Arquivo de Donnarumma - Fair Play

FotorCreated.jpg?fit=1024%2C576&ssl=1
Pedro NunesMaio 4, 201712min0

Têm 18 aninhos (ou até menos) mas para eles não é a idade que define o posto. Estes meninos saltaram a fase de serem considerados jovens promessas e já são opções regulares nas suas equipas. Montamos um onze com jogadores deste perfil, que poderão ser as grandes estrelas do mundo do futebol nos próximos tempos.

Nota: para este artigo filtramos apenas jogadores que nasceram depois de 1998 (inclusive) e que já sejam presenças habituais nas suas formações.

Gianluigi Donnarumma (AC Milan | Itália | 25-02-1999 | 18 anos)

Buffon pode ter um final de carreira mais descansado. A passagem do testemunho está a ser feita aos poucos e a sucessão devidamente acautelada. De Gianluigi para Gianluigi, a comparação é óbvia, obrigatória e fácil de fazer. São já várias as vozes que assumem que a seleção italiana tem um homem destinado à sua baliza para mais 20 anos. Donnarumma é feito de tudo o que um guarda-redes de alto nível deve ter. Com cento e noventa e seis centímetros e uma agilidade pouco comum, multiplica-se em defesas de encher o olho, muitas delas completamente decisivas e que já salvaram muitos pontos ao clube.

Para além disto, revela uma capacidade de comando de área “especial” para a idade. Com 15 anos, Inzaghi deu-lhe a oportunidade de se sentar no banco de suplentes contra o Cesena. A estreia deu-se pouco depois, quando um Diego Lopez em baixa forma deu lugar ao menino. Naquela que é, muito provavelmente, uma das piores fases da sua história, este ano zero da formação transalpina pode ser o indicador do que aí vem. A reconstrução começará pela baliza, onde o keeper já pegou de estaca.

Felix Passlack (Borussia Dortmund | Alemanha | 29-05-1998 | 18 anos)

O nome deste versátil alemão surge sempre lado a lado com o de Pulisic, visto que ambos despontaram aproximadamente na mesma altura, aparecendo na equipa principal do Dortmund. No entanto, há algumas diferenças entre ambos que devemos vincar. Enquanto Pulisic é um criativo, Passlack é mais “pau para toda a obra”. Apesar de ter feito a formação como médio ofensivo, não são raras as vezes que o vemos a actuar nas laterais, à esquerda ou à direita. Isto deve-se à excelente capacidade do jovem perceber o jogo, fazendo esquecer a tenra idade.

A estes atributos, adiciona ainda uma capacidade de tackle muito aprimorada e sabe usar muito bem o físico para ganhar duelos individuais. A questão de ter jogado em zonas mais adiantadas do terreno durante a formação faz também com que consiga emprestar à equipa uma capacidade de passe de excelente nível, seja qual for a posição em que jogue. Passlack é, por isso, um dos jogadores mais completos dos “Golden Boys” de Dortmund.

Dayot Upamecano (RB Leipzig | França | 27-10-1998 | 18 anos)

Dayotchanculle Upamecano é, de longe, o nome mais hipster desta lista. Mas não é só isso que faz deste central um jogador diferente. Com apenas 18 anos, contempla um físico de respeito e já se revela um central muito completo, capaz de ser influente em ambas as áreas. Este produto da escola dos clubes da Red Bull já passou por várias etapas na formação dos vários emblemas da empresa. Há poucos sítios melhores para um jovem evoluir neste momento. Os holofotes começaram a apontar para este central quando o RB Salzburgo deu 4 milhões de euros ao Valenciennes pelos seus serviços — valores nada comuns quer para a posição, quer para a idade. Na altura tinha ainda 16 anos.

Antes de ser opção regular para Hasenhüttl em Leipzig, passou pela “filial” em Salzburgo e ainda pelo Liefering, da segunda divisão austríaca, clube que também faz parte da companhia de bebidas energéticas. Pelo meio, foi também campeão Europeu sub-17 juntamente com Mbappé. Numa eventual parelha com Sarr, Upamecano vem para garantir que a ‘zaga’ francesa está aí para durar.

