Arquivo de Tomasz Kedziora - Fair Play

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Francisco da SilvaMaio 5, 20179min0

Ao longo dos últimos 10 meses, a Ekstraklasa tem permitido formar novos talentos, consagrar profícuos veteranos e alimentar ávidos aficionados. A 6 jornadas do término da competição e por forma a evitar ser influenciado pela classificação final, o Fair Play decidiu reunir um conjunto de jogadores capazes de formar o onze mais decisivo e meritório da atual edição do campeonato polaco.

Guarda-redes: Matus Putnocky (Lech Poznan)

Dificilmente a escolha para esta posição podia ser diferente. A temporada de estreia de Putnocky em Poznan, já abordada pelo Fair Play aqui, tem sido verdadeiramente sensacional com exibições exuberantes e inúmeras nomeações para melhor jogador em campo, que contribuem decisivamente para que o Lech Poznan tenha de longe a melhor defesa da Ekstraklasa. O gigante eslovaco de 195 centímetros alia compleição física a diversos atributos técnicos como agilidade, posicionamento e jogo aéreo que fazem dele o guardião mais difícil de bater na competição. Em 24 jogos disputados, Putnocky manteve a sua baliza intacta por 15 vezes e apresenta até ao momento a admirável média de 1 golo sofrido por cada 2 jogos.

Matus Putnocky | Fonte: przegladsportowy.pl

Defesa Direito: Tomasz Kedziora (Lech Poznan)

O lateral polaco é um daqueles talentos que não engana e certamente irá zarpar em breve de Poznan. Se após uma desinspirada época de 2015/2016 subsistiam dúvidas sobre a real valia de Kedziora, todas estas foram dissipadas ao longo da presente temporada. Até ao momento, Kedziora falhou apenas 1 único encontro para o campeonato, assumindo-se como um dos indispensáveis para o treinador Nenad Bjelica fruto da enorme intensidade e competência que o polaco oferece ao corredor direito. A qualidade no processo defensivo e ofensivo deste talento polaco, salientada aqui na rubrica “FP Scouting”, colocam-no num patamar de excelência entre os laterais mais promissores do centro e leste europeu.

Tomasz Kedziora | Fonte: przegladsportowy.pl

Defesa central: Michal Pazdan (Legia Warsaw)

A segunda temporada de Pazdan ao serviço da equipa da capital polaca tem servido para demonstrar a qualidade e utilidade do polaco no eixo defensivo legionisci. Apesar dos inúmeros problemas físicos que assolaram o central na época transata e no início da temporada presente, o polaco conquistou o seu lugar no onze da formação de Jacek Magiera e é hoje dono e senhor da camisola “2” do Légia de Varsóvia. Aos 29 anos, Pazdan é um dos capitães de equipa e a voz de comando do seu eixo defensivo, sendo capaz de disfarçar o seu défice técnico e tático com a típica agressividade e tenacidade polaca.

Michal Pazdan | Fonte: sport.se.pl

Defesa central: Guti (Jagiellonia Bialystok)

Chegar, ver e vencer. Na primeira temporada fora do Brasil, Guti tem vindo a demonstrar que tem qualidade futebolística mais do que suficiente para se afirmar no continente europeu. Os argumentos do central brasileiro são diversos e incluem um fortíssimo jogo aéreo, uma boa saída e condução de bola, bem como, uma superior capacidade atlética capaz de dobrar e compensar os seus colegas defensivos com relativa facilidade. Michal Probierz, técnico do Jagiellonia Bialystok, já não prescinde do brasileiro, tornando-o numa figura basilar na segurança defensiva do atual líder do campeonato e o 2º jogador mais utilizado da equipa.

Guti | Fonte: mp9sports.com

Defesa esquerdo: Ricardo Nunes (Pogon Szczecin)

O corredor esquerdo desta formação fica entregue a um português. Apesar da excelente temporada de Piotr Tomasik, o impacto de Ricardo Nunes na sua equipa é tal que este merece estar presente no onze ideal da Ekstraklasa. Aos 30 anos, o lateral formado nas escolas do Benfica é o defesa com maior preponderância ofensiva (em igualdade com Tomasik) no campeonato fruto de 2 golos e 7 assistências em 28 partidas. Para os mais distraídos, resta sublinhar que o português de raízes sul africanas é um lateral moderno com uma enorme capacidade física, que se mostra quer na sua incorporação no processo ofensivo quer na sua competência defensiva.

Ricardo Nunes | Fonte: sport.wp.pl

Médio centro: Vadis Odjidja-Ofoe (Legia Warsaw)

Se há jogador nesta lista que não necessita de apresentações é Odjidja-Ofoe. O belga chegou à Polónia esta temporada à procura de revitalizar a sua carreira após uma passagem menos feliz por terras de sua majestade e, até ao momento, tem aproveitado da melhor forma a sua estadia por Varsóvia. Em 25 jogos disputados, o possante médio tem 3 golos apontados, 8 assistências realizadas e diversas exibições de encher o olho. Especialmente após Jacek Magiera assumir o comando técnico do Légia de Varsóvia, Odjidja-Ofoe tem voltado a demonstrar toda a sua qualidade ao nível da recuperação de bola, domínio territorial e físico do meio-campo, bem como, capacidade de aparecer em zonas de finalização.

