It’s Dame Time, ou como os Trail Blazers dominaram os Thunder nos playoffs

Rui MesquitaMaio 5, 20196min0

It’s Dame Time, ou como os Trail Blazers dominaram os Thunder nos playoffs

Rui MesquitaMaio 5, 20196min0
Os Thunder foram eliminados pelos Trail Blazers de forma algo inesperada. Como explicar este desaire? O que esperar das duas equipas depois desta série?

À entrada para a primeira ronda dos playoffs da NBA, o encontro entre Portland Trail Blazers e Oklahoma City Thunder era um dos mais esperados. A rivalidade histórica entre os dois franchises — por estarem na mesma divisão da NBA, terem sido “vizinhos” quando a equipa OKC estava sediada em Seattle e terem ambos equipas muito competitivas nos últimos anos, animando todos os jogos entre as duas formações — e, sobretudo, as estrelas maiores de cada lado assim prometiam. Antes de entraram em campo já havia trocas de palavras entre jogadores, o que aumentava ainda mais a expectativa.

As previsões e o que correu mal

A maioria das previsões (inclusive as do Fair Play) davam a vitória aos Thunder. Na fase regular OKC venceu os 4 encontros entre as duas equipas e Portland não tinha Nurkic. O poste titular para os Blazers seria Enes Kanter, que passou por OKC e foi trucidado nos playoffs, custando a passagem à fase seguinte naquela altura. Assim, explorando as fragilidades de Kanter, com Paul George numa época fantástica, com uma defesa de elite, OKC era “favorito”.

Mas do outro lado estava uma equipa que queria apagar a imagem dos playoffs do ano passado e um jogador a querer provar o seu valor: Damian Lillard. No confronto com Westbrook, Lillard foi, nesta série, sempre superior. Melhor a defender, melhor a lançar, melhor a criar e melhor a decidir. Mas isso não leva por si só à derrota dos Thunder, certo? Afinal há PG13 e há Kanter do outro lado, certo?

(Foto: Getty Images)

Paul George foi uma desilusão nesta série. A lesão no ombro afetou o seu lançamento e apenas acertou 31,9% dos triplos. Sem a sua capacidade de lançamento OKC tornou-se uma equipa limitada ofensivamente. Portland conseguiu sempre bloquear o jogo interior de Westbrook, anulando assim o base. Ficou uma grande arma por explorar: Steven Adams. O poste neozelandês ainda não foi totalmente aproveitado apesar de ter acertado mais de 68% dos lançamentos. A vantagem física de Adams devia ter sido mais aproveitada por Billy Donovan, treinador dos OKC, ao invés de insistir no lançamento exterior que nunca resultou para os Thunder.

O que decidiu a série: Kanter e Dame Time

Ao contrário dos Thunder, os Trail Blazers disfarçaram as suas fraquezas e potenciaram bem as suas forças. Enes Kanter teve alguns problemas no pick-n-roll de Adams com Westbrook, mas nada na magnitude esperada. Donovan nunca conseguiu explorar as limitações de um jogador que conhece tão bem. E ofensivamente foi muito importante com ressaltos ofensivos e passes interessantes, que tornam o ataque imprevisível.

Apesar disso, o ponto-chave desta série foi Damian Lillard. O base, para além de vencer a luta entre números, foi demolidor em todas as vertentes do jogo. Limitou bem Westbrook quando teve que o defender, atacou muito bem o cesto, passou bem a bola e meteu a bola no cesto como ninguém. 33 pontos, 6 assistências e 2,4 roubos de bola por jogo (tantos roubos de bola como George e Westbrook juntos). Uma performance fantástica do base, que dominou os Thunder por completo.

E tudo terminou com um lançamento fora de série para mandar os Thunder para casa. Com o jogo 5 empatado, Lillard esperou até ter apenas uns segundos no relógio e lançou do meio da rua com um step-back fadeaway com George (um dos melhores defensores da liga) na sua frente. O tempo acabou mesmo antes de a bola chegar ao cesto para criar um dos momentos mais incríveis da história da NBA. O som da buzina, a bola a percorrer a rede do cesto, o público em delírio, os companheiros em cima de Lillard e a frieza do jogador. Primeiro diz adeus ao adversário e depois fixa a câmara com cara séria, como se tudo aquilo fosse normal. IN-CRÍ-VEL!

O próximo passo para vencedores e derrotados

O próximo passo para Portland é simples, defrontar e vencer os Nuggets para chegar à final de Conferência. Jokic cria problemas diferentes dos Thunder, mas com Lillard a jogar como jogou nestes 5 jogos, os Blazers serão sempre uma equipa muito difícil de bater. Chegar ao título este ano será difícil, já que para lá chegar terão adversários de enorme qualidade. Mas no próximo ano, com Nurkic de volta e com uma ou duas adições, quem sabe Portland possa sonhar com um anel.

Os Thunder terão um verão atribulado. Com uma das mais elevadas folhas salariais da NBA, a equipa de OKC não tem muito por onde melhorar o plantel. Perderá alguns jogadores do banco e cabe a Sam Presti, general manager dos Thunder, trazer melhores jogadores para o sistema que Westbrook exige. Mais e melhores lançadores para abrir espaço para o ataque ao cesto do base.

(Foto: Getty Images)

Mas a grande mudança tem que ser no banco. Billy Donovan não conseguiu dominar o ímpeto de Westbrook dando-lhe liberdade para lançamentos sem sentido e defesa desconcentrada. Um novo treinador pode ajudar a que Westbrook ajuste o seu estilo e perceba qual a melhor forma de jogar para a sua equipa. A presença de Paul George devia ter tido esse efeito, mas não parece ter resultado. Em 3 anos depois da saída de Kevin Durant, os Thunder perderam por 3 vezes na primeira ronda dos playoffs.

Westbrook tem que melhorar o lançamento e a capacidade de decisão para deixar de ser um jogador tão previsível e facilmente anulável numa série de playoff.

Quem sabe o futuro não nos reserva um reencontro entre estas duas equipas já no próximo ano. Desta vez Portland e Lillard levaram a melhor com uma facilidade estonteante, caberá aos Thunder e a Westbrook melhorarem e responderem já na próxima temporada.


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