Arquivo de Simona Halep - Fair Play

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André Dias PereiraOutubro 13, 20204min0

Um rei nunca perde a sua coroa, diz o ditado popular. Em vésperas da final de Roland Garros, Goran Ivanisevic disse que Nadal não teria chances contra o Novak Djokovic. O resultado não apenas desmentiu categoricamente o campeão Wimbledon de 2001, como mostrou que ninguém está perto de Nadal, quando se fala em terra batida.

Nadal alcançou este domingo uma das suas maiores vitórias na carreira. No conteúdo e na forma. Pela maneira como foi conseguida e por tudo o que representou. O resultado de 6-0, 6-2 e 7-5 só foi possível devido a uma exibição de excelência do maiorquino. Porventura, uma das melhores de sua carreira, ao ponto de, perto do final do segundo set, ter apenas 1 erro não forçado.

O espanhol era, de resto, o grande favorito a vencer o torneio dos mosqueteiros. Ainda assim, tinha desafios acrescidos. Depois de seis meses parado, o espanhol chegou a França com apenas 3 jogos realizados no período pós pandemia. Para trás ficou também a eliminação por Diego Schwartzman no torneio de Roma. No mais, Nadal reajustou as contas com o argentino nas meias-finais de Roland Garros: 6-3. 6-3 e 7-6. Diga-se, contudo, que Schwartzman fez um grande torneio, atingindo pela primeira vez esta fase de um Grand Slam. Para trás, tinha deixado outro favorito: Dominic Thiem: 7-6 (7-1), 5-7, 6-7 (6-8), 7-6 (7-5) e 6-2. Com isso, o argentino está agora em oitavo lugar no ranking ATP.

Até então o caminho de Nadal tinha sido tranquilo, com vitórias sobre Egor Garasimov, Mckenzie McDonald, Stefano Travaglia, Sebastian Korda e Jannic Sinner. Ao longo do torneio, Nadal não perdeu qualquer set.

Quando se fala em terra batida ninguém na história é maior que Rafa Nadal. O triunfo sobre Djokovic foi o 100 na carreira do maiorquino, em Paris. Ele é, inegavelmente, o maior nome da competição. Com este título são já 13 em Roland Garros. Para se ter noção da diferença do espanhol para os outros, Bjorn Borg, com seis vitórias, é o segundo maior vencedor.

Nadal iguala Federer

O triunfo deste domingo coloca Rafa Nadal lado a lado com Roger Federer com 20 Grand Slam. O suíço não perdeu tempo em parabenizar o espanhol, o seu grande rival, lembrando que foi precisamente essa rivalidade que puxou pelos dois e também pelos outros adversários. Agora, os dois compartilham o recorde de Majors. A pergunta que se coloca é quem terminará a carreira com mais triunfos. O favorito é Nadal, porque é mais novo e porque não é expectável que alguém o possa vencer, em condições normais, em Roland Garros. A recuperar de uma lesão, Federer não jogará mais até final da temporada. Aos 39 anos, é difícil acreditar que possa vencer muito mais Majors, embora o suíço sempre pareça surpreender e chegar a decisões. E depois há ainda Djokovic. Aos 33 anos, tem tudo para continuar a emplacar Majors na relva e piso rápido.

Muito dependerá, claro, de como se organizará o ténis pós-pandemia. Em Paris, o sérvio foi competente, apesar de alguns sobressaltos com Tsitsipas, nas meias-finais (6-3, 6-2. 5-7, 4-6 e 6-1) e Carreño Busta, nos quartos de final: 4-6 6-2 6-3 6-4.

Iga Swiatek, o meteoro polaco

Se entre os homens, Nadal continua a fazer história, entre as mulheres há um novo nome na parada. Iga Swiatek tornou-se a primeira polaca a vencer um Major. Aos 19 anos de idade, surgiu em Roland Garros longe dos holofotes, fora do top-50. A verdade, porém, que o seu percurso foi um verdadeiro conto de fadas. Foi eliminando favorita atrás de favorita, incluindo Simona Halep, sem perder qualquer set.

Em 2018, a polaca tinha se sagrado campeã de Roland Garros em juniores. Longe de imaginar que sê-lo-ia nos seniores tão pouco tempo depois. E a verdade é que precisou pouco mais de 1h20 para vencer na final Sofia Kenin, vencedora do Australian Open, por 6-4 e 6-1.

Swiatek ascende agora ao 17 lugar do ranking WTA. Este foi o seu primeiro grande título, apesar de ter vencido outros sete torneios ITF. Antes dela, apenas os duplistas  Wojciech Fibak  (Austrália,1978) e Łukasz Kubot (Austrália, 2014 e Wimbledon, 2017) eram os jogadores polacos com títulos nos quatro principais torneios do mundo.

A jovem polaca também se tornou apenas a ´sétima tenista a ganhar sem ceder qualquer set. Em sete partidas ela cedeu apenas 28 jogos às adversárias, entre elas Markéta Vondroušová (vice-campeã em 2019), a canadiana Eugenie Bouchard (semifinalista em 2014) e a cabeça de série, Simona Halep (campeã em 2018).

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André Dias PereiraFevereiro 4, 20182min0

“Agora não podem dizer mais que eu sou uma número um sem nunca ter vencido um Grand Slam”. Foi assim que Caroline Wozniacki sintetizou o que lhe ia na alma após vencer o Australian Open, o seu primeiro Major. Durante anos, a dinamarquesa conviveu com o fantasma de ter sido número 1 do mundo, sem vitórias em Grand Slam. Um fantasma que assombra tenistas como Dinara Safina, Jelena Jankovic, Karolina Pliskova, Amelié Mauresmo ou…Simona Halep.