Vadis Odjidja-Ofoe | Fonte: echodnia.eu

Médio centro: Mateusz Matras (Pogon Szczecin)

O gigante médio defensivo da formação de Szczecin está longe de ser um desconhecido para os seguidores da Ekstraklasa, mais não seja pelos 193 centímetros do polaco que não o deixam passar despercebido. Porém, Matras é muito mais do que um monstro físico. Aos 26 anos, este “6” de passada larga é o pêndulo da sua equipa, quer pelo seu forte sentido posicional quer pela sua qualidade de passe que permite ao Pogon iniciar o seu momento ofensivo logo após a recuperação de bola. Em 2016/2017, Matras elevou o seu patamar futebolístico e, além da habitual qualidade no seu meio-campo defensivo, associou ao seu cardápio um instinto goleador anómalo: 5 golos e 3 assistências em 28 jogos, que fazem do médio defensivo polaco uma referência na sua posição.

Mateusz Matras | Fonte: sport.interia.pl

Médio ofensivo: Konstantin Vassiljev (Jagiellonia Bialystok)

A nomeação de Vassiljev para esta seleção é talvez a escolha mais unânime, parcialmente justificada pelo Fair Play aqui. Aos 32 anos, Vassiljev está a realizar a melhor temporada de sempre em termos individuais e coletivos, ao ponto de este se ter tornado a figura de proa do líder da Ekstraklasa, bem como, o jogador mais decisivo do campeonato. O camisola “5” do Jagiellonia Bialystok é um jogador de elevado recorte técnico com um arsenal ofensivo ao nível do remate e finta deveras letal. Em 26 partidas disputadas, o médio ofensivo estónio fez balançar as redes adversárias por 13 vezes e ainda realizou 14 passes para golo. Em suma, mais de 47% dos golos marcados do Jagiellonia têm carimbo deste médio ofensivo báltico.

Konstantin Vassiljev | Fonte: przegladsportowy.pl

Extremo direito: Miroslav Radovic (Legia Warsaw)

A escolha de Radovic não prima pela originalidade, contudo, era difícil ficar indiferente ao renascimento do mágico sérvio às mãos de Jacek Magiera detalhado aqui. Desde que o jovem técnico polaco ingressou no clube da capital polaca, Radovic garantiu um lugar no onze do “seu” Légia e voltou a espalhar toda a sua classe pelos relvados polacos. 10 golos (2º melhor marcador da sua equipa) e 9 assistências (jogador do Légia com mais assistências) em 23 partidas dão dimensão ao jogador mais influente do conjunto legionisci, dono de uma qualidade técnica e capacidade de desequilíbrio nas alas que atemoriza os seus adversários/marcadores diretos.

Miroslav Radovic | Fonte: gazetaolsztynska.pl

Extremo esquerdo: Ádám Gyurcsó (Pogon Szczecin)

A época tranquila do Pogon tem feito emergir alguns bons valores, até então desconhecidos, na Ekstraklasa. Um desses jogadores é o húngaro Gyurcsó que na sua época de estreia tem rubricado exibições muito interessantes e acumulado golos e assistências. Gyurcsó é mesmo o único totalista no campeonato do Pogon Szczecin, o que diz bem da sua importância para o técnico Kazimierz Moskal, que já não prescinde da velocidade, facilidade de remate e qualidade nas bolas paradas do extremo húngaro. Em 31 jogos disputados, Gyurcsó soma 5 golos e 9 assistências ao seu pecúlio, abrindo imenso apetite para aquilo que este pode fazer na próxima temporada.

Ádám Gyurcsó | Fonte: 24.hu

Avançado centro: Fedor Cernych (Jagiellonia Bialystok)

A frente de ataque fica entregue a este avançado lituano bastante móvel e polivalente que tanto pode atuar sozinho na área como descair para uma das alas. Na presente temporada, Cernych até tem jogado mais vezes na ala, no entanto, a facilidade de remate, o faro de golo e a mobilidade do lituano tornam-no num avançado versátil e letal bastante útil para a equipa. Apesar de ainda faltarem 6 partidas para o término da Ekstraklasa, Cernych já superou os seus melhores registos na competição, acumulando até ao momento 12 tentos e 7 assistências em 28 jogos disputados. Assim, é seguro dizer que parte do sonho do Jagiellonia Bialystok está nas mãos do 3º jogador com maior preponderância ofensiva no campeonato.

Fedor Cernych | Fonte: sportowefakty.wp.pl
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Francisco da SilvaDezembro 27, 20165min0

Longe dos olhares mais atentos do futebol português, emerge em solo polaco um dos laterais direitos mais promissores do continente europeu. Aos 22 anos, Tomasz Kedziora é uma das principais figuras do Lech Poznan e da Ekstraklasa, acumulando cada vez mais interessados nos seus préstimos. Conheça melhor o perfil deste talento polaco através do ‘FP Scouting’, rubrica desenvolvida em colaboração com a Talent Spy.

