Os eventos de Field mais aguardados dos Mundiais de Doha 2019 pt.1

Pedro PiresDezembro 19, 201813min0

Os eventos de Field mais aguardados dos Mundiais de Doha 2019 pt.1

Pedro PiresDezembro 19, 201813min0
O Planeta do Atletismo escolheu 10 eventos que tens de ver dos Mundiais de Doha 2019! Sabes quais são os atletas a ter em atenção?

Os Mundiais de Doha 2019 estão a chegar e fizemos uma escolha dos 10 eventos de Field mais esperados! A parte 2 segue-se dentro de dias!

Os Mundiais de Doha (Qatar) que se realizam entre 27 de setembro e 6 de outubro do próximo ano prometem bastante.

Não só teremos a oportunidade de assistir aos Mundiais em datas incomuns – o que traz sempre um certo grau de imprevisibilidade, relacionado com os ciclos e os picos de forma dos atletas – como serão os Mundiais que marcam o início do novo ciclo de 3 anos de eventos globais, começando com esses Mundiais, continuando com os Jogos Olímpicos de Tóquio (Japão) em 2020 e terminando nos Mundiais de Eugene (EUA) em 2021.

Como se tal não bastasse, a cidade escolhida pela IAAF não foi consensual e será o maior teste, até à data, do Qatar antes do Mundial de Futebol que se realizará em 2022.

O aparecimento de novas estrelas do Atletismo um pouco por todo o mundo tem despertado um interesse extra e Doha será também o primeiro grande teste a nível global para algumas delas.

Antes mesmo da temporada competitiva começar, iremos falar nos próximos artigos dos eventos mais aguardados da competição mais importante da época que se avizinha. Será especialmente interessante perceber se as previsões hoje feitas serão na sua maioria válidas em Setembro quando voltarmos a tocar no tema, já com os dados novos da época 2019.

De forma a segmentar melhor a antevisão, iremos dividir os eventos em dois grandes grupos: O Track e o Field, da mesma forma que os anglófonos o fazem, com o track a referir-se a todas as provas de corrida em pista e o Field a referir aos eventos de saltos e lançamentos.

Os eventos de estrada, devido à sua imprevisibilidade – ainda maior no contexto de Doha -, não serão alvo desta primeira antevisão, bem como os desportos combinados. Para começar, iremos analisar os eventos de saltos e lançamentos que despertam mais expetativa para Doha.

NOTA: As idades dos atletas apresentadas serão as idades que os mesmos terão na data de início dos Mundiais.

FIELD

10 – Lançamento do Martelo (Feminino)

Em condições normais, Anita Wlodarczyk (34 anos) – pese a dificuldade do pronunciamento do seu nome – seria uma estrela global.

Acontece que os lançamentos nem sempre têm a projeção que merecem e se no masculino já existem atletas que se aproximam desse estatuto (principalmente no Dardo), no feminino existe ainda um certo nível de preconceito. Para se ter uma ideia, a polaca é a única atleta da história da disciplina a ter ultrapassado os 80 metros. Mas não o fez apenas uma vez, fê-lo em 7 competições e tem os 15 melhores registos de competição da história!

Venceu os 3 últimos eventos globais (Pequim, Rio, Londres) e tem 4 títulos europeus consecutivos. A disciplina desperta curiosidade por dois grandes motivos: primeiro, para perceber se Anita consegue aumentar ainda mais a lenda e alcançar o 5º título global (já tinha sido campeã mundial em 2009). Em segundo lugar para perceber se já há concorrência à altura da polaca – ou para a suceder – depois de em 2018 termos visto Anita a perder eventos pela primeira vez desde 2014.

As norte-americanas DeAnna Price (26 anos) e Gwen Berry (30 anos) entraram em 2018 diretamente para o top-5 da história e as polacas Malwina Kopron (24 anos) e Joanna Fiodorow (30 anos) procuram garantir a continuidade da tradição do país do leste europeu, devendo ser as maiores ameaças a Anita.

9 – Salto com Vara (Feminino)

Das 7 mulheres com os melhores saltos na disciplina, 6 encontram-se em atividade. Por aí se percebe que a amplitude de talento nunca foi tanta no Salto com Vara e isso só pode ser bom para o espectáculo.

A imprevisibilidade é uma constante em qualquer meeting pelo mundo fora, mas surpreendentemente isso não se tem verificado para a medalha de Ouro nos últimos eventos globais ao ar livre.

Embora Katerina Stefanidi (29 anos) não seja a atleta em atividade que mais alto tenha saltado, a verdade é que a grega demonstra uma enorme fiabilidade no que diz respeito às grandes competições e normalmente prova no palco certo: venceu os Jogos Olímpicos do Rio e repetiu a vitória nos Mundiais de Londres, além de ser bicampeã europeia.

