Arquivo de Tévez - Fair Play

la-bombonera-e1472048625987.jpg?fit=1024%2C581&ssl=1
Diogo AlvesJulho 6, 201712min0

Boca Juniors campeão duas épocas depois, e mostra-se ser o rei dos campeonatos regulares com 30 equipas. O bipolar River Plate que ao longo da época mostrou duas facetas, e, volta a falhar o título que falta no palmarés de “Muñeco”. Um campeonato mais emocionante, com luta pela Libertadores até à última jornada. Contudo, algo manchado com a polémica e emblemática greve dos jogadores no mês de Março.

O trigésimo segundo do Boca Juniors

O Boca Juniors regressou aos títulos duas épocas depois, apenas uma época de interregno nas conquistas, os Xeneize regressaram assim em 2017 aos grandes títulos internos, e, além do 32º campeonato nacional, arrecadaram para o seu historial o 66º título da história do clube.

Orientados pela dupla Guilhermo e Gustavo Barros Schelotto – os gémeos – o Boca Juniors apresentou para esta época um dos melhores – se não o melhor – plantéis da Argentina. Carregados de talento os “azul e ouro” montaram um elenco a pensar na conquista do campeonato, já que, não havia Libertadores da América – face da péssima época passada – o conjunto de Buenos Aires capitalizou forças na prova doméstica.

Um inicio de época algo inconstante, com derrota na primeira jornada, e uma séria de empates consecutivos longe do (mítico) La Bombonera, o Boca nunca foi perdendo de vista o líder – à altura – Estudiantes de La Plata. A demonstração de força e que ajudou a “assaltar” e solidificar a liderança aconteceu já em meados de Dezembro, antes da paragem natalícia (que viria a prolongar-se por mais tempo).

Wilmar Barrios, o silencioso que foi muito importante na recta final (Foto: AS.com)

Quatro vitórias consecutivas (cinco se contarmos já com a vitória pós-pausa natalícia) onde destaca-se a conquista dos três pontos na casa do San Lorenzo e do eterno rival e vizinho River Plate na catedral dos “milionários”.

No regresso à competição, já em Março deste ano, o Boca regressou já sem a sua estrela maior Carlitos Tévez que partiu – depois do superclássico com o River Plate – para a China. Centurión, Gago e Bendetto – a espaços também Pavón – assumiram a batuta da equipa sem a estrela maior e trabalharam para fazer do Boca campeão.

Guillermo Barros Schelotto foi arguto na recta final do campeonato numa fase algo intermitente do Boca – onde perderam vários pontos, inclusive derrota na La Bombonera com o River Plate que chegou a encostar no líder e parecia relançar o campeonato. Adicionou Wilmar Barrios ao meio-campo – na função de médio-defensivo – e fez subir Gago para junto de Pablo Pérez. Esta mudança táctica foi importante (os próprios jogadores elogiaram a decisão do técnico) para estabilizar o centro nevrálgico do terreno e permitiu que Gago conecta-se mais com Centurión, Pavón e Benedetto com maior liberdade posicional, uma vez que, nas suas costas tinha Wilmar Barrios para o proteger.

A sagacidade e inteligência de Gago assumir a construção de jogo através de passes verticais a queimar linhas do adversário, a criação e irreverência de Centurión no último terço e o instinto matador de Bendetto (que não foi só pelos golos que destacou-se) na área adversária. Acrescenta-se ainda a recta final de Pavón, terminou a época num óptimo momento de forma com golos e assistências.

(Foto: Lanacion.com)

River de duas caras

Ainda não foi em 2017 que Marcelo Gallardo conseguiu somar o campeonato ao seu vasto palmarés como treinador principal. Já venceu tudo que havia para ganhar, excepto a Primera División.

Uma época que foi claramente de menos a mais e em que se pode dizer que foi um River de duas facetas. Embora fosse visível o crescimento de vários jogadores como Pity Martínez e Sebástian Driussi (um dos melhores jogadores actuar na Argentina), o colectivo não rendia o desejado, e os resultados não apareciam.

