Shai Gilgeous-Alexander ou “Como os Thunder não desistem”

Rui MesquitaJaneiro 18, 20205min0

Shai Gilgeous-Alexander ou “Como os Thunder não desistem”

Rui MesquitaJaneiro 18, 20205min0
Shai Gilgreous-Alexander é a nova esperança do rebuild dos Thunder, mas será mesmo um rebuild? Que rumo levará esta equipa de OKC?

No verão de 2019, os OKC Thunder carregaram no temido botão do rebuild. Trocaram Paul George por Shai Gilgeous-Alexander, Danilo Gallinari e um camião de escolhas do draft; trocaram Russell Westbrook por Chris Paul. Chegava então ao fim uma bonita era no estado de Oklahoma.

Os Thunder foram, nos últimos 10 anos, a quarta equipa norte-americana mais bem sucedida. Não a quarta da NBA, a quarta do país! Apenas atrás de Pittsburgh Steelers, San Antonio Spurs e New England Patriots. Acabaram a década sem um título mas isso não significa insucesso. Lutaram sempre pelos lugares cimeiros e pelo título da NBA embora nunca tenham lá chegado.

A grande esperança em OKC (Foto: USA Today)

A troca dos seus 2 melhores jogadores (um deles a cara da equipa nos últimos anos) mostrava que Sam Presti (o General Manager) estava pronto para seguir em frente. E seguir em frente na NBA normalmente significa ficar alguns anos fora do topo, ganhar escolhas altas no draft e desenvolver craques do futuro. Fizeram isso equipas como os 76ers e os Lakers e continuam numa espiral de alguns anos outras equipas desta Liga.

Apesar da troca de Paul George mostrar esta entrada num rebuild, a troca de Westbrook por Chris Paul nem por isso. A ideia inicial era trocar de imediato Paul e amealhar mais recursos de futuro. A troca não aconteceu e os Thunder entraram com tudo nesta época.

O sucesso e o porquê

56,1% de vitórias, uma equipa muito equilibrada a atacar e defender e, principalmente, bem treinada. Esta tem sido a chave para o sucesso. Billy Donovan nunca conseguiu mostrar as suas qualidades como treinador enquanto teve Westbrook a liderar a equipa e agora tem liberdade para isso. Chris Paul tem se mostrado um líder e um exemplo fantástico para a grande esperança em OKC: Shai Gilgeous-Alexander.

Shai tem 20 pontos por jogo, 5,7 ressaltos por jogo e 3 assistências por jogo. Foi o quarto jogador no segundo ano de NBA da história a fazer um triplo duplo com 20 pontos e 20 ressaltos (os outros 3 foram Shaquille O’Neal, Charles Barckley e Oscar Roberson). Uma primeira metade de época promissora, a acompanhar a prestação da equipa.

Jogo de pés incrível, ataque ao cesto irrepreensível, cada vez melhor a lançar e decisões praticamente sempre bem tomadas. Indicadores de que teremos uma nova estrela em OKC. O seu mentor, Chris Paul, parece anos mais novo. Sem a pressão de cumprir um estilo rígido e de lutar por um título como tinha em Houston, Paul está de volta ao seu antigo nível. CP3 tem sido o closer da equipa. Os Thunder têm jogado (e ganho) muitos jogos no clutch (jogos nos últimos 5 minutos com 5 ou menos pontos de diferença) e a bola tem caído sempre nas mãos de Chris Paul.

O sucesso então assenta em 3 pilares: Billy Donovan, Shai e Chris Paul. O que resta saber é: até onde pode ir este sucesso e será mesmo sucesso?

O adiar do fim ou o início de algo mais?

Com isto, os Thunder parecem estar a adiar o fim de uma era. Há quem defenda que é uma má decisão, que deviam procurar picks melhores, trocar os bons jogadores que têm e começar a olhar para o futuro. E é possível que isso aconteça. Perto do All-Star Game é possível que Presti troque Chris Paul, Gallinari, Steven Adams e até Schroder para equipas que estão a lutar pelo título. Com isto os Thunder podem amealhar mais escolhas do draft.

É um cenário possível e até provável caso apareçam boas propostas por estes jogadores. Ainda assim, os Thunder não parecem desesperados por despachar estes jogadores e vejo Presti a recusar tudo caso a oferta não lhe agrade. Com isso, os Thunder poderão ir aos playoffs e até causar dificuldades a uma das melhores equipas do Oeste.

Shai está feliz em OKC e tem um futuro brilhante nos Thunder (Foto: Essencially Sports)

Assim sendo é o adiar do fim, certo? Não! Experiência nos playoffs (mesmo que uma saída na primeira ronda) é a melhor forma de desenvolver talento. Ter Shai a defender Paul George ou Donovan Michell e a atacar com uma defesa bem preparada pode fazê-lo dar mais um salto.

Para além disso, tenho a certeza que enquanto Presti achar que a equipa consegue manter uma cultura vencedora (por vencedora entenda-se ser competitiva na NBA), vai tentar fazer o malabarismo de manter isso e construir o futuro. Há provas na NBA de que não é preciso destruir tudo para construir algo com qualidade (os Miami Heat são um excelente exemplo). Para isso, é preciso um bom malabarista e boas bolas para serem mantidas no ar. Sam Presti tem provado o seu talento e quer continuar a fazê-lo. Em cima disso, mistura de juventude e talento veterano ajuda a que se consiga manter tudo a funcionar.


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