Carlos Alcaraz fecha o ciclo em Melbourne

André Dias PereiraFevereiro 8, 20263min0

Carlos Alcaraz fecha o ciclo em Melbourne

André Dias PereiraFevereiro 8, 20263min0
Era o título que faltava a Carlos Alcaraz. Com a vitória no Australian Open, o espanhol tornou-se o mais jovem de sempre a completar o carreer Grand Slam

Desde que Carlos Alcaraz se profissionalizou, em 2018, tem colecionado recordes de precocidade. Mas o que ele alcançou no Australian Open, o primeiro Major do ano, eleva-0 a outro patamar e pode apontar um novo caminho histórico. Com apenas 22 anos, o espanhol tornou-se o mais jovem de sempre a ganhar o carreer Grand Slam, ou seja, todos os Majors do circuito ATP. Alcaraz não apenas entra para a história mas pode redefinir o que é ser dominante no circuito masculino e transformar o resto da temporada num ensaio sobre até onde o seu teto pode atingir.

Numa final histórica com Novak Djokovic, o sérvio até entrou melhor, mas a capacidade técnica e dimensão física do espanhol acabou por prevalecer de forma natural: 2-6, 6-2, 6-3, 7-5. E bem se pode dizer que este jogo consolidou definitivamente o domínio da nova geração. Djokovic ainda pode jogar a alto nível, ainda pode bater de frente com os melhores, dependendo do contexto, como aconteceu na vitória sobre Sinner, nas meias finais, mas nada pode fazer quando Alcaraz, no auge do vigor dos 22 anos, eleva o jogo a outra intensidade física e técnica. Também por isso, o feito de Alcaraz ganha peso adicional.

A conquista de Melbourne não apenas completa a coleção de Majors de Alcaraz, como demonstra que a nova geração pode ultrapassar dominadores históricos. Aos 22 anos, Alcaraz soma sete Majors e pode marcar uma dinastia capaz de rivalizar com o Big-3.

Para se ter uma ideia, na mesma idade, Federer ainda não tinha conquistado qualquer Grand Slam (completou o carreer com 27 anos). Nadal dominava apenas na terra batida e o Australian Open era um problema, o carreer Grand Slam chegou aos 24 anos. E Djokovic tinha 1 Major (carreer Grand Slam foi alcançado aos 29 anos). Por outras palavras, todos tinham alguma fraqueza. Nenhuma lenda se tornou tão completa tão cedo quanto Carlos Alcaraz.

E agora?

Isso não quer dizer, porém, que Alcaraz seja melhor que o Big-3. Quer apenas dizer que parte agora de um patamar histórico mais alto do que Federer, Nadal e Djokovic na mesma idade. E  a verdade é que o triunfo em Melbourne pode vir a impactar de forma decisiva como Alcaraz jogará o resto da temporada.

Com o carreer já conquistado, existe um alívio de pressão e menor ansiedade para ganhar finais. Bastava ver, por exemplo, o que aconteceu com Federer em 2009. O suíço, já multicampeão, chorou copiosamente após perder neste mesmo Australian Open, numa final com Nadal, adiando a conquista do então histórico 15 Slam, que ultrapassaria o recorde de Pete Sampras.

Alcaraz pode agora encarar os próximos desafios com maior leveza e liberdade para perder sem que isso represente entrar em crise. E, convenhamos, o espanhol entra como o grande favorito a ganhar Roland Garros, até porque é na terra batida onde mais brilha. E mesmo no relvado de Wimbledon, Alcaraz também já provou que pode ganhar e jogar rallies mais longos.

A pergunta, pois, não é mais, se Alcaraz pode ganhar. É quantos Majors ele vai ganhar.  E mesmo que perca um torneio, também já provou ter força mental para recuperar e ganhar o próximo.

 


Entre na discussão


Quem somos

É com Fair Play que pretendemos trazer uma diversificada panóplia de assuntos e temas. A análise ao detalhe que definiu o jogo; a perspectiva histórica que faz sentido enquadrar; a equipa que tacticamente tem subjugado os seus concorrentes; a individualidade que teima em não deixar de brilhar – é tudo disso que é feito o Fair Play. Que o leitor poderá e deverá não só ler e acompanhar, mas dele participar, através do comentário, fomentando, assim, ainda mais o debate e a partilha.


CONTACTE-NOS