Muito também culpa da aposta na passagem aos oitavos-de-final da Libertadores da América e em vencer a Taça da Argentina. O torneio local foi muitas vezes colocado para segundo plano, inclusive houve jogos em que Gallardo apostou em equipas jovens e de jogadores da equipa de reservas para poupar jogadores como Maidana, Ponzio, Nacho Fernández e Lucas Alário.

Rotatividade essa que acabou por ter efeitos, uma vez que conseguiram garantir o passaporte para os oitavos-de-final da Libertadores e a vitória na Taça da Argentina. Já o campeonato parecia – à data – estar perdido e até em causa a garantia de chegar a postos que dessem entrada directa na Libertadores do próximo ano.

O título que escapa a Marcelo Gallardo por mais um ano (Foto: glbimg.com)

A pausa no campeonato permitiu refrescar o plantel e recarregar baterias para a segunda metade da temporada. Chegou Ariel Rojas (um histórico do clube) e partiu Andrés D’Alessandro.

O River Plate do terço final do campeonato foi o oposto da versão deixada em 2016. Uma equipa com ideias renovadas e atractivas, que privilegiavam bastante um futebol mais combinativo e onde surgiu a melhor versão de Driussi, Nacho Fernández, Pity Martínez e Alario. A entrada de Rojas foi significativa para o 4-4-2 de Gallardo ter a sua melhor versão e aquela que permitiu jogar bem, ter um processo de jogo e resultados.

Tiveram 6 meses sem conhecer o sabor da derrota (última derrota tinha sido a 11 de Dezembro) e passaram de um mísero 11º lugar para o 2º posto e chegaram a cheirar a liderança. A vitória na La Bombonera fez sonhar as tropas de Muñeco, mas, voltaram a ser assombrados pela inconstância na recta final da Primera División. Derrota na casa do San Lorenzo e com o Racing abriu novamente o fosso para Boca Juniors a somente 4 jornadas do fim e acabou por ser irremediável.

O plantel vai sofrer bastante agora com o mercado de transferências e muito provavelmente irão perder as duas maiores estrelas: Pity Martínez e Driussi. No entanto, já chegaram Germán Lux, Javier Pinola, Enzo Pérez e Ignacio Scocco. O River já começa a preparar o ataque ao campeonato da próxima época, mas é também a pensar na Libertadores que chegam estes quatro jogadores ao conjunto de Marcelo Gallardo que promete vencer a Copa dos Libertadores da América de 2017.

Sensação Banfield

Julio Falcioni, um dos treinadores mais carismáticos da Argentina, conseguiu fazer do Banfield um candidato ao título quando menos se esperava. Uma equipa sem grandes argumentos, e que raramente entra nas contas do título, acabou a época como o rival directo do Boca Juniors na luta pelo título.

A derrota na penúltima jornada no reduto do San Lorenzo – com golo do ex-portista Fernando Belluschi – acabou por roubar o sonho aos verdes e brancos e directamente deu o título ao Boca que jogava apenas no dia seguinte.

Não obstante, a época de El Taladro foi uma das melhores dos últimos, e, conseguiram ficar com a última vaga para a Copa dos Libertadores de 2018. Um feito muito grande para o pequeno clube que lançou James Rodriguez.

Julio Falcioni conduziu o Banfield a uma época acima da média (Foto: Lanacion.com)

O grupo perseguidor

Ao longo da época foram vários foram os clubes que andaram na perseguição ao líder Boca Juniors, que jornada após jornada aproveitava sempre os deslizes do grupo perseguidor. Estudiantes, Newell’s Old Boys, os supracitados Banfield e River Plate e ainda o San Lorenzo foram os conjuntos que andaram sempre pelos lugares cimeiros na expectativa de assumir a liderança.

O Estudiantes de Nélson Vivas foi o primeiro líder da época e até com boa vantagem sobre os demais perseguidores. O término da primeira metade da época acabou por ser crucial para a perda da liderança e da queda na tabela. Cinco jogos sem vencer, onde pode contar-se quatro derrotas, das quais três foram consecutivas. Nélson Vivas acabou mesmo por não acabar a época ao serviço do clube platense, contudo já tem clube para a próxima época: Defensa Y Justicia.

