Arquivo de Senatla - Fair Play

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João DuarteDezembro 9, 201610min0

Disputou-se no fim-de-semana passado, 2 e 3 de dezembro, a primeira etapa do 18º circuito mundial de sevens da World Rugby da época 2016/2017 no Dubai, aquela que é já uma das principais etapas do circuito. Para além do regresso do Japão às equipas integrantes do circuito e da presença da seleção campeã africana de sevens, o Uganda, houve ainda espaço para algumas surpresas, inclusive depois de todos os jogos disputados.

O Dubai é um dos quatro países que recebe o circuito mundial de sevens desde a sua génese, tendo sido o anfitrião da 18ª etapa no fim-de-semana passado.

Do circuito fazem parte as 14 melhores equipas residentes do circuito da época anterior (Fiji, África do Sul, Nova Zelândia, Austrália, Argentina, Estados Unidos, Quénia, Inglaterra, Samoa, Escócia, França, Gales, Canadá e Rússia), a equipa vencedora do World Rugby Sevens Series Qualifying da época anterior (Japão por troca com a pior equipa residente da época antecedente Portugal) e uma equipa convidada, que nesta etapa foi o Uganda, seleção campeã africana de sevens em 2016.

Dia 1

As surpresas começavam cedo e logo na primeira partida do torneio a França, 11ª classificada do circuito a época passada, ganhava ao Quénia, vencedora de uma etapa (Singapura) e 7ª classificada na época passada, por 14-24.

Num jogo que o Quénia chegou a estar a ganhar por 14-0, a França reagiu e aointervalo o marcador era de 14-12, acabando depois por finalizar a reviravolta numa segunda parte marcada pelos erros defensivos dos quenianos, aproveitada com a manutenção da posse de bola e boas quebras de linha por parte dos gauleses.

A outra grande surpresa do dia aconteceu no jogo que opôs duas das principais candidatas à vitória do torneio. De um lado Nova Zelândia, detentora de 12 títulos e terceira classificada na última época e, a Inglaterra, oitava classificada a época passada.

Logo a abrir uma surpresa, com a vitória da Inglaterra sobre a Nova Zelândia, que ao intervalo já vencia por 0-12 e acabaria com 12-26 no marcador, com o capitão inglês Tom Mitchell a ser destaque com 2 ensaios e 3 conversões, mostrando-se determinante.

No final do primeiro dia faziam-se as contas finais dos grupos e emparelhavam-se as seleções para a disputa dos quartos-de-final da taça Challenge e da Cup.

No grupo A passavam para a disputa da Cup as Fiji, que lideravam com três vitórias em outros tantos jogos e Gales que se encontrava no segundo posto com duas vitórias, contra a Argentina e o Canadá, a primeira com alguma surpresa e por uma diferença de apenas 2 pontos (19-21), mas com a demonstração da determinação dos galeses em conquistar um bom lugar no torneio.

Para a disputa da Challenge seguiam a Argentina com uma vitória frente ao Canadá e estes últimos, com três derrotas.

No grupo B as seleções a disputar a Cup seriam a África do Sul, que como era de esperar conquistou três vitórias e a Escócia, que com alguma surpresa venceu o primeiro jogo contra os Estados Unidos, que normalmente disputa a Cup e que era assim relegado para a disputa da Challenge e venceu também o Uganda.

Para a disputa da Challenge e, como já referido, seguiam os Estados Unidos com apenas uma vitória frente ao Uganda, que ficaria em último lugar do grupo com três derrotas e seguia também para esta competição.

No grupo C, a Inglaterra e a Nova Zelândia iriam disputar a Cup com três e duas vitórias, respetivamente, depois da surpresa com que a Inglaterra nos presenciou e que foi anteriormente falada. Nós últimos dois lugares do grupo e para a disputa da Challenge seguiam a Samoa, com uma vitória diante da Rússia, que era assim última classificada do grupo com três derrotas.

No grupo D tinha havido também uma surpresa, já referida, que determinada a ida da França com duas vitórias à disputa da Cup, juntamente com a Austrália que saía invicta do primeiro dia. Para a Challenge seguiam o Quénia e o retornado Japão.

Consulte as tabeles em: goo.gl/g5vmLo

Fiji Power (Foto: World Rugby)

Dia 2

O emparelhamento das equipas estava feito e ditava os seguintes jogos para o segundo dia.

