Arquivo de Farrell - Fair Play

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Francisco IsaacJulho 12, 201723min0

Acabou… os British and Irish Lions garantem o troféu das Series a meias com a Nova Zelândia, com um 15-15 no jogo final. O Fair Play revisita alguns momentos, discussões, ideias, jogadas, jogadores e decisões técnicas

Empate… foi desta forma que terminou o tour mais esperado dos últimos vinte anos. Um 15-15 entre All Blacks e Lions pôs termo a umas incríveis Series onde tivemos de tudo: discussões entre técnicos, casos de “televisão”, ensaios de antologia, jogadores que se superaram, pormenores deliciosos, detalhes técnicos de sonho, ídolos in the making, etc.

O Fair Play recorda toda as Series com uma série de pontos que nos cativaram e provocaram êxtase ou apreensão.

Oh Capitan my Capitan!

Os capitães são, sem dúvida alguma, um eixo fulcral para qualquer equipa. Sem uma liderança forte, consistente, inteligente e astuta, uma equipa acaba por sofrer um decline mais cedo ou mais tarde.

Nas Series entre Lions e All Blacks, os capitães dominaram a “cena”, especialmente no último jogo em que Kieran Read e Sam Warburton continuaram a pavimentar o seu caminho para o Pedestal das Lendas.

A luta dos capitães (Foto: Telegraph)

Em todos os jogos dos Lions tivemos o prazer de vê-los capitaneados por vários capitães: Peter O’Mahony, Rory Best, Sam Warburton ou Alun Wyn Jones (coincidência que a Inglaterra não teve o “prazer” de fazer parte do círculo dos capitães e nem se pode falar da Escócia).

O que saltou mais à vista foi Warburton, um imenso atleta que facilmente ganharia o cognome de “O Sacrificado” pelo espectacular trabalho que produz pela equipa, com um coração inigualável e uma alma anormalmente “gigante”. A produção de Warburton nos dois últimos jogos prova o porquê de Warren Gatland o ter escolhido para capitão, sendo um dos chatos que amarrou Ngani Laumape em alguns momentos do 3º jogo.

20 placagens em três jogos (sendo que no 1º entrou do banco de suplentes), zero penalidades, uma voz de chefia intensa e um carisma contagiante, Warburton é dos asas que melhor ocupa o seu espaço no terreno de jogo, fechando bem o canal entre o 9 e o 10 (após a formação ordenada), que melhor se coloca após o alinhamento ou que tem um trabalho irrepreensível no breakdown da sua equipa.

Do outro lado do campo estava Kieran Read… o nº8, capitão dos All Blacks, é como fosse a transfiguração de um sonho de verão: comunicação perfeita, placador nato, líder intenso e apaixonante e um enforcer do melhor que há (sem violência).

Read atingiu as 100 internacionalizações ao fim dos três jogos, um número “redondo” e especial ainda por mais quando se é capitão dos campeões do Mundo. Read teve um 1º e 3º jogo quase “brilhante”, com uma dinâmica muito alta, onde a sua presença na formação ordenada foi essencial para o outcome final.

Para além disso, Read é um jogador que está sempre predisposto a aparecer numa 3ª ou 4ª fase para garantir território ou surgir junto do nº12, a fim de receber a oval e partir a linha.

No final a grande questão: qual dos dois para o XV das Series como capitão? A nossa opinião cai, ligeiramente, para o capitão dos All Blacks, pois foi uma chama imensa para a equipa durante os três jogos. Todavia, e é importante frisar isto, quando Warburton recuperou o lugar a titular, os Lions nunca mais perderam. Ambos são faces da mesma moeda.. e que moeda!

 Quando Rookie significa “Boss”

Os vários rookies das Series ganharam um destaque enorme na nossa crítica. Quem escolhemos? Maro Itoje, Tadhg Furlong, Elliot Daly, Ngani Laumape e Rieko Ioane.

De todos, Itoje e Furlong merecem o trono de rookies do tour pelo papel que tiveram nos Lions. Itoje é, como já tantas vezes o dissemos, um autêntico “monstro” de Rugby… um génio no breakdown (7 turnovers), um intenso lutador no ar (dois alinhamentos “roubados”), um supra placador (27 placagens com apenas três falhadas) e uma unidade incrivelmente móvel.

Maro Itoje respira rugby, cria jogo, resolve problemas (também os arranja com algumas penalidades) e impõe um respeito “duro” perante os seus adversários. Não é fácil ter que lutar contra Broadie Retallick ou Samuel Whitelock, mas Itoje fê-lo e fê-lo com elegância.

Por outro lado, Tadhg Furlong teve uma batalha incrível contra Joe Moody, sustendo bem a pressão do pilar dos All Blacks (apesar das seis formações ordenadas perdidas/consentidas) e apresentando um rugby muito característico. Em alta forma, o pilar do Leinster foi sempre um “rochedo” difícil de abater ou de mover.

Elliot Daly e Rieko Ioane, pontas dos Lions e All Blacks respectivamente, estiveram brilhantes em alguns momentos das Series. Daly ocupou sempre bem a sua posição de 11, com uma série de fugas bem trabalhadas à ponta (duas delas resultaram em ensaios para a sua equipa), onde a forma como trabalha o defesa adversário ganha uma especial atenção da nossa parte. Daly foi porventura das melhores surpresas da equipa de Gatland, assumindo um lugar preponderante na estratégia dos britânicos.

Já Rieko teve o prazer de meter “na gaveta” dois ensaios frente aos Lions no jogo 1: o 1º um finisher (ou seja, quando só tem mesmo de pousar a oval no chão) e o 2º após uma grande conquista de bola (erro de Liam Williams) e fuga de 40 metros pelo flanco esquerdo.

Ioane tem tudo para ser uma das futuras grandes peças da Nova Zelândia, apresentando qualidades a la Savea (forte fisicamente, consegue “empurrar” o seu adversário com uma boa força de impulsão) e SBW time (um defesa sólido, com uma boa dose de raça, para além de munido de um offload de alto calibre), algo que Steve Hansen aprecia.

Por fim, Ngani Laumape, o novo poço de energia dos All Blacks, fez o seu début contra os Lions no 2º jogo. O centro dos Hurricanes (no qual já leva 14 ensaios no Super Rugby 2017) é apelidado de mini-beast graças ao poder de choque que apresenta, para além da explosão que impõe na hora do contacto.

Não foi fácil para os Lions pararem-no em certos momentos, Laumape é como um panzer com nitro, que facilmente consegue tirar o primeiro placador da sua frente e invadir o território adversário com eficácia. Precisa de entrar em harmonia nos All Blacks, a fim de evitar alguns erros próprios (somou três avants cruciais no 3º jogo) e assim garantir um lugar que está entregue a Sonny Bill Williams… para já.

MVP’s… take your pick!

Escolher sempre um melhor jogador das Series é complicado. Tende terminar em discussão e num debate acesso, pelas mais variadas razões e motivos. Para o Fair Play cinco jogadores apresentaram-se como os MVP’s das Series: Beauden Barrett, Owen Farrell, Sean O’Brien, Jonathan Davies e Samuel Whitelock.

O mais polémico será, talvez, Beauden Barrett pois o médio-de-abertura dos Hurricanes e All Blacks concluiu as Series com uma média de 75% em frente aos postes. No 1º jogo conclui com 100% (três penalidades e três conversões), o 2º com 75% (sete penalidades convertidas em dez) e o 3º, e último, só 50% (quatro pontapés, concluindo uma conversão e uma penalidade, falhando até uma bastante simples logo no início do encontro).

Porém, vamos mais além dos pontapés (podemos discutir se foram ou não decisivos para as Series, uma vez que viver nos cenários dos “se’s” é um princípio errado para o desporto).

O médio de abertura foi um autêntico quebra-cabeças, tendo semeado “destruição” na defesa dos Lions sempre que a oportunidade se apresentou. Querem exemplos? Terceiro jogo: pontapé que resulta no ensaio de Laumape (o crossk-kick foi parar às mãos do seu irmão Jordie com uma classe primorosa) ou como abriu a defesa com um belo passe para a entrada em grande do mesmo jogador.

Há muito mais, seja no 1º (a forma como agarra a bola do chão, tirando logo um adversário do caminho), 2º (bola recuperada quase nos seus 22, um hand-off que tira Farrell da disputa e um sprint bem trabalhado) ou 3º (os exemplos já apresentados).

Beauden Barrett é, neste momento, o melhor médio-abertura do Mundo e um estupendo jogador com a oval nas mãos… sem ela, também o é, como prova a placagem que fez a Anthony Watson no 2º jogo, parando-o e quase recuperando o controlo da oval. Se não conseguem ultrapassar o facto que falhou 5 pontapés (nem Daniel Carter foi sempre perfeito), então revejam os jogos e apercebam-se que 136 metros conquistados, 10 defesas batidos e 6 quebras-linha, “rasgaram” com os Lions em vários momentos… foi o All Black com melhor stats a atacar e um dos que melhor defendeu.

Owen Farrell continua na senda de Johny Wilkinson… jogadores algo diferentes (como Barrett e Carter), Farrell é um kick-master tendo contribuído com 31 pontos ao pontapé, “fechando” as Series com os All Blacks com uns impressionantes 85% de eficácia (se somarmos o jogo dos Crusaders baixaria para 80%) ao pontapé.

Farrell não teve a mesma oportunidade que Barrett para brilhar com a oval nas mãos, não deixando de ser um dos ball carriers de melhor qualidade nos Lions. Prova disso passa pelo facto de só ter feito dois erros com a oval nas mãos em doze oportunidades.

Foi um dos jogadores mais “marcados” por Jerome Kaino e Kieran Read, que tentaram a todo o custo fechá-lo, impedindo-o de abrir espaços na muralha defensiva. Para além disso, Farrell defende… defende e defende! Relembra Wilko (alcunha atribuída à lenda, Johny Wilkinson) também devido a isso… foram 25 placagens (e mais 6 falhadas) em três jogos, na posição de 10/12, apresentando-se como um jogador altamente versátil, com um carisma inspirador e um decisor fundamental para os Lions.

Em suma, um placador nato, um chutador de topo e um atacante resiliente. É possível pedir mais?

Sean O’Brien e Samuel Whitelock merecem referências pelos monumentais jogos que protagonizaram durante as Series. O asa irlandês (no qual falaremos noutro “aspecto”) placou, defendeu, “roubou”, “destruiu”, placou de novo, marcou ensaio… isto é, voltou o Sean O’Brien que deliciou adeptos do Planeta da Oval naqueles anos em que atingiu o seu melhor pico de forma. A forma como ocupa o espaço entre a formação ordenada e o primeiro jogador das linhas atrasadas foi decisiva em alguns momentos, impedindo Beauden Barrett, Julian Savea/Rieko Ioane ou SBW de passarem a linha de vantagem e darem sequência ao Total Rugby dos All Blacks.

Samuel Whitelock esteve uns “furos” acima do seu parceiro do lado, Broadie Retallick, provando que é o melhor 2ª linha a nível mundial. Resiliente, duro de placar, difícil de meter no chão, uma preocupação constante para quem ataca e um líder nato, Whitelock completou com o resto do 5 da frente All Black, uma das melhores formações ordenadas nos últimos anos. Duas menções importantes que iremos já referir de seguida de outra forma.

Mas o jogador das Series foi, sem discussão, Jonathan Davies. Como diriam os galeses com um sotaque posh: Amazing! Os All Blacks tiveram dificuldades enormes em parar Davies, que não procurou escapar-se na defesa pela força, mas sim pela estratégia e inteligência.

Um desbloqueador no ataque, com 6 quebras-de-linha, Davies formou uma quadrupla incrível com Watson, Daly e Williams, assumindo-se como um peça fundamental para mexer o três-de-trás, assim como garantir apoio às acções quer do 1º centro (foi mais difícil ler o que Ben Te’o iria fazer do que Farrell) ou de algum asa que entrasse no 2º canal de jogo. Davies funcionou sempre como uma arma de arremesso dos Lions, pondo o seu pontapé rasteiro em funcionamento, o que criou enormes dificuldades aos All Blacks, forçando-os a recuar até aos seus 22 metros.

Foi sempre dos jogadores menos contestados na equipa titular, mas que também passou despercebido antes do início das Series. Para além de ter conquistado o público, mereceu o título de Lions of the Series 2017, o que deve deixá-lo carregado de orgulho (e a Warren Gatland, que voltou a ter o seu centro a 100%, cheio de confiança para os próximos anos que se avizinham).

Com quatro turnovers na defesa e 20 placagens, vale a penar reverem os jogos para perceber como Davies fechou bem o espaço na defesa, impossibilitando aos All Blacks de quebrar-a-linha. Isto forçou-os procurar outras ideias e soluções para chegarem ao ensaio(os bicampeões do Mundo procuraram jogar ao pé quando não conseguiam transpor o eixo Farrell-Davies). Um MVP com direito a honras!

Um Praça a Praça ou um Cross-Kick?

Infelizmente não foram três jogos carregados de ensaios, já que tivemos direito a nove ensaios, cinco dos All Blacks e quatro dos Lions. A produção ofensiva não foi a melhor devido às condições atmosféricas que se fizeram sentir no 2º encontro, por exemplo… mesmo assim, três dos nove ensaios merecem alto destaque.

Comecemos pelo melhor: Sean O’Brien. Um ensaio que começou quase nos últimos 5 metros defensivos dos Lions e que terminou dentro da área de validação dos All Blacks. Um quebra-rins de Liam Williams a Kieran Read, uma finta a Aaron Cruden e um prender a Israel Dagg, meteram três All Blacks fora de funcionamento. Depois um passe rápido de Davies para Daly, com o último a tirar Lienert-Brown da frente e a devolver ao centro galês, que ainda colocou problemas a Barrett… placado, mas com possibilidades para um offload, Davies não decepcionou Sean O’Brien e entregou a oval em perfeitas condições para o asa. Um ensaio de antologia, um ensaio que motivou os Lions para o 2º e 3º jogo.

O tal ensaio de Jordie Barrett, que começou numa bela captação no alinhamento de Retallick que ainda tentou fugir pelo meio dos leões esfomeados… depois Aaron Smith (belo regresso do formação dos Highlanders) para Barrett, com este a fazer um mini-mini compasso de espera, para uma entrada explosiva de Laumape.

O centro apresentou uma boa postura no contacto, forçou uma placagem de Davies às pernas, o que permitiu um offload fácil para Lienert-Brown partir a linha e seguir para dentro da área de 22 (os Lions conseguiram, na maioria das vezes, placar de forma que não surgisse um offload no momento da queda, porém nem sempre é possível impossibilitar os All Blacks a tal, como foi neste caso em específico). E depois numa situação de 3 para 1, bastou a ALB passar a bola para Jordie Barrett, com o defesa de 20 anos dos Hurricanes a pôr um ensaio na sua primeira internacionalização pela Nova Zelândia.

