Itália vs País de Gales no rugby e à mesa! – Performance Chef Carvalho

Will CarvalhoAbril 27, 20185min0

Itália vs País de Gales no rugby e à mesa! – Performance Chef Carvalho

Will CarvalhoAbril 27, 20185min0
O Chef do Gloucester Rugby falou do que é a nutrição nas selecções nacionais com exemplos de Moriarty e Polledri! Um Itália vs País de Gales no rugby e à mesa

Napoleão Bonaparte: “Um exército marcha sobre o estômago”

Neste artigo irei falar do dia-a-dia das seleções da Itália e do Pais de Gales, o que comem, quando e porquê.

Muito se fala de nutrição, muito se opina, mas às vezes o esclarecimento é muito vago.

Por experiência própria com a Confederação Brasileira de Futebol, cedo percebi que o factor cultural é essencial: as coisas típicas que crescemos a comer, as que gostamos mais, que são balanceadas nutricionalmente.

Nunca cozinhei tanto feijão na minha vida, muita farofa e muito arroz, mas quando estamos a 15 horas de voo de casa, isto é um detalhe muito importante para manter as “tropas” bem felizes para depois “combaterem” como queremos.

Partilho então duas experiências com dois internacionais do Gloucester Rugby!

Começamos pela Itália, um “irmão” nosso, com vários costumes e produtos alimentares muito parecidos com o nosso querido Portugal. No Gloucester temos a sorte de ter um certo prodígio italiano com o nome Jake Polledri.

Um breve resumo à ainda curta carreira do Jake: começou no Bristol, foi dispensado, foi jogar pelo Hartpury College, arrebentou com tudo e todos na 3a divisão, sobem para a 2a, a que é denominada por Championship e o Gloucester vai busca-lo. De novato e sensação, passa a ser um dos jogadores importantes para o treinador do Gloucester, Johan Ackermann. Ao fim de uns meses conquistou a sua primeira internacionalização pela Itália!

DAS BELAS PIZZAS DA AZZURRI AOS FISH AND CHIPS DE GALES!

Sentámos-nos à mesa e começámos a falar do que se come quando está com a “Azzurri”: Jake diz-me que começa o dia com salmão fumado, iogurte, presunto de Parma e outras carnes fumadas, ri-se e diz-me que às vezes também têm carne de cavalo, ovos mexidos e claro, muito café, e claro, sempre um bolo a acompanhar.

Os almoços são sempre abastecidos com várias saladas, carnes, muito parmesão, sempre vários pratos de massas, às vezes é mais massa com outra coisa qualquer por cima!

Sobremesa, sempre à volta de fruta. Isto varia um pouco, mas é quase sempre à volta disto. E após os jogos? Pizza e gelado! Tipicamente italiano, e ele diz que é pizza que nunca mais acaba, e os gelados são tantos sabores, que se perdem a comer.

De Itália vamos para o Pais de Gales e aqui tenho a ajuda de um British Lion de nome Ross Moriarty, sempre bem disposto, adora a sua comida, e faz-me sempre questão de mandar fotos quando está em estágio com a sua seleção , normalmente as batatas fritas…

Em 2016 quando o País de Gales ia jogar contra a Inglaterra em Cardiff, o Ross fez questão de me enviar várias fotos do almoço do Captains Run, que era basicamente “fish and chips”, ora bem, a Inglaterra ganha em Cardiff e a minha resposta foi #foodmakesadifference!

Durante a semana a base dos buffets é sempre a mesma, existe uma mesa de saladas, com fiambre assado, azeitonas, pimentos, mozzarella, eu diria que até é bem internacional, mas depois começam as comidas mais típicas, uma sopa bem típica do Pais de Gales, um caldo feito a base de fiambre e legumes, existe sempre um prato de carne e um de peixe, pode ser um caril de frango ou então salmão no forno.

Captains Run? Lembram-se do que falei? Bacalhau frito com batata doce frita com molho de caril, depois para sobremesa muitos brownies de chocolate, especialmente encomendados na “Gower Cottage Brownies” em Swansea.

Ora depois disto, esta tudo pronto para a batalha, após o jogo, no balneário, pizzas, hot dogs e coca cola.

Isto parece errado mas está correcto para o tipo de competição em que estão inseridos. Durante pequenos períodos de alta competição, estas “recompensas” em forma de comida ajudam a motivar, descomprimir e também a “esquecer” o ambiente altamente competitivo onde estão envolvidos.

No meu dia-a-dia com o Gloucester Rugby, isto não acontece, porque tendo uma época de 10 meses (já com pré-época incluída) temos de ter muito cuidado com excessos alimentares, que eles já vão ter naturalmente quando estão fora do centro de treinos.

Estas “fugas alimentares” ajudam a que o jogador saia do ambiente de 24/7 quando está com a sua seleção, ao passo que no clube passa cerca de 8 horas por dia, 4 a 5 dias por semana.

Moriarty e Polledri de “barriga” cheia (Foto: Getty Images)

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