76ers, estão prontos para ir à Final?

João PortugalAbril 10, 20186min0

76ers, estão prontos para ir à Final?

João PortugalAbril 10, 20186min0
Os Philadelphia 76ers foram a melhor equipa do Este desde Fevereiro e estão em condições óptimas de alcançarem a Final. Terão o que é necessário para ultrapassarem Cavs e Raptors? Análise ainda às alternativas à lesão de Joel Embiid

Os Philadelphia 76ers são a minha aposta para irem à Final da NBA pela Conferência Este. Este artigo não serve para fazer lavagens cerebrais a ninguém. Só peço a quem o ler que avalie a informação que vos providenciarei, juntamente com algumas opiniões fundamentadas, e me respondam se concordam ou não. Posto isto vamos à parte divertida. Por que é que me deu esta ideia na cabeça? Por que é que tomei a decisão de escrever este artigo depois da lesão de Joel Embiid?

Vou começar por disparar alguns argumentos aos quais vou dar atenção mais à frente. Primeiro, os três principais adversários, Toronto, Cleveland e … Boston? Ainda vale a pena colocar aqui Boston? Kyrie já não vai jogar mais este ano, Hayward não vai regressar. Até quando é que Brad Stevens pode fazer magia sem haver um colapso nos playoffs? 2ª ronda? A única primeira ronda que os vejo ultrapassar seria contra Washington e talvez Milwaukee, mas não contra Miami nestas condições. Os Celtics terão enormes dificuldades em criar bons lançamentos contra os Heat.

Cleveland tem grandes deficiências ao nível dos processos e do coaching. Acho que ficou claro com os elementos da troca de Irving com Boston. Isaiah Thomas não tanto porque o seu sucesso requer jogadores ao lado que não existiam no plantel dos Cavs, mas que havia em Boston, como Avery  Bradley ou Marcus Smart. Contudo, se olharmos para Jae Crowder, um dos melhores 3&D (jogadores que defendem muito bem e lançam igualmente triplos acima da média da NBA) da temporada passada, produção fraquíssima em Cleveland e agora em Utah novamente a jogar muitíssimo bem. Qual é a diferença? Os processos ofensivos e o coaching.

Em relação aos Raptors aquilo que me faz mais confusão é que a experiência que tanto o treinador Dwayne Casey como o core de jogadores que fazem parte deste grupo que tem procurado chegar à Final com Lowry e DeRozan, não serviu para perceberem como encarar certas situações correctamente. E de todos os erros tácticos que têm cometido quando defrontam os adversários mais fortes da Conferência, a baixa utilização de Jonas Valanciunas contra os Cavaliers.

Vamos todos ficar assim quando estes se encontrarem na Final do Este? Fonte: 93,7 Rock

Se eu tivesse conhecido os Raptors numa dating app, isto era o que eu consideraria como um major turn off. Cleveland não tem, repito, não tem ninguém capaz de fazer sombra ao poste lituaniano. São os cestos mais fáceis que eles conseguem sempre que se defrontam. No entanto, utilizam line ups demasiado small ball à medida que o jogo se vai aproximando das fases decisivas. Isto, para mim, é o que impedirá o melhor plantel do Este de chegar à Final, se não for corrigido até lá.

E os nossos 76ers? Se recuarmos até ao All-star break, ou até mesmo ao início de Fevereiro, podemos ver que vêm num soberbo parcial de 26-6, com um net rating de 8,8 pontos por 100 posses de bola. Ainda melhor que Toronto (25-7). Podem argumentar que nestes 32 jogos não houve confrontos contra Golden State ou Houston, mas Philly já derrotou os Rockets esta temporada.

Há alguns factos impressionantes em relação a esta temporada irrepreensível de Philadelphia, porém o número que considero superior  a todos os outros é 20,4. Esta é a superioridade, por 100 posses de bola, do cinco inicial em relação a todos os adversários, em média. Estatisticamente é melhor da NBA, com um mínimo de 600 minutos jogados, e se pensarmos bem, este line up tem tudo o que faz a diferença na NBA hoje em dia. Tamanho e defesa, desde a posição base em que Ben Simmons tem tamanho de extremo e pode ficar encarregue desde logo de um dos match ups defensivos mais difíceis.

Joel Embiid é a minha escolha para Defensive Player of the Year. Os 76ers não defendem de modo a tentar provocar muitos turnovers ao adversário mas são a equipa que mais dificulta os lançamentos. Embiid já é um dos melhores Bigs da liga a defender lançamentos, quer seja perto do cesto ou quando se tem que afastar até ao perímetro. Com estes cinco, podem realizar muitas trocas durante as jogadas sem grandes desiquilíbrios defensivos. Lideram a NBA na categoria de opponet eFG%, o que significa, que não há mais nenhum franchise na liga que defenda tão bem lançamentos como eles, sejam duplos ou triplos.

Os 2 maiores responsáveis pela brilhante época dos 76ers. Fonte: ClutchPoints

Para além de tamanho e defesa, são as qualidades de playmaking de Simmons (o jogador mais transcendente a aparecer na NBA desde Anthony Davis, ou recuamos até Lebron?) e Embiid, juntando-lhes três atiradores de longe capazes de percentagens acima dos 37%, JJ Redick, Dario Saric e Robert Covington.

 

O regresso à competição de Markelle Fultz, com a sua mecânica de lançamento bem mais avançada do que se previa, aumentou ainda mais a variedade de soluções para o treinador Brett Brown. Principalmente a possibilidade de poder utilizar Fultz ao lado de TJ McConnell na segunda unidade, fica um muito melhor complemento a Ben Simmons. Dentro de um ou dois anos Fultz e Simmons serão titulares e tornar-se-ão num pesadelo para os adversários, principalmente no capítulo defensivo.

Em termos de cabeças-de-série, a vitória deste sábado perante os Cavaliers, mesmo sem Joel Embiid, colocou-os em terceiro no Este e permitiu-lhes ficar no quadro de Boston, enviando os Cavs para o dos Raptors. Isto significa que a lesão de Embiid (osso na cara partido, em torno do olho esquerdo) que o deverá afastar dos courts pelo menos a primeira ronda dos playoffs e, talvez a primeira semana da segunda, vê o seu impacto um pouco reduzido. Não vejo Philadelphia inferior a Boston, Miami ou Milwaukee, apesar de não terem o seu melhor jogador durante uma série completa ou apenas alguns jogos.

Os outros 4 titulares, sem Embiid, ainda continuam a ser uma das melhores combinações de 4 elementos da temporada, com um mínimo de 800 minutos jogados, com um net rating de 14,3. Ainda para mais, Amir Johnson é um Big muito experiente e será certamente uma mais-valia nos playoffs. Nos 102 minutos que Johnson esteve em court com Ben Simmons, Dario Saric, Robert Covington e JJ Redick, Philadelphia continua a ser superior aos seus adversários em 7,5 pontos por 100 posses de bola. Os 76ers vão ficar bem sem Embiid e quando este regressar até os Cavs terão que ter muito cuidado, ainda por cima com o home court advantage dessa série do lado de Philly.

Ben Simmons vai iniciar a sua carreira na post season liderando esta equipa sem Embiid, mas é para isso que um talento transcendente como ele nasceu preparado. É uma das melhores primeiras temporadas da história da NBA. Fiquem com este nugget do Kelly Scaletta sobre a comparação dos seus números com os melhores de sempre, sendo que falta nessa lista Michael Jordan que o conseguiu uma vez também.

 


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