A vitória sobre a Halep – 7-6 (7-2), 3-6 e 6-4 – aumentou ainda mais o desespero da romena, derrotada em Roland Garros (2014 e 2017) e no ATP Finals (2014). Com esta vitória, Wozniacki regressa à liderança mundial, que ocupou entre 2010 e 2012.

“É um sonho que se tornou realidade. A minha voz está a tremer, acrescentou a dinamarquesa,  finalista do US Open (2009 e 2014). A dinamarquesa tornou-se a jogadora que mais tempo esperou para regressar ao topo da classificação mundial e a quarta entre as que disputaram mais torneios do Grand Slam antes de conquistarem um título.

Aos 27 anos soma agora 28 títulos. E bem se pode dizer que o desporto corre na veias de Wozniacki. Filha de um ex-jogador de futebol,  Piotr Wozniacki é também um dos seus treinadores. A sua mãe jogou na selecção polaca de voleibol. O seu irmão, Patrik, joga futebol no BK Frem, da Dinamarca.

Enquanto junior, venceu o torneio de Wimbledon em 2006 e o Orange Bowl, em 2005. Mais tarde, em 2010, e depois de vencer Petra Kvitova para chegar aos quartos de final do ATP da China, tornou-se na primeira dinamarquesa a chegar a número 1 do mundo. Agora, retoma esse título numa altura muito peculiar da história do circuito.

Pode Wozniacki deixar um legado?

Com a paragem de Serena Williams para ser mãe – deve regressar em Fevereiro – a liderança mundial ficou orfã de um nome consensual. No último ano nomes como Garbine Muguruza, Angelique Kerber, Karolina Pliskova e Simona Halep, para além agora de Wozniacki têm alternado a lugar mais alto do ranking.

Mas pode a dinamarquesa tornar esse estatuto duradouro? A resposta não é fácil, até porque importa saber em que condições regressará Serena Williams. Wozniacki tem um estilo de jogo elegante e eficaz, sendo que esta vitória poderá elevar a sua confiança e carreira para outro patamar. Mas é importante não esquecer Simona Halep. A romena é, talvez, mais completa mas continua com o síndroma da ausência de Major, que deverá, inevitavelmente, chegar mais torneio menos torneio. Será em 2018? O tempo o dirá.

 

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André Dias PereiraDezembro 10, 20173min0

Simona Halep termina o ano como a rainha final do ténis feminino, num ano que conheceu nada menos do que cinco números um, três das quais conseguiram o feito pela primeira vez.

Não. Este não foi um ano comum no quadro feminino. Foi o ano, por assim dizer, dos Jogo dos Tronos, versão ténis, que consagrou já bem perto do final da temporada a romena de 26 anos de idade. O ano começou com a alemã Angelique Kerber na frente da hierarquia. O sonho alemão manteve-se até ao Australian Open, altura em que Serena Williams obteve mais um marco no ano e na história. Tornou-se a primeira tenista na era moderna a conquistar 23 Major. O feito fê-la regressar a número 1 por 10 semanas.

Aos 36 anos, Williams caminha para a fase final da carreira e as sucessoras perfilam-se. Olhando para o quadro feminino, não haverá outra com a potência, qualidade, força física e mental de Serena. Seria utópico pedi-lo. Mas o nível é bem equilibrado na linha de sucessão. 2017 ajudou a prová-lo com batalhas que marcaram a guerra do trono.

Um desses nomes é a checa Karoline Pliskova, 25 anos de idade, que se tornou a primeira checa a atingir o nº1 mundial. Com um estilo de jogo agressivo tornou-se a sexta tenista a atingir o topo sem vencer Grand Slams. Actualmente, como número 3, esteve na liderança por 8 semanas e é bem possível que continuemos a vê-la na linha da frente durante 2018.

Seguiu-se Garbine Muguruza, a segunda espanhola a atingir o topo do ténis feminino. Aos 24 anos tem na conquista de Wimbledon, este ano, o seu mais importante feito, depois de vencer em 2016 Roland Garros. Muguruza é o presente e o futuro da modalidade, com várias vitórias importantes na sua carreira, estando agora a conseguir a consistência que lhe faltava. Em cinco jogos com Serena Williams, venceu dois. Diante Simona Halep, a actual líder, venceu três dos quatro confrontos realizados. Com dois Major no bolso, deverá continuar o seu percurso de crescimento e surgir em mais finais importantes em 2018.

A espanhola deverá ter como grande rival Simona Halep. De entre todos os nomes que surgem como números 1, a romena tem-se mostrado nos últimos anos como a mais consistente. Com 15 títulos ATP, entre os quais o torneio de Madrid este ano, continua a falta-lhe um Grand Slam. Tal como em 2014, voltou este ano a cair na final de Roland Garros. Em 2016 foi semi-finalista do US Open, e em 2014, obteve o mesmo feito em Wimbledon.

Muguruza e Pliskova juntam-se assim a um restrito lote de tenistas que chegaram a número 1, sem nunca terem vencido Major. Um grupo onde já estão Kim Clijsters, Amelie Mauresmo, Jelena Jankovic, Dinara Safina e Caroline Wozniacki.

Mas dificilmente Halep terminará a carreira sem um grande título. Por ora é líder mundial, numa “guerra” de sucessão à lenda de Williams que deverá prolongar-se em 2018. Mas Serena…só há uma e enquanto jogar terá sempre que ser levada a sério.

De Kerber a Halep: as semanas como número 1 do mundo

Angelique Kerber (Alemanha): 18 semanas
Serena Williams (EUA): 10 semanas
Simona Halep (Roménia): 12 semanas
Karolina Pliskova (Rep. Checa): 8 semanas
Garbine Muguruza (ESP): 4 semanas

 

A cerimónia que consagrou Simona Halep como número 1


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