Venham os playoffs, os Raptors estão prontos

João PortugalFevereiro 24, 20188min0

Venham os playoffs, os Raptors estão prontos

João PortugalFevereiro 24, 20188min0
Uma análise à profundidade do plantel dos Toronto Raptors, como isso os coloca na frente para chegarem à Final da NBA e o que as duas grandes estrelas da equipa precisam de fazer diferente dos anos anteriores.

Ao olharem para este título, muitos de vocês irão pensar algo do género de: “Playoffs e Raptors não combinam na mesma frase!”, “São a equipa do Este que mais desapontou na post season nos últimos cinco anos!”. Enquanto que a última é verdade, Toronto vem claramente melhorando o plantel de época para época. Torna-se mais complicado explicar os piores desempenhos da dupla Kyle Lowry – DeMar DeRozan, mas a verdade é que os dois lançaram  40% FG em combinado desde que se juntaram para tentar levar a equipa do Canadá à Final da NBA, nos playoffs está claro, o que é uma diferença enorme para a sua produção na fase regular.

É por eles que quero começar, só depois mostrarei a incrível profundidade do restante plantel. DeRozan está a atravessar a sua temporada mais eficiente da carreira, aos 28 anos, ele que nunca foi conhecido por tal. Adicionou o lançamento triplo ao seu arsenal, pela primeira vez marca mais que um por jogo, ainda que abaixo da média da NBA, apenas 33% de eficácia. Está também com 49,2% de duplos marcados, a segunda marca da carreira, somente atrás do ano de rookie onde tinha muito menor utilização e relevância.

Também se tornou muito melhor playmaker, e para isto é naturalmente importante que o plantel seja tão bom e profundo. Os dois líderes podem ter mais confiança nos colegas e não precisam de fazer tanto sozinhos, o que lhes reduz a eficiência, obviamente. DeMar DeRozan tem pela primeira vez uma AST% superior a 25 (25,3), o que significa que quando está em court 25,3% das assistências da equipa são suas, e fá-lo ao ritmo de 5,2 por partida.

([Fonte: GramUnion)
Quanto a Kyle Lowry, está a realizar uma temporada bem mais tranquila, o que não significa que não seja boa, mas reduziu em seis minutos por partida o seu tempo passado em court em relação às duas temporadas anteriores, o que faz sentido porque as suas performances nos anos recentes têm sido feitas de entradas fantásticas na fase regular, abrandamento depois do All-Star e quase desaparecimento nos playoffs.

Como já devem ter reparado na semana anterior ao All-Star Game, os Raptors (41-16) eclipsaram os Boston Celtics, que estão em quebra, e lideram a Conferência Este, com uma vantagem confortável para os 25 jogos que faltam até ao fim.

Estão também com apenas mais três derrotas que Houston e mais duas que Golden State, na interessante luta que haverá pela disputa do melhor recorde da NBA, que se traduz em ter Home Court Advantage (quatro jogos em sete, em casa, nas séries de playoffs) em toda a post season.

Actualmente estão com um melhor point differential (8,5) que os Warriors e posicionam-se entre a elite nos dois lados do court. Têm o quarto melhor ataque da liga com 113,7 pontos marcados por 100 posses de bola e a terceira melhor defesa com somente 105,1 pontos sofridos por 100 posses de bola, o que dá um Net Rating de 8,6. Apesar de estarem com o record de 41-16, têm uma performance de uma equipa que devia estar 43-14 nesta altura.

Mesmo estando a dominar o Este, têm jogado ainda melhor do que o seu recorde mostra, o que mostra ainda mais como os Toronto Raptors são um caso muito sério.

(Fonte: USA Today)

Em termos de profundidade, os Raptors têm 11 jogadores que jogam mais de 16 minutos por jogo, apreciem esta aliteração. No que toca à usagem, só DeRoZan tem um valor muito acima dos outros (30%), enquanto que entre o segundo, Lowry (22%) e o décimo, Jakob Poeltl (15%), há diferenças muito curtas o que mostra como a bola é bem tratada por todos. Como equipa, os Raptors só perdem a bola 13,2 vezes por partida, terceiro na NBA.