 Quartos-de-final da Cup:

Fiji v France

England v Scotland

Australia v Wales

South Africa v New Zealand

Quartos-de-final da Challenge:

Argentina v Japan

Samoa v Uganda

Kenya v Canada

United States v Russia

O Segundo dia começou sem surpresas com a Argentina, a Samoa, o Quénia e os Estados Unidos a ganharem os respetivos jogos e a marcarem presença nas meias-finais da Challenge.

Em sentido contrário seguiam assim o Japão, o Uganda, o Canadá e a Rússia para a disputa do 13º lugar no torneio.

No que à disputa da Cup diz respeito já não foi igual, as Fiji “despacharam” a França com uns expressivos 40-5, o que não aconteceu no jogo entre a Inglaterra e a Escócia, um jogo equilibrado e decidido já depois do tempo de jogo esgotado.

A Inglaterra ganhou à Escócia num jogo equilibrado, que perdia por 7 pontos a segundos do apito final e que viria a ganharpor 24-21 com um ensaio marcado na bola de jogo que deixava os escoceses desolados, quando pensavam que segundos antes tinham acabado o jogo com um pontapé para fora jogado a partir de penalidade.

A segunda surpresa do dia foi a vitória da seleção de Gales à Austrália por 12-21, num jogo que os Aussies venciam por 12-7 ao intervalo, mas que deixavam fugir na segunda parte pelos erros cometidos e bem aproveitados pelos galeses.

No último jogo dos quartos-de-final da Cup a África do Sul impôs uma pesada derrota à Nova Zelândia, que surpreendentemente perdia por 40-0 e iria disputar o 5º lugar.

Nas meias-finais para a disputa do 13º lugar o Uganda venceu o Japão por 26-19 impondo o seu poderio físico e na outra meia-final o Canadá venceu a Rússia por 27-5, marcando encontro com o Uganda na disputa do 13º lugar.

Para a disputa da Challenge realizaram-se dois jogos bem disputados, ganhos ambos por apenas dois pontos.  A

Samoa marcava lugar na final da Challenge após vencer a Argentina por 10-12 com um ensaio marcado na bola de jogo e os Estados Unidos ocupavam o lugar que faltava para a final com uns 19-21 equilibrados.

Para determinar o 5º lugar seguiam a Escócia que tinha ganho por 26-17 contra a França e a Austrália que impunha uma derrota à Nova Zelândia por 20-12, deixando os AllBlacks na 7º posição, igualando a pior classificação da época passada num torneio.

Na disputa da Cup estavam os campeões olímpicos, os fijianos, depois de vencerem a Inglaterra, que estava a realizar um excelente torneio, por uns claros 31-12.

O outro lugar foi conquistado pela África do Sul que sem dar hipótese ganhou a Gales por 36-5, antevendo uma final eletrizante.

No jogo disputado pelo 13º lugar o Canadá venceu por 17-20 o Uganda, onde os campeões africanos de sevens mostraram que têm jogo para estas andanças e que é seu desejo integrar o circuito, quem sabe a partir já do próximo ano.

Na final da Challenge que opôs a Samoa e os Estados Unidos, os samoanos ainda responderam ao primeiro ensaio marcado pelos americanos, mas estes não quiseram ser surpreendidos e levarem o jogo para intervalo com 7-21 no marcador e um ensaio com grande detalhe técnico por parte de Perry Baker que demonstra que já não é apenas um corredor e que consegue desequilibrar.

No segundo tempo os americanos ampliaram a vantagem para 7-28 e trataram de defender o resultado nos últimos 3 minutos, permitindo aos samoanos marcarem o último ensaio do jogo, fechando o marcador em 14-28 e consagrando os Estados Unidos vencedores da taça Challenge.

USA! USA! USA! (Foto: World Rugby)

O 5º lugar foi conquistado pela Austrália, que enfrentou a Escócia a quem venceu por 12-19. Os australianos marcaram o primeiro ensaio, mas foram os Escoceses a sair vencedores para o intervalo com 7-5 no marcador.

Na segunda parte os australianos quiseram garantir o 5º lugar e marcaram dois ensaios,que apenas tiveram resposta dos escoceses com um último ensaio a 15 segundos do final da partida.

