Arquivo de mclaren - Fair Play

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Gonçalo MeloMarço 24, 20217min0

Arranca já este fim de semana, no Bahrain, a temporada de 2021 da rainha dos desportos motorizados, a Fórmula 1. No ano que sucede ao ano mais atípico da história da modalidade, e que antecede o ano das grandes mudanças em termos de regulamentos e orçamentos, parece pairar no ar a ideia de uma temporada mais competitiva do que as anteriores.

Apesar de já estarmos acostumados ao constante “bluff” de Toto Wolf e da Mercedes, alguns especialistas afirmam mesmo que a Red Bull poderá este ano ter uma palavra mais forte a dizer na luta pelos primeiros lugares da grelha, devido à redução de downforce e ao aumento do peso permitido das unidades de potência de cada monolugar.

Na luta do meio do pelotão, várias equipas parecem estar em condições de batalhar por pontos. A McLaren e a nova Aston Martin partem aparentemente em vantagem na luta pelo terceiro lugar nos construtores, com a Alpine, a Ferrari, e quiçá a Alpha Tauri a estarem também dentro desta luta.

Por outro lado, a Alfa Romeo (este ano aparentemente mais rápida), juntamente com a Haas e a Williams, terão de trabalhar muito para pontuar com alguma regularidade.

Com base nisto, e no talento e capacidade dos pilotos, apontamos alguns pilotos que vão estar à altura, e outros que achamos mais provável virem a desiludir.

As confirmações

Daniel Ricciardo

Depois de dois anos na Renault, onde foi claramente o melhor piloto, batendo tanto Hulkenberg como Ocon, o Honeybadger transferiu-se para a “nova” McLaren, histórica equipa britânica que tem nos últimos anos deixado indícios de que o regresso à luta pelos primeiros lugares está para breve.

E dificilmente a McLaren poderia ter escolhido melhor piloto para dar continuidade a esta melhoria.

Ricciardo já provou ter o talento e a velocidade para se bater com os melhores por poles e por vitórias, e a sua capacidade nas ultrapassagens poderá ser decisiva caso o novo motor mercedes se mostre fiável (quem se lembra daquela corrida na China em 2018). Um sério candidato a lutar por pódios em 2021 na Fórmula 1.

Lando Norris

À semelhança do seu parceiro australiano, Lando Norris já mostrou ter os skills e o ritmo de corrida para ser uma presença assídua no pódio, caso o seu McLaren lhe dê essa possibilidade.

Um dos jovens mais empolgantes da grelha, terá em 2021 o objetivo de vencer o seu companheiro de equipa, algo que não conseguiu em 2019 e 2020 com Sainz, e, muito provavelmente, dificilmente vai conseguir com Ricciardo.

Sebastian Vettel

Novo ano, nova equipa, novo Seb. A pressão que sofria na Ferrari parecia ser impossível de ultrapassar, sendo que no último ano a situação escalou. Em 2021, u<dá-se uma mudança de ambiente com a chegada à Aston Martin, a antiga Racing Point, equipa que quer a médio prazo lutar pelo título, como já afirmou o seu dono, Lawrence Stroll.

Numa equipa que no ano passado tinha provavelmente o terceiro carro mais rápido da grelha, é de esperar que o tetracampeão do mundo volte aos dias bons, e que consiga voltar aos resultados e exibições que fazem dele um dos melhores de sempre da Fórmula 1.

Pierre Gasly

Depois da primeira vitória em 2020 em Monza, é esperado um ano de grandes resultados para o francês da Alpha Tauri. O jovem de 25 anos só tem mais um ano de contrato com a equipa secundária da Red Bull, e os relatos sobre o interesse da Alpine vão se intensificando.

Com um motor Honda cada vez mais afinado, Gasly promete estar de forma recorrente na luta pela Q3 e pelos pontos.

George Russell

Nenhum fã de fórmula 1 olha para George Russell sem sentir pena e revolta. O jovem britânico é um dos mais talentosos pilotos da grelha, e no ano passado, quando foi chamado a substituir Lewis Hamilton, fez pole e, não fosse um erro pouco comum e por isso muito suspeito da Mercedes nas boxes, teria também ganho a sua primeira corrida na primeira vez que pilotou o carro da marca alemã.

Para 2021, mais um ano ao volante de um Williams, que se espera mais competitivo, de modo a permitir a Russell amealhar alguns pontinhos ao longo da temporada.

 

As possíveis desilusões

Valtteri Bottas

Mais um ano com o privilégio de conduzir o melhor e mais rápido carro da grelha. E provavelmente mais um ano em que vai ser apenas escudeiro de Hamilton. Bottas sabe que o seu lugar apenas está garantido, uma vez que o finlandês não oferece qualquer tipo de concorrência ao campeão do mundo, algo que a Mercedes preza, sobretudo depois de experienciar aquele polémico ano de 2016.