San Lorenzo e Newell’s Old Boys – dois históricos – que acabaram em 7º e 9º lugar, respectivamente, foram a certa altura os dois emblemas que mais se bateram com o Boca e andaram sempre muito perto do clube de Buenos Aires. A inconstância de ambos acabou por sair-lhes cara nas contas finais e ambos ficam de fora de lugares com acesso à Copa dos Libertadores. Esta queda também deve-se em muito à competitividade que houve do 2º lugar para baixo, nunca houve grandes fossos entre os lugares cimeiros e o meio da tabela.

Por fim, salientar aproximação de Racing (4º na geral) e do Independiente já na recta final do campeonato. Um e outro acabaram por beneficiar bastante da troca de treinadores que fizeram em meados de Dezembro. O regresso de Darío Cocca a Avellaneda foi determinante para que o Racing garantisse o acesso à Libertadores e potencializa-se o plantel que tem à sua disposição.

O mesmo para o rival do outro lado da rua que apostou em Ariel Holan – um treinador super respeitado pela suas convicções e ideias de jogo – e conseguiu tirar máximo proveito da qualidade flamejante que possui La Roja nos seus quadros. Não deu ainda assim para terminar no top-4 que dá acesso à Copa dos Libertadores da América de 2018.

Os relegados

O sistema de despromoção na Argentina ainda é por médias de 3 épocas, e não o sistema mais usual na Europa, em que, os três últimos classificados (podem ser mais ou menos, depende do país) descem de divisão.

Atlético Rafaela foi um dos despromovidos que até ficou distante dos últimos lugares, contudo a média de pontos das últimas 3 épocas não dava para salvar La Crema da despromoção. Sarmiento ainda lutou até aos últimos jogos pela manutenção, mas, tal como o caso supracitado, também o sistema que está em voga na Argentina acabou por despromover o clube de Junín.

Quilmes e Aldosivi acabaram eles também despromovidos pela má época que realizaram e por uma série de resultados bastante maus nas últimas jornadas. Olimpo, Huracán e Temperley acabaram por salvar-se na última jornada.

As revoluções nos bancos

A Primera División começa a tornar-se terreno hostil para treinadores que não consigam resultados no imediato. Tempo e paciência não existem na Argentina. Em 30 equipas só 8(!) treinadores chegaram “vivos” desde a 1ª jornada até a 30ª jornada. Boca, River, San Lorenzo, Talleres, Banfiel, Atlético Rafaela e Patronato.

63(!) treinadores em 30 jornadas é um número muito grande para um campeonato de somente 30 jornadas. É uma pequena amostra de que o tempo dado a um treinador para mostrar a sua qualidade é pouco.

A greve

A AFA viveu tempos de grande agitação, não bastava as polémicas eleições em 2014 – onde pairou o clima de corrupção – com a contagem dos votos polémica, a terminar com um empate entre os dois candidatos à presidência do organismo que tutela o futebol argentino (38 votos para os dois).

Para piorar e manchar ainda mais o futebol argentino, os jogadores decidiram realizar uma greve no regresso aos trabalhos depois da paragem natalícia. As dívidas dos clubes para com os jogadores (ordenados e prémios em atraso) motivaram a greve. Não eram todos os clubes que deviam aos jogadores, mas por solidariedade todos os clubes juntaram-se ao movimento em forma de protesto pelo sucedido.

O imbróglio ficou resolvido com o pagamento de alguns salários com o dinheiro vindo dos direitos de transmissão, cerca de 21 milhões de euros.

Distinções

Jogador do Ano: Darío Benedetto (Boca Juniors)

Treinador do Ano: Guillermo Barros Schelotto (Boca Juniors)

Avançado do Ano: Darío Benedetto (Boca Juniors)

Médio do Ano: Pity Martínez (River Plate)

Defesa do Ano: Tagliafico (Independiente)

Guarda Redes do Ano: Esteban Andrada (Lanús)

Golo do Ano

Classificação Final

20161212224523_0.jpeg?fit=1024%2C683&ssl=1
Victor AbussafiMaio 8, 20171min0

O Campeonato Brasileiro de 2017 se aproxima e o Fair Play preparou uma série de artigos com curiosidades, histórias e o que esperar de um dos campeonatos mais disputados do mundo.