Tomasz Kedziora é o rosto perfeito de uma geração de talentos polacos que está a crescer e promete colocar a Polónia no mapa futebolístico europeu. Aos 22 anos, Kedziora já conquistou a Ekstraklasa, quer pela sua qualidade quer pela sua entrega ao jogo, tornando-se hoje um dos alvos mais apetecíveis da primeira liga polaca e o principal candidato a suceder Lukasz Piszczek na seleção da Polska.

O percurso do jovem natural de Sulechow iniciou-se no modesto Zielona Gora, onde permaneceu cerca de 10 temporadas. De seguida, veio o salto para Poznan onde viria a completar a sua formação futebolística no colosso Lech. Apesar de ter feito parte do plantel do Lech Poznan a partir de 2011/2012, a sua estreia com a camisola dos Kolejorz só aconteceu na época seguinte numa pré-eliminatória da Liga Europa. Durante a temporada 2012/2013, Kedziora foi tendo pontualmente minutos no conjunto então orientado por Mariusz Rumak, porém, sem grande evidência. O ano seguinte foi bastante complicado, nomeadamente, devido a vários problemas físicos que afetaram o homem de Sulechow, impedindo assim a sua afirmação. Contudo, apesar dos vários jogos perdidos ao longo da época, Kedziora protagonizou uma boa reta final e agarrou o lugar na equipa.

A temporada 2014/2015 iniciou e terminou com Kedziora como dono e senhor do lado direito da defensiva dos Kolejorz. Só na Ekstraklasa, o polaco esteve presente em 35 jogos, tendo somado ainda 3 golos e 5 assistências. Registo notável para um jovem com apenas 21 anos. Às performances individuais, Kedziora juntou ainda o título de campeão polaco e a supertaça da Polónia no ano seguinte. A partir daqui, o jovem lateral assumiu-se como um dos principais ativos do Lech Poznan, bastante cobiçado por clubes ingleses e alemães. A época seguinte não foi famosa, bem à imagem da época discreta do próprio clube, no entanto, Kedziora tem renascido na presente temporada.

Percurso de Kedziora | Soccerway
Percurso de Kedziora | Fonte: Soccerway

A temporada 2016/17 tem sido aproveitada por Kedziora para voltar à sua melhor forma. Até ao momento, o lateral polaco ainda não falhou um único minuto, assumindo-se como uma das figuras de proa do conjunto de Poznan na Ekstraklasa. Um dos momentos mais marcantes da presente época aconteceu no final do mês de Outubro, quando Kedziora envergou pela primeira vez a braçadeira de capitão pelo Lech Poznan.

Toda esta performance assinalável de Kedziora só é possível devido às suas características físicas. O jovem de 22 anos é um jogador bastante disponível ao longo de todo o jogo, sendo bastante habitual vê-lo a correr intensamente de lés a lés durante os 90 minutos. Em complemento à sua disponibilidade, Kedziora incorpora-se facilmente no ataque, conferindo assim dinâmica e equilíbrio ao flanco direito. Por outro lado, além de ser um jogador bastante comprometido com as tarefas mais recuadas, Kedziora pode jogar no lado direito ou esquerdo (com menor qualidade), consoante as necessidades da equipa. Ainda no aspeto defensivo, o lateral polaco é um jogador forte nos duelos aéreos, fruto da sua boa estatura, e com uma capacidade de desarme acima da média, o que o torna uma barreira difícil de ultrapassar.

Em linha com a sua idade, Kedziora ainda tem algumas arestas para limar, nomeadamente na vertente defensiva. O lateral direito do Lech Poznan precisa de domar a sua impetuosidade, própria da idade, que o torna atualmente um jogador algo faltoso. Também ao nível do posicionamento tático, Kedziora precisa de ler melhor a sua posição no terreno, quer na coordenação com os restantes elementos da linha defensiva, quer nos momentos de inferioridade numérica onde deve melhorar a sua ocupação de espaços.

BOA OPÇÃO PARA…

Sporting CP – O grande handicap da equipa de Jesus tem sido as laterais, nesse sentido, pelas suas características físicas e pelo seu potencial, Kedziora podia ser parte da solução na ala direita leonina. Ao 1,83m de altura, o polaco combina disponibilidade física e capacidade de choque, tal como JJ gosta. Uma parceria Kedziora-Gelson seria bem vista e teria todos os ingredientes para ser bem sucedida, nomeadamente tendo em conta a intensidade, cadência e juventude dos 2 elementos.

Augsburgo – A Bundesliga é um dos mercados que mais importa talento polaco, assim, tendo em vista a sucessão do veterano Verhaegh, Kedziora seria uma boa solução para o médio e longo prazo. O ritmo competitivo da Bundesliga é bem mais elevado do que a Ekstraklasa, porém, a entrega e a capacidade física do lateral de 22 anos facilitariam a sua adaptação a um grau de exigência superior.

 


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