NFL: Jaguars começam uma nova era em 2020, mas será suficiente?

Miguel Veloso MartinsMaio 30, 20209min0

NFL: Jaguars começam uma nova era em 2020, mas será suficiente?

Miguel Veloso MartinsMaio 30, 20209min0
Nos últimos meses temos visto noticias sobre os Jaguars serem a pior equipa da NFL. Já passaram duas épocas desde a última vez que vimos os Jacksonville Jaguars nos playoffs. Será esta narrativa correta ou simplesmente uma reação exagerada aos últimos anos? Fica a conhecer tudo sobre a situação de Jacksonville em 2020.

Após uma época que desapontou muito (e já houveram muitas na última década), muitos prevêem que os Jacksonville Jaguars estão em maus lençóis este ano. Muitos dizem que os Jaguars vão ser a pior equipa da temporada e que vão ter a primeira escolha do Draft de 2021, para escolher Taylor Lawrence. Eu não poderia discordar mais com estas opiniões mal fundamentadas dos media. De facto, seria de estranhar que os canais de TV e websites de notícias desportivas tivessem qualquer noção do que se passa em Jacksonville ou que tentassem tomar atenção ao franchise.

 

A temporada de 2019

Como disse no início deste artigo, 2019 foi um ano triste para Duval. Os Jaguars terminaram a época com seis vitórias e dez derrotas, a terceira vez em quatro anos que o franchise fica em quarto lugar da AFC South. Jacksonville está há dois anos debaixo da sombra de 2017, o único ano da década passada em que chegaram aos playoffs. Este foi, no entanto, um resultado melhor do que na temporada de 2018 (5-11). 

Em 2019, vimos o surgimento de Gardner Minshew que, apesar de muito desrespeito por parte dos media, se mostrou um líder e facilmente um dos melhores rookies da liga no ano passado. Minshew provou a todos que merece ser o futuro do franchise (especialmente quando comparado a Nick Foles), mas ainda é cedo para saber o quão bom o jovem QB será. Outro rookie dos Jags, Josh Allen (o DE, não o QB dos Bills), mostrou-se também como um dos jogadores mais essenciais da defesa da equipa, pronto para substituir certos veteranos que parecem estar de saída. DJ Chark tornou-se no melhor WR do franchise e tendo potencial para se tornar num dos melhores da liga nos próximos tempos. Josh Lambo continua a ser um kicker de elite, cujo contributo na cultura do franchise continua a ser esquecido por muitos. Por fim, Leonard Fournette teve uma boa temporada que estabelece o seu valor no ataque dos Jaguars, assim como no balneário. 

Apesar de todos estes casos positivos, a temporada foi destruída em parte por um membro do franchise muito específico: o vice-presidente executivo, Tom Coughlin. 

 

O Bom, O Mau e O Coughlin

Tom Coughlin sempre foi um indivíduo que beneficiou imenso a cidade, sendo um membro ativo da comunidade, mas as coisas não correram como esperado com os Jaguars. Para aqueles que não conhecem bem a história dos Jaguars, Coughlin foi o primeiro treinador da história do franchise em 1995. A primeira temporada com a equipa resultou em quatro vitórias e doze derrotas, mas, após o seu primeiro ano, Jacksonville qualificou-se quatro vezes seguidas para os playoffs. Estes quatro anos são considerados os anos de ouro dos Jaguars, quando a equipa ainda era consistente. Depois destes anos de sucesso, a equipa liderada por Coughlin acumulou três épocas sem chegar aos playoffs e o treinador foi despedido. 

O treinador mudou-se para os New York Giants. Nos doze anos em que Coughlin treinou os Giants, a equipa qualificou-se cinco vezes para os playoffs, incluindo duas vitórias na Super Bowl. Em 2016, o treinador anunciou que iria abandonar New York, sendo mais tarde revelado que os Giants lhe pediram para se demitir do cargo. Coughlin sempre foi conhecido como um treinador rígido e tradicionalista, cujos métodos de treino e construção da cultura eram considerados por muitos como antiquados. Quando se fala de Tom Coughlin existe sempre a necessidade de mencionar o “Tom Coughlin Time”, que vinha da ideia do treinador começar atividades sempre cinco minutos antes do agendado. Também é de mencionar que o treinador multava jogadores por quebrarem as suas “regras”, tornando-o num indivíduo odiado por muitos jogadores.

Esse foi o caso novamente em Jacksonville. Apesar de Coughlin não ter voltado como treinador, este voltou com mais controlo do que nunca. Como vice-presidente executivo, Tom Coughlin tinha mais controlo do que o treinador e o general manager. Este foi uma decisão em que, na minha opinião, o dono da equipa, Shad Khan, colocou nostalgia à frente do que seria realmente melhor para o franchise. Coughlin foi de facto um treinador marcante na história da NFL, mas não existem justificações suficientemente boas para tornar esta contratação aceitável. Numa liga que está ativamente à procura novos esquemas e treinadores jovens, os Jaguars escolheram investir num treinador com ideais antiquadas que já se devia ter reformado há muito tempo.