Na luta pela medalha de bronze enfrentavam-se a Inglaterra, medalha de prata nos jogos olímpicos e que estava a fazer um bom torneio e Gales, que surpreendentemente chegava a este jogo com a certeza de que iria ficar melhor classificada do que em qualquer etapa da época passada, independentemente do resultado final.

Os ingleses queriam acabar bem o torneio e assim foi, construíram uma vantagem grande e que os deixava à vontade desde cedo, ganhando ao intervalo por 21-5 e acabando a partida com 38-10 no marcador, num jogo em que Dan Norton foi destaque com 4 ensaios.

Para a final estava agendado um grande jogo entre a campeã olímpica e mundial de sevens, a seleção fijiana e, a segunda classificada do circuito mundial a época passada e medalha de bronze nos jogos olímpicos, a África do Sul.

Desta batalha quem saiu vencedor foi a África do Sul, num jogo marcado pela pressão defensiva muito alta dos africanos e pelo jogo inteligente sobre os erros dos fijianos.

Os sul-africanos marcaram os dois primeiros ensaios contra uma Fiji que parecia sem soluções e encostada ao seu meio-campo e que conseguiu apenas responder depois de algumas fases de jogo e faltas dos africanos, com uma boa exploração do espaço à volta do ruck, encurtando o resultado ao intervalo.

Na segunda parte os fijianos quiseram voltar ao jogo e marcaram logo um ensaio no pontapé inicial, igualando a partida. A partir daí a África do Sul voltou a impor o seu rugby, pressionando alto e aproveitando as oportunidades concedidas, marcando os dois últimos e decisivos ensaios da partida que lhes daria a vitória final.

A reviravolta depois do fim do torneio

Carece de informação e confirmação por parte de fontes oficiais a situação da África do Sul. A Federação fijiana tinha avançado com a notícia, mas retirou-a no entretanto uma vez que as informações originalmente avançadas não eram oficiais.

O que se segue ? Cape Town

A etapa de Cape Town, que faz parte do circuito mundial desde 2004/05 e é já uma das etapas icónicas. Vai ter início amanhã às 8:15 da manhã (hora portuguesa) com um Escócia-Samoa a abrir a etapa.

Será que a África do Sul irá conseguir vencer o torneio e mostrar que os testes de droga positivos foram apenas um deslize? Será que as Fiji vão novamente demonstrar porque é que são as campeãs mundiais e olímpicas? Ou será que vai haver uma seleção a intrometer-se entre estas duas potências do rugby de sevens mundial?

Deixamos aqui o vídeo da final entre Blitzbokke e a Super Fiji

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Francisco IsaacAgosto 12, 20169min0

Uma brutalidade ao estilo das Fiji  coroou o seu reinado Mundial, a Grã-Bretanha fez furor, Nova Zelândia só “apareceu” no fim, Japão sem direito a medalhas e um dia de Sonho. Este foi o final do Rugby nos Jogos Olímpicos 2016.

O CampeãoThe Golden Flight of the Flying Fijians

Eram um dos favoritos e, no final, confirmaram que eram O Favorito. No último dia de jogos, os fijianos trataram de galvanizar e fazer um brilharete, com vitórias frente ao Japão (meias-finais 20-05) e Grã-Bretanha (43-07), onde a velocidade, organização, inteligência e leitura ofensiva, garantiu-lhes a primeira medalha de ouro… de sempre para as Ilhas Fiji em Jogos Olímpicos. Pois é verdade, a equipa de Ben Ryan (seleccionador dos flying fijians) deu uma nova absoluta alegria para uma Nação que nunca tinha saboreado o peso das medalhas em Jogos Olímpicos. A forma como se apresentaram ao longo dos três dias, com 160 pontos marcados e apenas 64 sofridos, as Fiji ainda deram mais destaque ao facto de dominarem o Mundo nesta variante do rugby. Há uma “necessidade” de controlarem a bola com um juggling constante, em que caso haja espaço entram sempre com uma técnica de pés “perigosa”, para depois soltarem a bola num passe rápido (seja no ar ou no chão) ou o tal offload fácil. É a única selecção que consegue fazer do passe com uma mão uma forma de jogar e estar, é quase imperceptível esse momento (vão para a esquerda, vão jogar com velocidade ou vão gerir?) o que torna a “vida” a quem joga contra eles quase impossível. A equipa da Grã-Bretanha, que chegou imaculada até à final, foi autenticamente atropelada pelas Fiji, que aproveitaram três erros nos primeiros 2 minutos (de um jogo de 20) para se colocarem na frente com um 17-00. A equipa da Sua Majestade pouco ou nada podia fazer, já tinha esgotado toda a sua “fome” e o seu equilíbrio defensivo que acabou por “partir” perante um adversário que faz da velocidade e “magia” a sua verdadeira forma de ser. Sem Rawaca (lesionado numa mão), as Fiji dominaram o jogo da final, com Tuisova ou Viriviri a “dançarem” no meio de tentativas de placagem e Nakarawa (o Racing poderá tornar o fijiano um soberbo 2ª linha) a impor placagens do mais “duro” possível. Foi um final em grande, ao estilo das Fiji, que parece que voavam a cada bola que recebiam, impedindo os adversários de sequer sonhar com uma vitória… levam o Ouro pelos resultados e qualidade, levam o ouro pela paixão e “alma” e levam o Ouro porque jogaram rugby.