Ainda assim, Bottas já fez questão de afirmar novamente que o seu objetivo é ser campeão do mundo, mas as melhorias aparentes dos Red Bull de 2021 vão provavelmente fazer com que acabe apenas em terceiro ou quarto na classificação.

Sergio Pérez

Uma das últimas confirmações para a época de 2021 foi a chegada de Checo Pérez à Red Bull. Será uma jogada de mestre da equipa austríaca? Ou será Checo apenas mais um piloto a ver a sua carreira estagnada devido à qualidade de Verstappen?

Todos sabemos que o jovem holandês é a cara da equipa, e que o objetivo de Christian Horner e da restante comitiva é dar a Verstappen condições de lutar pelo título. E bem! O holandês é um enorme piloto, e o ritmo de corrida que apresenta fez Pierre Gasly e Alex Albon parecerem pilotos medíocres. Qual a probabilidade das coisas serem diferentes com Pérez?

Carlos Sainz

O espanhol vem de dois excelentes anos na McLaren, mas o ambiente positivo a saudável a que está habituado, não irá encontrar em Maranello.

É visível que a Ferrari é uma casa a arder, sem um carro competitivo e com uma equipa liderada por pessoas sem carisma (Binotto) que não se importam de espezinhar pilotos com títulos conquistados e provas dadas na equipa, como aconteceu com Vettel e Raikkonen.

Acrescente-se que Carlos Sainz não tem o temperamento para aceitar ser número dois de ninguém (não foi para a Red Bull em 2019 muito por causa disso), e na Ferrari vai encontrar uma equipa que olha para Leclerc como o Messias que vai ser o novo Michael Schumacher, chegando, quem sabe ao número de títulos do alemão. Conseguirá Carlitos ultrapassar tudo isto e fazer uma boa época em 2021?

Fernando Alonso

Um veterano de regresso à Fórmula 1 e ao grupo Renault, para substituir aquele que foi o melhor piloto que a equipa francesa viu, provavelmente, desde o tempo do próprio Alonso ao volante de um Renault. Mas, aos 39 anos, a idade pode pesar. A Alpine não deverá ter um carro tão rápido como a McLaren e a Aston Martin, pelo que é exigido aos pilotos conduções soberbas para a equipa se manter na luta pelos 8 primeiros lugares.

Além disso, o seu temperamento complicado é uma imagem de marca, sendo que a McLaren começou a voltar ao topo precisamente depois da saída do espanhol.

Com outras equipas mais fortes pela frente, é de esperar um Alonso transtornado por não conseguir os pontos que deseja.

Sem mais a acrescentar, que venha a época 2021. Porque estamos em pulgas para ouvir “And it´s lights out, and away we go!”.

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Luís PereiraDezembro 27, 20167min0

Mais um ano, mais uma época de Fórmula 1, um novo Campeão do Mundo de F1. A época de F1 de 2016 teve suspense até ao final e muitas surpresas.

Foi mais um ano de sucesso para os agora tricampeões do mundo. A equipa germânica voltou a dominar a seu belo prazer esta época de F1 e conseguiu ganhar 19 de 21 corridas. Nunca houve dúvidas de que o título de construtores iria para os germânicos.

Tal como nos últimos anos, também não havia dúvidas de que o campeão do mundo seria um dos pilotos da Mercedes. A dúvida seria qual deles.

Um novo Campeão do Mundo

Apesar de Hamilton ter dominado Rosberg nos dois anos anteriores, este ano começou a verificar-se que seria possível haver uma mudança.

A época arrancou com Rosberg a ganhar 4 corridas seguidas, enquanto Hamilton enfrentava problemas. Hamilton voltou a recuperar a confiança e forma no Mónaco e a partir daí parecia que nada iria parar o inglês de chegar ao 4º título da carreira.

Quando parecia que tudo ia correr bem para o britânico, o grande vilão da F1 decidiu bater às portas do campeão do mundo, a fiabilidade.

(Foto: F1 Fanatic XBI Images)

Hamilton estava a voltar a dominar o seu colega de equipa, mas a fiabilidade do seu lado da garagem, mais uma subida de forma do alemão, tornaram a missão quase impossível.

Depois de uma categórica vitória no Japão, Rosberg sabia que o título não lhe iria fugir. Apesar de Hamilton ter vencido as 4 últimas corridas, Rosberg ficou sempre em 2º e garantiu o título de campeão do mundo.

Mas se para muitos a surpresa era Rosberg ter conseguido bater Hamilton, o verdadeiro choque ainda estava para vir. Rosberg, no dia em que foi coroado e premiado com a taça de campeão do mundo de F1 anuncia ao mundo que se ia retirar.