Malang Sarr (Nice | França | 23-01-1999 | 18 anos)

Numa nação que parece não conseguir parar de produzir talento, Malang Sarr é outro dos nomes a seguir com atenção. Só nesta lista cujos perfis são bastante restritos, a França consegue apresentar uma dupla de centrais que pode ser a titular da seleção dentro de 10 anos. Com poucas jornadas por jogar na liga francesa, o Nice continua a ser uma das surpresas da época. E isso tem algumas justificações que saltam à vista. Uma delas é ser uma das melhores defesas da liga.

Lucien Favre pegou na equipa e não torceu o nariz a dar a titularidade a um rapaz de 17 anos, atirando-o às feras. Neste momento, Sarr é um dos jogadores com mais minutos na liga e continua a ser uma das bases da equipa. Dominador no jogo aéreo e, ao mesmo tempo, muito rápido, é um bom protótipo daquilo que se pede a um central do futuro. A falta de experiência não tem sido um problema, pois é um dos factores que este adolescente consegue fazer passar despercebido. A aposta do clube na sua formação é conhecida e os frutos do trabalho desenvolvido começam a ser notados.

Ryan Sessegnon (Fulham | Inglaterra | 18-05-2000 | 16 anos)

Da lista, é talvez o menos conhecido e também o mais novo. O único que nasceu já depois de virar o milénio. Essa questão não o impede de ser titular e cada vez mais influente no Fulham, da segunda divisão inglesa. Ainda adolescente, está no clube desde os 9 anos e estreou-se aos 16 anos e 81 dias. Uma marca absurda. Embora jogue a defesa esquerdo, já fez vários golos com a camisola dos The Whites, fruto da excelente capacidade de chegar à área para finalizar. São 5 golos, 3 assistências e várias nomeações como o melhor em campo.

O grande companheiro de Sessegnon nesta aventura tem sido Scott Parker. O experiente médio tem ajudado o menino a adaptar-se às novas lides, à fama e a manter os pés na terra. Com esta idade e estas capacidades, obviamente já começa a entrar nas cogitações dos grandes europeus. Um caso sério a acompanhar.

Foto: The Sun

Manuel Locatelli (AC Milan | Itália | 8-01-1998 | 19 anos)

A base de uma grande equipa que se quer ganhadora é a chamada ‘prata da casa’. É denominador comum praticamente para todas elas. Normalmente, os jogadores que cresceram e fizeram a formação num clube são os que têm mais entrega quando é tempo de o representar profissionalmente. A revolução rossoneri assenta em devolver ao clube os jovens que foram lá formados e posicioná-los de maneira a que possam ser opções regulares. A par de Donnarumma, Manuel Locatelli é o outro grande talento saído das camadas jovens do gigante adormecido AC Milan. A carreira ainda curta já tem algumas histórias para contar. A mais bonita delas no golo que deu a vitória ao Milan sobre a Juventus – a primeira desde 2012.

O médio foi entrando na equipa para fazer frente às sucessivas lesões que iam aparecendo nas opções do plantel principal para aquela posição. Substituindo Montolivo, tem um papel muito similar de Busquets em Barcelona, colocando-se à frente da linha defensiva e fazendo girar o jogo da equipa para os todos os lados. Usa a capacidade de posicionamento como grande aliado para a sua postura em campo. Para além disso, conta com uma excelente capacidade chegada à área para fazer golos. Com Locatelli, a posição de regista não será dor de cabeça para quem treinar a equipa do AC Milan nos próximos anos.

Christian Pulisic (Dortmund | EUA | 18-09-1998| 18 anos)

Do país do soccer, chega-nos a mais recente coqueluche e grande esperança do país para os próximos tempos – onde lhe colocaram o rótulo de ‘American Messi’. A ascenção deste jovem foi rapidíssima. Tornou-se no estrangeiro mais novo de sempre a marcar na Bundesliga e um mês depois registou a marca de mais jovem a marcar com a seleção dos yanks. As prestações ao serviço das seleções jovens americanas fizeram soar o alarme na prospeção do Dortmund.

Antes disso teve ainda o seu bocadinho de globetrotter — fez testes no Porto, Chelsea, Barcelona e PSV Eindhoven — mas o físico não deixou que a sua carreira prosseguisse nesses clubes. Solucionadas algumas questões relacionadas com a nacionalidade do jogador, está num dos clubes mundiais com melhor ambiente para ajudar à sua progressão. É opção regular de Thomas Tuchel e a história deste menino melhora de dia para dia a olhos vistos.

