1ª divisão feminina – Crónica do inédito bis do Algés

João BastosMarço 20, 201815min0

1ª divisão feminina – Crónica do inédito bis do Algés

João BastosMarço 20, 201815min0
O Sport Algés e Dafundo renovou o título de campeão nacional de clubes femininos da primeira divisão. Contamos como foi obtido o bis algesino

A equipa feminina do Sport Algés e Dafundo confirmou o favoritismo e sagrou-se bi-campeã nacional da primeira divisão pela primeira vez no seu historial. Passamos em revista a prestação das algesinas, bem como os restantes pontos altos do Campeonato Nacional de Clubes da 1ª divisão feminina


Pelo segundo ano consecutivo a equipa feminina do Algés sagrou-se campeã nacional da 1ª divisão, numa edição onde contou com fortes opositoras. Contamos o percurso das campeãs nacionais até aos 729 pontos finais, mas também lançamos um olhar para tudo o resto que se passou na 1ª divisão.

No comando à segunda prova

O Algés não esteve sempre na frente da classificação…mas quase. Como era expectável, o Benfica começou forte com a dupla Diana Durães e Filipa Rodrigues a fazerem respectivamente 1º e 3º lugares na prova inaugural dos 400 metros livres. Mas o Algés não perdeu muito terreno com Rita Frischknecht a ser 2ª e Carolina Marcelino 5ª. Também o FC Porto começou bem com o 4º lugar de Ana Rita Faria e o 6º de Maria Carolina Costa.

De entre as 4 equipas mais fortes, o Sporting foi aquela que começou atrás, com as jovens Maria Moura (7ª) e Leonor Fernandes (9ª). Joana Amador (Galitos de Aveiro) foi a única nadadora nos 400 livres que impediu que as quatro principais equipas ocupassem integralmente o top-8, sendo o primeiro pronúncio da boa carreira que a equipa aveirense veio a fazer.

Já ao Sporting, partir atrás nos 400 livres não era problema porque a segunda prova eram os 50 mariposa, onde as sportinguistas contavam com a forte dupla Inês Fernandes e Beatriz Viegas. Inês não defraudou as expectativas do Sporting e venceu a prova com o fantástico recorde pessoal de 27.81. Beatriz foi 8ª classificada, não esteve ao seu melhor mas chegou para ficar à frente das duas nadadoras do Benfica e das duas nadadoras do Porto. Só não deu para ficar à frente de Madalena Azevedo (3ª) e de Francisca Azevedo (4ª) que fizeram tantos pontos como o Sporting nesta prova, permitindo ao Algés assumir o comando logo na segunda prova.

Em termos individuais, grande destaque para a nadadora júnior do Ginásio Vila Real, Ana Margarida Guedes, que foi 2ª classificada com o tempo de 28.27, marca que constitui novo recorde nacional júnior-17 anos que permanecia intacto há 15 anos. Era pertença da olímpica Sara Oliveira, mas agora passa para as mãos da nadadora do Ginásio de Vila Real.

Foto: Luís Filipe Nunes / FPN

Rafaela Azevedo rumo a Helsínquia com recorde nacional

Em qualquer altura da competição é positivo assumir a liderança, mas assumi-la antes de uma prova onde o Algés faz alinhar duas fortes candidatas à vitória, tem uma importância extra. As juniores Rafaela Azevedo e Anna Ferreira foram as eleitas para nadar a terceira prova, os 100 metros costas. Como grandes adversárias tinham as nadadoras do Ginásio de Vila Real, uma delas a recordista nacional absoluta da prova – Ana Sofia Leite – e a outra, Ana Margarida Guedes, acabada de nadar os 50 mariposa.

Ter estas duas adversárias podia ser positivo ou negativo. Negativo porque a qualidade das vilarealenses podia tirar a vitória ao Algés, mas positivo porque caso as algesinas superassem as Anas, garantiam que as adversárias da geral não ficariam nas posições imediatamente seguintes.

A prova “saiu melhor que a encomenda” ao Algés que fez 1º e 2º lugares com Rafaela a vencer no tempo de 1:03.57, novo recorde nacional júnior-16 anos e mínimos para os Europeus de Juniores que decorrem em Julho, em Helsínquia. Ficou a apenas 15 centésimos do recorde nacional absoluto.

