O regresso à mentalidade “por marés nunca dantes navegados”, e o depois?

Palex FerreiraAgosto 14, 20194min0

O regresso à mentalidade “por marés nunca dantes navegados”, e o depois?

Palex FerreiraAgosto 14, 20194min0
O crescente profissionalismo do surf, bodyboard, longboard lançam várias questões ao futuro de cada uma destas variantes marítimas. Qual o futuro? E será que pode se dar um voltar atrás?

Onde irá terminar a bolha que envolve o estado de espírito do surf atual? Fortemente suportado por publicidade, apoios institucionais, e cada vez mais novas apostas no universo que é o surf.

Fico com a ideia de que estamos num momento, onde todos os surfistas que aparecem agora vão ser os melhores do mundo, e os maiores talentos já alguma vez vistos, sinceramente gostava que fosse 100% real, mas tenho defesas face a essa nova onda do mercado e dos atletas.

Espero que Portugal seja uma potência real do mundo do surf, que em vez de ficarmos “contentes” com o Tiago Pires, o Frederico Morais, Vasco Ribeiro, Miguel Blanco, o Hugo Pinheiro, Manuel Centeno, João Dantas, Digo Gonçalves, entre tantos outros que nos têm oferecido tantas emoções quando disputam etapas nos principais mundiais fechados apenas aos melhores dos melhores.

Não esquecendo as meninas que também têm tido um papel preponderante da evolução do desporto e na obtenção de grandes feitos também, nomes como Teresa Bonvalot, Camila Kemp, Mafalda Lopes, e as novas apostas Beatriz Carvalho, Matilde Passarinho, Raquel Bento, entre tantos outros nomes que seguramente cabem nesta extensa lista.

Tantos talentos Portugal tem e que devido à dificuldade crónica de encontrar investimentos enquanto carreira profissional à séria, e aí devem ser muitos poucos que podem aspirar a permanecer num circuito mundial durante algum tempo. Talvez através de oportunidades familiares que tenham essa possibilidade financeira em alimentar o sonho.

Noto que cada vez há mais treinadores, e mais apoios locaias a determinados talentos, mas com que objetivo, serem campeões nacionais, europeus ou mundiais?

Falo disto como um simples expetador do universo que são os desportos das ondas. Não faço ideia do investimento necessário para uma carreira bem-sucedida, sendo de que forma será mensurável? Títulos, ou manutenção durante alguns anos entre os melhores do mundo?

De que forma se pode crescer com sustentabilidade para esse tipo de carreiras.

De que forma as marcas valorizam os atletas com vista q lhes permitem uma vida profissional ligada ao desporto? o desporto de alta competição é de curta duração ao mais alto nível, como ficam os atletas após essa dedicação a 100% ao desporto?

Espero poder ver estes inúmeros atletas com talentos a serem bem-sucedidos pelo mundo fora, mas sem prejuízo da sua vida pessoal e profissional após o fim da carreira.

Os treinadores de surf atualmente são praticamente todos formados e bem preparados para essa função, mas muitos deles não tiveram uma carreira de sonho enquanto profissionais, porque o surf em Portugal ainda é muito pequeno em termos de infraestruturas, pequeno quando associado ao futebol por exemplo.

O que falta a Portugal para garantir que todos os que se dedicam ao surf enquanto profissão segurança de um bom futuro, apesar de não se falar muito disso?

Espero que todos sejam felizes e com muitas vitórias nas suas vidas, a inveja não nos leva a lado nenhum, bem como a falta de humildade, mas um desportista terá sempre isso bem equilibrado.

Que modelo devemos seguir, o brasileiro que é atualmente a força maior dos desportos de ondas, praticamente em todas as modalidades têm campeões mundiais, ou o que a Austrália e os Americanos praticam.

Acredito que todos o trabalho que acompanho, quer de Clubes, quer das marcas com possibilidade de investimentos para x número de surfistas, e dessa forma garantir bons ordenados (ou pelo menos belas ajudas financeiras aos atletas e às suas equipas de suporte (treinadores, técnicos especializados etc).

Se me perguntarem se acredito, tenho as minhas dúvidas, mas quero acreditar que sim que uma vez mais iremos “conquistar” o mundo pela água outra vez, o regresso à mentalidade “por marés nunca dantes navegados”, e que todos terminem com um sorriso de um trabalho e investimento pessoal cumprido.

Boas ondas a todos

Uma palavra de apreço aos das velha geração do surf que tanto deram a Portugal, e que se lembrem que o mais criticado, por muitos, foi o Tiago Pires, e ainda foi o que mais se aguentou dentro da elite mundial (surf), tendo assim até agora a carreira mais longa enquanto surfista profissional ao mais alto nível.

E a todos os que aspiram a essa carreira, que nunca descurem o futuro sem formação académica para que após a sua carreira não sejam relegados para a sombra da sociedade, com empregos modestos e mal retribuídos, devem garantir um plano B.

Lembrem-se de antigos surfistas, nomes como Bruno Charneca, José Gregório, Luís Bento, Marcos Anastácio, Rodrigo Bessone, Rodrigo Herédia, Miguel Santos, Dapin, entre tantos grandes nomes que tanto deram a Portugal em competições de surf e bodyboard, longboard etc etc e agora muitos estão afastados no universo central do surf nacional.

Não se esqueçam se faz favor de garantir os estudos


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