Tom Davies (Everton | Inglaterra| 30-06-1998 | 18 anos)

Meias para baixo, cabelo loiro sem grandes manias e calções por cima do joelho. Tudo é nostalgia em Tom Davies. O último talento das escolinhas de Finch Farm estreou-se com Roberto Martinez, foi opção válida para David Unsworth e cimentou o seu lugar com Ronald Koeman.

O jogo da consagração foi contra o City, em que o Everton venceu por 4-0, no qual culminou a partida com a sua estreia a marcar. E que golo. Com De Bruyne e David Silva pela frente, o ‘puto’ não se sentiu, de todo, amedrontado e fez uma exibição de encher o olho. Isto apesar de ser apenas a sua segunda partida a titular na Premier League. Volvidos alguns meses, é seguro admitir que estamos perante um dos pilares da equipa de Ronald Koeman. Com todos estes argumentos, o Everton apressou-se a renovar-lhe o seu contrato por 5 anos. O futuro do miolo da equipa de Liverpool passará por aqui.

Foto: Goal

Kai Havertz (Bayer Leverkusen | Alemanha | 11-06-1999 | 17 anos)

Num Leverkusen a tentar encontrar-se a si próprio, Havertz tem sido uma das boas notícias da equipa. O estilo de jogo deste playmaker é o que mais impressiona. A calma com que joga com os mais velhos, procurando sempre ser racional e tomar a melhor decisão possível, augura-lhe um futuro risonho. Nos farmacêuticos, tem vindo a fazer história. Foi o mais novo de sempre a vestir a camisola do Leverkusen na Bundesliga e foi também o mais novo de sempre a marcar pelo clube.

Numas vezes a sair do banco, noutras a titular, a verdade é que o jovem de 17 anos vai ganhando o seu espaço. E até a seleção alemã também começa a ver nele uma das grandes apostas dos próximos anos. É o próprio capitão do Leverkusen, Lars Bender, que se desfaz em elogios ao companheiro de equipa, admitindo que nunca viu ninguém tão completo nesta fase tão embrionária da carreira e que ficou espantando com a maturidade do miúdo ao chegar a um balneário com jogadores profissionais há quase tantos anos como ele tem de vida. Com serenidade e simplicidade – na vida e em campo – o futuro será risonho para este jovem alemão. Ballack e Özil têm aqui um possível sucessor.

Justin Kluivert (Ajax | Holanda | 05-05-1999 | 17 anos)

Kluivert é um apelido já com bastante história no futebol holandês e mundial. A herança é pesada e isso, desde logo, é um desafio ainda maior para aquilo que o Kluivert mais novo poderá vir a ser no futebol. Para já, não se tem notado nem um bocadinho dessa pressão de ter um pai como lenda. Este driblador nato tem vindo a confirmar o seu potencial jornada após jornada e é cada vez mais figura de proa neste Ajax.

O clube de Amesterdão é, como se sabe, uma excelente incubadora para estes jovens talentos em bruto e Justin Kluivert é mais um para lapidar. O estilo de jogo equipara-se a Neymar num contexto mais europeu, com menos técnica e mais ordem tática. Pelas alas, já se estreou a marcar pela equipa — curiosamente no Dia do Pai — e tem sido utilizado a titular, somando minutos numa formação que ainda luta para chegar à final da Liga Europa deste ano.

Kylian Mbappé Lottin (Mónaco | França | 20-12-1998 | 18 anos)

Nasceu em 1998, ano em que Buffon jogava o Mundial de França. Hoje estarão frente-a-frente numa meia final da Champions. Kylian Mbappé Lottin tem deixado a Europa rendida aos seus feitos e à sua maturidade. Os números dizem-nos que, comparativamente a Messi e Ronaldo aos 18 anos, o francês é melhor que ambos. Foi o mais novo jogador de sempre a chegar aos 15 golos na liga. Uma capacidade goleadora astronómica.

Tem marcado em quase todos os jogos com uma consistência inacreditável para um rapaz desta idade. Fez golos nos quartos da Liga dos Campeões, em Dortmund, e é uma das peças fundamentais do Mónaco de Jardim, que vai deixando a Europa de queixo caído. Um bom menino, com a cabeça no lugar. Alia uma capacidade física e técnica a uma humildade significativa para a idade e para a forma como lhe está a correr a carreira. O grande ídolo é Ronaldo e a possibilidade de o enfrentar pela primeira vez na final da Champions está em cima da mesa. A ver vamos.