Esta foi uma prova nuclear para a caminhada do Algés, que depois dos 100 costas ficou com 18 pontos de avanço para o Benfica, 29 para o Sporting e 38 para o Porto.

Foto: Luís Filipe Nunes / FPN

Raquel Pereira entra em acção

Foi com esta vantagem que se disputou uma das contendas mais aguardadas dos campeonatos. Os 200 metros estilos opunham Raquel Pereira a Diana Durães. Ainda antes da última série já Inês Fernandes voltou a exibir a sua grande forma a estabelecer mais um recorde pessoal no tempo de 2:17.68.

O duelo Raquel-Diana não desiludiu e só se decidiu na chegada com Diana a não conseguir anular no percurso de livres a vantagem que Raquel alcançou no percurso de bruços. A nadadora do Algés venceu com mínimos para os Jogos Olímpicos da Juventude, no tempo de 2:17.57. A nadadora do Benfica nadou em 2:18.00, ou seja, Inês ainda se intrometeu entre Raquel e Diana.

No quarto lugar chegou a júnior da União Piedense, Luísa Machado, que obteve os mínimos para os Europeus de Juniores com o tempo de 2:20.75. No 5º lugar ficou a segunda nadadora do Algés, Madalena Azevedo, fazendo do Algés a equipa mais pontuada também nesta prova.

A fechar a primeira sessão nadaram-se os 4×100 livres onde Algés e Sporting se perfilavam como as equipas mais favoritas à vitória. O quarteto composto por Francisca Azevedo, Rita Frischknecht, Madalena Azevedo e Raquel Pereira conseguiu a terceira vitória consecutiva para o Algés, concluindo uma sequência de provas que praticamente sentenciaram o rumo da competição.

Os 200 mariposa foi uma prova onde o protagonismo foi para equipas que seguiam mais atrás. Giovanna Vargas do Náutico da Marinha Grande venceu destacada e foi o Fluvial Portuense a equipa mais pontuada com o 2º lugar de Madalena Machado e o 6º lugar de Mariana Cunha. O CFP seguia no 5º lugar fazendo uma excelente campanha.

Seguiram-se os 100 bruços e mais uma vez com Raquel Pereira em evidência. Quarta vitória para o Algés em 7 provas nadadas com Raquel a marcar 1:10.15, mínimo para os Jogos Olímpicos da Juventude. Clara Pereira, irmã mais nova de Raquel, foi 6ª classificada e o Algés voltou a ser a equipa mais pontuada, numa prova dominada pelas equipas da frente: Algés em 1º, Benfica (com Cláudia Borges) em 2º, Porto (com Paula Oliveira) em 3º e Sporting (com Anaïs Charro) em 4º. Mais um bom desempenho para o Fluvial Portuense com o 5º lugar de Angélica André.

Foto: Luís Filipe Nunes / FPN

Rita Frischknecht, a segunda melhor de sempre nos 200 livres

Diana Durães voltou a ter um duelo com nadadoras do Algés. Desta vez foi nos 200 livres e com Rita Frischknecht. Desta vez venceu, mas Rita deu grande luta marcando 2:02.25, excelente recorde pessoal, tendo em conta que nunca tinha baixado dos 2:04. No terceiro posto, e com mínimos para os Europeus de Juniores, chegou a segunda benfiquista. Letícia André nadou em 2:04.68.

Se o Algés seguia bem isolado na primeira posição, o Benfica passou a ficar bem isolado no segundo lugar. A incógnita mantinha-se para o último lugar do pódio ocupado pelo Sporting, mas com apenas 18 pontos de avanço para o Porto.

Nos 4×100 estilos o Algés com a vencedora da prova individual dos 100 costas e com a vencedora da prova individual dos 100 bruços abriram um fosso para as adversárias e a equipa composta por Rafaela Azevedo, Raquel Pereira, Bárbara Barata e Rita Frischknecht venceu em 4:16.87, a apenas 64 centésimos do recorde nacional absoluto. Sporting, Porto e Benfica seguiram-se na classificação da prova.

