Alinhamento e formação ordenada – Momentos-chave

Rodrigo FigueiredoOutubro 15, 20185min0

Alinhamento e formação ordenada – Momentos-chave

Rodrigo FigueiredoOutubro 15, 20185min0
As set pieces, em português fases estáticas, têm um papel fundamental no jogo de Rugby. As disputas de bola organizadas, alinhamento e formação ordenada, produzem momentos de inegável espectacularidade e criam oportunidades para as equipas se superiorizarem. Eis uma análise a este importante momento do jogo.

De facto, retirando o recomeço de jogo por pontapé de ressalto, quer ao centro quer de 22 metros, o jogo costuma iniciar-se por uma fase estática, formação ordenada ou alinhamento. Já dizia o velho ditado que “os avançados ganham o jogo, os 3/4 decidem por quanto” e a intemporalidade desta frase está bem expressa no jogo moderno, do rugby amador aos Test Matches.

A performance das equipas nestes momentos-chave do jogo pode ditar o rumo dos acontecimentos.

Alinhamento

Comecemos com uma breve descrição da evolução do alinhamento que acontece quando a bola cruza uma das linhas laterais.

A primeira memória é ainda anterior à introdução do “lifting” ou elevação, em que dois jogadores elevam um terceiro para conquistar a bola em altura. As disputas eram acesas e entre cotoveladas e empurrões, lá se iam conquistando as bolas com maior ou menor facilidade.

Alinhamento sem “lifting” (Fonte: sixnationsrugby.com)

O jogo foi evoluindo para ser melhor jogado e mais atractivo para os espectadores. Para tal, porque não elevar “gigantes”, às vezes com mais de 2 metros de altura por cima da cabeça de outros jogadores? Surgiu então o lifting, que para além da beleza fotográfica inegável, trouxe exigências técnicas para executar o movimento, bem como a necessária coordenação entre introdutor, saltadores e elevadores. Passou de um momento de confusão e atrapalhado para autênticas “coreografias”

Neste vídeo, por entre outras coisas, pode-se ver a variedade dos alinhamentos e o que mudou neste momento particular do jogo.

O alinhamento continua a ser peça fundamental da estratégia de qualquer equipa uma vez que, ao garantir a conquista de bola nas introduções próprias e ao causar dificuldades nas dos adversários, pode-se tomar o controlo do jogo. O factor psicológico associado à conquista de bola, talvez mais associado à formação ordenada, é igualmente importante no alinhamento por este estar associado a maiores conquistas de terreno devido aos pontapés para fora.

Há estratégias para todos os gostos e a curiosidade não tem limites. Se não vejamos os exemplos do vídeo que mostram que da final do Campeonato do Mundo a um jogo entre equipas de liceu, o alinhamento é peça central do Rugby moderno.

 

Um gigante chamado Victor

Para ilustrar a importância do alinhamento, identifico um dos homens mais relevantes, durante muitos anos, no alinhamento da Selecção da África do Sul, Victor Matfield. Imperial na conquista de bola no ar, era também um  líder nato deste momento do jogo. Deixou saudades nos seus Bulls de Pretoria…

Victor Matfield ao serviço dos Springboks no Mundial 2015 (Fonte: planetrugby.com)

Formação ordenada

Entramos agora em território mais “sério“. A formação ordenada constitui o epíteto do domínio de um pack avançado sobre o outro e sim, um alinhamento é importante, mas a formação ordenada não tem comparação.

Desde os primórdios do jogo, esta terá sido a área na qual as leis mais se alteraram. Vista muitas vezes como potencial desacelerador do jogo, aliado aos factores de risco e segurança, a formação ordenada sofreu várias alterações. Exemplos disso são os tempos de encaixe, as ligações e não tão directamente, a linha de fora-de-jogo passou a ser a 5 metros do último jogador.

A evolução é por demais evidente e, apesar de tudo, parecem estar colmatadas mas ainda não resolvidas, as eventuais “falhas” que a formação ordenada traz ao espectáculo. O Pumas tentam fazer da formação ordenada um autêntico espectáculo!

Um dos pontos que poderá passar despercebido é a introdução de campos artificiais em campeonatos de topo. Se num relvado “bom” a formação ordenada já causava problemas, a chuva e lama nos relvados naturais só trazem mais dificuldades. Os campos artificiais podem então, por não sofrer tantos estragos quando as condições climatéricas se agravam, ser uma das soluções para ajudar a resolver o problema de demasiadas formações ordenadas e estas demorarem a ser resolvidas. Uma estatística a observar para os mais dados a números!

 

Ledesma: da máquina de mêllée para os Pumas

Mário Ledesma foi durante largos anos jogador dos Pumas e esteve presente na famosa campanha até ao terceiro lugar no Campeonato do Mundo de 2007. Fez carreira em França, maioritariamente no Clermont, antes de se tornar treinador especializado na formação ordenada. Começou também no país dos “Bleues” antes de se mudar para a Austrália como treinador dos avançados dos Wallabies. Daí a tornar-se treinador principal dos Pumas foram apenas três anos, ocupando o cargo deixado por Daniel Hourcade. Longe de se achar que Ledesma só percebe de formação ordenada ou das posições avançadas mas será curioso perceber que o seu percurso (com sucessos pelo caminho!) é baseado no conhecimento profundo daquilo que muitos poderão dizer que é a base do jogo: a disputa colectiva pela bola e por terreno.

Ledesma com Cheika ainda nos Wallabies (Fonte: stuff.co.nz)

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