Foto: You can't Stop a Flying Fijian | The Guardian
Foto: You can’t Stop a Flying Fijian | The Guardian

O Jogador do Torneio: CECIL AFRIKA

Uma escolha fácil, mas ao mesmo tempo difícil… Se olhássemos só para o último dia Viriviri, Tuisova ou Ravouvou, das Fiji, mereceriam o destaque pelo forte impacto que tiveram na vitória da sua equipa no final. Tuisova foi dos melhores marcadores em toda a prova (5 ensaios), com toda uma panóplia de skills e “gestos” que quebravam qualquer defesa. A própria equipa da Grã-Bretanha teve dois jogadores em evidência, Rodwell (dos melhores defesas de todo o “torneio” dos JO) ou Norton (leitura de jogo, velocidade e capacidade de decisão imediata). Porém, é impossível não dar o “prémio” a Cecil Afrika, o nº10 dos Blitzbokke. Se no 1º dia de competição tinha “dominado” a competição, no último voltou a “saltar” para cima e bem que tentou impulsionar a África do Sul para as medalhas. Em toda a competição Afrika conseguiu 54 pontos (6 ensaios e 12 conversões), começando várias quebras de linha (muito complicado de parar o nº10) e com várias assistências para os seus colegas (Specman e Senalta foram os mais “visados” neste aspecto). Enriqueceu o rugby dos bok’ dos 7’s, apurando-os para as meias-finais (derrota com a Grã-Bretanha por 05-07) e, depois, abrindo caminho para o bronze olímpico. Afrika terá que ficar na História do rugby de 7, como um dos seus maiores artistas e “pensadores”, um jogador ágil, caprichoso e que “obriga” a sua equipa a corresponder fisicamente/tecnicamente às exigências do jogo. O bronze não deve ser visto como um prémio de “consolação” mas sim como um marco alcançado na carreira dos Blitzbokke… na ausência de um formidável Senatla (esteve bastante bem, a escassos “metros” do seu melhor), Cecil Afrika pegou na batuta e apoiado por Specman, Snyman e De Jongh (os dois primeiros foram uns “tanques de guerra” na luta no contacto) deram-nos alguns dos melhores momentos destes três dias.

O prémio Fair Play: AO SOM DO TANGO ARGENTINO

Não sendo uma variante extremamente popular na Argentina, os 7’s do Rio 2016 saíram a ganhar pela participação dos Pumas. Por um erro defensivo ficaram de fora da luta pelas medalhas, num jogo que sentiu-se a injustiça frente à Grã-Bretanha. Perante algumas decisões do juiz de jogo, os argentinos deixaram o seu “fogo latino” tomar conta do seu juízo e acabaram por perder perante uma Grã-Bretanha que só jogava à “retranca” (sem desmérito nenhum, uma vez que para aguentar 20 minutos a defender é preciso um trabalho perfeito de todos os que estão lá dentro). A ida para a discussão do 5º lugar abanou com os homens das Pampas, como se notou pelo resultado ao intervalo frente à Austrália (05-21)… porém, Imhoff, Moroni e Revol (uma ode ao que é um Capitão) não baixaram os braços e cavalgaram para uma recuperação fenomenal e acabaram por carimbar o lugar para a discussão do 5º lugar com a Nova Zelândia. Apesar da derrota frente aos neozelandeses, por 17-14 (exibição de topo dos irmãos Ioane), a Argentina conquistou o respeito de todos pela forma como “viveram” os 7’s do Rio 2016… com vitórias atrás de Vitórias, raça com mais raça e paixão ao jeito da América do Sul.