Tom Coughlin tornou-se numa das principais razões para a saída de muitos jogadores importantes da equipa, incluindo Allen Robinson, Jalen Ramsey, Malik Jackson e Dante Fowler. Coughlin criou também os contratos que colocaram os Jaguars numa má situação financeira, obrigando-os a transferir Calais Campbell e AJ Bouye para outros franchises. A equipa tinha uma má gestão, que acabou por investir nos jogadores errados (Nick Foles e Andrew Norwell, por exemplo), esquecendo-se de pagar aos atletas que realmente estavam a ter impacto na equipa.

Se ainda existem dúvidas do quão mau foi Tom Coughlin para os Jaguars, a associação dos jogadores da NFL (NFLPA) tornou público que considerava Jacksonville como um local “perigoso” para free agents. Este comunicado surgiu devido a muitas queixas vindas de jogadores dos Jaguars sobre a forma como Coughlin geria a equipa e os seus atletas. Tom Coughlin estava preso num passado em que tal não aconteceria e que poderia reforçar as suas regras e multas ridículas.

 

O que esperar da época de 2020

Coughlin foi despedido antes da época terminar e já se ouve o impacto desta decisão de Shad Khan. O próprio treinador Doug Marrone e o GM Dave Caldwell comentam regularmente esta será a primeira vez em muito tempo em que terão controlo total sobre o plantel. Marrone tornou-se treinador principal em Jacksonville quando Gus Bradley foi despedido depois da 15ª semana da temporada de 2016. Doug Marrone tomou conta do plantel com treinador interino, vencendo o seu primeiro jogo e perdendo o segundo (último jogo da época). Após estes resultados e face à experiência de Marrone no cargo, Khan ofereceu-lhe o lugar como treinador principal até 2021. Nesse mesmo ano, Coughlin voltou também para os Jaguars e esta tornou-se na primeira ida aos playoffs em dez anos.

Caldwell tem provado ser um dos melhores GMs da NFL, selecionando alguns dos melhores jogadores da liga. Algo que podemos apontar o dedo ao GM é regularmente não vermos esses mesmos jogadores a renovar contrato em Jacksonville. Podemos justificar isto nos últimos anos dizendo que é culpa de Tom Coughlin, mas agora Caldwell está no hot-seat. Durante uma discussão acesa entre Yannick Ngakoue e Tony Khan (filho do Shad Khan), este disse num tweet que o franchise estava agora sobre um regime novo. Tony Khan mencionou também que quem decidiu não oferecer um novo contrato a Ngakoue, como este desejava, já não está na equipa. Se Dave Caldwell não conseguir manter um plantel competitivo será de esperar que este seja despedido nos próximos tempos.

Eu acredito que, dando a mesma liberdade que Caldwell teve durante a era de Gus Bradley, este duo poderá trazer os Jaguars de volta ao topo. O Draft dos Jaguars este ano dá-me esperança para o futuro e para o novo regime. Jacksonville selecionou um grupo fenomenal de atletas, mantendo em mente a estratégia de escolher o melhor atleta disponível ao mesmo tempo que resolviam alguns dos problemas mais graves do plantel. No entanto, avaliarei as escolhas dos Jaguars mais a fundo numa série de artigos que pretendo iniciar em Junho, onde também avaliarei todas as outras equipas da NFL.

É quase impossível para um adepto dos Jaguars não acreditar no potencial de Gardner Minshew, que se deverá provar como um líder em 2020. Não estou à espera de ver os Jaguars a ser fantásticos, obviamente, mas a equipa não é tão má quanto as narrativas propagadas pelos jornais americanos a fazem parecer. A minha expectativa é ver seis ou sete vitórias dos Jags este ano. Poderiam vencer mais? Talvez, a NFL é uma liga onde o inesperado pode sempre acontecer. Relembro que em 2018 falávamos dos Jaguars como um dos candidatos ao título e estes acabaram com apenas cinco vitórias. Em 2017 não previamos que os Jaguars quase chegassem à Super Bowl. O mesmo acontece com inúmeras equipas todos os anos. É isso que torna esta liga tão incrível e divertida de acompanhar. Por muito que eu ou qualquer outra pessoa fale, tudo pode acontecer na NFL e ninguém lhe pode roubar isso.

Quem sabe se estes Jaguars não surpreendem como em 2017 e este não é o retorno de Jacksonville à ribalta?

Quantas vitórias achas que terão os Jaguars este ano?


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