Foto: Luís Filipe Nunes / FPN

Jornada da consagração

O segundo dia da competição começou como o primeiro para as líderes. As duas primeiras provas – 800 metros livres e 50 metros livres – menos ao jeito das nadadoras do Algés, seguidas dos 200 bruços e 50 costas, de onde vieram mais duas vitórias.

Raquel Pereira tinha na manhã do segundo dia a sua grande especialidade e não desiludiu. 2:28.78 aos 200 bruços, novo recorde pessoal e mínimo para os Europeus de Absolutos e Jogos Olímpicos da Juventude. Cláudia Borges consolidou o segundo lugar do Benfica ao ser segunda classificada na prova.

Em relação aos dois primeiros lugares já começava a haver pouco para decidir mas a batalha entre Sporting e Porto estava ao rubro. Com a vitória nos 800 livres com Maria Carolina Costa, o 2º lugar nos 50 livres com Ana Rita Faria e o 4º nos 200 bruços com Paula Oliveira, o Porto aproximou-se fortemente do Sporting e no final dos 200 bruços a diferença era de apenas 2 pontos!

A dupla Rafaela Azevedo/Anna Ferreira voltou a dar a dobradinha ao Algés, desta vez nos 50 metros costas e da parte do Sporting a resposta ao Porto veio na prova de 100 metros mariposa, mais uma vez com Inês Fernandes em grande evidência. Terceiro recorde pessoal para a sportinguista com o tempo de 1:01.58. O Fluvial Portuense voltou a ser a equipa mais pontuada numa prova de mariposa, com Mariana Cunha a ser 3ª e Madalena Machado a ser 5ª.

Apesar da vitória na última prova da manhã, Porto e Sporting foram empatados para a última sessão.

No período da tarde a mais experiente das sportinguistas, Mafalda Beleza, deu o exemplo ao superar-se nos 400 estilos e a ser 4ª classificada, mas logo a seguir veio Ana Rita Faria a conseguir a única vitória do FC Porto nos campeonatos, nos 100 livres. Foi uma vitória que veio na prova certa, já que o Sporting alinhava com Inês Fernandes (3ª) e Beatriz Viegas (5ª) e, desta forma, o Porto não perdeu terreno no particular com o Sporting (até ganhou um ponto, com Maria Cabral a ser 7ª).

Voltou Rafaela Azevedo à piscina e fez o pleno de vitórias, vencendo os 200 costas em 2:18.61 (mais um mínimo para os Europeus de Juniores), superiorizando-se à sua irmã e recordista nacional absoluta, Francisca Azevedo. O Algés mostrou o poder de fogo que tem nas provas de costas ao fazer a pontuação máxima nas três provas de costas.

A definição do pódio

O treinador do Sport Algés e Dafundo, Miguel Frischknecht, foi obviamente determinante na vitória da equipa na 1ª divisão. O que ele talvez não contava é que acabou por ser determinante na definição do último lugar de acesso ao pódio. É que no início da última sessão operou uma troca colocando Raquel Pereira a nadar os 400 estilos retirando-a dos 50 bruços, onde seria a favorita à vitória. Quem mais aproveitou a ausência de Raquel foi a sportinguista Anaïs Charro que venceu a prova, deixando Paula Oliveira um lugar atrás, mas com menos dois pontos.

No final da competição o Sporting levou a melhor sobre o Porto por apenas 1 ponto!

Foto: Luís Filipe Nunes / FPN

Com as vencedoras decididas antes da última estafeta, o Algés não quis deixar de encerrar a sua participação com chave de ouro, ou seja, com recorde nacional absoluto. E assim foi. Madalena Azevedo, Raquel Pereira, Francisca Azevedo e Rita Frischknecht superaram o seu próprio recorde nacional e marcaram 8:25.04.

Mas a decisão mais dramática ficou reservada para a luta pela manutenção. À partida para a última prova o Ginásio de Vila Real partia no 9º lugar (último lugar que garantia a manutenção) com 3 pontos de avanço para o 10º lugar que era ocupado pelo Sporting de Braga. Era preciso que as bracarenses se classificassem 4 posições acima das transmonstanas, uma vez que no critério de desempate o GCVR tinha vantagem.