No 2º jogo há o ensaio de Taulupe Faletau que começa nos 40 metros dos Lions e em quatro fases termina num belo ensaio do nº8 do País de Gales. A corrida de Watson é quase imparável, com os All Blacks a apanhá-lo com bastantes dificuldades… seguiu-se um passe rápido para Farrell que “descobre” Liam Williams com o defesa a bater a defesa e a transmitir a oval para o seu parceiro Faletau. Ensaio.

Aqui o que é importante ressalvar é a velocidade e a capacidade de fazer mexer dos Lions, que demonstraram que tinham tudo para igualar a aceleração de jogo dos All Blacks nos momentos capitais do jogo. Faltou isto no 3º jogo, em que estiveram mais preocupados em acertar nos postes do que conseguir entrar na área de ensaio… um empate é, como disse Steve Hansen, Like Kissing your Sister.

Just play an Oldie please…

Sean O’Brien, Wyatt Crockett, Alun Wyn Jones e Israel Dagg… podiam perfeitamente serem títulos de uma banda sonora. Quanto mais “velhos” melhor e nenhum dos quatro defraudaram nas Series.

Chamar a jogadores com 30 anos Oldies é um exagero (bem grande) da nossa parte… mas a nossa argumentação parte do facto dos quatro jogadores estarem há anos envolvidos nas suas selecções, de serem “símbolos” magnos quer dos Lions ou All Blacks.

Sean O’Brien… que dizer do asa de 30 anos, que viveu fustigado por lesões nos últimos três anos? Foi um atleta imenso, um British&Irish Lion sensacional que carregou todo o espírito e emoção que os irlandeses impõem em qualquer jogo de rugby. 30 placagens, 5 turnovers, 1 ensaio, 62 metros conquistados e duas quebras-de-linha valem a Sean O’Brien o título de 3ª linha da competição… repartido com outro Oldie, Kieran Read.

E o que dizer de Alun Wyn Jones? No seu terceiro tour pelos Lions, o 2ª linha com 31 anos, foi uma peça de força e resiliência no plano de Warren Gatland. Chegou a assumir no 1º jogo o papel de capitão, naquele que parecia ser, até ao fim da primeira parte, o melhor jogo dos Lions. Competente com uma paixão imensa, Alun Wyn Jones foi dos avançados dos Lions que melhor percebeu em como “estragar” os alinhamentos dos All Blacks, lendo bem as movimentações, atacando com eficácia o salto do 2ª linha adversário, disputando veemente no chão.

É difícil não ficar atraído pela forma como Jones comanda os seus colegas, pois passa toda uma mística e orgulho que facilmente catapultam qualquer um para cima.

Israel Dagg, o “Mal Amado”, acabou por ser um dos melhores All Blacks em prova. No ar foi responsável por 9 capturas em dez, conseguiu parar algumas acções do adversário com qualidade (não obstante de ter sido empurrado por Faletau no 2º jogo) e assumiu sempre um papel preponderante no três-de-trás… por alguma razão Steve Hansen confia em Dagg, e não é pelo estatuto.

Recordemos que o defesa dos Crusaders foi excluído em 2015 da equipa que viria ganhar o Mundial em Inglaterra, com Hansen a seleccionador. Dagg é um “mágico” com a oval, tem uma capacidade de partir a defesa que poucos têm, sabe combinar bem quer no papel de 11, 14 ou 15, não tem medo de receber a oval e de partir para a frente.

Por fim, Wyatt Crockett… 62 internacionalizações, 176 jogos pelos Crusaders, dois mundiais de rugby e tantas, mas tantas formações ordenadas que só elevam a sua categoria de lenda na Nova Zelândia. Começou sempre do banco, algo que já é normal nos dias de hoje para o pilar, mas nem isso tira-lhe a vontade de entrar em campo e de pôr fim a algumas acções do seu adversário.

Crockett sempre que entrou “abanou” com a formação ordenada, foi um batalhador nos rucks e um true great no momento de ajudar a equipa. 34 anos, dos jogadores mais velhos a participar nas Series, Wyatt Crockett é aquele Oldie que merece estar a rodar no “gira-discos” do Rugby mundial eternamente.

O Bom, o Mau e o Vilão… e o palhaço?

Meus senhores e senhoras, tapem os “ouvidos” porque Warren Gatland e Steve Hansen não estiveram e estão para modas… uma batalha de palavras seguiu-se durante todas as Series da competição, tendo começado com a imprensa neozelandesa a meter um nariz de palhaço (respeito pela profissão) em Warren Gatland… o seleccionador dos Lions, que é kiwi, não gostou nada e como prova disso foi ter usado esse adorno na conferência de imprensa pós-terceiro jogo.

Hansen foi também distribuindo “lenha”, em busca de abanar os Lions de alguma forma… ninguém disse que os Mind Games pertenciam só ao mundo da bola redonda. Mas a batalha foi tão longe que Hansen parou-a por completo quando a intensidade estava a atingir um nível que seria prejudicial para a imagem das Series. O irónico é que ambos estavam a gostar da troca de palavras, mas perceberam que a imprensa estava a elevar a conversa para outros contornos mais “mediáticos”, polémicos e algo “enlameados”.

Warren Gatland saiu das Series por cima, conseguiu empatá-las e garantir o troféu (dividido a meias com a formação da casa). A estratégia dos Lions para o 2º e 3º jogo funcionou na perfeição, mesmo que no encontro do meio tenham jogado contra 14. Funcionou e é isso que ficará para a história.

Construiu uma dupla de centros séria, Farrell e Davies, musculou e garantiu uma terceira-linha de “sonho” com Warburton, O’Brien e Faletau, potenciou uma primeira-linha “maldosa” em Vunipola, George e Furlong (Vunipola foi essencial nos jogos, a imprimir uma certa agressividade que roçou o limiar do legal, mas que era necessária para meter os All Blacks em bicos de pés) e ainda deu show ao seleccionar um três-de-trás que poucos adivinhavam com Daly, Watson e Williams.

Os Lions foram impressionantes a defender, somando 411 placagens com 49 falhadas, ou seja só cerca de 10% é que não entraram ou pararam o opositor. A isto deve-se a Andy Farrell, o treinador de defesa da Irlanda que conseguiu construir uma muralha de qualidade, que só pecou no 1º e 3º jogo (falhas de placagem no ensaio de Jordie Barrett). Depois de tantas críticas que sofreram, principalmente pelas fracas exibições contra os NZ Provincial Barbarians, Blues, Highlanders e, talvez, frente aos Hurricanes, Gatland volta às Ilhas Britânicas com o seu estatuto redobrado… os Lions voltam a não perder umas Series sob o seu comando.

Já Steve Hansen arriscou em alguns momentos como: titularidade de Rieko Ioane, Jordie Barrett, Ngani Laumape ou a não convocação quer de Julian Savea ou Malakai Fekitoa nos dois primeiros jogos. Se Ioane garantiu pontos no 1º jogo, já no 2º esteve algo afastado (a jogar com 14 é difícil fazer um uso das pontas como os All Blacks gostam) e no 3º não jogou devido a lesão.

Mas a não inclusão de Fekiota foi um erro tremendo de Hansen. Goste-se ou não da forma de jogar de Fekitoa, é dos centros em melhor forma na Nova Zelândia. Fisicamente poucos igualam-no, é um poço de vitalidade único, com uma raça total para enfrentar qualquer que seja o adversário à sua frente.

Isto aplica-se a, também, a Julian Savea que apesar do avant que faz no início de jogo, conseguiu dar uma excelente réplica atropelando jogadores, aparecendo bem entre os centros e a dar o “corpo às balas”. Os All Blacks perderam só um jogo, no tal em que SBW recebeu ordem de expulsão aos 25’. De resto, ganharam por uma diferença de 15 pontos no 1º e deixaram escapar a vitória no 3º por um somatório de erros preocupante para os All Blacks.

É aqui talvez o maior senão dos All Blacks, o falhar em momentos-chave nestas Series. No 3º jogo a quantidade de erros ofensivos nos últimos 10 metros foi gritante… Laumape, Lienert-Brown, Jordie Barrett, Fekitoa, Cane, etc, seja na transmissão de bola, na recepção, na procura do espaço, etc. Parecia que os neozelandeses esqueciam-se dos básicos no momento de dar uma estocada nos Lions.

A jogada do ensaio do Jordie Barrett podia ter sido repetida um bom par de vezes, não fossem esses erros. Se passou por uma falha de concentração, de combinação ou simplesmente porque a defesa aplicou uma pressão alta, não sabemos. Até pode ser um mix das três, fruto da intensidade de jogo, das ganas de ganhá-lo, da quantidade de jogadores novos a participar e da elegância defensiva dos Lions. Steve Hansen não sai beliscado destas Series e, até, deviam todos estar preocupados com o que aí vem… os All Blacks gostam de aprender com os erros e facilmente vão entrar em fase de reflexão – que será muito rápida -, para aplicarem já soluções para entrarem a todo o vapor no Mundial de 2019.

Os British and Irish Lions voltam a casa, Sam Warburton e Warren Gatland “calaram” as críticas, Julian Savea acabou por sair por cima, Jordie Barrett provou que ainda está algo “verde”, Farrell e Barrett deram show – cada um à sua maneira-, Sean O’Brien e Kieran Read vão-nos obrigar a ver as Series de novo pela qualidade que impuseram, Jonathan Davies conquistou o seu lugar entre os Mitos dos Lions e a Nova Zelândia fica em paz… até Agosto, quando começar o The Rugby Championship.

Palavra de Ordem: Fair Play! (Foto: The Guardian)
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Francisco IsaacJulho 4, 201717min0

Novo amanhecer para os British and Irish Lions que sobreviveram ao Westpac Stadium e saíram com uma vitória por 24-21 ante uns All Blacks reduzidos a 14 durante a maior parte do encontro. Mas será que os comandados de Hansen falharam em algum pormenor? E os Lions entraram de forma diferente? A análise ao jogo 2 das Series

From Darkness comes Light… e a verdade é que uma vitória dos Lions trouxe uma “luz nova” para vários adeptos do Planeta da Oval. A queda dos All Blacks (4ª derrota nos últimos 50 jogos…) parece que despoletou uma reacção em cadeia completamente desproporcionada e lançou uma boa percentagem de pessoas numa festa imparável.

Para os que apoiam os Lions foi uma demonstração de força, que os All Blacks podem cair a qualquer momento e que afinal não são assim tão competentes ou mortíferos. Muito se apregoou que os Lions iriam somar só derrotas contra os All Blacks, que não tinham estofo para “aguentar” com a intensidade física e qualidade técnica dos bicampeões mundiais e ruiriam de forma “fácil”.

Contudo, no segundo jogo, os Lions sobreviveram e acabaram por ganhar com uma penalidade bem “encaixada” de Owen Farrell entre os postes… 24-21, os All Blacks ainda tentaram recuperar do erro consentido mas já foram tarde de mais… o descontrolo de jogo tomou conta da “cabeça” dos 14 elementos que aguentaram o “castelo” durante 50 minutos.

Catorze porque Sonny Bill Williams, um jogador extremamente físico e que possui uma técnica individual de alto calibre, recebeu ordem de expulsão definitiva aos 25′ após uma carga com o ombro à cabeça de Anthony Watson. A “cena” não pareceu ser propositada, mas aconteceu e de acordo com as regras a decisão de dar o cartão vermelho é aceitável.

Sem o centro, Steve Hansen foi obrigado a fazer alterações ao XV, puxando Kaino para fora do campo e metendo Laumape dentro da contenda. Não seria a estreia que o centro esperaria, muito pelo contrário.

Como sempre, o público e comentadores caíram em cima de SBW rotulando-o de “desleal”, “falso jogador com fair-play”, “claramente uma vergonha para o jogo”, entre outras declarações menos simpáticas ou reais mas que cada vez mais fazem parte da modalidade.

Num discurso menos formal, a situação de SBW foi grave pelo impacto, não há dúvidas. É rugby e nos últimos anos há uma maior preocupação com a saúde dos atletas especialmente em redor da protecção da zona da cabeça. Jerome Garcés, ao seu “bom estilo” não perdeu tempo em decidir a expulsão (por outro lado, rugby não é só touch rugby, o contacto físico, a fisicalidade e a agressividade neste sector são três pormenores decisivos para manter a modalidade “vendável”).

Infelizmente, o critério já não foi o mesmo para Mako Vunipola (não tem sido o jogador que é na Inglaterra, mas já vamos explicar o porquê de estar a ser fundamental na campanha dos Lions) que entrou desta forma em Beauden Barrett. Dualidade de critérios (ver a 2ª situação, a primeira também Codie Taylor efectuou sobre Farrell e não recebeu admoestação)?

Mas não foi pelo árbitro que os neozelandeses perderam o encontro, foi um somatório de erros e más decisões que levaram a que a melhor selecção a nível mundial (seja por títulos ou no ranking) tivesse uma derrota que os deixou, bem num estado caótico… valem as palavras de Kieran Read e a forma como Steve Hansen expos o que podem ainda fazer.

Going Back to the Shadows… to Bring darkness yet again

A chuva “estragou” a estratégia dos All Blacks… era um dos “medos” que possivelmente pairavam sob as cabeças da equipa técnica dos neozelandeses. Não estamos a afirmar que não saibam jogar à chuva ou com o terreno molhado… o que é proposto é o facto que contra os Lions, a chuva iria “ajudar” a estabilizar o jogo mais “pesado” dos britânicos e tornar todos os processos dos All Blacks um pouco mais vagarosos.

A inclusão de Naholo não trouxe grande explosão ao jogo… os All Blacks pouco puderam explorar os seus pontas (52 metros somados em 11 carries entre Ioane e Naholo) com a eficácia de outros jogos, devido à muito boa defesa dos Lions onde Farrell (6 placagens), Sean O’Brien (12) e Warburton (9) foram imperadores, dominando os canais exteriores, impedindo Anton Lienert-Brown ou Ngani Laumape de conseguirem passar a linha de vantagem e assim soltarem um offload para os seus pontas.

Faltou intensidade às linhas dos All Blacks, a inclusão de Sam Cane (que tem realizado boas exibições) ou Jerome Kaino em detrimento de Ardie Savea continua a levantar algumas questões… o asa dos Hurricanes é um jogador bem mais “mexido” e irrequieto, não pára no contacto, consegue meter os seus adversários menos “à vontade” e acaba por ser um dínamo no ataque. É um pormenor que tem faltou aos All Blacks neste segundo encontro.

Se observarmos os dois jogos, é perceptível que Sonny Bill Williams é um jogador do qual a sua equipa depende mais do que o suposto. A quantidade de vezes que o centro ganha a linha de vantagem, a forma como coloca os adversários em sobressalto, muito devido à grande probabilidade de sair um offload ou um passe de categoria. Isso foi comprovado pelo primeiro jogo contra os Lions.

No entanto, no segundo encontro mal foi expulso, os All Blacks começaram a sentir graves dificuldades para sair a jogar da mesma forma que aconteceu no primeiro encontro.

Os Lions apertaram bem os All Blacks, forçaram-los a cometer más decisões no jogo rápido e até na escolha do que fazer com as 13 penalidades que tiveram ao seu serviço.