Em 2015 a campeã mundial foi Yarisley Silva (32 anos), mas a cubana falhou no Rio (7ª) e os 4.65m em Londres apenas lhe deram para o Bronze (partilhado), medalha que pretenderá melhorar em Doha. No papel, a grande adversária de Stefanidi, deverá ser Sandi Morris (27 anos), a norte-americana que ficou com a Prata no Rio e em Londres.

Morris já havia confessado estar farta de ser 2ª (também já o tinha sido nos Mundiais Indoor em Portland em 2016) e o Ouro alcançado em Pista Coberta este ano nos Mundiais de Birmingham poderá ter sido o seu “grito do Ipiranga” para finalmente soltar-se dessas amarras.

É a 2ª atleta da história a saltar mais alto ao ar livre (5.00 metros), mas no final desta temporada ao ar livre voltou a revelar pouca consistência ao perder para Stefanidi na final da Diamond League e para Sidorova na Continental Cup.

Anzhelika Sidorova (28 anos) teve aliás um ano de muito bom nível, não só tendo vencido em Ostrava, como também tendo alcançado a Prata nos Mundiais Indoor de Birmingham (com o seu recorde pessoal de 4.90), falhando, ainda assim, surpreendentemente o pódio nos Europeus de Berlim. Deixando de parte possíveis surpresas, as norte-americanas Jennifer Suhr (37 anos) e Katie Nageotte (28 anos) são dois nomes a ter em consideração.

Suhr é a recordista mundial em pista coberta, sendo a 2ª em termos absolutos a ter saltado mais alto na história (5.03m) e, apesar da idade, em 2018 bateu o seu recorde ao ar livre, saltando 4.93m. Já Nageotte bateu os seus recordes pessoais em 2018 (ao ar livre 4.80m e em pista coberta 4.91 (!)), ano em que até surpreendeu e tornou-se campeã nacional em ambiente indoor.

Das gerações mais novas, é claramente Eliza McCartney (22 anos) quem desperta todas as atenções. A neozelandesa saltou 4.75m em Birmingham para o 4º lugar mundial em pista coberta, mas a temporada ao ar livre foi ainda mais impressionante ao saltar 4.92 metros na Alemanha, tornando-se a 3ª de sempre ao ar livre!

8 – Lançamento do Peso (Masculino)

Em 2018 tivemos 5 atletas a passar os 22 metros e os 22.67 de Tomas Walsh (27 anos) em Auckland significam que temos que recuar até 1990 para encontrar um lançamento maior! O neozelandês tentará revalidar o título alcançado em Londres, tendo já após isso revalidado também o título em pista coberta.

Este ano venceu ainda a Diamond League com outro enorme lançamento (22.60m), mas sabe que nem sequer é preciso um dia mau para deixar fugir uma vitória para a concorrência. É que entre eles está, por exemplo, o norte-americano Ryan Crouser (26 anos), o atual campeão olímpico (com um melhor pessoal a apenas dois centímetros de Walsh), que este ano bateu Walsh em vários meetings (incluindo Eugene e Mónaco do circuito DL).

Igualmente entre os favoritos poderá estar Joe Kovacs (30 anos), campeão mundial em 2015 em Pequim e que no Rio e em Londres foi Prata. Não foi o melhor do norte-americano, mas a sua temporada terminou cedo e o seu foco está claramente no ciclo que trianual que começa em Doha, onde irá entrar na luta das medalhas.

A luta já seria suficientemente emocionante se se resumisse a estes 3 monstros, mas na verdade há, pelo menos, mais 5 (!) atletas com aspirações de entrar nas medalhas em Doha. Darrell Hill (26 anos) é conhecido por ter uma das mais divertidas personalidades do circuito, mas apesar dos seus 22.44m de recorde pessoal tem vivido um pouco na sombra dos outros dois norte-americanos e procurará mudar isso em Doha – no ano passado conquistou a Diamond League, mas falta-lhe um pódio em eventos globais.

O mesmo acontece com o polaco Michal Haratyk (27 anos), que foi 5º nos Mundiais de Londres, mas que este ano sagrou-se campeão europeu em Berlim, num ano em que conseguiu o seu novo melhor pessoal de 22.08m.

Já o mesmo não se poderá dizer de David Storl (29 anos), o alemão que sabe o que é vencer eventos globais (dois Ouros e uma Prata em Mundiais e uma Prata olímpica em Londres) mas que procura regressar aos resultados de maior relevo a nível global.

Por fim, dois atletas que têm roçado o pódio de eventos globais: o checo Tomás Stanek (28 anos), 4º em Londres, não teve um 2018 consistente e o brasileiro Darlan Romani (28 anos) que foi 5º no Rio e 4º em Birmingham (Indoor), finalmente passou a barreira dos 22 metros (22.00m) e até venceu a Continental Cup em 2018.

7 – Salto em Altura (Feminino)

O recorde mundial desta disciplina dura desde 1987 (2.09m de Stefka Kostadinova) e já por várias vezes pareceu estar em risco de cair.

