O que é o “Parla.mento”? – Fomos descobrir com Mauro Motty e Alexandre Santos

Palex FerreiraMarço 6, 20205min0

O que é o “Parla.mento”? – Fomos descobrir com Mauro Motty e Alexandre Santos

Palex FerreiraMarço 6, 20205min0
Entre os dias 14 e 15 de Março vai decorrer o "Parla.mento" um evento diferente do surf português! Entrevista com os organizadores para perceberem o que se vai passar no Estoril

Entrevista com Mauro Motty e Alexandre Santos, dois dos organizadores do “Parla.mento”, um evento novo e diferente que merece a atenção e fomos perceber como funciona, a sua origem e muito mais!

O que é o Parla.Mento (quem são, como nasceu, e qual o objectivo)

No nosso grupo de amigos, falavámos que era bom ter um evento que desse a conhecer shapers e pranchas e que as pudéssemos experimentar, pois não havia nada igual por aqui. Depois o Motty com a sua resiliência após uma viagem a França onde surfou uma onda em Guéthary chamada Parliament, desafiou o Alexandre e o resto aconteceu. É um evento ou vários eventos, são parcerias, é uma vontade de falar de assuntos por um lado mais de tendência, por outro lado de ir mais às origens da cultura de surf, conversar sobre pranchas e acima de tudo, o ato de experimentar.

Foto: Sickfaces
Nos vossos eventos cada vez mais são os shapers que se associam vocês, estavam à espera desta recepção por parte da comunidade de surf em Portugal?

A aderência é excelente e tem superado as nossas expetativas pois também pensamos que estão um pouco cansados da sala de shape e querem mostrar ao mundo quem são e o que fazem. O principal motivo porque começámos este projeto, são os shapers e as pranchas que fazem, somos fascinados pelas sua criações. Ao contrário de Países de maior dimensão com mais história e cultura de surf, em Portugal, ninguém falava com ninguém ou pouco falava, o que para um país com a nossa dimensão era meio estranho. Quem os percebe melhor e o que falam são os próprios shapers. Apraz-nos ver que alguns conheceram melhor o trabalho dos outros e que surgiram colaborações entre eles depois dos  nossos eventos.

Como pensam que a corrente alternativa das pranchas e materiais está a evoluir em Portugal e no mundo?

O surf performance cresceu não necessariamente de uma maneira saudável, mas parece-nos que esta corrente será mais sustentada. A evolução está bem presente nas marcas maiores tipo Al Merrick ou Lost com modelos mais direcionados a surfistas comuns que gostam ter mais volume debaixo dos pés. Todos os dias aparecem novos nomes de shapers e marcas no mercado, tornando-se um fenómeno à escala global e Portugal não foge à regra.

(Foto: http://ricardogoncalves.eu/)
Como tem sido a a vossa evolução em termos de eventos e de partilhas?

A evolução para um primeiro ano foi bastante boa (2019) ano zero do projecto. Organizámos o nosso evento em Janeiro na praia de São Pedro do Estoril, nas instalações da sede do Surfing Clube de Portugal com Test-Drives & Talks. Em Abril, estivemos na Portuguese Wave Series em Matosinhos com Test-Drives & Talks. Em Agosto no Gliding Barnacles, na Praia do Cabedelo, com organização de  um “Fish Fry” e um Parlamento talk Show. Em Setembro no SurfOut Portugal, Estoril. Participação com um Stand e moderação de talks e Live Shaping powered by Parla.mento..

Que retorno (feedback) vos foi transmitido pelo público em geral?

Desde o início foi sempre muito e não necessariamente todo positivo, mas também conseguimos perceber o que são opiniões e pontos de vista pessoais e o que é feedback. O Parla.mento é um espaço de partilha e interessa-nos o feedback de todos os participantes de maneira a crescer e a fazer melhor.

Eventos em 2020, onde vão estar este ano?

Para já o nosso evento em São Pedro do Estoril nos próximos dias 14 e 15 de Março. Depois temos algumas perspectivas e abordagens mas serão sempre co-produções e talvez se fizer sentido um novo evento Parla.mento ainda em 2020.

De que forma as marcas vos apoiam?

Somos uma associação sem fins lucrativos, as marcas que nos conhecem e que estão connosco desde o arranque do projeto, apoiam-nos no que podem, maioritariamente com pequenas doações e material técnico. Recentemente fomos abordados por mais marcas e mantemos os mesmos princípios, ajudem-nos que nós ajudamos-vos, mantendo aqui bem presente que é um projeto independente e orientado para a comunidade.

Uma mensagem para a restante comunidade de surf?

Divirtam-se e experimentem novos shapes de pranchas, troquem ideias sem medos com o vosso shaper, deixem os preconceitos de lado, disfrutem o momento. O que vemos de um modo geral na praia são surfistas com o material técnico errado, se nos virem na praia troquem umas palavras e um sorriso connosco e venham ao Parla.mento divertir-se.

O surf está ou não a tornar-se sustentável? Isto porque sendo uma modalidade onde grande parte dos materiais são oriundos de derivados de petróleo, como está a indústria a trabalhar actualmente?

A sustentabilidade no surf e do surf é uma preocupação de há uns tempos a esta parte, seja pelas grandes marcas seja pelas mais pequenas. Acreditamos que o presente desta indústria tem que ser já focado na sustentabilidade, na economia circular e na partilha de recursos. Os shapers locais já procuram muitas vezes alternativas menos tóxicas e novos materiais para experimentar e muitos preferem produzir handmade pranchas que devido as suas características físicas, como o seu shape e fibragem, tem um ciclo de vida de produto mais longo. No próximo evento em Março fizemos uma parceria com a Associação Sailors For the Sea para sermos certificados ambientalmente pelo programa “clean regattas” para percebermos o impacto e a pegada ecológica que um evento desta dimensão produz de maneira a evoluir, melhorando processos e rentabilizando recursos.

(Foto: ricardogoncalves.eu)

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