Adicionalmente, dos 10 jogadores que já estiveram em court pelo menos 800 minutos (Norman Powell tem 791), todos têm um Net Rating de pelo menos 4 pontos por 100 posses de bola. Todos têm pelo menos 2,4 Win Shares, que é uma métrica avançada que tenta explicar com quantas vitórias cada jogador contribui para  o recorde da equipa. DeRozan e Lowry têm 7,4 e 6,7 respectivamente mas depois há muito equilíbrio, o que mostra que estes Raptors são mesmo profundos.

Podem perguntar, qual é a importância da profundidade nos playoffs? Não é nesta fase da época que os principais jogadores estão em campo mais minutos e as rotações são encurtadas? Isto acontece exactamente porque são raras as equipas que têm a profundidade de Toronto. É sempre uma mais-valia um treinador poder fazer ajustes. As séries de playoff geralmente são decididas pelos match ups e pelos desequilíbrios que cada equipa técnica consegue encontrar. Quanto mais soluções um treinador tiver, mais ajustes poderá fazer em relação à estratégia utilizada pelo adversário.

Aqui têm um pequeno contra-exemplo para tentarem perceber um pouco melhor: Os Cleveland Cavaliers vão ter enormíssimos problemas se por acaso chegarem à Final porque têm vários jogadores que comprometem a equipa de tal maneira no ponto de vista defensivo que terão um valor negativo real muito grande.

Para além disso o plantel é curto. JR Smith, na forma em que está este ano, é alguém que não deveria ter qualquer minuto numa série contra Warriors ou Rockets, ou pelo menos não ser titular. E não há muitas alternativas para o substituir. Jordan Clarkson é um defensor terrível e tem de jogar na posição 1 grande parte do tempo. Rodney Hood vai jogar muito tempo a 3, porque line ups com Kevin Love e Tristan Thompson são muito lentos em trocas defensivas…

(Fonte: GettyImages)

E a seguir podia falar de Kyle Korver e de Cedi Osman e por aí fora. Só queria mostrar como é importante ter um diverso número de jogadores que contribuam positivamente dos dois lados do court porque nem todos os jogadores se ajustam a qualquer situação.

Num potencial FInal contra Golden State ou Houston, o poste Jonas Valanciunas é alguém que eu vejo que possa vir a ter a sua utilização mais limitada por via das características dos line ups de small ball das duas potências do Oeste e o treinador Dwayne Casey pode colocar um 5 com: Lowry, DeRozan, CJ Miles, OG Anunoby e Serge Ibaka, ou até surpreender e colocar um dos jovens Bigs em vez de Ibaka, Jakob Poeltl ou Pascal Siakam.

Contra Houston pode utilizar dois bases, desde que um seja Delon Wright (pelo tamanho e versatilidade), mover DeRozan para extremo, quando Eric Gordon estiver em campo com Harden e CP3. Não me vou alongar mais, os playoffs estão próximos e rapidamente voltaremos a estes temas. O importante era mostrar como os Toronto Raptors têm armas e soluções que mais ninguém no Este tem para disputar uma Final da NBA contra os Rockets ou contra os Warriors e a minha aposta para lá chegarem.

Ainda dentro do Este uma equipa que vejo potencialmente perigosa para os derrotar antes da Final de Conferência seriam os Milwaukee Bucks, muito pela importância de ter o melhor jogador da série em Giannis Antetokounmpo, que requer alguém para o parar que não existe, por ventura, no plantel dos Raptors. Também, num eventual embate com os Cavaliers, abrandar Lebron James será um problema, porém Cleveland tem mais pontos fracos onde Toronto pode pressionar para diminuir a força avassaladora de James.

Concluindo, os Raptors são, para mim, o grande favorito a chegar à Final da NBA, pelo Este. Se houver uma ponta de justiça no Mundo, Dwayne Casey será eleito o Melhor Treinador da Época, mas atenção, continuo convicto de que seja Houston ou Golden State, mesmo contra Toronto a Final ficará decidida em 4-0 ou 4-1.


Entre na discussão


Quem somos

É com Fair Play que pretendemos trazer uma diversificada panóplia de assuntos e temas. A análise ao detalhe que definiu o jogo; a perspectiva histórica que faz sentido enquadrar; a equipa que tacticamente tem subjugado os seus concorrentes; a individualidade que teima em não deixar de brilhar – é tudo disso que é feito o Fair Play. Que o leitor poderá e deverá não só ler e acompanhar, mas dele participar, através do comentário, fomentando, assim, ainda mais o debate e a partilha.


CONTACTE-NOS



newsletter