Notem que Beauden Barrett falhou três pontapés aos postes (só um deles era de extrema facilidade, com essa oportunidade a embater no poste esquerdo), sendo que duas delas podiam ter ido para o alinhamento… mas algo forçou aos All Blacks mudar algo na sua estratégia de jogo e que tem mais explicações para além de terem jogado com 14 durante 55 minutos.

A forma como os Lions prendem bem o saltador e a bola na disputa de mauls, levando a que na queda o juiz de jogo opte por considerar bola injogável e vantagem para a equipa que estava a defender (todavia, foi algo nítido o facto de existir uma disputa ilegal em dois mauls de um ou dois jogadores dos Lions que não é entendida como tal pelo juiz do jogo) ou como conseguem parti-lo retirando a vantagem para a equipa que produziu esse sequência de jogo. Isto forçou os All Blacks a optar pelos pontos ao pé garantidos de Barrett.

Os All Blacks nunca tiveram uma vantagem confortável, também, para iniciar o gameplay de arriscar em situações de jogo mais instáveis (no qual os neozelandeses costumam apresentar as suas melhores “cores”) mas que rendem proveitosas jogadas e belíssimos ensaios.

Faltou algo na parte de garantir espaço e margem de manobra para sair a jogar. Faltou, talvez, outra concentração, outro focus, outra vontade. Kieran Read não esteve tão “forte” como de costume, sentiu-se falta da “agressividade” de Codie Taylor e Owen Franks ou a intensidade de Broadie Retallick. E faltou uma maior calma quando tinham a bola nas mãos… o pontapé de Cruden aos 78:40′ voltou a ser (como no primeiro jogo) um erro, quando se pedia, talvez mais uma fase.

Sim, se o pontapé tivesse saído com a força, velocidade e altura certa tinha sido bem captado por Laumape com Rieko no apoio ao centro. Contudo, Cruden continua a falhar pontapés durante o jogo corrido, criando alguma deficiência naquilo que Beauden Barrett é um mestre… mas até este errou num pontapé na sua área de 22, asfixiado pela intensa pressão dos Lions.

Por isso, houve sobretudo menos All Blacks em jogo do que nos últimos encontros, menos alegria a jogar, como se um “pano soturno” tivesse caído lentamente durante o decorrer do encontro… é hora de corrigir e voltar para dentro do campo.

Faltou, essencialmente, arriscar mais na saída para o ataque com a oval controlada… Barrett arriscou uma saída de bola, onde galgou uns bons 20 metros, tirando Owen Farrell do caminho com um handoff de qualidade.

A inclusão de Fekitoa é um ás de espadas que Hansen tem de usar… é o melhor centro na Nova Zelândia a placar, para além da sua aptidão para criar pressão sob a linha de defesa e por se tratar de um jogador fisicamente fascinante. Fekitoa é o maior inimigo para Jonathan Davies… e Farrell. Nenhum dos dois vai gostar de receber a “monstruosidade” defensiva do centro, que pode estar de saída para o RC Toulon.

Rieko Ioane e Waisake Naholo não estiveram bem… o ponta dos Blues até largou uma bola naquele que poderia ter sido um momento capital para o jogo. Contudo, e em jeito de defesa, o passe de Lienert-Brown não foi bom, o que prova que “reinou” um certo nervosismo entre as unidades neozelandesas.

Por isso, Julian Savea deveria voltar a todo o vapor… o The Bus é um jogador que merece a oportunidade para tentar galgar uns metros ante os Lions. Não parece estar na sua melhor forma e isso é um facto, mas nos momentos mais difíceis Savea pouco ou nunca falhou… um jogador com uma grande mobilidade, com possibilidade de “explodir” na linha de defesa, com outra capacidade de furar a defesa e com uma experiência soberba.

Meter Ardie Savea de início, puxando Sam Cane para o banco seria ainda outra forma de ter mais ritmo no jogo. Cane tem estado seguro, com belas placagens, boas recuperações de oval, um instant killer no breakdown e um jogador mais “próximo” de Read, a nível táctico. Mas Ardie traz explosão, imaginação,irritação para quem o defende… é um dos jogadores que melhor trabalha no contacto.

Um exemplo de como o asa dos Hurricanes galga metros no contacto, mesmo quando é agarrado por mais que um adversário. O poder de explosão, a capacidade de aguentar com forças contrárias e a capacidade física permitem que Ardie seja um dos portadores de bola mais temidos do rugby.

Ainda outro pormenor era convocar Lima Sopoaga e retirar Aaron Cruden. Cruden tem estado francamente abaixo do espectável, com más decisões no jogo à mão e pontapés desalinhados com o que se pede. À parte da assistência para ensaio de Ioane, Cruden pouco ou nada mais fez.

Sopoaga traz imaginação, criatividade e uma leitura de jogo bem apetrechada. Os Lions não gostam de aberturas que façam decisões improváveis… o abertura dos Highlanders poderia ser uma arma secreta de Hansen.

Porém, conhecendo bem o seleccionador dos All Blacks, é provável que pouco ou nada mude no XV… talvez a entrada de Fekitoa, mas pouco mais. Hansen vai tentar impor a sua teimosia e de voltar a confiar no core do 2º jogo para trazer as Series para casa. Os All Blacks precisam de querer dominar, precisam de garantir poder de “fogo” nos alinhamentos, precisam de ser cínicos… agora que foram “apertados”, o backlash dos All Blacks poderá ser assustador.

Um exemplo do jogar em risco dos All Blacks:

Resist! The Lions great stopping power!

Os British and Irish Lions apresentaram-se mais confiantes no 2º encontro… As jogadas de Warren Gatland “resultaram”, criando um certo “ambiente” que deu pazcalma aos seus jogadores, pondo o ónus de interesse da imprensa em si e não nos homens que iriam alinhar no sábado. Os jogadores das Ilhas Britânicas entraram em campo com vontade de “estragar” o jogo aos All Blacks, de realizar uma exibição mais carismática (ainda com vários “ses”) e de pôr as Series num stalemate.

Com um jogo “bonito” ao largo e com outra vontade de olhar para a linha de vantagem, foi também um pormenor importante da vitória (notem, também, neste clip o trabalho defensivo de Beauden Barrett)

É verdade que os Lions só conquistaram a vitória nos minutos finais do jogo, apesar de terem jogado contra 14 durante 55 minutos… mas conseguiram-no e deram uma “estocada” no Monstro All Blacks que domina o Planeta da Oval.

Se foi uma estocada forte o suficiente para meter os neozelandeses em quase estado vegetativo, bem isso só será respondido dia 8 de Julho às 08:35. A defesa dos Lions foi inexpugnável, não consentindo qualquer ensaio, apesar das 13 penalidades cometidas, sete das quais aproveitadas por Beauden Barrett para fixar aos postes e somar 21 pontos.

Mais uma vez, Sean O’Brien foi um dos grandes enforcers dos Lions, assumindo um papel preponderante na posição de nº7. Para além das 12 placagens efectivas, fica também a forma como ocupou o espaço, o desempenho junto ao ruck e a concentração imposta durante todo o jogo.

A parelha que fez com Sam Warburton (grande jogo do capitão dos Lions) foi perfeita para anular com vários pontos de jogo dos All Blacks, que a jogar com 14 sentiram enormes (como seria de esperar) dificuldades em passar pela grelha defensiva bem montada e bem executada pelos Lions (Andy Farrell, pai de Owen Farrell e treinador de defesa da Irlanda e dos Lions, tem sido uma das chaves-mestra para o crescimento a nível de leitura defensiva e de trabalho na zona de placagem, assim como a disputa no breakdown).

Para além disso, Owen Farrell foi outro dos jogadores em alta com várias boas placagens, uma atitude intensa e um nível de jogo soberbo (possivelmente é um dos melhores atletas do Mundo, ao lado de Barrett, Coles, Fofana, Hogg, entre outros). A dupla de centros esteve em alta sintonia, combinaram na perfeição e foram um caso sério para SBW (até aos 25), Lienert-Brown e Laumape.

Os Lions exploraram, insistentemente, o fechar do canal entre 12-13 e 13-14/11 ou a possibilidade do 15 assumir um papel de “moinho” de jogo, retirando algum poder de fogo dos All Blacks, que tiveram de recorrer aos pontapés (seja o crosskickgrubber ou o up and under) para tentar conquistar metros.

Tentaram com Naholo (o ponta chegou atrasado, numa situação em que podia ter dado uma intercepção perigosa para os All Blacks) e Ioane (o tal pontapé desferido por Crudden), mas das duas vezes existiam sempre unidades para “desarmadilhar” a situação.

Foi com perfeição que Warren Gatland teve aquilo que tanto queria, uma equipa intensa, “guerreira”, mexida e que conseguisse entrar dentro da cabeça dos All Blacks.

Mako Vunipola fez um jogo de enorme nível, apesar de ter desferido algumas ilegalidades que poderiam ter sido punidas com cartão vermelho… no entanto, a “maldade” de Vunipola, a fisicalidade de Itoje, o moer de O’Brien ou a raça de Jamie George fizeram mossa nos avançados neozelandeses que estiveram numa noite desinspirada (quando Retallick ou Whitelock não surgem em jogo, algo está mal).

Já na nossa análise à convocatória dos Lions tínhamos questionado o não chamar de Dylan Hartley, pois seria um elemento que causaria “irritação” aos All Blacks, desferindo algum “veneno” no jogo. Faz parte… e Vunipola aceitou esse papel, assumindo uma postura muito “agressiva” para pôr alguns elementos dos All Blacks em constante frenesim.

Itoje foi outro dos “segredos” que Gatland confiou e resultou… o 2ª linha inglês fez “somente” 15 placagens e garantiu duas faltas por bola presa e mais um turnover. A capacidade de Itoje em avançar para o adversário e ir imediatamente à “bola”, pondo o portador da bola e o apoio em “suspenso”, é uma das melhores valências que os British and Irish Lions podem ter em campo.

Foi notória a boa postura na hora de defender, conseguindo parar as intenções dos All Blacks com uma defesa inexpugnável, em que o apoio ao placador foi imediato, atirando-os para trás mais que uma vez, como se pode ver no vídeo abaixo.

Contudo, a equipa das Ilhas britânicas teve erros que a jogar contra 15 podiam ter sido fatais… 13 penalidades consentidas foi um risco imenso… tiveram alguma “sorte” nos três falhanços de Barrett ou o facto dos All Blacks terem perdido a capacidade de montar um alinhamento e ganharem metros através de um maul.

Mais uma vez, sete faltas pelo placador não sair rapidamente da linha da bola, duas por fora-de-jogo, duas por placagem alta, uma por queda da formação ordenada e outra por disputa ilegal no ruck.

Não há dúvidas que isto acontece por:

1- o rugby do Hemisfério Sul é mais rápido, dinâmico e que assenta em princípios de velocidade mais “altos” que o do Norte, o que obriga aos jogadores dos Lions a mudarem os seus timings;
2- é a forma de “matar” com o jogo rápido que Aaron Smith e TJ Perenara gostam tanto de ter nas suas mãos… foi notório a “irritação” do formação dos Hurricanes com a forma dos Lions disputarem o breakdown ou de não saírem do caminho da bola nos rucks.

Finalmente… Gatland não deverá mudar nada para o 3º e último jogo… equipa que ganha não mexe, mesmo que tenha sido contra 14! O objectivo é manter a mesma consistência e harmonia que os 15 do sábado passado demonstraram. Talvez chamar James Haskell e porque não convocar Finn Russell?

Dia 8 de Julho segue-se mais um dia tenebroso para os Lions ou All Blacks… alguém vai ter que perder as Series… os All Blacks partem agora num misticismo obscuro, “engolidos” pelos seus próprios erros… o problema é que quando se consegue afastar uma bola de demolição para trás, ela volta para a frente com mais força e impulsão… o impacto poderá ser assustador. Por isso, os Lions têm de estar preparados para o embate. Entram no último jogo com a ideia de que podem “danificar” por completo os All Blacks e levar o título para casa. Partem em vantagem pela vitória que conquistaram em Wellington… em Eden Park, casa sagrada para os All Blacks, tudo se decide.

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Francisco IsaacAbril 26, 20177min0

Os Saracens vão voltar a marcar presença no maior palco europeu de Rugby, onde encontrarão o ASM Clermont que terá mais oportunidade para “agarrar” um título que já deu grandes “pesadelos”, isto tudo à custa de Munster e Leinster. 4 pontos sobre as meias-finais da European Champions Cup

O CAMPEÃO: SARACENS COM O SONHO DA DUPLA DOBRADINHA

Um jogo extremamente físico, fechado e “apertado” entre Munster e Saracens não deu grandes ensaios, mas não deixou de ser vivido com um ritmo altíssimo de jogo.

A equipa londrina sabia que para sair da casa dos Stags com a vitória tinha de trazer o seu melhor jogo a nível defensivo, sem erros, sem brechas, sem quedas de intensidade ou de concentração.

Para além disso, o ataque tinha de ser, a todos os pontos, “venenoso”, obtendo pontos sempre que conseguissem explorar os últimos 40 metros dos irlandeses.

A estratégia de Mike McCall funcionou, já que o Munster teve vários problemas em conseguir penetrar na defesa inglesa, especialmente nos primeiros 35 minutos. Até a esse momento tinham o dobro dos carries, tinham conquistado mais metros, mas sem tirar grande proveito desses números.

Os sarries estiveram “perfeitos” no que toca à defesa, seja individual ou colectiva, combinando bem a 3ª linha (Michael Rhodes volta a realizar um jogo “gigante” com 17 placagens) com as restantes unidades.

Destacar o papel de Mako Vunipola, Vincent Koch e Jamie George, com os  três a completarem 40 placagens e dois turnovers. O primeiro está numa forma assombrosa, ocupando com “agressividade” o seu espaço, assim como soube ajudar na pressão externa ao Munster que nunca conseguiu meter a oval em condições em Zebo ou Earls.

80 minutos sem quebras de linha para o Munster prova que os Saracens são, neste momento, a melhor defesa a nível da Europa e do Hemisfério Norte.

O ataque apareceu quando tinha de “picar o ponto”, com ensaios de Mako Vunipola (através de um bom maul) e Chris Wyles (o norte-americano saiu do banco para “tremer” o jogo), para além dos 16 pontos a partir do pé de Farrell.

O Munster e a sua forma de viver o jogo, com uma paixão imensa que depois é transmitida numa intensidade única, foram bem paradas por aquela que poderá ser a nova formação dominante a nível do Hemisfério Norte nos próximos anos.

O MVP: LOPEZ REMÉDIO PARA TODOS OS MALES

Durante 2015 e 2016, os franceses choravam pelo facto de não possuírem um nº10 que enchesse as medidas e respeitasse o champagne que os Les Bleus gostam tanto de praticar (já nem tanto).

Bem, a temporada de Camille Lopez poderá servir de demonstração que o abertura do Clermont é, sem dúvida alguma, o homem que tanto precisam e sonham. Já nas Seis Nações 2017 (findadas em Abril), Lopez tinha dado provas que estava diferente, mais confiante, mais participativo com vontade de mexer o jogo sempre que possível.

