Os mais influentes nº 15 do Mundo

Rodrigo FigueiredoDezembro 14, 20176min0

Os mais influentes nº 15 do Mundo

Rodrigo FigueiredoDezembro 14, 20176min0
Estão escolhidos os nossos mais influentes nº15 do Mundo do Rugby! Há de tudo um pouco mas conseguem dizer qual foi o vosso melhor?

Falemos então do momento actual dos mais influentes nº 15 do Mundo.

Começando pelo país Anfitrião do Rugby World Cup 2023, Scott Spedding (de origem Sul Africana) tem sido o titular nesta posição e fez 5 jogos em 2017. Considerado por alguns como um dos jogadores menos tecnicamente dotados das linhas atrasadas francesas, consegue compensar essas críticas pela segurança na recepção de bolas altas e pela forma como ataca a linha da vantagem usando os seus 100kgs para criar dificuldades aos adversários. Jogo ao pé deficitário e defensivamente pouco ágil, não será por Spedding que a França perde jogos, mas não será também por ele que terá mais hipóteses de os ganhar.

Scott Spedding numa perfuração contra Inglaterra (Fonte Rugby World)

Atravessando o Canal da Mancha, chegamos ao 15 inglês. Depois de um início de carreira internacional algo atribulado onde chegou a jogar a ponta, Mike Brown tem-se afirmado, com Eddie Jones ao comando, a referência no 3 de trás da selecção da Rosa. Já em 2014 Brown sobressaiu no torneio das 6 Nações sendo-lhe atribuída pelo público a distinção de melhor jogador do torneio enquanto que um ano depois, no Mundial “em casa” saiu menos bem cotado.

Ainda assim o defesa dos Harlequins de Londres parece ser um talismã para a sua selecção, uma vez que apenas em duas ocasiões em que Brown marcou ensaio a sua equipa não venceu. Brown foi ainda um dos nomes mais falados pela não convocatória por parte de Warren Gatland para a Tour à Nova Zelândia dos British and Irish Lions este ano.

Mike Brown a festejar um ensaio frente a Itália (Fonte: rugbyplanet.com)

No país vizinho, o País de Gales, há uma disputa interessante pelo lugar. Depois de uma aventura em França pelo RC Toulon, Leigh Halfpenny regressou ao rugby galês desta feita pelos Scarlets depois de ter alinhado seis anos pelos Cardiff Blues. Já Liam Williams fez em certa medida o percurso inverso: saiu na época passada dos Scarlets para ir representar os campeões europeus em título, os Saracens de Inglaterra. Sendo jogadores diferentes e tendo ambos jogado também a ponta, acrescentam valor às linhas atrasadas galesas. Halfpenny dispõe de um jogo ao pé exímio, nomeadamente aos postes, tendo sido nomeado jogador das Series quando os Lions visitaram e venceram a Austrália em 2013. Já Williams é uma arma de contra-ataque letal, que não tem medo de arriscar em velocidade e que produziu um dos melhores ensaios do ano contra a Nova Zelândia. Veremos se o regresso “a casa” de Leigh Halfpenny o fará regressar a performances de outras épocas ou se o ingresso de Williams numa equipa de topo europeu o fará chegar a níveis ainda mais elevados.

Liam Williams (de costas) e Leigh Halfpenny a celebrar um ensaio (Fonte: walesonline.com)

Mais a norte, nas terras altas escocesas, encontramos Stuart Hogg. Um jogador completo que resolve jogos e é uma verdadeira dor de cabeça para as defesas adversárias. Hogg atua nos Glasgow Warriors e é peça fundamental na equipa da Escócia. Dono de uma velocidade vertiginosa e de uma verticalidade ímpar, impõe o ritmo do jogo em todas as suas ações.

É provavelmente o melhor placador na sua posição e apesar de ter participado em duas digressões dos British and Irish Lions, na primeira delas como terceira opção a médio de abertura, a última ficou marcada por um embate acidental com um colega que o retirou das Series. Nos jogos de Novembro, Hogg vingou-se dessa lesão e foi homem do jogo contra a Nova Zelândia, dando a provar o que ficou por mostrar no Verão. Veremos se Hogg conseguirá levar os seus Warriors a voos europeus ou se será nas 6 Nações que a Escócia se vai intrometer nos primeiros lugares.

Stuart Hogg em acção no torneio das 6 Nações (Fonte: sixnationsrugby.com)

A sul, no país dos cangurus, Israel “Izzy” Folau é o nome mais sonante das linhas atrasadas australianas. O porte atlético, o jogo aéreo ao alcance de poucos e uma finta em velocidade inigualável, fazem de Folau um número 15 quase perfeito. Identificando o jogo ao pé e a integração na linha defensiva como pontos menos positivos, Izzy é capaz de descomplicar um jogo para a sua equipa e de fazer sonhar o mais céptico dos adeptos australianos.

Tal como outros bem conhecidos (Brad Thorn, Sonny Bill Williams), Folau tem background de Rugby League ao mais alto nível, o que lhe dá poder de choque acima da média que aquela vertente do Rugby exige. Raras são as vezes que é parado à primeira por um só jogador e isto é fundamental nas oportunidades de contra ataque que tantas vez o número 15 dispõe durante os jogos. Não tendo participado por opção própria na Janela internacional de Novembro devido a uma cláusula existente no seu contrato com a Federação Australiana e no mesmo ano que bateu o recorde de ensaios por época na selecção, que futuro se avizinha para Israel Folau?

Folau nas alturas (Fonte: RugbyWorld)

Ali perto, no país vizinho, o talento parece não se esgotar. Israel Dagg seria o futuro número 15 dos All Blacks depois de Mils Muliaina abandonar a cena internacional e Dagg estar-se a sobressair ao serviço dos Crusaders de Christchurch. Mas como diz o ditado “uma selecção prevenida vale por duas”, e após uma participação de alto nível no Mundial de 2011, Dagg entrou numa onda de lesões deixando espaço para Ben Smith entrar na equipa e brilhar.

O homem dos Highlanders viria a tomar como sua a camisola número 15, fazendo um Rugby Championship 2013 do outro mundo com 8 ensaios em 6 jogos revelando o faro finalizador deste jogador. Com Dagg a conseguir recuperar a forma e quando Damian McKenzie tem, do alto do seu metro e setenta e cinco e dos seus 81 kgs, um impacto como o que teve nos Chiefs, nada deve preocupar Steve Hansen na altura de decidir a linha de 3/4. Será um duelo interessante pelo lugar visto que, no Mundial do Japão em 2019, Dagg terá 31 anos e McKenzie apenas 24 o que poderá ser um trunfo para Hansen quando for preciso acrescentar experiência ou irreverência ao jogo.


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