A estrela croata Blanka Vlasic esteve mais perto do que nunca em 2009, ficando a apenas um centímetro da marca da búlgara Kostadinova e na altura todos pensávamos que seria uma questão de tempo. Infelizmente, o tempo e as lesões não foram amigos de Vlasic. Também Chicherova – atleta que viria mais tarde a ser castigada por doping – andou lá perto com os seus 2.07m. E nos 2.06m foram várias atletas a “parar”, incluindo a sueca Kajsa Bergqvist, a sul-africana Hestrie Cloete, a russa Yelena Slesarenko ou a alemã Ariane Friedrich. E Mariya Lasitskene (26 anos).

A russa, que anteriormente era conhecida pelo nome de solteira Kushina, não nega que o recorde é o seu principal objetivo da carreira no momento e outra coisa não seria de esperar olhando para o seu demolidor domínio: a russa venceu 45 provas consecutivas, não perdendo qualquer prova em dois anos.

Este ano quando não venceu num meeting da Diamond League (Rabat) isso foi notícia, mas nada que a tenha afetado muito num ano em que foi de novo campeã mundial de pista coberta e campeã europeia – prova onde aliás mostrou-se visivelmente frustrada por…vencer em “apenas” 2.00 metros!

Nunca tendo tido qualquer suspeita a nível de doping, foi uma das atletas mais afetadas pelo castigo imposto à federação Russa, ficando impedida de competir nos Jogos do Rio, onde seria a grande favorita à vitória. Procurará em Doha o seu terceiro título mundial num ano em que coloca todas as suas fichas no tal recorde mundial.

Lasitskene eclipsa tudo à sua volta, mas ainda assim o ano de 2018 foi um ano de bom nível no geral, com 4 atletas a passarem dos 2 metros. A grande surpresa terá sido a italiana Elena Valortigara (28 anos), que saltou 2.02m em Londres, com uma evolução sensacional (tinha 1.91m de melhor pessoal em…2010!).

A estrela das provas combinadas Nafi Thiam também atingiu um máximo de 2.01 este ano, embora seja de esperar que o seu foco em Doha esteja no Heptatlo, onde é a campeã mundial e olímpica. As únicas atletas que parecem poder ameaçar Lasitskene (caso ela esteja num dia mau) são Mirela Demireva (30 anos), Prata no Rio e a única a vencer uma prova com Lasitskene presente em 2 anos e a jovem ucraniana Yuliya Levchenko (21 anos) que foi Prata em Londres.

À espreita duas outras jovens: a norte-americana Vashti Cunningham (21 anos), que já foi campeã mundial indoor e a britânica Morgan Lake (22 anos). Mas o que o mundo quer ver é Lasitskene vs Lasitskene.

6 – Salto em Altura (Masculino)

Falando em atletas que perseguem recordes mundiais, a Altura masculina não poderia faltar. A marca de Sotomayor (2.45m) dura há 25 anos e não há atleta que mais perto tenha estado do que Mutaz Essa Barshim (28 anos).

Quando Barshim saltou os 2.43 em Bruxelas há 4 anos (e com derrubes posteriores muito ao limite) muitos terão pensado que o recorde estava já ali, mas o Atletismo não é (felizmente!) assim tão linear.

Barshim livrou-se da maldição das grandes competições ao ar livre quando venceu o Ouro nos Mundiais de Londres em 2017, mas uma grave lesão durante este ano (numa tentativa de recorde mundial) afastou o atleta da competição desde o início de Julho e é uma incógnita se atingirá os níveis que trazia.

Competirá em casa nuns Mundiais também históricos para o Qatar e quererá mais do que nunca alcançar esse feito no seu próprio país.

O ex-campeão mundial Bohdan Bodarenko (30 anos) também promete para 2019 um regresso às marcas de outrora e convém recordar que o ucraniano é o 3º a saltar mais alto na história ao ar livre com os seus 2.42 metros.

O campeão olímpico Derek Drouin (29 anos) não é praticamente visto desde os Jogos do Rio e nomes como Gianmarco Tamberi (27 anos) – ainda a regressar depois de uma grave lesão – ou mesmo Andriy Protsenko (31 anos) parecem autênticos tiros no escuro neste momento, sendo que o campeão europeu Mateusz Przybylko (27 anos) não parece, pelo menos para já, capaz de entrar na luta com Barshim.

A maior ameaça, à partida, poderá ser a do campeão mundial de pista coberta e Prata em Londres Danil Lysenko (22 anos), caso o russo seja autorizado a competir. O russo, que já saltou 2.40 metros, foi suspenso por falhas na informação de localização para o controlo anti-doping, suspensão que normalmente ao fim de um ano libera o atleta a competir ao mais alto nível. Acontece que a Rússia continua oficialmente suspensa pela IAAF e caso a situação se mantenha dificilmente Lysenko conseguirá uma autorização como atleta neutral. Mais uma acha para a fogueira.


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