O Momento: MITCHELL THROWS A WRENCH-BALL

Quando todos esperávamos ter uma final entre Fiji e África do Sul, ao bom jeito dos World Series, a Grã-Bretanha abanou a “cabeça” e com um audível não, em forma de ensaio, estragou a dream final para “carimbar” um empate mesmo perto do final do encontro. Só que para o pontapé final havia Tom Mitchell, o Comandante Bretão e não o desperdiçou. Os blitzbokke já tinham perdido Senalta após o jogo dos quartos-de-final (lesão no pulso direito) e foram para este jogo com a “novidade” François Hougaard com toda a vontade e sonho de atingirem a tão desejada final. Do outro lado, a equipa composta pelos melhores atletas britânicos (questionava-se uma ou outra decisão) decidiu fazer o jogo “perfeito” e esperaram pela 2ª parte para atirar os sul-africanos para fora da final olímpica. Foi um momento frio, duro e quase silencioso, com os adeptos britânicos a festejar e os restantes paralisados a tentarem se aperceber como é que o cenário final aconteceu. A equipa das Ilhas soube defender, aplicou-se nas placagens, nos turnovers e sempre que possível atacava em estilo (sem grandes floreados e “magias”) “agressivo”, impondo um confronto físico do 1º ao último minuto. O ensaio de Dan Norton chegou e o pontapé de Mitchell fechou a final para a África do Sul.

Foto: Norton Anti-Blitzbokke | SA News
Foto: Norton Anti-Blitzbokke | SA News

Rant Final: O QUE É O RUGBY?

É uma questão que a maioria dos que desconhecem a modalidade perguntam a quem a “vive”: o que é o rugby? A reacção imediata seria tentar explicar como se processa o jogo, o números de jogadores, as leis básicas, a forma de pontuação por aí fora… porém, não há nada melhor do que mudar esse tipo de “conversa” para: o rugby é um desporto onde não há “inimigos”, mas adversários; onde os prémios e conquistas não são um objectivo dominante, mas um processo normal e sem uma importância anormal; uma forma de viver, de sentir e de se aproximarem indivíduos independentemente de onde vêm, quem são ou o que querem. Melhor forma de ilustrar isso, é o gesto de Hougaard na cerimónia da entrega de medalhas. Senatla foi tirado dos 12 inscritos para o jogo das meias e final de bronze por uma lesão no pulso, entrando o médio de formação do Worcester. Isto implicava que em caso de uma vitória nos jogos de “medalhas”, Senatla não iria receber qualquer “prémio”… as leis por mais ridículas ou mal concebidas possível têm de ser seguidas… e o fantástico sul-africano ficou sem medalha. Só que Hougaard ao ver este cenário, dirigiu-se para o seu colega de equipa fora do pódio (que o COI obrigou que ficasse de fora), retirou a medalha do pescoço e meteu-a no do seu colega. É a melhor forma de mostrarmos o que é o rugby… um desporto que esteve demasiado tempo de fora dos Jogos Olímpicos, uma modalidade que ensina todos os princípios que devíamos ter no nosso dia-a-dia, onde a luta e contacto físico não servem de desculpas para entrarem em agressões, em que todos fazem parte de uma colectivo (ver mais em: goo.gl/XJ4YOQ).

RESULTADOS FINAIS

Medalha de Ouro: Ilhas Fiji;

Medalha de Prata: Grã-Bretanha;

Medalha de Bronze: África do Sul;

Melhor Jogador do Torneio: Cecil Afrika (África do Sul);

Melhor Jogador Jovem: Rieko Ioane (Nova Zelândia);

Melhor Equipa: Ilhas Fiji;

Desilusão: Estados Unidos da América (9º lugar);

Melhor pontuador: Cecil Afrika (54 pontos);

Foto: This is Rugby | Inside the Game
Foto: This is Rugby | Inside the Game

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