Para saber mais:
Os maiores artilheiros do Campenato Brasileiro
Balanço do Campeonato Brasileiro de 2016
Os melhores jogadores do Brasileirão 2016

Desde 2005, a CBF premia o melhor jogador do Campeonato na cerimônia de premiação do Campeonato. De Tevez a Gabriel Jesus, grandes jogadores venceram o prêmio. Por onde andam hoje? Já se aposentaram? Brilham na Europa ou ainda são reis no futebol brasileiro?

borja_palmeiras-1.jpg?fit=1024%2C599&ssl=1
Victor AbussafiFevereiro 14, 20171min0

Duas transferências agitaram o mercado brasileiro no fim desta janela. Impulsionado por sua patrocinadora, o Palmeiras investiu pesado para adquirir um dos grandes destaques da última Libertadores e o São Paulo, com dinheiro após vender uma de suas maiores promessas, trouxe o ponta de lança titular da Seleção Argentina, de Bauza.

Essas duas transferências entraram no ranking das mais caras da história do Futebol Brasileiro. Juntam-se aos recordes do Corinthians, na época da MSI, da loucura do Santos por Damião (que fracassou) e de outros grandes investimentos do São Paulo.

Números vultuosos que contrastam com valores de outras épocas. Edmundo em 1993 (do Palmeiras para o Vasco por US$ 1,8 milhão) e Rivaldo em 1994 (US$ 2,8 milhões do Mogi Mirim – estava emprestado ao Corinthians- para o Palmeiras) já foram as aquisições mais caras feitas por clubes brasileiros, numa época em que os valores eram anunciados em dólar, antes do plano Real.

Confira o ranking e deixe sua opinião nos comentários. Os clubes acertaram ao investir esses valores?

tevez-750x354.jpg?fit=750%2C354&ssl=1
Pedro NunesJaneiro 1, 20174min0

Óscar e Tévez são os mais recentes jogadores a rumar à China, com propostas astronómicas; Valência está novamente sem treinador; Marco van Ginkel renova com o Chelsea mas volta ao PSV; Pepe com propostas de vários clubes.

OFICIAL

  • Oscar é mais um nome que se rende aos milhões chineses. O Shanghai SIPG pagará 70,5 milhões de euros, que entram diretamente nos cofres do Chelsea, e o médio receberá 460 mil euros por semana para ser treinado por André Villas-Boas. fp: Dada a entrada de André Villas-Boas na equipa do Shanghai SIPG, a remodelação do plantel iria ser quase um assunto primário. Oscar foi um objectivo claro de AVB no que toca à recruta de figuras de peso, visto que o brasileiro se encontrava numa situação um pouco instável no Chelsea de Antonio Conte. Com Dario Conca de saída, Oscar assumirá função cerebral de todo o meio-campo, apoiado por um experiente Ahmedov em terrenos mais recuados, e encontrará alguns compatriotas como Hulk e Elkeson que serão importantíssimos numa primeira fase de adaptação.
  • Marco van Ginkel renova com o Chelsea até 2019 e será emprestado ao PSV até ao final da temporada. fp: Uma espécie de deja-vu. Por esta altura, no ano passado, Van Ginkel fez o mesmo percurso. Acabou por ser fundamental na caminhada do PSV rumo ao bicampeonato. Será essa a perspectiva de Cocu, sobretudo tendo em conta o mau momento de Guardado e a época abaixo do expectável de Siem de Jong. Por outro lado, aos 24 anos, este médio holandês tem o conforto de saber que o Chelsea o mantém dentro dos planos, tendo sido acordada a renovação de contrato até 2019.
  • Michel Bastos assina pelo Palmeiras um contrato de dois anos mais um de opção.
  • Cheick Diabaté (Osmanlispor), e que já foi jogador do Bordéus, emprestado ao Metz.
  • Cesare Prandelli demite-se e o Valência encontra-se novamente sem treinador.
  • Tanaka (Sporting) transferido para o Vissel Kobe a título definitivo.
  • Tévez (Boca Juniors) volta a sair da Argentina para rumar à China. O clube receberá perto de 11M€ pela transferência e o avançado receberá 40M€/ano no Shanghai Shenhua. (estes valores têm sido nas últimas horas desmentidos e ainda não é certo se serão factualmente verdadeiros) fp: A novela ‘Tévez’ foi consumada após vários meses de assédio ao avançado argentino. Gustavo Poyet, também ele recentemente contratado como técnico do Shanghai Shenhua, admitiu por várias vezes o interesse no jogador pelo que acabou por anunciar relativamente mais cedo a transferência. Demba Ba continua a recuperar de uma grave lesão contraída no ano passado e Obafemi Martins, mesmo demonstrando um nível espectacular na segunda volta, era a única opção viável para a posição. A chegada de Tévez não vem colmatar mas sim atribuir ainda mais qualidade à dianteira dos Diabos Azuis e, por outro lado, demonstrar alguma precipitação da direcção do clube no que toca à capacidade de gestão da equipa.
  • Defesa albanês, Mergim Mavraj (Colónia) está de volta ao Hamburgo e assina até 2019.
  • O internacional mexicano Erick Torres regressa aos Houston Dynamo, após o Cruz Azul não ter activado a opção de compra associada ao empréstimo.