Frente ao Leinster não teve vida fácil, uma vez que um dos planos de jogo dos irlandeses passava por atacar o canal interior e exterior do 10, impossibilitando-o de se “mexer” ou de criar soluções ofensivas mais “profundas”.

Veja-se que os dois ensaios do Clermont aconteceram após um trabalho exigente na saída do ruck, em picks e depois num lançamento sempre rápido do 9 para as unidades que estavam montadas mais cercas dessa fase dinâmica. Lopez estava mais longe e profundo, à espera de um aglomerar irlandês para receber a oval e meter a bola na outra ponta… mas nunca foi preciso.

O Leinster, por Isa Nacewa ou Sexton, tentaram explorar o canal do 10, a nível ofensivo, só que Lopez esteve resiliente e aguentou todas as investidas que passaram ao seu lado, como provam as 8 placagens.

Para finalizar, Lopez coroou uma boa exibição com dois drops de alto nível, sendo que o primeiro é de difícil execução metendo uma pressão e efeito na bola de grande qualidade e mestria. Numa altura em que é raro vermos este tipo de pontapé, Lopez avisou os seus adversários que o Clermont tem capacidade para marcar de todas as formas e feitios.

Um nº10 que merece uma ovação pela qualidade, raça e entrega que traz ao jogo, para além de todo um “perfume” com a bola nas mãos.

A DECEPÇÃO: METROS TÊM DE SIGNIFICAR ENSAIOS LEINSTER

Dois factos que nos precipitam para afirmar que o Leinster realizou uma exibição abaixo do expectável: 650 metros conquistados deram só um ensaio e os primeiros 40 minutos oferecidos ao Clermont.

Se uma equipa consegue fazer mais de meio km de metros com a oval na mão e não consegue fazer ensaios, então há algo de errado nos processos e na forma como atacam a linha de defesa no último quarto de terreno.

Não foi por insistência de Sexton (jogo mediano do nº10 irlandês) ou do trabalho do par de centros que não tiveram mais pontos, mas foi essencialmente pela falta de capacidade de ler a defesa e de explorar as (poucas) falhas que o Clermont demonstrava na sua linha defensiva.

Sem capacidade de penetração tudo fica mais difícil, pois não há pontos e sem pontos não há vitória. Jamie Heaslip é um jogador fundamental na criação de roturas defensivas, já que o seu físico e mobilidade permite ao Leinster sair a jogar mais rápido e encontrar outros pontos de ataque.

O segundo ponto foi algo que trouxe a “sombra” da derrota à equipa do Leinster: os 40 minutos de avanço concedidos ao Clermont. A primeira parte terminou num 15-03, onde um dos ensaios dos franceses era evitável (desatenção à ponta e sem placagens efectivas) e a concentração dos irlandeses esteve em “baixa”.

As linhas atrasadas do Leinster efectuaram 9 erros forçados de ataque, separados do 9 ao 15, alguns deles de alguma gravidade já que lhes tiraram boas oportunidades para chegarem à área de validação.

Por isso, com uma defesa mais “branda” na 1ª parte (Sean O’Brien foi outro jogador que fez falta) e um ataque soft, o Clermont aproveitou para ganhar uma boa margem que seria inultrapassável para o Leinster e o sonho de tentar conquistar uma 4ª Champions Cup.

A REVELAÇÃO: GARRY RINGROSE VAI MARCAR UMA NOVA ERA?

Voltamos a revisitar e escolher um detalhe do jogo do Clermont-Leinster para fechar os 4 pontos das meias-finais da Champions Cup: Garry Ringrose.

O centro está a passar por uma fase de momentum espectacular com uma série de pormenores que podem levá-lo a atingir um patamar do mais alto possível… fazer jus ao nome e lenda de Brian O’Driscoll.

O centro, de 22 anos, já realizou 8 jogos pela Irlanda e tem sido uma das coqueluches da selecção de Joe Schmidt. No Leinster assumiu um papel preponderante na defesa e ainda mais no ataque… o ensaio contra o Clermont prova toda essa “sofisticação” que o centro possui e que pode mudar, radicalmente, a forma de atacar do Leinster.

Essa jogada mirabolante, carregada de toda uma excentricidade e noção de como aproveitar o espaço e os erros de placagem do adversário. O explorar dos “buracos” e a forma como acelerou neles, tornaram-no impossível de segurar.

Ringrose fez 134 metros em 15 carries, bateu 14 defesas e acabou com duas quebras de linha… sem qualquer erro de controlo de bola (foi o único dos 3/4’s nesse aspecto). Tem tudo para ser um dos novos mastros do rugby irlandês.

Referência muito breve a Niall Scannell, o talonador do Munster. Jogo de alta qualidade do nº2, que teve excelente nas fases estáticas (15 alinhamentos conquistados mais a 5 formações ordenadas) para além de ser um excelente apoio a quem carrega a oval ou na forma como disputa os rucks.

Garry Ringrose e Niall Scannell são o futuro do rugby irlandês, que precisa rapidamente de uma mudança para aproveitar esta “bolsa” de crescimento que foi conquistada na Champions Cup, na Pro12 ou nas Seis Nações 2017.

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Francisco IsaacAbril 8, 201712min0

Os All Blacks, a maior máquina de ganhar a nível mundial, a selecção mais temida no rugby e mais respeitada em todos os desportos, vai receber a selecção com maior misticismo do Planeta da Oval, os British & Irish Lions. O que sabemos dos neozelandeses e quem são estes Leões que provêm das ilhas da Grã-Bretanha?

O que é aquele desporto de brutamontes chamado Rugby?

Rugby, aquele jogo de selvagens praticado por cavalheiros (desconhecemos de onde proveio a frase), está na sua fase dourada em termos de eventos desportivos, número de jogos e praticantes, assim como de crescimento a nível de adeptos.

Não há dúvida nenhuma que é uma modalidade diferente, altamente física, mas onde a técnica e estratégia são determinantes para o desenrolar do encontro. Desengane-se quem pensa que o rugby é só “brutalidade”, “ir contra o adversário” e “duelos de corpo contra corpo”.

Pelo contrário. O objectivo é conseguir criar, encontrar e atacar o espaço entre os placadores (é o nome dado aos quinze jogadores que estão sem bola e que a querem recuperar), para criar uma situação de ensaio iminente.

Mas avançando nos “manuais básicos e intermédios” do Rugby, vamos “placar” o tema em questão: All Blacks e British & Irish Lions.

Foto: Getty Images

And The World is All Black(s)

Todos sabem quem são os All Blacks, a mítica selecção da Nova Zelândia que enverga um equipamento negro como a noite, que tem aquela dança de guerra (há mais do que um tipo de “dança”, dependendo da ocasião) e que normalmente ganha quase todos os jogos que disputa.

Tricampeões mundiais (duas vezes de forma consecutiva, em 2011 e 2015), só 7 derrotas nos últimos 100 jogos (a última frente à Irlanda, num estádio cheio em Chicago), dominadores no Hemisfério Sul e Norte, os All Blacks tomaram controlo do Planeta da Oval.

É normal ouvir pessoas que nunca viram rugby dizer que sabem quem são os All Blacks e, em especial, Jonah Lomu (falecido em 2015), aquele “monstro” avassalador que tirava um, dois, três, quatro ou cinco adversários do caminho para chegar à linha de ensaio.

Por isso, rugby muitas vezes é igual a All Blacks, pelo ímpeto, intensidade, dinâmica e ritmo que os neozelandeses dão ao jogo. Mas de onde vem este ascendente e como se explica?

Expliquemos (muito resumidamente), recorrendo a cinco palavras-chave: recrutamento, trabalho específico, estrutura interna, competição e regras rígidas.

O recrutamento no rugby neozelandês define-se não só através do potenciamento do produto interno bruto (jogadores nascidos na Nova Zelândia), mas também pela “captura” dos melhores dos melhores jovens (com 12/13 anos) dos territórios da Samoa (o falecido Jerry Collins), Tonga (Malakai Fekitoa, por exemplo) ou Fiji (Waisake Naholo).

Ao fazer isto, a Nova Zelândia aumenta “brutalmente” a sua base de escolha para as várias equipas que possui a nível escolar/universitário, as equipas de regiões (há duas competições dedicadas a esse patamar) e, adicionalmente, os profissionais (que competem no Super Rugby, Liga composta pelas melhores franquias da África do Sul, Austrália, Japão, Argentina e, claro, Nova Zelândia).

Foto: The Guardian

A ideia é engrandecer os All Blacks, levando-os ao máximo possível. É uma cultura assente nesse princípio primário, de que a selecção está em 1.º lugar.

Depois, as outras palavras-chave são traduzidas através do facto do país possuir dos melhores técnicos a nível mundial (a quantidade de clubes e selecções estrangeiras que têm neozelandeses como seleccionadores ou treinadores específicos supera é enorme), das regras rígidas de seleção (para se jogar nos All Blacks tem de se estar a jogar efetivamente na Nova Zelândia, jogadores a praticar a modalidade fora do país não são elegíveis) ou da forte estrutura interna (a federação neozelandesa preocupa-se primeiro consigo e só depois com a World Rugby, federação internacional da modalidade).

A título de exemplo, veja-se a saída de um dos jogadores mais promissores (Steven Luatua). O n.º 8 estava em vias de receber um novo contrato (mais três anos de ligação com a federação da Nova Zelândia) mas optou por seguir para Inglaterra, uma situação que despoletou uma pequena escaramuça e repreensão. Steve Hansen, selecionador da Nova Zelândia, afirmou que era “lamentável a saída de um jogador, principalmente porque” da parte da federação “houve comunicação” e da de Luatua, “não”. Isto implica que Luatua deixe de ser elegível para alinhar pelos All Blacks em qualquer situação.

Para além disso, o equilíbrio financeiro, as boas práticas e as regras “sérias” levam a que até o amadorismo (que existe nas ligas secundárias) seja tão belo ou perfeito de tal forma que, na Nova Zelândia, só respira rugby… ou quase.

Adicionalmente, não esquecer que o rugby é uma modalidade instalada a nível escolar, afirmando-se nas escolas como o Desporto Rei da Nova Zelândia, nem tão pouco o marketing e a venda do produto “All Blacks”, por si só uma super marca a nível mundial (ainda que muitos dos que têm uma camisola, t-shirt ou polo dos All Blacks possam não saber, exatamente, do que se trata).

A soma destes “bens” possibilita que a seleção de rugby neozelandesa seja aquele “monstro” inacreditável, quase inultrapassável e incrível, que o Mundo veio e vem a conhecer desde sempre.

E esta é também a forma de proteger o rugby neozelandês, de não dar espaço a intromissões, propiciando a que os jogadores lutem para ser os melhores, não só na selecção, mas nos treinos, nos clubes e nas franquias.

Por tudo isto, os kiwis (alcunha dos habitantes da Nova Zelândia) são o produto de rugby mais apetecível a nível mundial: todos querem ter um jogador/técnico neozelandês.

Com a loucura geral que os All Blacks geraram desde os anos 90 ((muito além do público fiel ao rugby, tendo Lomu sido, mais uma vez, fundamental para tal), a selecção neozelandesa é, talvez, a par do Brasil (futebol), das equipas mais reconhecidas e com mais adeptos a nível mundial.

A comparação é feita de propósito… O Brasil (mesmo perdendo jogos) é o “Brasil”, um ícone do desporto, uma das marcas que melhor se vende a nível mundial. Há um fascínio pela seleção de terras de Veracruz, é um símbolo do desporto, é a melhor forma de mostrar o futebol em estado puro, com aquele zigue zague e “brincadeira” que só os brasileiros sabem tão bem fazer.

A Nova Zelândia está assente na mesma lógica, noutra modalidade, não só pelo já enumerado, mas também pela sua capacidade de ganhar jogos e títulos.

Prova disso é que estamos em 2017 e a Nova Zelândia é tricampeã mundial e domina a modalidade, até nos prémios a nível individual, onde há 5 anos que tem o melhor jogador/treinador e equipa. No fundo, tem o Mundo do rugby a seus pés… Então, quem se atreve a fazer frente aos All Blacks?

British & Irish Lions, os candidatos a quebrar a hegemonia?

A resposta à pergunta poderá ter três palavras: British & Irish Lions, uma seleção que agrega os melhores jogadores (36, para sermos mais precisos) e técnicos das Ilhas Britânicas (Reino Unido e Irlanda), que se juntam (mais ou menos) a cada quatro anos para uma digressão ao Hemisfério Sul.

Ora, 2017 é ano da equipa composta pelos pelos melhores jogadores do Reino Unido e Irlanda fazer nova tour por terras neozelandesas e o jogo entre ambos os conjuntos poderá ser o maior encontro do século XXI a todos os níveis.

Imagine-se: em junho, teremos os 30 melhores jogadores do Mundo a alinhar dos dois lados, mais uns quantos suplentes de luxo, orientados por treinadores com várias honras de campeão ao peito. (Curiosamente — e daí talvez não… —, o seleccionador dos British&Irish Lions é… neozelandês.)

Foto: Rugby360

Os jogos entre Lions e as seleções do Hemisfério Sul foram, durante muito tempo, o grande momento do rugby mundial, já que o Mundial da modalidade só surgiu em 1987 (vitória da Nova Zelândia) e, portanto, até lá, era nas digressões dos vários países ou super nações que se faziam pequenos “mundiais”.

A primeira tour remonta a 1888 e foi precisamente na Austrália e Nova Zelândia que 21 homens partiram para jogar rugby. Na altura só faltavam as “irmãs” irlandesas para formar o atual composto dos Lions.

Contudo, os British & Irish Lions como hoje conhecemos só foram constituídos oficialmente após a 2.ª Grande Guerra. Até 1950, as federações (ou Unions no rugby) não tinham controlo sobre o selecionado; a partir dessa data, assumiram a direcção da “seleção” das Ilhas, onde já figuravam as Irlandas.

Nos 36 tours que já se realizaram, entre 1888 e 2013, a Nova Zelândia recebeu-os por 11 vezes e jogaram um total de 38 jogos. Quanto ao saldo, é claramente favorável aos kiwis: só por seis vezes os Lions conquistaram vitórias. De resto, 29 derrotas e 3 empates.

É sempre particularmente duro jogar contra os All Blacks em sua casa… Mais duro ainda quando, atualmente, do outro lado se encontram bicampeões mundiais de forma consecutiva, detentores (de forma partilhada) do recorde de vitórias consecutivas (18) e o produto mais apetecido no desporto mundial.

No entanto, 2017 será um ano bom para os Lions seguir em direção a terras kiwis. Os jogadores ingleses estão na sua melhor forma (são bicampeões das Seis Nações e ganharam outra maturação mental), os irlandeses têm uma capacidade física e energética de ponta, a Escócia (deixamos este nome para o tentarem seguir: Stuart Hogg) traz magia e o seu jogo fluído e o País de Gales proporciona um certo charme ao jogo que vai para além da mítica frase “três pontos para o País de Gales!”.

