Mundial de Rugby 2027: vantagens da qualificação directa
Portugal está no Mundial masculino de Rugby 2027, um marco para a modalidade especialmente porque é a primeira vez que acontece de forma consecutiva, o que implica desde logo a possibilidade da Federação Portuguesa de Rugby se candidatar a um lugar no Conselho da World Rugby, algo que só a Roménia e Geórgia, a nível das seleçcões da Rugby Europe, conseguiram. Este estatuto permite à FPR ter voz dentro da World Rugby, podendo votar em diferentes assuntos e temas de importância máxima para a modalidade, o que implica uma dose de responsabilidade da parte de quem estará presente nestas reuniões. Será importante à Federação Portuguesa de Rugby votar de forma sábia e coesa, indo de encontro aos interesses das selecções do mesmo nível e não indo atrás da conversa vazia de outros.
Com isto, as vantagens também estão na capacidade de realizar um planeamento de melhor qualidade até ao Campeonato do Mundo, escolhendo bem os adversários para as janelas de Verão e Outono. Portugal precisa de jogar mais, e ao mesmo tempo garantir aos atletas que actuam nos clubes nacionais condições para se desenvolverem e darem o seu melhor sem que as suas carreiras profissionais fora do rugby saiam penalizadas. Não basta dizer que o Governo ou o Estado Português tem de garantir um estádio, maior investimento e outras infraestruturas sem mostrar trabalho, especialmente no que concerne ao número de atletas e à expressão do rugby no desporto nacional.
Ao contrário do que alguns querem fazer parecer, o rugby nem está no top-10 de modalidades praticadas em Portugal, ficando atrás de futebol, basquetebol, andebol, voleibol e hóquei em patins, para além de desportos singulares, sendo isto um ponto preocupante e que tem de ser revisto. O fim do programa NESTUM provocou um corte total com as unidades escolares espalhadas pelo país, com esta obrigação a passar para os clubes que não têm os recursos e capacidade para se deslocar com consistência a liceus, colégios, escolas primárias ou secundárias. Portugal conseguiu brilhantemente o apuramento para mais um Mundial de Rugby masculino, mas o andebol acabou de terminar em 4º, a selecção de basquete masculina está perto de chegar ao Europeu, e as medalhas têm aparecido tanto no judo, como no ciclismo, etc. O rugby, ao contrário daquilo que queríamos, não é especial e a única modalidade a atingir metas de alto nível.
A entrada no conselho da World Rugby e o facto que a instituição que governa a modalidade a nível mundial está visivelmente interessada em apoiar os Lobos, poderá permitir dar um boost importante e decisivo para atingir outras metas, ou pelo menos impulsionar a imagem da selecção nacional dentro e fora do país. Importa que a imagem do rugby nacional seja positiva.
Infelizmente, e por outro lado, isto não garante que Portugal tenha a porta aberta em todas as pastas, como se viu pelo facto da selecção nacional de sub-18 ter ficado de fora do Six Nations Festival, tendo sido substituída pela Espanha. Todas as conquistas realizadas nos últimos seis anos adveio do sacrífico e esforço dos jogadores e boa parte do staff, e é fundamental que a direcção actual e as do do futuro tenham mínima consciência da sua responsabilidade em garantir soluções e possibilidades para quem serve as selecções nacionais, sejam séniores, juniores e juvenis masculinas e femininas.
Portugal tem dois anos até ao Campeonato do Mundo de rugby 2027, mas a cabeça tem de já estar no de 2031, para além de focados em auxiliar a selecção nacional feminina sénior em disputar o acesso ao WXV3 e também ao Mundial do género. É altura de assumir as responsabilidades e dar os passos que nunca foram dados no passado, com este apuramento a poder ser a chave necessária para atingir outra dimensão.
Back-to-back 🤩@PortugalRugby have qualified once again and will be going to Men's Rugby World Cup 2027 🇵🇹 #RWC2027 pic.twitter.com/uPHj7NDeCS
— Rugby World Cup (@rugbyworldcup) February 9, 2025