O presente artigo foi realizado no âmbito da parceria que o Fair Play estabeleceu com o Sapo24 e a sua publicação original pode ser consultada aqui.

FBL-ITA-CUP-MILAN-PRESSER.jpg?fit=1024%2C612&ssl=1
Ricardo LestreAbril 20, 20177min0

13 de Abril de 2017 é uma data que ficará para sempre na história do Associazone Calcio Milan. Silvio Berlusconi e Adriano Galliani, a dupla maravilha, estará para sempre cravada nos tempos de ouro do clube, mas, como em tudo na vida, existe um fim. Depois de dois longos anos de negociações, os impasses entre a Sino-Europe Sports, consórcio chinês que pretendia adquirir o clube, e a Fininvest, empresa fundada e liderada pelo próprio presidente terminaram e ficou estabelecido um acordo final de 740 milhões para a aquisição do gigante de Milão. Pelo meio de toda esta situação, surge Vincenzo Montella que dentro de campo foi afastando os maus olhados do exterior conquistando o possível e o impossível para aquela que se tornou, de facto, a triste realidade rossoneri.

De Allegri a… Mihajlović

Desde 2014, ano do despedimento de Massimiliano Allegri, curiosamente o último técnico que se sagrou campeão ao serviço do clube, o AC Milan embarcou num declínio gigantesco desportivo e, consequentemente, económico. A verdade é que Allegri caminhava para a segunda temporada consecutiva sem alcançar resultados palpáveis e o momento algo crítico que a equipa atravessava não parecia ter solução. O grande problema, no entanto, prendeu-se com a terrível gestão do plantel e com a escolha dos seus sucessores.

Jogadores de maior calibre começaram, pontualmente, a rumar a outras paragens – muitos deles por valores pouco significativos –  e, face aos poucos recursos disponíveis, as apostas da direcção recaíram em dois nomes bem conhecidos como Clarence Seedorf e Pippo Inzaghi. Pelos demais motivos, ambas as experiências não obtiveram os resultados desportivos desejados e a crise interna do AC Milan foi, oficialmente, anunciada. Em 2013/2014, os rossoneri terminaram em 8º lugar e, na temporada seguinte, em 10º.

AC Milan versão 2016/2017 Vs. AC Milan versão 2013/2014

Não existe comparação possível, pelo menos em termos qualitativos, entre os plantéis acima destacados. Hoje, na matéria prima que Vincenzo Montella tem ao seu dispor, existem várias peças de enorme potencial cujo valor de mercado disparou de forma acentuada. Contudo, isso deve-se, em grande parte, a Siniša Mihajlović. Se o AC Milan hoje mantém uma identidade própria, é porque o técnico sérvio assumiu, na época anterior, um papel de grande relevância no seu processo de reconstrução. Para além da aposta frutífera em Gigi Donnarumma, Mihajlović retirou o melhor, desportivamente falando, de elementos como Giacomo Bonaventura, M’baye Niang, Alessio Romagnoli ou até Juraj Kucka, adaptando as qualidades de cada um às suas maiores necessidades.

A equipa foi, aos poucos, demonstrando fases de maior fulgor exibicional, assim como outras menos positivas e conseguiu, à sua maneira, incomodar os seus rivais directos por muito que se denotasse uma diferença desportiva e económica abismal. Resultados atingidos, esses, longe de demonstrarem a verdadeira dimensão do clube. A relação entre Mihajlović e a direcção conheceu o seu ponto final a 11 de Abril de 2016, com o interino Christian Brocchi a assumir as rédeas nas poucas jornadas de sobra do campeonato. Na verdade, essa relação foi conhecendo alguns sobressaltos ao longo do tempo embora a justificação dada se prendesse com a sequência de maus resultados. Miha foi, ao contrário do que possa parecer, fundamental, em várias vertentes, para o AC Milan dos dias de hoje.

Foto: ESPN

O indesejado Vincenzo Montella

Curioso verificar que após as experiências falhadas com homens da casa como Seedorf e Inzaghi, o corpo directivo virou as suas atenções para dois técnicos com passados gloriosos em clubes rivais dos rossoneri como o Internazionale e a AS Roma. Montella, tal como Mihajlović numa primeira instância, não recebeu apoio da massa adepta. A impugnação logo se fez sentir e mais uma vez a divisão entre a direção e os adeptos entrava em decadência.