Por isso, os Lions representam o momento de grande união entre federações das Ilhas Britânicas —contrastando, até, um pouco, com a situação política daquela zona da Europa —, onde a rivalidade das Seis Nações se desvanece para dar lugar ao companheirismo, solidariedade e partilha de histórias e ombros.

O passado de ambos vai mais para além do que um simples jogo

O último encontro entre Lions e All Blacks deu-se em 2005, quando a digressão durou um mês, com três jogos frente à Nova Zelândia, mais oito jogos frente a equipas locais.

Desses três jogos, houve um, em particular que foi, no mínimo, “chato” para as hostes dos Lions: Daniel Carter (médio de abertura, nº 10 na camisola e mítico dos All Blacks) marcou 33 dos 48 pontos da vitória dos neozelandeses frente aos britânicos.

Ainda hoje, este é considerado o jogo perfeito de um médio de abertura (o tal n.º 10, máximo responsável por criar jogo e movimentar as linhas de ataque) e, melhor que tudo, aconteceu numa digressão dos Lions.

E chegamos a 2017, 12 anos após o último encontro entre ambas as seleções. O rugby mudou, não muito, mas o suficiente. Está mais “aberto” para a sociedade, o número de espetadores cresceu amplamente (só a final do Mundial de 2015 foi vista por 120 milhões de pessoas), há mais países a apostar efetivamente na modalidade (veja-se a Alemanha ou o Quénia, por exemplo) e a época profissional atrai cada vez mais atletas.

Por isso, o jogo entre Lions e All Blacks será um produto precioso para os desígnios do rugby mundial, já que é o grande momento (não o único, mas o maior) da modalidade em 2017.

Se nunca assistiram à modalidade ou só a conhecem muito superficialmente, marquem nas agendas os dias 24 de Junho, 1 e 8 de Julho e vejam só os jogos (às 7:40 da manhã, hora portuguesa). Não precisam de saber nomes, clubes ou quem é quem, porque é extremamente fácil: os de negro são os All Blacks e os que usam o vermelho são os Lions. Vejam cada finta, cada placagem (a “lealdade” da modalidade não permite placagens acima dos ombros), cada ensaio (quando o jogador consegue tocar a bola dentro de uma área retangular onde estão dois postes) e cada jogada.

Para todos os outros que seguem a modalidade, são apaixonados pela mesma ou, simplesmente, estão no campo do fanatismo positivo, terão a oportunidade de ver George North versus Julian Savea, Beauden Barrett versus Owen Farrell (mesmo que não vá para n.º 10, será o pontapeador), James Haskell versus Sam Cane, Maro Itoje versus Ardie Savea, Stuart Hogg versus Israel Dagg, entre outros tantos duelos que vos farão perder horas de sono mas ganhar anos de plena loucura.

O presente artigo foi realizado no âmbito da parceria que o Fair Play estabeleceu com o Sapo24, e a sua publicação original pode ser consultada aqui.

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Francisco IsaacOutubro 20, 201615min0

Primeira jornada e logo algumas surpresas ao jeito da Champions Cup: Warriors “caçam” Tigers, Saracens quebra com o recorde do Toulon, Connacht não verga ante o Stade, Leinster em grande e Clermont, de Bardy, envia uma mensagem aos candidatos. Esta foi a 1ª jornada em 5 pontos

Daqui até ao final da fase de grupos, iremos falar da European Champions Cup em 5 pontos, em alusão a cada uma das Pools da competição mais importante de clubes de rugby da Europa. Em cada ponto abrimos questões, falamos do jogador da jornada do grupo, destacamos um ensaio ou falamos em estratégias.

A Estratégia: NEVER TRY TO TACKLE A WARRIOR IN GLASGOW

O jogo mais “badalado” da competição, uma vez que os Glasgow Warriors tiveram a audácia de derrubar um antigo campeão da competição em casa… 42-13, a favor dos escoceses deixando os Tigers de Leicester num estado catatónico e sem possível contra-reacção. Até foram os ingleses que começaram melhor com uma penalidade, ensaio e conversão entre os 5-20 minutos de jogo, metendo o resultado para um bom 10-03 em casa dos escoceses. Porém, a estratégia de Gregor Townsend entrou em marcha e os Warriors rapidamente foram tirando fôlego à defesa dos Tigers que se viu por largos minutos remetida aos seus 22 metros. A estratégia do treinador escocês (lembramos que em 2017 assumirá a Selecção da Escócia em substituição de Vern Cotter) passava por ter os avançados como as unidades mais móveis, atacando rapidamente a linha de vantagem, onde Pyrgos com os seus passes bala encontraram sempre alguém embalado que escolhiam, de propósito, o sector mais “frágil” da equipa de Leicester que era entre o jogador-poste do ruck e o que seguia ao seu lado… sempre que alguém recebia a bola, batiam o pé para dentro e criavam uma situação de rotura defensiva que dificilmente os ingleses conseguiram “reparar”… as falhas começaram a surgir na linha de defesa, os Warriors cada vez mais embalados, motivados e com alta crença que a estratégia ia resultar… uma, duas e três e os ensaios começaram a surgir.

Sarto aproveitou uma bela entrada de Finn Russell, para “sacar” a bola do ruck e sair disparado para a área de ensaio. Depois Fraser Brown culminou uma estupenda jogada de toda a equipa, com os Warriors a “balançarem” a bola entre si, obrigando os Tigers a desconjuntarem-se e procurarem a defesa individual invés de se manterem um grupo defensivo coeso, abrindo uma “brecha” suficientemente boa que Fraser Brown aproveitou. Daí para a frente foi sempre a somar, com um ataque bem montado, onde o apoio ao portador da bola era de extrema qualidade, a velocidade de pés e vontade de surpreender dos avançados era de se louvar e as linhas atrasadas aproveitaram cada “nesga” para ganhar metros que se foram acumulando no score. A defender foram imperiais, já que montaram um sistema que deixou os Tigers desesperados, obrigando-os a arriscar no passe o que levou a mais dois ensaios da equipa da casa por Mark Bennett (aos 67′) e Sarto (aos 75′). Cinco pontos, vitória categórica e a primeira surpresa na primeira jornada… conseguirão os Warriors repetir a façanha neste fim-de-semana? Para mais ver o seguinte artigo já que se trata de uma análise bem detalhada da estratégia e gameplay dos escoceses: goo.gl/cpHngM

No Warriors left behind (Foto: The Guardian)
No Warriors left behind (Foto: The Guardian)

O Jogador: LIKE A GOOD WINE, BARDY GET’S BETTER WITH AGE

F-E-N-O-M-E-N-A-L… é esta a palavra que melhor descreve a grande exibição de Julien Bardy em Exeter, onde o seu Clermont decidiu limpar os Chiefs por 35-08. O asa português “ceifou corpos”, declarou uma ode à placagem sem descurar a elegância com a oval na mão. O ASM Clermont tem vindo, desde o início de época, a demonstrar um nível soberbo no rugby francês com uma capacidade para derrubar qualquer adversário, já que o seu rugby de excelente pace, visão de jogo acutilante e formas de garantir uma defesa “fresca” têm permitido dominar o Top14. Neste jogo em específico, Bardy somou 25 placagens (falhou mais uma) e ainda “cavou” dois turnovers, numa exibição quase imaculada, já que cometeu duas faltas (no meio-campo do adversário). Melhor que tudo foi o sentido posicional do asa português, que soube atacar bem o ataque algo “monótono” dos Exeter Chiefs, destruindo as várias  tentativas e movimentações (pouco velozes ou sem grande capacidade perfurante) dos ingleses demonstrando uma capacidade de apoio ao portador da bola que parecia ter desaparecido na última temporada.

Bardy tem feito um início de época assombroso com vários destaques e recordes somados na defesa (placagens), sendo uma peça fundamental do XV de Franck Azéma. Para além desses “pontos” na defesa, Bardy foi autor do 1º ensaio da sua equipa (apareceu a apoiar à ponta Noa Nakaitaci) para além de mais 8 carries, 20 metros percorridos e uma quebra de linha. Se o Clermont mantiver o ritmo… dificilmente os vão parar na fase-de-grupos e, quem sabe, não teremos os franceses nas meias-finais/final da competição… mas ainda é cedo para “vendermos sonhos” e promessas. Para Julien Bardy pode ser a época de “regresso” ao que era o grande asa dos Jaunards!

Le noveau Bardy (Foto: The Telegraph)
Le noveau Bardy (Foto: The Telegraph)

O Streak: A CHAMPIONS IS ALWAYS A CHAMPION

Como se esperava a super equipa dos Saracens de Londres entraram a “matar” na competição, abatendo o RC Toulon, que jogava perante o seu público. Acima de tudo um streak foi “desfeito” no Stade Mayol e que já vinha a ser “engordado” há uns bons e belos anos: o RC Toulon nunca tinha perdido em casa para as competições europeias, ou seja, desde 2010/2011 que não registaram qualquer derrota nos 28 jogos que jogaram em França, algo inacreditável para os dias de hoje. Mas, todos os recordes e streaks são para serem quebrados, um desafio que os Saracens meteram na cabeça que iam conseguir. Uma exibição de gala garantiu uma vitória por 31-23 no lançamento da fase-de-grupos. Exibição de gala de Owen Farrell (está com um pontapé bem afinado e um organizador de jogo de alta categoria), que foi um autêntico rei na “casa” que fora de Johnny Wilkinson por três temporadas, com 16 pontos (4 penalidades e 2 conversões) e uma assistência para ensaio, num jogo em que os Saracens chegaram ao intervalo a ganhar por 28-09.

Ensaios de Sean Maitland (grande trabalho do impressionante Maro Itoje na conquista de metros), Wigglesworth (saída de 8 na formação ordenada de Vunipola para depois Jamie George completar um belo offload a assistir o formação) e Chris Wyles (jogada de grande nível entre Farrell e Bosch) nos primeiros 40′ ditaram uma vantagem bem confortável para os londrinos que entraram para a cabine com essa vantagem, para além do RC Toulon ter entrado para a 2ª parte com menos fruto do amarelo a Ma’a Nonu (placagem perigosa do neozelandês). Os “milionários” ainda tentaram “acordar” e fizeram uma recuperação de 14 pontos na 2ª parte, só que os Saracens agarraram-se e lutaram contra todas as investidas “imaginadas” por Trinh-Duc com Vunipola a terminar com 17 placagens e 3 turnovers (MVP), Maro Itoje com 13 e George Kruis com 12. O streak dos franceses foi “desfeito” pela cimitarra dos Saracens que parecem estar aí para manter a Europa sob o seu controlo.

Farrell contra o strak (Foto: David Rogers/Getty Images)
Farrell contra o strak (Foto: David Rogers/Getty Images)

O Jogo: CONNACHT A BOX OF IRISH DELIGHTS

Foi sem dúvida a semana das surpresas, já que para além da vitória dos Glagsow Warriors tivemos o Bordeaux-Bégles (vitória categórica frente ao Ulster) e o Connacht que derrubou outra equipa lendária da competição, o Stade Toulousain aka Toulouse. Pois é, a equipa de Pat Lam que tinha surpreendido meio-Mundo com a conquista da PRO12 em 2015/2016, voltou ao convívio dos “grandes” com uma vitória gloriosa ante o Toulouse. Com as bancadas do SportsGround Galway completamente cheias (8,100 pessoas), a equipa do Connacht viu-se a perder logo a partir dos 6′ com uma penalidade bem convertida por Bézy. Os franceses chegaram aos 19 minutos a ganhar por 09-00, com um rugby muito pragmático, fazendo uso das entradas dos seus avançados em formato curtopick‘ go, o que obrigou os irlandeses a terem profundas dificuldades em virar o domínio territorial e dos avançados franceses… todavia, apareceu o herói da tarde, Bundee Aki, o neozelandês que torna qualquer jogada numa movimentação de alto perigo crítico para quem defende… à passagem dos 19′, Aki recebe uma bola de Jack Carty e mete toda a linha do Toulouse a tentar placá-lo, passando por um, escapando de um segundo e enganando um terceiro, com um offload de requinte que permitiu Caolin Blade seguir a jogar para depois em dois passes chegar às mãos do nº14, Niyi Adeolokun, para o primeiro ensaio da tarde. A partir daqui o equilíbrio foi repartido e entrámos na “sessão de cortar a respiração”. O Toulouse ia espalhando o terror através dos alinhamentos com Richie Gray a saltar bem nas alturas e a sair a correr, para no momento seguinte vermos Yann David a tentar forçar uma quebra de linha, apesar das placagens de Aki ou John Muldoon. A oval começou a cair “redondinha” nas mãos do Connacht que tiveram mais tempo com ela e tentaram criar situações que dessem o tão desejado segundo ensaio. Infelizmente, para os homens de Lamb, na primeira parte só conseguiram converter duas penalidades, enquanto que o ataque mais “mordaz” e eficaz do Toulouse lhes garantiu dois ensaios e uma conversão.

O 2º ensaio dos franceses foi um “mimo” de Houget, com o ponta internacional pela França, a bailar e fazer a equipa de Galway cair ante si, para depois verem Doussain a receber a bola e a cair entre os postes… 21-11 e o jogo parecia assegurado pelos franceses. Depois veio a “montanha” a la Connacht, que decidiram meter o Toulouse a vivenciar aquele rugby ardiloso e que esmaga qualquer “gigante” do rugby europeu: aos 58 O’Halloran recebeu uma bola perto da linha de fora e conseguiu quebrar a linha, perante um Toulouse que ficou na expectativa, permitindo ao veloz nº15 trocar os pés, meter velocidade e aguentar o 1º impacto para depois saltar para dentro da “caixa”. O ensaio até tinha nascido “coxo”, com a oval a andar aos saltos entre o chão e as mãos dos jogadores irlandeses. Mas o ensaio estava feito e aí vinha nova cavalgada, desta feita e mais uma vez, por Aki. À passagem do minuto 67′, as duas formações estavam perto do “arrastar” físico (jogo muito “pesado” para ambas, especialmente entre os 8 avançados de cada equipa), com o jogo a ter já poucas aberturas à ponta ou arrancadas de alta velocidade, o que beneficiou Aki, que recebeu uma bola aparentemente sem grande expressão… o nº13 viu o espaço, meteu uma marcha acelerada e com um handoff e um aguentar de impacto de classe, seguiu para a linha de ensaio… Galway veio abaixo, era uma estocada no Toulouse, aquela equipa que tem 4 estrelas de campeão europeu e que estava perto de ser vergada pelos “pequeninos” do Connacht. A conversão bem sucedida… viveram-se 10 minutos de sofrimento, com as duas formações a querem a mesma coisa, a vitória.

Doussain já não tinha a mesma velocidade nem de pernas nem de mãos e não conseguiu fazer mexer os seus colegas, o que beneficiou o Connacht que é uma equipa unida e que não inventa nestes momentos de maior perigo… aguentaram duas investidas na formação ordenada do Toulouse, não caíram ou cederam à pressão e garantiram a bola… 80′ chegou, a buzina soou e o Connacht despachou a oval para fora do campo. 23-21, a equipa inovadora de Lamb abate o eterno candidato Toulouse de Ugo Mola.