RUMORES

  • Inter de Milão poderá estar a preparar oferta monstruosa por Alexis Sanchez (Arsenal). (SkySports)
  • Callum Wilson (Bournemouth) está nas cogitações do Newcastle. (SkySports)
  • Duo do Atlético de Madrid, Griezmann e Saul, estão nas prioridades de Mourinho para reforçar o Manchester United. (SkySports)
  • Samuel Eto’o (Antalyaspor) é objectivo do Hull City para ajudar na fuga à despromoção. (SkySports)
  • Fenerbahce fará proposta de 20M€ por Jesus Navas (Manchester City). (SkySports)
  • Tony Pulis disposto a para mais de 20M€ por Morgan Schneiderlin (Manchester United). (SkySports)
  • Pepe (Real Madrid) tem ofertas da China e de grandes clubes da Europa. (AS)
  • Roma de viagem a Paris para convencer Jesé (PSG). (AS)
  • Carlos Vela (Real Sociedade) é o nome que o Lyon tentará assegurar para reforçar o ataque. (AS)
  • Axel Witsel (Zenit) muito próximo de rumar à China. (Calciomercato)
  • Taarabt (Benfica) oferecido ao Deportivo. (Record)
  • Iturbe (Roma) a um passo de reforçar o Torino. (Calciomercato)
2275444h765-1.jpg?fit=1024%2C576&ssl=1
Diogo AlvesSetembro 27, 20165min0

Qual a melhor forma de um avançado calar as críticas dos adeptos? Com golos. E foi isso que o avançado argentino Darío Benedetto fez no passado domingo ao apontar três golos diante do Quilmes. Um hat-trick histórico conseguido em menos de 25’ minutos e com golos para todos os gostos e feitios. De calcanhar, de cabeça e num remate contundente de fora da área.

Os adeptos já estavam a ficar desesperados com a seca de golos do avançado argentino Darío Benedetto, que apenas tinha apontado um golo nos últimos seis jogos e tinha sido na Taça da Argentina diante do Santamarina.

No passado domingo diante do Quilmes, na La Bombonera, santuário dos adeptos do Boca, o avançado argentino finalmente “agrediu” a baliza adversária com golos, e não foi apenas um, foram três golos de rajada. Pelo meio ainda assistiu – de calcanhar – o seu companheiro Ricardo Centurión.

Começou esta epopeia com um golo de calcanhar, um golo à Madjer, seguiu-se pouco depois um remate contundente do meio da rua. O golo da jornada, sem dúvida. Para terminar respondeu com efectividade a um cruzamento de Pavón com um cabeceamento potente que terminou em mais um golo, o 4-1. Antes, assistiu Centurión para o 3-1.

