Arquivo de Driussi - Fair Play

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Diogo AlvesDezembro 16, 20164min0

Na Argentina já há quem ache que Sebastián Driussi será o próximo grande êxito do futebol ‘albiceleste’ e mais um talento formado nas escolas do River Plate, que pode atravessar o Atlântico, e ser uma estrela no futebol europeu. Conheça melhor o perfil de Sebastián Driussi que actua no River Plate, através do ‘FP Scouting’, rubrica desenvolvida em colaboração com a Talent Spy.

Sebastián Driussi faz parte de um lote gigante de jogadores que se estreiam na Primeira Divisão da Argentina ainda em idade menor. No caso de Driussi foi com 17 anos, não batendo assim o recorde de Aguero que com 15 anos estreou-se pelo Independiente. Com a chegada de Marcelo Gallardo ao River Plate, a aposta na formação foi notória e Driussi é um de muitos que Gallardo subiu à equipa A do River Plate.

Apesar da idade ainda muito jovem, apenas 20 anos, Driussi já esteve em duas finais de competições continentais, a Taça Sul-Americana, em 2014, e a final da Copa dos Libertadores, em 2015. A juntar a estas duas finais continentais, ainda conta no seu curto currículo uma final de Mundial de Clubes, em 2015 contra o Barcelona e por duas ocasiões foi vencedor da Copa Sul-Americana de Sub-20 (prova de selecções). Portanto, um jogador que nasceu dentro do futebol sénior a jogar grandes finais e a vencer títulos de muita importância no continente sul-americano.

A sua carreira no River Plate tem sido numa trajectória ascendente desde que se estreou em 2013. Gallardo foi dando as oportunidades necessárias para que o jovem Driussi ganha-se experiência e ‘calo’ entre os maiores. Pouco a pouco foi ganhando o seu espaço dentro do plantel, revelando-se sempre como um jogador muito útil a partir do banco.

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Esta temporada, 2016/17, finalmente Driussi agarrou o seu lugar na equipa e tem sido titular quase sempre. Já apontou 9 golos na presente temporada, a sua melhor marca desde que se fixou no plantel principal, além de ser o melhor marcador do River, está também entre os melhores marcadores da Primeira Divisão.

Jogador com características mais de segundo avançado, ou até médio-ofensivo, e menos de um ponta de lança “clássico”. Joga bem de costas para a baliza e gosta de partir de uma posição mais recuada (espaço entre sectores do adversário) para em condução de bola driblar sobre os adversários e romper em velocidade e drible pela área a dentro. Portador de um remate potente, aproveita muito bem as “segundas-bolas” que são despejadas para a entrada da área para dar uso ao remate potente que possui.

Driussi terá ainda assim de refinar melhor o seu remate exterior e o jogo aéreo. Sobretudo o jogo aéreo que é onde evidencia mais dificuldades, tendo em conta a sua posição no terreno terá de ser mais eficaz nesse aspecto. Os duelos físicos também ainda são um handicap para o jogador de apenas 20 anos.

BOA OPÇÃO PARA…

Sporting CP – Driussi poderia ser o apoio que falta a Bas Dost na frente de ataque, iria dar mais doses de criatividade e transporte de bola no último terço do campo. Olhando para as dificuldades que tem tido Jorge Jesus em encontrar um “segundo-avançado” esta época, Driussi poderia ser o seu “mini-Saviola” que teve no Benfica em 2009/10. Com Jorge Jesus, Driussi ganharia imenso conhecimento táctico sobre a posição e sobre o jogo. Seria um bom clube para entrar na Europa.

Sevilla; Valência – Tendo em conta aposta mais sul-americana do Sevilla para o seu plantel, Driussi seria uma boa aquisição para somar mais opções de qualidade para a frente de ataque do Sevilla. A sua mobilidade e qualidade técnica seriam uma mais-valia às ordens de Sampaoli. No Valência colocaria em causa a titularidade de Rodrigo que não tem feito uma boa época e traria mais qualidade ao plantel de Prandelli que tem escassez de homens para a posição 9.

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Diogo AlvesDezembro 3, 20165min0

Marcelo Gallardo está há cerca de dois anos e meio como treinador principal do River Plate, e as conquistas continentais têm sido a sua grande obra ao serviço dos “Millionarios” de Buenos Aires. Uma Copa Sul-Americana, uma Libertadores e duas Recopas Sul-Americana. Já jogou sete finais e apenas perdeu duas, esta semana garantiu a oitava. A da final da Copa da Argentina.