O Regresso: THE MEN IN BLUE LIVE

Leinster, como a Europa tinha saudades do rugby vibrante da equipa que fora, em tempos, de Brian O’Driscoll. Os Men In Blue lá voltaram aos grandes na “orla” europeia e conseguiram conquistar uma vitória bonificada frente ao Castres Olympique. Foi um comeback ao estilo que os irlandeses de Dublin precisavam, já que estão há algum tempo fora das grandes glórias europeias (2013 foi o último ano que conquistaram uma prova na Europa, com a conquista da Challenge Cup) e precisam de voltar a esse “trono” o mais rápido possível. No jogo frente ao Castres, o bloco avançado dominou por completo nas fases estáticas (10 alinhamentos e 7 formações ordenadas 100%, para além de um “roubo” de bola no alinhamento do Castres e forçaram duas penalidades na formação ordenada dos franceses), tendo Sean Cronin (por duas vezes) e Jack McGrath conseguido um ensaio cada, o que prova que foi através do sector dos avançados que o Leinster catapultou para a vitória.

O Castres pouco conseguiu fazer, sentiu grandes dificuldades em aguentar com a enorme pressão dos 5 da frente irlandeses e com a mobilidade da 3ª linha do Leinster, para além da velocidade do capitão, Isa Nacewa, que “tramou” na 2ª parte a equipa francesa, que ainda assim somou 15 pontos em casa dos Men In Blue. Mas isto é um regresso curto ou é mesmo para ficar? Sem Sexton e O’Brien, ainda a “contas” com pequenas lesões, a equipa do Leinster tem estado num revivalismo que pode ser fundamental para atingirem novos desígnios tanto a nível nacional (PRO12) como na Europa (Champions Cup). Rugby prático, inteligente e fortemente inspirador, é este o princípio que Leo Cullen quer que os seus jogadores imponham a cada jogo, a cada metro, a cada segundo desta época. Para os adeptos do Leinster, o 33-15 pode ter sido um anúncio de regresso… mas, para o Fair Play, ainda é muito cedo para acreditarmos no comeback daquela equipa que apaixonou a Europa.

In the Forwards lie the secret (Foto: Irish Times)
In the Forwards lie the secret (Foto: Irish Times)

Menção Especial: GOODBYE BIG ANTHONY

É um sentido adeus a um asa que não era fenomenal no jogo aberto, mas era um senhor no trabalho curto, na entrega e no motivar dos seus colegas. Anthony Foley é, talvez, o maior símbolo do Munster dos últimos 30 anos, província pela qual jogou a carreira toda tendo conquistado títulos na Celtic League/PRO12 assim como na Champions Cup. Um placador exímio, punha sempre o seu corpo on the line sofrendo as consequências que fossem necessárias para carregar a sua província e Selecção ao mais alto pedestal. Em 2014 conseguiu chegar ao cargo de sonho, assumindo o lugar de treinador principal dos Stags e tentou deixar a sua marca no Munster. Não sabemos qual teria sido o desfecho desta época com Foley no “leme”, pois o campeonato está altamente “quente” e na Champions Cup dificilmente conseguirão fazer “mossa”. Porém, em todos os jogos dos irlandeses o espírito e ideais de Foley transpareciam e marcavam, sem dúvida alguma, os jogos do Munster. Seria a 3ª temporada de Anthony Foley ao serviço do Munster e o seu “desaparecimento” vai deixar um vazio na Irlanda, na Europa e no mundo do Rugby. O Munster lutará pelos metros com Foley na memória e os restantes adeptos farão odes ao asa e treinador que marcou o rugby pela sua sagacidade, força e motivação de querer fazer mais e melhor a cada jogo, a cada ano, a cada novo desafio.

Para ver as tabelas classificativas siga o seguinte link: goo.gl/DZ9I2S
Para ver a próxima jornada siga o seguinte link: goo.gl/ORDqbh
Para ver os Highlights dos vários jogos ver: goo.gl/rj1d4P

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Francisco IsaacOutubro 11, 201637min0

Aí está o “Super Rugby” do Hemisfério Norte, a European Champions Cup, a competição que alberga as melhores formações dos principais campeonatos europeus. Inglaterra, Irlanda, Escócia, País de Gales, França e Itália vão ter a oportunidade de meter as suas melhores “unidades” em campo… serão os Saracens os grandes candidatos? Voltará o Toulon a sonhar? E o Leinster terá coração para se reerguer? Parte I da análise à competição.

O confirmar de um sonho, o início de um Império ou o desiludir de toda uma Nação… é este o espírito da European Champions Cup. Com a final marcada para Maio de 2017 em Edimburgo, vamos começar já no fim-de-semana de 14/15 de Outubro com a 1ª jornada, de 6, das 5 Pools/Grupos da competição. Nesta primeira parte vamos destacar as Pools 1,2 e 3, para depois, na 2ª parte, destacar a 4, 5 com as nossas apostas pessoais de como vai decorrer a competição.

Como funciona a competição? 5 grupos, cada uma com cinco equipas, o que perfaz um total de 20 formações europeias a discutir uma passagem para a fase seguinte. Só os 1ºs de cada grupo é que têm apuramento directo para os quartos-de-final, enquanto que no caso dos 2ºs classificados só se apurarão os três melhores. Ou seja, das 20 equipas só ficarão oito, depois quatro e, no final, duas. Ou seja, vai ser uma luta altamente intensa para conquistar um lugar ao “sol” da maior competição de clubes da Europa… há candidatos anunciados que vão ficar de fora da fase final, newcomers (como o Connacht ou Montpellier) que vão surpreender e deixar os “gigantes” em brasa e todo um Universo de rugby europeu do mais alto nível. É um momento em que o físico vai contra o técnico, em que as formações ordenadas imperam sobre as quebras de linha, em que os rasgos de genialidade vão deixar por “terra” os melhores placadores deste lado do Hemisfério.

A Champions Cup vai para a sua 21ª edição, com os Saracens de Londres como campeões e favoritos a ir à 2ª consecutiva (não será inédito, atenção), teremos muito rugby para “beber e brindar” ao longo de 7 meses (a competição pára entre Fevereiro e Abril devido às Seis Nações). Uma atenção especial a todos os adeptos… a European Champions Cup só é jogada aos fim-de-semana, intercalando com as competições nacionais, algo quase único no desporto Mundial. Ao todo serão 9 fins-de-semana reservados para a competição, com os jogos a decorrer entre 6ªas, Sábados e Domingos.

Em caso de quererem conhecer os campeões europeus dos últimos 21 anos, propomos que vejam directamente no seguinte site oficial da competição: goo.gl/rqypmf. Algumas considerações: o Toulouse (máximo campeão da competição com 4 títulos) está a passar uma fase de reestruturação mas parece estar de volta ao caminho das vitórias, assim como o Leinster de Dublin, onde desponta Johny Sexton (esperemos que este seja o seu ano de regresso às grandes exibições) que estão a tentar voltar a dominar a PRO12… ambas as equipas têm três títulos de campeões europeus, cada. Depois o RC Toulon que vive num autêntico marasmo de emoções (apesar de uma excelente entrada na temporada) com as ameaças do seu presidente (Mourad Boudjellal afirmou que pode estar de saída de uma equipa “amamentada” pelos seus milhões), tendo também três títulos de campeão. De resto, Waps, Tigers, Ulster, Munster vão estar todos presentes para tentarem ir a mais um título da sua história… já o Bath Rugby (época desastrosa em 2015/2016) e o Brive (já afastado destas andanças há uns bons anos) não poderão lutar pelo seu segundo troféu já que estão afastados da European Champions Cup por uma época.

Passemos agora à análise das Pools 1, 2 e 3

POOL 1 – THE DOOM HUSTLE

Quatro super-representantes de cada uma das principais nações do Rugby vão ter que gladiar-se pelo 1º (em caso de queda para um 2º lugar, há que ter o máximo de pontos para ficarem em um dos 2ºs melhores). Da Escócia, o Glasgow Warriors, de França o Racing Metró 92 (vice-campeões da Champions Cup e campeões do Top14 em título), a renovada equipa do Munster (longe dos tempos em que tinha uma “palavra” a dizer na discussão do título europeu) e os Leicester Tigers (em busca de novas glórias, já que desde 2013 não tocam em algum tipo de título).

GLASGOW WARRIORS

Localização: Glasgow, Escócia
Estádio: Scotstoun Stadium (10,000)
Palmarés: 0 títulos europeus; 1x campeão da Pro12
2015/2016: 3º lugar na fase de grupos
Jogador a seguir: Stuart Hogg (Escocês)
Treinador: Gregor Towsend (Escocês)
Previsão FairPlay: 3º lugar do grupo;

O ano do adeus de Grego Towsend ao seu Scotstoun Stadium e os Warriors, após 5 épocas em que conseguiu levá-los ao inédito título de campeões da Pro12 (liga que compõe os maiores clubes de Gales, Escócia, Irlanda e Itália), em 2014/2015. Com uma equipa recheada de talentos, poderão fazer algo mais na competição? Só por uma vez é que conseguiram seguir em frente e foi no distante ano de 1997, ainda quando a competição era apelidada de Heyneken Cup, tendo somado só 2ºs, 3ºs e 4ºs lugares na fase de grupo. Agora em 2016, na despedida de um treinador que ajudou a revolucionar os Warriors, a equipa de Glasgow tem uma pequena hipótese de seguir em frente, uma vez que os seus adversários parecem estar ao seu nível: o Racing 92 não está em boa forma (12º lugar no Top14), o Leicester Tigers está muito permeável na defesa (4ª defesa mais batida no Aviva Premiership) mas com um ataque algo “demolidor” e o Munster está a reerguer-se aos poucos (forte arranque de temporada). A equipa dos Warriors tem, talvez, dos melhores XV da Europa liderados pelo “mágico” Stuart Hogg (Internacional pela Escócia e um dos melhores atletas na sua posição a nível mundial), Tommy Seymour, Henry Pyrgos, Mark Bennett (uma autêntica “máquina de guerra”, com capacidade para fazer a diferença em qualquer jogo), Jonny Gray (o gigante capitão) e o regressado Finn Russell, que está desde Maio de fora com uma lesão grave (pescoço). O rugby é rápido na linha de 3/’4’s, há uma vontade de explorar com criatividade a defesa adversária, onde os pontapés altos de Stuart Hogg, são captados pelo mesmo com uma qualidade de excelente “quilate”. A questão está na avançada e na capacidade de gerirem os jogos mais complicados… trancar a oval durante vários minutos, deixar o adversário atingir um grau de frustração que permita a Russell ou Hogg pedirem “postes”, somando pontos preciosos a certos momentos do jogo. A maior experiência do squad fará diferença nesta fase-de-grupos… todavia, dificilmente conseguirão superá-la e deixar o Racing Metró e o Leicester Tigers de fora da fase final. Se é possível acontecer uma surpresa? Sim, claro que sim. Mas para isso há que Jonny Gray conseguir reunir a sua avançada (reforçada com o experiente talonador neozelandês Corey Flynn) e apontar o caminho de um rugby mais inteligente e dominador, em que o apoio tem de ser mais rápido (o problema de perder a oval no ruck ainda é um assunto nevrálgico para o rugby escocês) e efectivo.

Warriors go for Glasgow! (Foto: Craig Watson)
Warriors go for Glasgow! (Foto: Craig Watson)

LEICESTER TIGERS

Localização: Leicester, Inglaterra
Estádio: Welford Road (30,000)
Palmarés: 2x campeões europeus; 10x campeão da Aviva Premiership
2015/2016: Meias-finais
Jogador a seguir: Manu Tuilagi (Inglês)
Contratação a seguir: Matt Toomua (Australiano)
Treinador: Richard Cockerill (Inglês)
Previsão FairPlay: 1º lugar do grupo;

Go Tigers! é o nosso pensamento para a nova temporada da formação comandada por Richard Cockerill, um treinador que já ajudou os seus Leicester Tigers a levantarem a Aviva Premiership por 3 vezes (2009, 2010 e 2013). Uma equipa pesada, de raça e com uma qualidade gritante, foi ao mercado reforçar-se com Matt Toomua, um dos grandes centros da Austrália que vai trazer entrega, velocidade e capacidade de leitura defensiva. Depois de uma temporada passada desanimadora, é agora o momento de os Tigers tentarem quebrar com a hegemonia dos Saracens e aplicarem o seu bom rugby na Europa. Têm, talvez, das melhores 1ªs linhas do Hemisfério Norte com Tom Youngs na posição de 2, ladeado por Marcos Ayerza (o “tanque” ex-Pumas faz a diferença na formação ordenada) e Dan Cole, o bad boy da Selecção de Sua Majestade. É uma equipa talhada para os jogos de luta e tem uma boa capacidade de resposta, já que acredita, quase sempre, que consegue dar a volta ao rumo dos acontecimentos (primeira jornada da Aviva, chegaram ao final da 1ª parte a perder por 31-03 e acabaram por ganhar 38-31 ao Gloucester). Infelizmente, Manu Tuilagi está a contas com uma lesão (continua a “saga” de injuries atrás de injuries) e Matt Toomua só vai começar a alinhar pelos Tigers a partir deste fim-de-semana (uma semana antes da estreia na Champions Cup). Ou seja, neste momento tem sido Matthew Tait e Peter Betham (o ponta aussie tem dado boa resposta, uma vez que alinha à ponta), com JP Pietersen a ser uma das caras fortes destes Tigers de 2016. Agora… estão num grupo em que o grande rival vai ser o Racing Metró 92, a equipa que o ano passado inviabilizaram a Cockerill a nova final europeia com um 16-19, que deitou por terra esse objectivo. Para esta nova temporada, a entrada de Pietersen e Toomua vai dar outra profundidade às linhas atrasadas, para além de terem uma avançada de grande capacidade. O 1º lugar parece-nos o objectivo mínimo, apesar de terem que ter cuidado com os guerreiros de Glasow e os “matreiros” da província de Munster.