A notícia foi um choque para todos e a explicação bastante plausível. Rosberg explicou que durante toda a sua carreira lutou contra Hamilton, a quem definiu como “um dos melhores de sempre”, e sempre perdeu. Rosberg sabia que para finalmente conseguir bater Hamilton tinha de atingir o próximo nível, algo que conseguiu com “muito custo”.

Depois de atingir o seu sonho de criança, o de ser campeão mundial, Rosberg achou que já não tinha resistência mental para o fazer de novo. Uma vez que já cumpriu o seu sonho e não tinha capacidade de voltar a fazer os mesmos sacrifícios, o alemão decidiu terminar a carreira em grande.

(Foto: F1 Fanatic XBI Images)

A grande questão agora é: quem vai para ocupar o lugar do campeão do mundo e enfrentar Lewis Hamilton? Uma coisa é certa, candidatos não faltam!

Red Bull: quase lá, mas não chega

Não se pode falar da época de F1 de 2016 sem também se falar da Red Bull. Depois da desilusão que foi 2015 a Red Bull tornou-se na única equipa capaz de ameaçar a Mercedes.

A equipa austríaca ainda venceu 2 corridas, uma com Ricciardo, que fez uma época excelente, e com Max Verstappen, a nova estrela da F1. Ricciardo terminou o ano em 3º lugar, merecido, por toda a época que fez, com o destaque a ser o seu regresso às vitórias, no GP da Malásia.

Já Max Verstappen teve a sua ascensão meteórica, passando da Toro Rosso para a Red Bull no GP de Espanha, com resultado imediato: vitória de Verstappen! A aposta ganha de Helmut Marko foi uma enorme bofetada para quem criticou a ida de Kvyat para a Toro Rosso, despromovido em detrimento de Verstappen.

Verstappen ainda precisa de amadurecer e ganhar uma cabeça mais fria, mas a verdade é que o jovem piloto é dos talentos mais emocionantes da F1 e já bateu o recorde de ultrapassagens feitas numa única época.

(Foto: F1 Fanatic XBI Images)

Acabou a lua de mel de Vettel com a Ferrari

A desilusão da época foi a Ferrari. A Scuderia nunca foi capaz de lutar verdadeiramente com a Mercedes e viu-se ultrapassada pela Red Bull.

Vettel fez um excelente trabalho em manter a Ferrari competitiva, mas nunca conseguiu estar perto o suficiente para chegar ao 1º lugar do pódio. os problemas de fiabilidade foram alguns, mas o pior foi mesmo a falta de competitividade.

Espera-se mais um inverno de reflexão e muita pressão para os lados de Maranello.

(Foto: F1 Fanatic XBI Images)

McLaren Honda recupera, Alonso brilha

Depois de um desastroso ano de 2015 a McLaren melhorou imenso este ano, muito por causa das melhorias a olhos vistos da Honda. Os nipónicos conseguiram apresentar uma unidade motriz mais competitiva, que foi capaz de ajudar a McLaren a lutar por pontos.

Muitos desses pontos não vieram só da melhor prestação da McLaren-Honda, mas também das excelentes prestações de Fernando Alonso. O espanhol ainda persegue o sonho de chegar ao 3º título de campeão do mundo, mas enquanto não tem carro para tal, vai mostrando ao paddock o porquê de ele ser considerado por muitos o maior talento desta geração.

Um adeus a dois influentes pilotos da última década

Destaque ainda para a retirada dos veteranos Felipe Massa e Jenson Button. Ambos vão deixar a F1, depois de carreiras de sucesso, especialmente para o britânico, campeão do mundo em 2009 pela Brawn.

(Foto: F1 Fanatic XBI Images)

Mudanças à vista. O que esperar de 2017?

Não se pode fazer uma análise a 2016 sem falar das enormes mudanças que vêm em 2017. A F1 vai ter a maior mudança de regras desde 2009, com os carros a mudarem drasticamente.

A maior mudança vai ser a nível aerodinâmico, com carros mais agressivos, rápidos e apelativos. Uma das maiores mudanças é a nível dos pneus, que vão ser mais largos e proporcionar mais aderência e velocidade.

Também vai deixar de haver o sistema por tokens para mudanças nas unidades motriz. Esta mudança é para permitir que os construtores mais atrasados, Honda e Renault, consigam aproximar-se do nível competitivo das unidades motriz da Mercedes e da Ferrari.

Com a saída do campeão em título e mudanças radicais a níveis de aerodinâmica e pneus, espera-se uma época bastante emocionante em 2017.

Será que a Red Bull vai lutar de igual para igual com a Mercedes? Será que a Ferrari e a McLaren vão conseguir um salto suficiente para se intrometer na luta?

Muitas questões que apenas terão resposta quando a borracha voltar a queimar nas pistas mais rápidas do mundo.

Esperemos que o pelotão fique mais próximo e que estas mudanças tragam mais do que mais uma época de domínio absoluto da Mercedes, uma época com emoção e suspense até ao fim!


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