Uma rosa com espinhos não faz um roseiral!

Helena AmorimFevereiro 6, 20193min0

Uma rosa com espinhos não faz um roseiral!

Helena AmorimFevereiro 6, 20193min0
A Selecção da Rosa foi até Dublin estragar as pretensões de um bi Grand Slam irlandês com uma exibição recheada de excelentes pormenores. Mas o que se passou de errado com a Irlanda?

A vencedora do ano transacto do Seis nações caiu no primeiro jogo frente à Inglaterra em Dublin.

A Irlanda tem 3 das 4 províncias na fase final do European Champions Cup (2 equipas de França, 2 Escócia e apenas os Saracens por Inglaterra); venceram a Nova Zelândia ainda em Novembro; 2018 foi muito mais favorável para a Irlanda que para a Inglaterra. Dito isto, a Inglaterra de Eddie Jones gizou um dos mais brilhantes planos tácticos para defrontar a que seria certa vencedora nesta primeira jornada.

A ROSA PRESSIONA E O TREVO MURCHA

A palavra chave: pressão.

A Inglaterra esteve mais estruturada para fazer pressão ao pé com duplas de pontapés e perseguição a saírem muito bem. Veja-se: a selecção irlandesa já não concedia tantos pontos numa primeira parte (10-17 foi o resultado ao intervalo) num 6 Nações jogado em Dublin em 13 anos!

A selecção Inglesa não jogou um jogo contínuo; foi mais de momentos rápidos e intensos, impedindo através da sua fisicalidade que a Irlanda conseguisse atingir a linha de vantagem.

Rucks: 136 em 138 para a Irlanda e 82 em 82 para a Inglaterra; a diferença não está na estatística, está na maneira como os Ingleses combatiam no primeiro contacto, obrigando a colocar jogadores irlandeses nas franjas da formação espontânea e assim tornando a bola mais lenta. E foi isso o factor decisivo; a bola mais lenta dos irlandeses. Ben Youngs e Owen Farrel destrocaram com muita rapidez a bola, ao contrário dos seus companheiros de posição adversários.

Faltou um plano B à Irlanda. Joe Schmidt tem feito uma boa rotação de jogadores, com algumas mudanças posicionais para garantir que quem melhor estiver em forma, joga e também que quando chegar o Mundial a pool de jogadores disponíveis seja de qualidade; digamos que é uma opção no sentido da sustentabilidade da selecção não só para os desempenhos do 6 Nações mas também para o Mundial.

HENSHAW VS KEARNEY

Veja-se a colocação de Robbie Henshaw a fullback em detrimento de um habitual Rob Kearney. Rob Kearney é um “15” de 32 anos com uma cobertura do campo absolutamente fantástica, com grande predisposição para perceber o que vai acontecer e onde os jogadores da formação oposta vão aparecer e tem uma cobertura inigualável. Já Henshaw é bom na posição mas não tem, aos 25 anos, a leitura de jogo de Kearney e obriga a que os pontas não subam tanto (Stockdale claramente não ligou nenhuma a esse pormeor pois apareceu em todo o lado!).

Jordan Larmour ainda tem muito a aprender para ser um bom “15”. Esta posição serve de exemplo apenas para verificar que há uma procura de força e profundidade mas isso é um processo que requer um plano B nesta fase de consolidação.

Pessoalmente acho que a Irlanda não jogou mal; a Inglaterra é que jogou muito bem. As placagens efectivas de Billy, Mako, Tuilagi, as ligações perfeitas entre Owen e Tuilagi e entre Daly e os pontas foram dignas de serem vistas e apreciadas.

Mas, valia a pena reavaliar o primeiro ensaio de Henry Slade (possível fora de jogo a considerar) assim como o lance do Maro Itoje que apenas deu penalidade sem sanção de amarelo. São pequenas coisas que poderiam ter ditado outro resultado. Não querendo retirar brilho à vitória da Inglaterra mas apenas para dizer que a Irlanda não foi totalmente esmagada!


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