A new type of Leicester? (Foto: ESPN)
A new type of Leicester? (Foto: ESPN)

RACING METRÓ 92

Localização: Paris, França
Estádio: Stade Olympique Yves-du-Manoir (14,000)
Palmarés: 0x campeões europeus; 6x campeão do Top14
2015/2016: Finalista vencido
Jogador a seguir: Dan Carter (Neozelandês)
Contratação a seguir: Anthony Tuitavake (Neozelandês)
Treinador: Laurent Travers e Laurent Labit (Franceses)
Previsão FairPlay: 2º lugar do grupo;

Les Ciel et Blanc, em alusão às suas camisolas de jogo muito similares à Argentina, com o azul claro e o branco a preencherem todo o Yves-du-Manoir. Uma época que começou com o “pé” errado, tendo registado, até ao momento, 4 derrotas em 7 jogos do Top14, algo preocupante para os lados de Paris. Os campeões em título do Top14 e vice-campeões europeus, têm um plantel recheado de estrelas, como Daniel Carter, uma das lendas de sempre do rugby mundial, Johan Goosen (classe, velocidade e técnica de pontapé do defesa sul-africano), Bernard le Roux, Eddy Ben Arous, Camille Chat, entre outros jogadores do topo do rugby mundial. Porém, nem todas estas estrelas juntas significaram um início de temporada bom, com as tais derrotas que têm marcado a formação treinada pelos Laurent’s, Laurent Travers e Laurent Labit. Um rugby muito focado no jogo positivo, na procura do espaço, em combinações pulsantes a partir dos alinhamentos, com o eléctrico Imhoff a procurar as tais “brechas”, com o “mágico” Carter a 10 e o incrível gaulês Maxime Machenaud a 9. Falta alguma consistência física, já que o Racing atravessa uma onda de lesões sem precedentes, que tem tirado algumas das estrelas do jogo ou da sua melhor forma. Para além disso, falta profundidade ao jogo dos parisienses, que necessitam de encontrar outras fórmulas de “abater” equipas que se apresentam mais agressivas no contacto e de fechar melhor os gaps defensivos. Um 2º lugar tem de ser um objectivo obrigatório, mas a “batalha” pela European Champions Cup vai ser dura, muito dura… não poderão vacilar nas viagens a terras escocesas ou irlandesas e terão que mostrar ao Leicester o porquê de terem ido à final da temporada passada. Há hipóteses de ir à final, mais uma vez? Depende muito de como Carter recuperar, de como a avançada vai trabalhar nas próximas semanas e se as poucas contratações farão a diferença no fim (de grandes nomes assinou Tuivake, Ali Williams e pouco mais).

Le classe du Racing (Foto: L'Equipe)
Le classe du Racing (Foto: L’Equipe)

MUNSTER RUGBY

Localização: Limerick, Irlanda
Estádio: Thomond Park (25,600)
Palmarés: 2x campeões europeus; 3x campeão da PRO12/Celtic League
2015/2016: 3º do grupo;
Jogador a seguir: CJ Stander (Sul-Africano/Irlandês)
Contratação a seguir: Jean Klyne (Sul-Africano)
Treinador: Anthony Foley (Irlandês)
Previsão FairPlay: 4º lugar do grupo;

Be afraid, be very afraid from the Red Army of Limerick!, como são conhecidos entre as Províncias irlandesas. O exército vermelho está de regresso às grandes “marchas” e poderão ser uma surpresa na competição… se tudo correr bem aos irlandeses e algo de mal correr às formações do Leicester Tigers e Racing Metró 92. Desde 2010/2011 que não há títulos em Limerick, após uma final estupenda frente aos rivais do Leinster… de lá para cá, só foram à final da Pro12 por uma vez (2014/2015) perdida para os adversários da Pool 1, os Glasgow Warriors. Na primeira temporada de Foley, não correu da melhor forma já que ficaram de fora das decisões finais, algo que não acontecia desde 2012/2013, o que prova o carácter “esquizofrénico” desta equipa da província de Munster. Foley tem ideias bem vincadas no estilo de jogo a praticar no Munster, mesmo que 2015/2016 tenha sido uma temporada abaixo das expectativas. A partir de um colectivo forte, encabeçado pelo tremendo asa da Selecção da Irlanda, CJ Stander (Sul-africano de origem), o Munster vai tentar fazer um jogo fechado, de recuperação de bolas altas e de contínuas fases até atingir pontos mais avançados do terreno. Não são muito hábeis nos 8 “monstros”, antes pelo contrário, são muito terra-a-terra, optando por conquistar metros com um jogo mais rudimentar – e pouco entusiasta – mas que serve para atingir objectivos de jogo. Na linha de 3/4’s há alguns astros, seja Connor Murray (internacional irlandês e dono da camisola nº9), o “mago” Simon Zebo e algumas novas potências do rugby irlandês como Cian Bohane (grande início de época, contra o Edimburgo o centro conseguiu “trancar” 12 placagens) ou Darren Sweetnam (ponta rápido, com capacidade de choque e de lutar no “ar”). Peter O’Mahony parece finalmente estar de regresso e será um input fundamental para dar outro “corpo” à 3ª linha dos ulsterinos. Em relação à fase de grupos, como apontamos no BI do Munster, não conseguimos dar qualquer favoritismo à equipa de Foley e até arrisca-se a andar pelo 3º/4º lugar, dependendo de como se vai bater em casa frente às outras formações. Falta algum “charme” às linhas atrasadas e falta alguma consistência, assim como profundidade, para conseguirem “danificar” equipas como o Leicester Tigers ou Racing Metró 92′.

The Stags will rule Ireland? (Foto: Billy Stickland)
The Stags will rule Ireland? (Foto: Billy Stickland)

pool1

POOL 2 – WASPS IN FOR THE WIN

London Wasps terão uma missão “fácil” nesta Pool2, onde estão os enigmáticos do Connacht Rugby (campeões pela 1ª vez na Pro12, na temporada passada), os Zebre Rugby, que terão zero “chances” de ultrapassar esta fase da competição, e a “fénix” do Toulouse que parece ter uma – ou duas – palavra(s) a dizer na discussão da luta pelo 1º. Porém, a equipa inglesa está cada vez mais apetrechada e será difícil para qualquer um dos outros conseguir roubar o spotlight da equipa de James Haskell.

CONNACHT RUGBY

Localização: Galway, Irlanda
Estádio: Galway Underground (8,100)
Palmarés: 0x campeões europeus; 1x campeão da PRO12
2015/2016: Não Participou;
Jogador a seguir: Ultan Dillane (Irlandês)
Contratação a seguir: Eoin Griffin (Irlandês)
Treinador: Pat Lam (Samoano)
Previsão FairPlay: 3º lugar do grupo;

The Devil’s Own, em honra de um regimento de infantaria, os Connaught Rangers, do exército do Reino Unido (findou em 1922) que não arredavam pé do campo de batalha. Toda a massa humana do Connacht é um autêntico “exército” de fiéis à causa em impressionar tudo e todos que duvidam da força da província de Connacht, que até 2016 nunca tinham tocado em qualquer título da Celtic League/Pro12/Heyneken Cup/Challenge Cup, quebrando a hegemonia de Munster, Ulster e Leinster, todas províncias que têm vivido sempre debaixo da “sombra” do sucesso. Agora é a vez dos jogadores de Pat Lam (treinador que pegou a equipa em 2013 e mudou radicalmente a forma de estar dos connachts) usarem o símbolo de campeão, pelo menos durante esta temporada. O início de época foi algo desastroso, com apenas 1 vitória em 4 jogos e quase o último lugar da tabela, so à frente do Edimburgo, Zebre e Bennetton Treviso. O ano passado foi o rugby imediato, de domínio electrizante e onde os 30 jogadores que compunham o plantel transcenderam-se física e tecnicamente, com o tal rugby de domínio, eléctrico, e que, a cada penalidade conquistada, pediam ao abertura de então, AJ MacGinty (transferência para os Sale Sharks), para esboçar um pontapé que lhes desse margem para conquistarem vitórias atrás de vitórias. Sem MacGinty, agora é Jack Carty a assumir o papel de nº10, enquanto não chega Marnitz Boshoff o abertura dos Lions que só chegará em Janeiro (instalou-se uma pequena “guerra” entre os irlandeses e sul-africanos devido a este tema). O rugby de Pat Lam promete muita luta, um rugby de apoio rápido (ao bom estilo dos All Blacks) com algum do sacrifício e garra do espírito à irlandesa. Nesta temporada, tem falhado a comunicação dentro de campo e os reforços ainda não deram mostras de responder às saídas de Rodney Ah You, Robbie Henshaw, George Naoupu ou Aly Muldowney. Para além disso, mais 6 lesionados têm tirado experiência, peso e força ao pack avançado, o que tira capacidade e qualidade ao XV de Lam. Naquela que será a 3ª experiência na fase-de-grupos da Heyneken Cup (última foi em 2013/2014), a equipa do Connacht não ficará em último, mas também não conseguirá atacar os lugares cimeiros da tabela, uma vez que o rugby imponente e imperial dos Wasps se fará sentir e o Toulouse não voltará a falhar a fase final (o ano passado foi um autêntico desastre) como demonstra o seu plantel bem apetrechado. Caberá a Pat Lam, ao grande Ultan Dillane (das novas revelações da Selecção do Trevo) e ao público do Connacht carregar a equipa para outros vôos… conseguirão?

Connacht, a style of life (Foto: PRO12)
Connacht, a style of life (Foto: PRO12)

WASPS RFC

Localização: Coventry, Inglaterra
Estádio: Ricoh Arena (33,000)
Palmarés: 2x campeões europeus; 6x campeão da AVIVA Premiership
2015/2016: Meias-finais;
Jogador a seguir: Danny Cipriani (Inglês)
Contratação a seguir: Kurtley Beale (Australiano)
Treinador: Dai Young (Inglês)
Previsão FairPlay: 1º lugar do grupo;

The Hornet of the Wasps will make anyone run…. início de temporada devastador, para quem estava do outro lado do campo, dos jogos contra os Wasps. A equipa de Dai Young está com as ideias assentes em reconquistar um título que lhes foge desde 2007. Numa equipa polvilhada por excelentes jogadores, a administração Wasp decidiu trazer mais algumas estrelas para a constelação da equipa de Coventry: Danny Cipriani (desde que ingressou na equipa tem sido um dos melhores, com cross-kicks únicos, passes delirantes para abrir a equipa adversária ou uma visão de jogo bem mais madura), Kyle Eastmond, Nick de Luca, Tommy Taylor (o talonador de 24 anos pode ser uma das futuras soluções para Eddie Jones na selecção inglesa), Kurtley Beale (só regressa em Dezembro, visto que está com uma lesão desde Maio de 2016 no joelho) e Willie Le Roux, o defesa da África do Sul e um dos melhores na sua posição. É uma equipa formidável do princípio ao fim e será a única a conseguir fazer frente aos Saracens em Inglaterra, em termos de fase finais. Dai Young gosta primar por um rugby de “agressividade”, de força e de frieza, apoiado na velocidade imparável das suas linhas atrasadas, como Chris Wade e Frank Halai nas pontas, fornecidos por Danny Cipriani, onde Kyle Eastmond e Elliot Daly completam o par de centros… isto sem contar com as estrelas que ainda não chegaram, como Le Roux ou Beale… por isso, mal esta equipa tenha esses dois inputs e se Dai Young conseguir criar a harmonia perfeita, os Wasps podem “varrer” toda a competição nacional e internacional. Contudo, e com alguma atenção, há a questão da avançada que apesar de ser comprometida e trabalhadora, não é a das mais criativas e intensas… especialmente, sem James Haskell, o asa inglês que tem vindo a “calar” muitos críticos, demonstrando um rugby de raça, energia, onde a placagem é uma honra. Será importante em Dezembro Haskell entrar a “matar”, assim como Beale, para dar um novo reforço de vitalidade e ideias à equipa das vespas de que precisarão para aguentar uma longa temporada. Os jogos grandes com o Toulouse serão, sem dúvida, uma luta acérrima por cada metro, pontapé, placagem, ensaio e ponto, com o favoritismo a cair para o lado dos ingleses, já que o seu rugby parece mais lúcido e completo do que os franceses, que têm feito um bom arranque de época. 1º lugar é o objectivo para voltar à carga pela European Champions Cup.

The sting for the Wasps! (Foto: David Rogers)
The sting for the Wasps! (Foto: David Rogers)

STADE TOULOUSAIN

Localização: Toulouse, França
Estádio: Stade Ernest-Wallon (20,000)
Palmarés: 4x campeões europeus; 19x campeão do Top14
2015/2016: 4º lugar do grupo;
Jogador a seguir: Gaël Fickou (Francês)
Contratação a seguir: Richie Gray (Escocês)
Treinador: Ugo Mola (Francês)
Previsão FairPlay: 2º lugar do grupo;

Os maiores campeões da European Champions Cup estão de regresso à boa forma. Após uma época algo decepcionante (5º lugar no Top14 e eliminados no playoff de acesso às meias), a equipa de Ugo Mola está de regresso às boas exibições. Neste início de temporada, e ao fim de 7 jornadas, o Stade Toulousain/Toulouse encontra-se em 5º lugar a 5 pontos do 1º, Clermont. Nas duas primeiras jornadas registaram 2 vitórias, para depois terem uma quebra de forma e, ao fim de 3 derrotas, lá voltaram às vitórias nas duas últimas semanas frente aos rivais do Stade Français e Brive. O rugby toulousiano tenta entrar dentro da linha do rugby francês, ou seja, o tal denominado rugby champagne, com uma ligação à qualidade técnica, à criação de lances de grande espectacularidade, em que a avançada assume o papel de “desmontar” a equipa adversária e os 3/4’s a quererem “brincar” aos pontapés e passes que deixam o público em delírio. Para ter isto, o Toulouse tem uma das linha atrasadas mais completas do rugby francês com os internacionais “gauleses” Sebastian Bézy a formação, Jean-Marc Doussain a 10, Gäel Fickou a 13, Yoann Huget à ponta no apoio a Maxime Médard que está a defesa. Pelo meio, aparece o inglês Tobias Flood, com alguma incerteza na hora de escolher o outro ponta, seja Alexis Palisson ou Semi Kunabuli. A grande contratação foi Richie Gray, o “gigante” escocês que saiu do Castres Olympique para ingressar na equipa de Mola, assim como Guitone. Entre 2015 e 2016, o plantel sofreu alguma “limpeza” com a saída de Louis Picamoles para Inglaterra, por exemplo, ou Corey Flynn para a Escócia… a grande perda – para além do nº8 Picamoles – foi a saída de Vincent Clerc para o Toulon, mas, para já, a linha de 3/4’s tem dado conta do recado. Em termos da European Champions Cup há muito trabalho pela frente, já que os Wasps vão ser um “osso” quase impossível de roer e o Connacht não poderá ser olhado como um simples outsider sem importância. Era bom para o Top14 que o Toulouse voltasse a pegar na “estaca” e impusesse respeito na Europa, já que são das equipas míticas do Continente Europeu… sem eles, parece que a Heyneken/European Champions Cup fica vazia e sem a mesma graça. Para contornar os Wasps (que será uma “batalha” entre 3/4’s), há que pedir um trabalho superior, mais rigoroso e bravo dos avançados do Stade Toulousain… se entrarem numa disputa territorial, sem velocidade ou ritmo, os ingleses vão aproveitar para criar espaços suficientes para irem direitos à vitória. Será uma luta ao estilo das Seis Nações e mal esperamos por vê-la.

