomaram conta da MLS

António Pereira RibeiroSetembro 13, 20173min0

Toronto FC: Os canadianos que tomaram conta da MLS

António Pereira RibeiroSetembro 13, 20173min0
Os vice-campeões perseguem a todo o custo um lugar na história da competição

Em Dezembro último, os Toronto FC sairam derrotados da final da Major League Soccer, no seu próprio terreno. Uma infelicidade que poderia eventualmente representar um rombo moral em toda a estrutura, mas que acabou por servir de motivação adicional para a presente época, curiosamente dominada pelos mesmos finalistas vencidos.

A seis rondas do final da Fase Regular, o emblema canadiano foi o único que já assegurou a sua presença nos Playoffs, fruto de uma caminhada deslizante, sem sobressaltos. Os resultados volumosos acumulam-se, as derrotas vão sendo coisa rara (apenas 3 em 28, todas fora de casa), e por isso não admira que o segundo classificado esteja a nove pontos de distância, pelo menos para já.

Quem assistiu ao triunfo de Toronto FC no passado fim-de-semana sobre os Earthquakes, por 4-0, percebe de imediato que esta equipa não se cansará de vencer até conseguir o tão desejado título. Estamos perante a melhor versão de sempre da história dos ‘The Reds’, e não é exagero afirmar igualmente que nunca houve líder tão incontestável e soberano na história da competição (nem mesmo os Columbus Crew SC de 2008). Mas como explicar este fenómeno?

Primeiramente, há que valorizar o papel de Tim Bezbatchenko, Director-Geral que ocupa o cargo desde o final de 2013, e cujo mandato coincide com uma evolução exponencial nos resultados dentro de campo. A competir na MLS desde 2007, os ‘Reds’ só conseguiram alcançar os Playoffs nas últimas três épocas. Bezbatchenko assumiu a estratégia de ocupar as três vagas disponíveis para Designated Players com futebolistas de peso, mas que ainda estivessem no pleno das suas capacidades, ao invés de outros ‘trintões’ que passeiam pelos relvados norte-americanos. Dessa forma, reunir Michael Bradley (30), Sebastian Giovinco (30) e Jozy Altidore (27) na mesma formação durante vários anos, é um factor diferencial determinante.

Onze Base dos Toronto FC

Dentro de campo, o treinador Greg Vanney tem vindo a apostar continuamente num 3x5x2, alinhamento fortemente estabilizado na dinâmica colectiva, mas que conheceu novos intérpretes no último defeso que deram origem a um salto qualitativo significativo. Em comparação com a temporada transacta, onde os canadianos foram vice-campeões, poucas foram as unidades-chave a deixar o clube em definitivo (Clint Irwin e Will Johnson), e no sentido inverso, registaram-se adições importantíssimas. A começar pelo centrocampista espanhol Victor Vázquez, que deambulava insatisfeito ao serviço dos mexicanos do Cruz Azul. Hoje lidera a tabela de assistências da MLS, com uma quinzena de passes para golo. No sector mais recuado, a velocidade de Chris Mavinga (ex-Troyes) tem sido bastante útil num sistema de três centrais.

Isto para não mencionar todas as outras mais-valias que já constavam do plantel, e que continuam a evidenciar-se. A resistência de Justin Morrow no corredor esquerdo é algo surpreendente, e suficiente para novas oportunidades na selecção norte-americana. A capacidade monstruosa de Michael Bradley em ocupar todos os centímetros do campo, a toda a hora (pelo menos assim nos parece). E, claro, a dupla incrivelmente complementar de Giovinco-Altidore, que combina de uma maneira única mobilidade e portento físico, para um total de 28 golos em conjunto.

Parece mentira, mas um clube canadiano tomou conta da Major League Soccer, e promete não abrandar nas suas intenções. Amantes da história do futebol, aproveitem para ver o que se passa do outro lado do Oceano Atlântico. O título da Fase Regular já não deverá fugir ao emblema de Toronto, pelo que nos resta perceber como se irão comportar na altura dos Playoffs decisivos. Podemos referir-nos a esta equipa como a melhor da história da MLS, mas a verdade é que se o título final voltar a fugir, tornar-se-á apenas a melhor equipa de sempre que nunca se sagrou campeã. E isso é uma grande diferença.


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