Darío Benedetto tirou assim um peso de cima das costas e resfriou as críticas que vinha sendo alvo há umas semanas. O avançado já no decorrer da semana passada tinha deixado umas palavras para os adeptos «Sei que os avançados vivem de golos. Trato de não ficar desesperado nem louco, porque se não é pior». Mas o mais curioso, relatado pelo periódico argentino La Nácion, foi a oferta que Benedetto recebeu na véspera do jogo, um trevo de quatro folhas dado por duas senhoras (adeptas do Boca, julga-se). Agradecido o jogador disse que ia colocar o trevo numa das chuteiras. A verdade é que marcou três golos e fez uma assistência. Fica no ar se o jogador jogou mesmo com o trevo de quatro folhas e, quem sabe, se não torna isso num ritual.

Agora resta saber se este momento de Benedetto foi uma situação esporádica ou se será para manter de agora em diante. É um desafio e uma responsabilidade que o jogador agora terá pela frente e terá de mostrar que também consegue facturar diante de adversários com mais categoria. Ninguém lhe pode exigir um novo hat-trick, mas espera-se que seja um avançado cada vez mais efectivo na hora da finalização. O jogador conseguiu também um feito que não se via desde os tempos de Martín Palermo: apontar três golos numa só partida.

Agora com Carlitos

Guillermo Schelotto quer juntar Benedetto a Tévez na frente de ataque do Boca [Foto: www.gettyimages.com]
Guillermo Schelotto quer juntar Benedetto a Tévez na frente de ataque do Boca [Foto: www.gettyimages.com]

A contratação de Dário Benedetto tem o objectivo de dar a Carlitos Tévez uma maior liberdade em campo e que permita ao histórico avançado do Boca sentir-se mais móvel e solto no ataque como ele tanto gosta, enquanto o outro avançado – Benedetto – lutará mais com os defesas e fixa-se mais na área. Com Calleri havia isso, o jovem avançado lutava mais com os centrais, enquanto Carlitos era o 9,5. Mas Calleri acabou vendido ao São Paulo e regressou Dani Osvaldo, resgatado em Janeiro ao FC Porto, mas a verdade é que o jogador fez 0 golos em 5 jogos e acabou dispensado devido a problemas disciplinares.

Carlitos preferia Ramon Ábila, avançado agora no Cruzeiro que jogava no Huracán, mas os dirigentes do Boca acharam melhor contratar Dário Benedetto ao América do México por 5.5 Milhões de Dólares. Formado no Arsenal de Sarandí e com passagens pelo Defensa y Justicia, Gimnasia de Jujuy, Tijuana do México e América do México, onde deixou marca ao apontar 76 golos em 214 jogos. Para já a dupla ainda não rendeu o que era pretendido por Guillermo Barros Schelotto, mas agora com a subida de forma de Darío Benedetto espera-se que finalmente a dupla argentina comece a carburar.

Esta época ainda só tiveram juntos na ronda inaugural, na derrota com o Lanús, curiosamente a dupla poderá voltar com o Lanús a meio desta semana no embate com o actual campeão a contar para os oitavos-de-final da Taça da Argentina. Carlitos Tévez no campeonato ainda está castigado, cumprirá na próxima ronda o último jogo de suspensão, por ter agredido um adversário no jogo com o Belgrano e isso custou-lhe três jogos de suspensão.

O ataque ao título por parte do Boca Juniors passa muito pelo que esta dupla de avançados conseguirá fazer de agora em diante. Faz falta ao Boca uma frente de ataque harmoniosa e que se complete, algo que já não se vê há algum tempo. Desde a saída de Calleri que Carlitos nunca mais foi o mesmo e tem passado quase uma autêntica travessia do deserto nos últimos meses. Já Benedetto parece que está a chegar ao fim a sua travessia no deserto ao serviço do Boca Juniors. Mas só os próximos jogos nos poderão dar mais certezas quanto à efectividade de Benedetto ao serviço do Boca.


Quem somos

É com Fair Play que pretendemos trazer uma diversificada panóplia de assuntos e temas. A análise ao detalhe que definiu o jogo; a perspectiva histórica que faz sentido enquadrar; a equipa que tacticamente tem subjugado os seus concorrentes; a individualidade que teima em não deixar de brilhar – é tudo disso que é feito o Fair Play. Que o leitor poderá e deverá não só ler e acompanhar, mas dele participar, através do comentário, fomentando, assim, ainda mais o debate e a partilha.


CONTACTE-NOS