As gverreiras foram à luta e, mesmo sem a sua melhor nadadora de 200 livres (Tamila Holub), conseguiram um fantástico 7º lugar que lhes deu mais um ponto do que necessitavam, já que o GCVR ficou na 12ª posição.

A alegria final das nadadoras do Braga contrastava com a desilusão das nadadoras do Vila Real que não tiveram o contributo de Ana Guedes na última estafeta, uma vez que a júnior se lesionou de manhã nos 50 costas, descem assim à 2ª divisão.

No final o Algés registou 729 pontos e carimbou o primeiro bi-campeonato da 1ª divisão feminina da sua história.

A classificação ficou assim ordenada:

Fonte: Swimrankings

As contas da bisca

No lançamento dos nacionais de clubes da 1ª divisão o Fair Play fez o prognóstico para cada uma das 12 equipas presentes. Vejamos quão certeiros foram os palpites:

Em relação aos prognósticos, a equipa campeã confirmou o favoritismo que lhe atribuímos. Nos lugares subsequentes já tínhamos referido que era difícil arriscar na ordem entre Benfica, Sporting e Porto, daí que a “troca” entre Sporting e Benfica não seja uma surpresa. O que nos surpreendeu foi a diferença pontual entre o segundo lugar do Benfica e o terceiro lugar do Sporting. Neste particular, devemos destacar a costista benfiquista Filipa Grilo que se apresentou em grande forma com três recordes pessoais nas provas de costas batidos por larga margem, o que deu ao Benfica mais pontos nas suas provas do que aqueles que antecipávamos.

O 4º, 5º e 6º lugares bateram certo com os nossos prognósticos. O 5º lugar do CFP e o 6º do CFB não eram difíceis de antever, basta ver que se classificaram nessas posições com muitos pontos de diferença quer para a posição anterior, quer para a seguinte.

O 7º classificado Galitos de Aveiro “trocou” com o 8º lugar do Náutico da Marinha Grande. As duas equipas fizeram um campeonato muito bom. A equipa de Aveiro tinha sido última classificada na edição do ano passado e desta vez teve uns campeonatos bastante tranquilos. A equipa da Marinha Grande foi repescada à segunda divisão mas também teve sempre a manutenção controlada.

A maior discrepância entre o prognóstico e a classificação final foi mesmo para a equipa do Braga. Foi a última equipa repescada para a 1ª divisão, vinha sem a sua melhor nadadora e mesmo assim conseguiu manter-se na primeira divisão. O destaque vai para a equipa toda porque todas se apresentaram no seu melhor, mas houve duas nadadoras (Juliana Freixo e Maria Madalena Silva) que foram determinantes e que já tínhamos identificado como os principais trunfos do Braga. Apresentaram-se ao seu melhor nível com o estabelecimento de recordes pessoais, o que já não acontecia há alguns anos para ambas.

Apesar de só ter caído para a zona de despromoção na última prova, o GCVR acabou por se classificar (infelizmente, para o clube) no lugar que prevíramos.

Se o Braga foi a maior surpresa (para nós) no lado das melhorias em relação à previsão, a Desportiva de Viana foi a maior surpresa no lado das descidas. Sabíamos que não ia ser fácil garantir a manutenção, mas acreditávamos que a equipa de Viana do Castelo ia conseguir. O problema é que aquela que era o seu principal trunfo (Paula Goyanes) já não compete com regularidade e esteve muito longe do seu melhor. Esse factor acabou por ser determinante para a equipa minhota.

Finalmente a SFUAP acabou por ficar um lugar abaixo do que prevíamos. Não que as previsões individuais em relação à SFUAP estivessem muito desfasadas da prestação que a equipa acabou por ter. A diferença foi mesmo a excelente prestação do Braga. Fica para a SFUAP o consolo que poucas equipas tiveram de apurar uma nadadora para uma competição internacional.

No próximo ano trocarão de divisão com a GCVR, a EDV e a SFUAP as equipas da Académica de Coimbra, Leixões e Fundação Beatriz Santos.


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