O ex-técnico da Sampdoria, clube onde não teve vida facilitada até ver assegurada a permanência na Serie A, foi aos poucos ganhando a confiança dos mais críticos depois de um arranque de temporada razoável. Por outro lado, viu apenas algumas posições da sua equipa serem cirurgicamente reforçadas com as aquisições de Matias Fernández, Mario Pasalic, José Sosa, Gustavo Gómez e Gianluca Lapadula. Retirando da lista Matias e Pasalic, ambos sob o título de empréstimo, o AC Milan despendeu cerca de 25 milhões de euros em três jogadores.

Fonte: transfermarkt

Obviamente que para um adepto do AC Milan a lista acabou por não deslumbrar, mas já em épocas anteriores o cenário havia-se repetido. Dinheiro investido em quantidades astronómicas em poucos jogadores – em alguns casos só mesmo num – precisamente quando o clube vivia tremendas dificuldades financeiras. O certo é que Montella, mesmo tendo-se apercebido bem cedo das maiores debilidades do seu plantel, suprimiu-as de forma exemplar. E isto deve-se, sobretudo, à identidade que devolveu à equipa. É notória a coesão do balneário. Os jogadores jovens têm-se integrado na perfeição – basta olhar para Donnarumma, Locatelli e Calabria – e a contribuição de alguns elementos experientes acabou por facilitar a mensagem do treinador.

Relativamente ao desenho táctico, a filosofia de Montella, ainda que com ligeiras diferenças, é praticamente idêntica à que elevou a Fiorentina a um outro patamar entre 2012 e 2015. Utilizando o esquema clássico 1x3x5x2 e um estilo assente na posse de bola – o meio-campo composto por Borja Valero, Alberto Aquilani e David Pizarro era, de facto, o motor da equipa – surpreendeu totalmente o mundo do futebol durante os anos em que esteve ao serviço dos Viola.

Em Milão, definiu o 1x4x3x3 como seu esquema base. A defesa volta a ser crucial na construção de jogo, cuja função Romagnoli desempenha quase na perfeição, da mesma forma que os extremos no auxílio defensivo aos laterais. A Montella, mais do que a vertente táctica, reconhece-se a valentia de apostar em jovens jogadores. A sua maior conquista, e afastando a projecção absolutamente fantástica de Donnarumma, foi, muito provavelmente, Manuel Locatelli. O jovem médio de 19 anos, que assumiu a posição de um ícone como Riccardo Montolivo fustigado pelas lesões e já sentindo o peso da idade, estreou-se no encontro frente à Sampdoria e deixou óptimas impressões sobre o seu futuro. Locatelli é um puro regista à italiana. Fã de Andrea Pirlo e com qualidades um pouco semelhantes ao pequeno maestro, Loca abarca uma excelente visão de jogo, qualidade de passe e, sobretudo, inteligência na ocupação de espaços. Dono de remate fácil e de boa capacidade de desarme, o talentoso médio atingiu o clímax da sua carreira com um golo memorável frente à Juventus, em pleno San Siro, que posteriormente ditou a vitória final do AC Milan sobre os campeões em título.

O posicionamento de Locatelli no encontro frente ao Chievo. (Fonte: calciomercato)

São vários os aspectos positivos que podem ser apontados a L’Aeroplanino. Desde a conquista da Supertaça à confiança depositada em Gabriel Paletta, passando ainda pela revitalização da carreira de Gerard Deulofeu – a grande sensação da segunda metade da época –, pela forma como lidou com a lesão grave de Bonaventura e terminando nos minutos concedidos a Leonel Vangioni, um autêntico desconhecido até então. Se nos próximos anos se projecta um AC Milan de volta à elite do futebol europeu, Vincenzo Montella já demonstrou, para todos os efeitos, que merece uma injecção de total confiança para conseguir alcançar tal proeza.


Quem somos

É com Fair Play que pretendemos trazer uma diversificada panóplia de assuntos e temas. A análise ao detalhe que definiu o jogo; a perspectiva histórica que faz sentido enquadrar; a equipa que tacticamente tem subjugado os seus concorrentes; a individualidade que teima em não deixar de brilhar – é tudo disso que é feito o Fair Play. Que o leitor poderá e deverá não só ler e acompanhar, mas dele participar, através do comentário, fomentando, assim, ainda mais o debate e a partilha.


CONTACTE-NOS