Marcelo Gallardo chegou em 2014 ao River Plate, numa altura em que o clube já se tinha levantado após a descida de divisão em 2011 para a Divisão B (II Liga) da Argentina. Ramón Díaz era o treinador e o River acabava de vencer o Torneio Clausura. Ramón Díaz após a conquista do título abandonou o River e decidiu aventurar-se ao serviço da selecção do Paraguai.

Roberto D’Onofrio – carismático presidente do River Plate – decidiu então chamar por um dos meninos queridos dos hinchas do River, Marcelo Gallardo. Os adeptos ficaram apreensivos e gerou-se a dúvida e a incerteza quanto à qualidade de Muñeco Gallardo como treinador principal. Que ele foi um óptimo jogador ninguém duvidava, mas como treinador era uma incógnita. Apenas tinha tido uma experiência como treinador no Nacional de Montevideo.

Foto: AFP
Foto: AFP

Gallardo chegou e pegou numa equipa campeã e recheada de talentos individuais, mas era preciso agora transformar as individualidades num colectivo forte, coeso e capaz de continuar a vencer pelo River Plate. O 4-4-2 foi o sistema escolhido, ora com mais gente por dentro, em losango, ora mais clássico com dois homens sobre as faixas para dar largura ao seu jogo. Uma equipa forte em ataque rápido e a pressionar forte sobre o adversário. Nunca mostraram ser uma equipa com um futebol muito elaborado, mas eficaz.

As dúvidas e incertezas dos adeptos aos poucos foram dissipando-se sobre Gallardo, e nem o adepto mais optimista poderia imaginar o que Gallardo iria conseguir fazer em dois anos e meio. Apesar de ainda não ter vencido o campeonato, o River Plate com Gallardo já disputou sete finais, venceu cinco e perdeu apenas duas. Saldo positivo para Muñeco Gallardo.

Mais positivo fica quando falamos em finais continentais e as consegue vencer. Assim foi em 2014 – ano de chegada ao clube – quando conseguiu vencer a Copa Sul-Americana num trajecto imaculado que culminou com a vitória sobre o Atlético Nacional. 1-1 em Medellín e 2-0 em Buenos Aires. Foi inclusive a primeira vez que o River venceu tal competição.

Se o final do ano de 2014 tinha sido positivo, o verão de 2015 guardava o título maior do continente Sul-Americano: a Libertadores. Uma fase de grupos muito inconstante – e aqui estão os sinais da irregularidade do River – mas uma fase a eliminar muito boa – é a praia de Gallardo. O Tigres do México foi o rival na final e acabou goleado no Monumental de Nuñez por 3-0 no segundo jogo. Gallardo mostrava mestria nos jogos a eliminar, um estratega neste tipo de eliminatória.

Foto: Taringa.net
Foto: Taringa.net

Já a nível interno o desempenho não tem sido assim tão bom ao longo destes dois anos e meio, se na primeira época de Gallardo o título foi possível tendo terminado a época em 2º lugar a apenas dois pontos do campeão Racing, de lá para cá nunca mais foi exequível ver o River nas grandes decisões da Primera Divisón.

Gallardo não tem conseguido mostrar-se um estratega nas provas longas como o campeonato argentino que tem ao todo trinta jornadas e para ser campeão é preciso manter um bom nível de regularidade. E cada vez mais as grandes equipas da Argentina mostram uma boa evolução do seu jogar, o que torna o campeonato muito mais atractivo e difícil ao mesmo tempo. Se tivesse de apontar o grande defeito a Gallardo seria este, a falta de regularidade no campeonato.

Ainda assim esta época parece estar a ser a mais constante dos últimos tempos e apesar do 6º lugar, a diferença para o Estudiantes é de apenas seis pontos. Seis pontos hoje em dia na Primera Divisón não é nada dado o bom nível competitivo que a Primera Divisón tem mostrado esta época com muitas equipas próximas do líder Estudiantes. E a recente passagem à final da Copa da Argentina pode dar à equipa um ânimo extra para afrontar os desafios que terá pela frente nos próximos tempos.

Cabe agora a Gallardo conseguir manter a regularidade na sua equipa, uma equipa jovem e recheada de bons talentos como Driussi ou “Pity” Martínez. Mas que conta também com a experiência de D’Alessandro, Ponzio e Maidana. Uma mescla de juventude e experiência que Gallardo trouxe ao River e que lhes dá doses de criatividade, irreverência mas também maturidade. Assim como Gallardo que ainda é um jovem treinador de apenas 40 anos, tanto esta equipa como o seu treinador podem conseguir feitos históricos para o River, e quem sabe, se nos próximos anos não teremos Marcelo Gallardo de volta à Europa para mostrar o seu trabalho, mas agora como treinador principal.


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