26 Mai, 2018

[Aqua Moments] A coroa de glória do czar Popov

João BastosFevereiro 4, 20183min0

[Aqua Moments] A coroa de glória do czar Popov

João BastosFevereiro 4, 20183min0
Alexander Popov é, para muitos, o último ídolo das piscinas. O russo, cognominado de czar, foi o rei da velocidade na década de 90.

O Fair Play continua a sua série de artigos que recordarão momentos históricos da natação. O Aqua Moments olhará para o retrovisor e reviverá marcos incontornáveis da história da modalidade


Alexander Popov teve uma carreira bastante curiosa. Nascido em 16 de Novembro de 1971 na União Soviética, Popov desde cedo mostrou talento para a natação, mas não para a natação russa e o seu modelo de treino vocacionado para provas de fundo. Por isso, Alex Popov foi afastado da selecção russa por “insuficiências técnicas”…logo ele, que acabou por ser um case study sobre os ganhos cronométricos e fisiológicos da técnica aplicada à velocidade. Ele que era capaz de fazer 59 segundos aos 100 metros livres…só a bater pernas.

São conhecidos estudos feitos com o russo que mostram que para nadar 50 metros à máxima velocidade ele precisava de menos braçadas do que adversários com a mesma altura e, em média, terminava o percurso com menos 2 pulsações por minuto que os adversários.

Mas voltando à carreira competitiva de Popov, o russo que era conhecido por duas características: a sua personalidade, absolutamente intimidante para os adversários (que o diga Gary Hall Jr) e o facto de ter sido o último resistente aos fatos de competição. Popov passou grande parte da sua carreira a treinar na Austrália com o seu treinador de sempre, Gennadi Touretski.

Popov conseguiu fazer algo inédito – e que se mantém como o único a ter conseguido – que foi vencer os 50 e 100 livres em dois Jogos Olímpicos consecutivos, no caso em Barcelona e Atlanta.

Entre os dois Jogos Olímpicos, Popov chegou ao recorde mundial dos 100 livres. Foi em 1994 quando, no Meeting Internacional de Monte Carlo, o russo nadou as duas piscinas em 48.21, apagando a marca do ícone Matt Biondi, o primeiro homem a nadar 100 livres abaixo de 49 segundos.

Apesar de duplo campeão olímpico dos 50 livres, Popov não detinha o recorde do mundo da prova, parecendo destinado a atravessar toda a sua carreira sem conseguir superar a marca de outro ícone norte-americano, Tom Jager, que desde 1990 era detentor do máximo mundial com 21.81.

Em 2000, Popov anunciou que os Jogos de Sydney seriam os seus últimos Jogos Olímpicos (não foram) e aos 28 anos, a oportunidade para juntar ao recorde dos 100 metros, o dos 50 começava a escassear. Percebendo isso, a Federação Russa promoveu nos Trials de apuramento para os Jogos Olímpicos de Sydney, uma forma de ajudar a levar Popov ao recorde mundial: na prova de 50 metros livres colocou duas pistas vazias a ladear o czar e o russo não desiludiu, nadou em 21.64, melhorando os 21.81 de Jager e marcando o seu nome na lista dos recordistas mundiais dos 50 metros livres.

 

O seu registo dos 50 metros livres vigorou 8 anos, até aparecerem os fatos da última geração que levaram a que o recorde desta prova fosse batido 4 vezes no espaço de um mês.

Curiosamente no ano em que Popov bateu o recorde do mundo dos 50 metros, perdeu o recorde do mundo dos 100. Foi precisamente nos Jogos Olímpicos disputados na Austrália (seu país adoptivo) que um australiano – Michael Klim – passou a ser o detentor da melhor marca de sempre nos 100 livres.

Popov terminou a carreira em 2004, nos Jogos Olímpicos da Atenas, mas a sua última competição onde foi bem sucedido foi nos Mundiais de Barcelona em 2003, no mesmo local onde se deu a conhecer ao mundo, 12 anos antes.


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