[Aqua Moments] A rainha da Catalunha

João BastosOutubro 29, 20174min0

[Aqua Moments] A rainha da Catalunha

João BastosOutubro 29, 20174min0
Recuamos até ao ano de 1992 quando uma pequena húngara, de nome Krisztina Egerszegi, emergiu como a grande figura dos Jogos Olímpicos de Barcelona.

O Fair Play continua a sua série de artigos que recordarão momentos históricos da natação. O Aqua Moments olhará para o retrovisor e reviverá marcos incontornáveis da história da modalidade


Numa altura em que a região espanhola atravessa uma zona turbulenta da sua história, o Fair Play relembra momentos mais gloriosos, motivados pelas conquistas de uma pequena grande campeã da natação, uma das maiores de toda a História da modalidade.

A Hungria é uma potência da natação – e não só da natação pura -, que sempre teve (pelo menos) uma figura de proa por década. A segunda década do século XXI marca o reinado da Iron Lady Katinka Hosszu, os anos 00’s marcam o surgimento de Laszlo Cseh e os anos 80 tiveram em Tamás Darnyi uma das maiores referências, mas neste Aqua Moment falamos da melhor nadadora do mundo nos anos 90. Falamos da grande especialista do estilo de costas, Krisztina Egerszegi, recuando até aos seus segundos Jogos Olímpicos da carreira, disputados em Barcelona, no ano de 1992.

Egerszegi impressionava por não ser fisicamente impressionante e por isso foi cognominada de “the little mouse” (preferimos manter a alcunha em inglês), autenticada pelos seus 166 cm de altura e 46 kg de peso. Já pela estampa física a húngara parecia uma nadadora em corpo de ginasta, mas também a sua precocidade correspondia mais ao percurso de carreira de uma ginasta do que de uma nadadora, já que foi campeã olímpica, pela primeira vez, com apenas 14 anos (Seul 1988).

Foto: Yahoo

Aos 12 anos passou a treinar com o técnico Laszlo Kiss que referiu que desde logo percebeu que estava na presença de uma costista de nível mundial, como configuravam as suas “ancas estreitas, ombros largos, soltos e flexíveis, mãos largas e uma excelente capacidade de flutuação”. Conjugando o seu talento natural com os métodos de treino pouco convencionais do técnico húngaro – como por exemplo treinar a nadadora numa pista com cerca de 50 cm de largura para melhorar a sua posição de nado – Krisztina atingiu um patamar só igualado por Dawn Fraser no sector feminino, ou seja, ser três vezes campeã olímpica na mesma prova.

No caso da húngara foi nos 200 metros costas, um feito impressionante tendo em conta que a Egerszegi se retirou das piscinas com 22 anos!

De entre uma curta mas dourada carreira, destaca-se como ponto alto a estrondosa participação da nadadora nos Jogos Olímpicos de Barcelona 1992, onde a venceu os 100 e 200 costas e 400 estilos. Uma prestação que vinha com aviso de recepção, já que um ano antes a húngara tinha tido uns Europeus de sonho, nem tanto pelos seus 3 ouros, mas pelo seu estratosférico record mundial dos 200 costas. Os 2:06.62 mantiveram-se inquebráveis durante 16 anos.

O record mundial estabelecido nos Europeus de Atenas em 1991 foi o único record do mundo que Krisztina bateu aos 200 metros em toda a sua carreira (também nos 100 só o bateu por uma vez), mas tirou logo 2 segundos à anterior melhor marca mundial.

Voltando a Barcelona, o local onde Egerszegi foi a maior vencedora individual de medalhas de ouro (na natação) e onde a húngara se tornou apenas na 3ª nadadora de sempre a conseguir três ouros individuais numa só edição dos Jogos, depois das americanas Debbie Meyer e Janet Evans. Egerszegi não conseguiu repetir o feito de alcançar o máximo mundial dos 200 metros costas, mas fez na altura o segundo melhor tempo de sempre, que constituiu record olímpico, com a marca de 2:07.06 e que lhe deu a vitória na prova com 2.40 segundos de vantagem sobre a alemã Dagmar Hase. Nas outras duas provas a vantagem foi mais curta. Venceu os 100 metros costas no tempo de 1:00.68, chegando 46 centésimos à frente da sua compatriota Tünde Szabó e os 400 estilos com 4:36.54, apenas 19 centésimos a menos do que a chinesa Lin Li.

Com apenas 18 anos, Krisztina Egerszegi entrou assim para um lugar destacado do Hall of Fame olímpico e associou indelevelmente o seu nome aos Jogos apadrinhados por Freddy Mercury. Hoje a Catalunha tenta proclamar-se uma República mas há 25 anos foi o reino da rainha Egerszegi.


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