Crise do vôlei brasileiro

Thiago MacielDezembro 30, 20206min0

Crise do vôlei brasileiro

Thiago MacielDezembro 30, 20206min0
Depois de anos de glórias e ser considerado uma das melhores Ligas de Clubes do mundo, o vôlei de clubes brasileiro passa por uma enorme crise, não só econômica, como também estrutural. Aqui neste artigo Thiago Maciel te explica qual a realidade do vôlei brasileiro.

O vôlei brasileiro acumula cinco títulos olímpicos nas quadras. Em 1992, 2004 e 2016, com a seleção masculina nos Jogos de Barcelona, Atenas e Rio de Janeiro, respectivamente, e em 2008 e 2012, com a seleção feminina em Pequim e Londres. Além desses títulos, já foram conquistadas outras cinco medalhas – três de prata e duas de bronze.

A seleção masculina é a atual líder do ranking mundial e a feminina ocupa a terceira colocação. Porém, esse histórico não condiz com o atual cenário do vôlei de clubes do país. São de crises econômicas a falhas no protocolo do Covid, passando ainda por problemas em licitações de piso e clubes decretando falência.

Crise Econômica afeta os clubes

Diferente do que aconteceu nas últimas temporadas, o vôlei brasileiro vê a saída de atletas aumentar por conta da crise financeira e das dificuldades agravadas pela pandemia. Com empresas decretando falência e a queda progressiva nas receitas, obviamente o vôlei sentiu o golpe. O vôlei brasileiro sofre por causa da crise econômica e do coronavírus. Diferente do que aconteceu nas últimas temporadas, em que chegamos a ter quase toda a seleção brasileira atuando na Superliga, em 2020/2021 o que se verá em quadra será bem diferente.

Com empresas decretando falência e a queda progressiva nas receitas, obviamente o vôlei sentiu o golpe. No Brasil, a pandemia acertou em cheio a vida de atletas e clubes. Jogadores campeões olímpicos como Lucarelli, Evandro, Wallace, Éder e tantos outros, por conta da crise econômica, tiveram que sair do país para buscar novos ares. Em casos mais extremos, alguns perderam até o emprego. Clubes como Sesi-SP e Sesc, tiveram mudanças drásticas. O segundo, anunciou sua exclusão das competições.

As indefinições forçaram a saída de diversos atletas porque os patrocinadores, principalmente os menores, aguardavam pelos resultados da reabertura da economia para avaliarem se a verba que poderiam disponibilizar ao esporte seria compatível com seus orçamentos.

Já os patrocínios que mantinham investimentos altos sofreram cortes de até 50% de seus orçamentos. Para sobreviverem diante da crise econômica, os clubes elaboraram estratégias e uma delas é a redução do tempo de contrato dos atletas e comissões técnicas. Assim, para a temporada 2020-21 muitas equipes confirmaram presença, entretanto o cenário para a próxima temporada é incerto e duvidoso.

Sesc-RJ encerrou as atividades no masculino (Foto: SESC)

Polêmica com o novo piso

Na estreia da temporada do vôlei brasileiro, uma novidade chamou a atenção, o tradicional piso fora substituído por um amarelo e azul, cores do novo patrocinador. Todavia, se apenas as cores, um amarelo que ofusca e dificulta enxergar as linhas brancas, ou a aderência, no caso a falta dela, que machucou vários atletas, pois não deslizavam em quadra, fossem o problema, estaria tudo resolvido.

Quando solicitou aprovação para comprar 24 novos pisos de vôlei para serem utilizados pelos clubes da Superliga, a diretoria da Confederação Brasileira de Vôlei (CBV) disse tanto ao governo federal, que aprovou renúncia fiscal de R$ 3,1 milhões, quanto à sua assembleia, que iria adquirir o produto da marca Taraflex, a mesma utilizada nas competições oficiais da Federação Internacional de Vôlei (FIVB) e que há anos está presente nas quadras brasileiras. Não foi o que ocorreu. Os pisos entregues, são de outra marca, a chinesa Enlio, que sequer entra na lista de pisos de “segunda categoria” da FIVB.

A compra foi feita com recursos da Lei de Incentivo ao Esporte, a partir de um projeto apresentado pela CBV e aprovado, depois em junho. Foi informado a todos que a empresa fornecedora dos respectivos pisos seria a Recoma, empresa chancelada e homologada para a distribuição dos pisos Taraflex no Brasil. Porém, sem saber, atletas, clubes e federações aprovaram a troca de piso em todas as quadras do país. Do piso top de linha para um de terceiro nível, ao custo de R$ 3,1 milhões. O novo piso, tido como de qualidade inferior, era obrigatório em todos os jogos da Superliga.

Depois de algumas reclamações, cada equipe pode optar por continuar com o novo piso ou colocar o antigo. O que a maioria das equipes o fizeram

Novo piso da Superliga, desagradou mais pela baixa qualidade que pelas cores chamativas (Foto: Globo)

Covid 19

Os números assustam e ligaram o alerta. No mês de dezembro, a Confederação Brasileira de Vôlei viu crescer a quantidade de infectados pelo coronavírus em meio à Superliga. Principalmente entre as mulheres. Na disputa feminina, a contagem chegou a 32 casos, com dez jogos adiados, enquanto os homens somam apenas oito.

Na avaliação da CBV, a alta de casos reflete o momento da sociedade brasileira como um todo. Após um longo período de queda, os números voltaram a aumentar no país nas últimas semanas, muito por conta do relaxamento de medidas impostas pelas autoridades. É difícil explicar, porém, por que há uma quantidade maior de casos na Superliga Feminina.

Protocolos de segurança:

1. Testes a cada 15 dias;
2. Partida adiada em caso de quatro jogadores ou dois levantadores infectados;
3. Times não trocam de lado entre os sets;
4. Uso de máscara obrigatório, com exceção dos atletas em quadra e dos técnicos.
5. Materiais de higienização disponíveis em todo o ginásio;
6. Quarentena de dez dias em caso de infeção.

O problema do vôlei – na realidade, de todos os outros esportes – é que o contágio não acontece apenas durante o jogo, acontece em todas as outras atividades que são realizadas, durante o treinamento, em viagens, isso faz com que as pessoas tenham uma convivência muito grande durante a semana, não apenas durante o jogo.

A CBV deveria ter seguido o exemplo de outras ligas e ter adotado o sistema de “bolha”, tão bem sucedido na NBA por exemplo. Porém, em reunião com os clubes foi adotado o sistema tradicional e vamos aguardar e torcer pra que mais casos não aconteçam.

Infelizmente o cenário é preocupante, enquanto temos vários jogadores se destacando internacionalmente e a seleção brasileira cada vez mais forte, a perspectiva do vôlei de clubes, no Brasil, é cada vez mais incerto.

Time do Sesi – com mais infectadas, time optou por ficar de máscara durante os jogos

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