Le Stade est moi! (Foto: L'Equipe)
Le Stade est moi! (Foto: L’Equipe)

ZEBRE RUGBY

Localização: Parma, Itália
Estádio: Stadio Sergio Lanfranchi (5,000)
Palmarés: 0x campeões europeus; 0x campeão da PRO12
2015/2016: Não Participou;
Jogador a seguir: Carlo Canna (Italiano)
Contratação a seguir: Joshua Furno (Italiano)
Treinador: Gianluca Guidi (Italiano)
Previsão FairPlay: 4º lugar do grupo;

Ao fim de de dois anos de espera, os italianos do Zebre estão de regresso à competição máxima da Europa. Este retorno à European Champions Cup será, mais uma vez, algo para “espevitar” as hostes italianas em acarinharem a o rugby como uma modalidade importante no contexto europeu e mundial. Todavia, o Zebre não conseguirá fazer qualquer ponto na competição, já que o desnível perante os restantes membros do grupo é avassaladora. Será tudo numa ideia de ganhar experiência, tirar alguns dividendos e tentar, em casa, criar alguma espécie de oposição forte e capaz de não sofrer muitos pontos. O Zebre Rugby ainda está a léguas dos seus restantes “colegas”, uma vez que o rugby italiano só entrou para as Seis Nações em 2000 e a partir de 2010 é que foram convidados para fazer parte da PRO12. Por isso, ainda teremos que esperar alguns anos até termos uma equipa italiana a forçar a sua presença na disputa pelos lugares na fase de grupos. A equipa guiada por Gianluca Guidi tem alguns nomes sonantes, a começar pela grande contratação da temporada: Joshua Furno. O asa italiano estava nos Newcastle Falcons, mas após duas temporadas, abandonou a equipa inglesa e agora ingressa no Zebre. Com ele, a equipa do nordeste italiano terá uma “arma” na 3ª linha, que possa desbloquear certos momentos de jogo assim como trazer uma boa voz na formação ordenada. Kurt Baker, atleta dos 7’s da Nova Zelândia, aceitou o desafio e sai do Hemisfério Sul para ingressar na sua primeira experiência na Europa. Dentro do plantel há o irrequieto e visionário, Carlo Canna, que tem sido uma das boas novidades da Itália nos últimos tempos. As linhas atrasadas têm algumas figuras de interesse “público”, a começar pelo três de trás que será completo com dois internacionais italianos: Mattia Bellini, Giovanbattista Venditti e Kayle van Zyl. Poderá ser por aqui que a equipa faça alguma mossa, sem criar grandes sustos aos seus adversários, uma vez que a formação ordenada não aguenta os 80 minutos e o alinhamento não é confiável… veremos até que ponto as saídas de Leonardo Sarto (Glasgow Warriors), Mils Mulaina (o veterano All Black rumou aos EUA), Mirco Bergamasco, Kelly Haimona, Jean Cook e Luke Burgess farão diferença no resultado final de cada jogo.

The Italian Zebra's (Foto: Zebre Twitter)
The Italian Zebra’s (Foto: Zebre Twitter)

pool2

POOL 3 – A CLASH NOT FOR THE FAINT OF HEART

O sorteio rodou, rodou e rodou…e na Pool 3 estão dois “gigantes” europeus, mais uns galeses prontos para distribuir “placagens” e uma surpresa da Aviva. Os campeões em título, Saracens, vão ter que disputar o 1º lugar com os “milionários” do RC Toulon que bem procuram igualar o feito do Toulouse, sabendo que têm os Dragões de Scarlett a “pairar” nos céus e os “tubarões” do Sale prontos para “mordiscar” a competição e sonharem com uma surpresa.

SARACENS FC

Localização: Londres, Inglaterra
Estádio: Allianz Park (10,000)
Palmarés: 1x campeões europeus; 3x campeão da Aviva Premiership
2015/2016: Campeão;
Jogador a seguir: Owen Farrell (Inglês)
Contratação a seguir: Schalk Burger (Sul-Africano)
Treinador: Mark McCall (Inglês)
Previsão FairPlay: 1º lugar do grupo;

The wolfpack will take the crown? Os campeões em título estão de regresso com um plantel altamente “rico” e apetrechado, para aquela que é, a par do Toulon (Top14), a equipa que mais tem dominado nos últimos 4 anos no contexto Europeu. Em 2016 confirmou-se que também tinham direito à glória europeia e parece que não há fome que sacie estes “lobos” de Londres. Mark McCall está com os Saracens desde 2010 e tem sido uma das peças-chave para o sucesso conquistado por uma formação polvilhada de talento inglês, e não só. Seja por terem Owen Farrell, um chutador de classe mundial que faz lembrar Johny Wilkinson e que não se escusa a placar, terem um defesa de enorme categoria e “coração”, Alex Goode, a terem o melhor nº8 (a par de Kieran Read e David Pocock) do Mundo, Billy Vunipola. O talento internacional também existe já que conseguiram ir buscar o poderoso asa da África do Sul (e uma das lendas dos Springboks) Schalk Burger, que dará outra versatilidade e força à 3ª linha dos “lobos”. Para além disso, imaginem esta primeira linha: Vincent Koch (saída surpreendente dos Stormers), Jamie George (o talonador tem uma qualidade mãos e pés ao nível de Danes Coles) e Mako Vunipola. Se estes três entrarem em total harmonia, vai ser muito difícil quebrá-los no primeiro impacto na formação ordenada… já que nos segundos seguintes, há Maro Itoje (o jogador-sensação da Europa em 2016) e George Kruis (com Jamie Hamilton na sua “sombra”). Por isso, o pack avançado é altamente intenso, forte e capaz de criar problemas a equipas que se apresentem pouco motivadas para entrar numa autêntica “guerra” no chão e no contacto. A linha de 3/4’s é formidável, mesmo com a suspensão de 10 semanas de Chris Ashton (voltou a ter uma reacção e acto ilegais), uma vez que têm Sean Maitland e Chrys Wyles para responder à ausência. É uma equipa que gosta de dominar, de ter bola e de fazer um jogo dinâmico, sem entrar em picos altos de jogo… muito ao estilo de uma África do Sul do ano 2007. Jogam com cautela, mas sempre com um “olho aberto” para o risco, algo que Goode, Wyles, Ashton, Maitland, Taylor bem gostam de fazer. Será uma luta titânica com o Toulon, mas o favoritismo tem de estar do lado dos ingleses… são campeões europeus, têm um plantel recheado e pronto para qualquer problema e há uma vontade em continuar a dominar o contexto europeu.

The Saracen Menace (Foto: David Rogers)
The Saracen Menace (Foto: David Rogers)

RC TOULON

Localização: Toulon, França
Estádio: Stade Mayol (15,000)
Palmarés: 3x campeões europeus; 4x campeão do TOP14
2015/2016: Quartos-de-final;
Jogador a seguir: Ma’a Nonu (Neozelandês)
Contratação a seguir: François Trinh-Duc (Francês)
Treinador: Diego Domínguez (Italo-Argentino)
Previsão FairPlay: 2º lugar do grupo;

Os “milionários” não estão num momento feliz… não é em termos desportivos, já que estão em 3º lugar a 3 do 1º lugar, com um rugby até bem interessante e mexido. O problema é o presidente Mourad Boudjellal que parece estar “cansado” das críticas que é alvo todas as semanas… muito por culpa sua, já que tem tido algumas opiniões e ideias pouco fundamentadas, ou alimentadas por ameaças suas a quem não seguir o que ele pensa. Em termos do European Champions Cup, o Toulon vai bater-se pelo 1º lugar com os “rivais” do Saracens, numa luta que terá de ser bem delineada, já que o ano passado o Toulon via-se na frente em alguns jogos e depois, quase do nada, dava um passo em falso e perdia jogos que estavam ao seu alcance. Já foi uma equipa mais “animada” e que tinha claramente uma fome em dominar todos os jogos, com um rugby sempre muito característico e diferente do típico rugby francês. É o “Real Madrid” do rugby moderno, com uma constelação de estrelas que deram títulos e honras, mas agora parecem estar sob alvo de críticas do seu presidente… entre elas está Ma’a Nonu, um dos bicampeões mundiais pela Nova Zelândia e que tem estado intermitente no RC Toulon; Duane Vermeulen que quando chegou a Toulon era um 8 rápido, com boa capacidade de aceleração e de conquista de metros, acabou por ficar mais pesado e cair numa forma pouco agradável para um jogador internacional. Estas são duas das várias estrelas residentes em Toulon, sendo que para esta temporada foram buscar um novo abertura (Quade Cooper saiu sem ter tido um bom jogo pelos franceses), o internacional francês François Trinh-Duc. O médio de abertura vai ser fundamental para meter a equipa em outra rotação, com um pontapé sempre estratégico, uma capacidade de ser mais um a defender na linha (não foge à placagem ou a luta no contacto) e de ser um dos jogadores com melhor visão de jogo no Top14. Se conseguirem meter Leigh Halfpenny ao nível que estava antes da lesão, terão uma três-de-trás de grande categoria (completada com Josua Tuisova e Bryan Habana que estará de regresso a partir da próxima semana, assim como Drew Mitchell ou James O’Connor que estão lesionados). O que esperar do Toulon de 2016/2017? Melhor que o de 2016. Houve redefinições em termos do plantel, os reforços que chegaram serão importantes e decisivos (seja Clerc ou Goromaru por exemplo) e a “limpeza” foi importante para dar outra mentalidade à equipa. Se chega para serem campeões? Depende dos dois jogos frente aos Saracens.

Can Nonu reign supreme? (Foto: The Guardian)
Can Nonu reign supreme? (Foto: The Guardian)

SALE SHARKS

Localização: Barton-upon-Irwell, Inglaterra
Estádio: AJ Bell Stadium (12,000)
Palmarés: 0x campeões europeus; 1x campeão da Aviva Premiership
2015/2016: Não Participou;
Jogador a seguir: Mike Phillips (Galês)
Contratação a seguir: AJ MacGintyc (Norte-americano)
Treinador: Steve Diamond (Inglês)
Previsão FairPlay: 3º lugar do grupo;

The Sharks are looking for fresh hunt… a equipa de Steve Diamond quer ser uma surpresa na Pool 3 da European Champions Cup. Mas terão capacidade para tal? A equipa dos tubarões realizou uma excelente temporada na época anterior, com um 6º lugar que lhes valeu o apuramento para a maior competição de clubes da Europa. Todavia, esses bons resultados significaram algumas saídas de jogadores que tinham sido fundamentais: Danny Cipriani (Wasps), Tom Brady (Leicester Tigers), Tommy Taylor (Wasps) e Nick McLeod (Newport Gwent Dragons). Cipriani foi, com certeza, a saída mais fracturante para o plantel e forma de jogar, mas a direcção dos Sale Sharks soube responder a esta saída com a contratação de AJ MacGinty, que trará um médio-de-abertura similar a Cipriani, com capacidade de decidir jogos. Não é uma equipa de estrelas, é uma equipa de colectivo de somar alguns jogadores de grande calibre com novas revelações, o que potencia um rugby mais “jovem” com os toques da experiência. Com Mike Phillips a 9, a equipa terá sempre uma rotação inesgotante o que obriga aos avançados quererem trabalhar, correr e apoiar o portador da bola seja em 5 ou 30 metros. Assente nessa ideia, a equipa dos Sale Sharks recebeu dois novos pilares, Laurence Pearce e Kieran Longbottom, que trarão experiência e capacidade de trabalhar bem nas formações ordenadas. Os Sale gostam muito de trabalhar o jogo curto e depois lançar pontapés bem colocados nas laterais, para tentar ganhar algum ascendente sobre os seus adversários. Para além disso, a equipa gosta de procurar capacidade de “comer” território, de encontrar através dos alinhamentos soluções para ganhar pontos importantes nesta presente época. O arranque de época não foi famoso, com 2 vitórias, 1 empate e 2 derrotas (117 pontos marcados para 119 sofridos), mas é algo que se espera de um clube que poucas condições tem de ir ao título. Este regresso à Champions Cup (falharam a temporada passada) vai ser importante para dar força mental aos seus jogadores em quererem algo mais… um descuido e podem cair para último do Pool e terem uma resposta negativa na liga.

A bite from a real Shark (Foto: Sharks FB)
A bite from a real Shark (Foto: Sharks FB)

SCARLETS

Localização: Llaneli, País de Gales
Estádio: Parc y Scarlet (15,000)
Palmarés: 0x campeões europeus; 1x campeão da PRO12/Celtic League
2015/2016: 4º lugar no grupo;
Jogador a seguir: Liam Williams (Galês)
Contratação a seguir: Jonathan Davies (Galês)
Treinador: Wayne Pivac (Neozelandês)
Previsão FairPlay: 4º lugar do grupo;

E nos céus, paira o Dragão de Llaneli! Ao jeito do País de Gales, a equipa de Llaneli tem como símbolo o dragão, um símbolo muito ligado a estas paragens do Reino Unido. Infelizmente, os Scarlets parecem estar a atravessar uma fase da sua existência complicada, com um arranque terrível na PRO12 (só 8 pontos conquistados em 5 jornadas, a 13 do 1º lugar), os Scarlets ainda estão a definir o seu XV base para atacar da melhor forma possível a sua temporada. Houve várias chegadas desde o fantástico centro Jonathan Davies (um jogador que é a emulação do espírito galês de luta, raça e qualidade técnica), à surpreendente vinda do antigo Crusader Johny McNicholl (deverá só chegar em Novembro, altura que expira o seu contrato com a NZRU), ao portentoso Wayne Kruger (saída dos Blue Bulls poderá catapultar Kruger para outro nível) e ao “mago” Rhys Patchell, para além de mais algumas “afinações”. Porém, ao contrário do que se pensava, estas contratações ainda não deram o tónico necessário para mudar os destinos da equipa galesa que anda muito longe dos lugares de decisão da PRO12 (a última vez que passaram a fase regular, foi em 2012/2013 quando atingiram as meias-finais). O problema está na forma lenta e algo desorganizada que os avançados dos Scarlets têm operado e,também, a fraca postura ofensiva dos 3/4’s… felizmente, contra o Connacht (que também não está “famoso” em termos de arranque) conseguiu fazer um jogo completo, equilibrado, em que Liam Williams decidiu desbloquear ao fazer dois ensaios. A partir de meados de Outubro já terão 90% da equipa a jogar, com DTH Van der Merwe a ter regressado no último fim-de-semana (marcou um ensaio), para além de mais uns quantos, que poderão fazer a diferença. Wayne Pivac terá uma época dura pela frente e a European Champions Cup será um teste muito complicado para os seus dragões, que precisarão de “inventar” formas de atacar a linha, para garantir território e bola… seria interessante termos uma equipa galesa em forma, porém duvidamos que seja – ainda – a época dos Scarlets. Para ganhar pontos aos Saracens ou Toulon teriam de fazer o jogo perfeito, imaculado e em que o domínio de bola fosse totalmente garantido, sem perder o “fio à meada” na defesa e sem erros em termos de aproveitamento de lances no ataque. Será uma missão muito difícil, mas na European Champions Cup pode dar-se uma surpresa.

Never play with the Dragons (Foto: PRO12)
Never play with the Dragons (Foto: PRO12)

pool3A parte II fica reservada para a Pool 4 e 5 e uma conclusão final.


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