Kobe Bryant – 1 ano de saudades

Guilherme CatarinoJaneiro 26, 20214min0

Kobe Bryant – 1 ano de saudades

Guilherme CatarinoJaneiro 26, 20214min0
1 ano passou desde o dia em que Kobe Bryant faleceu e o Fair Play relembra uma das maiores lendas da NBA pelas palavras de Guilherme Catarino

Foi no dia 26 de Janeiro de 2020 que um trágico acidente de helicóptero na Califórnia retirou inesperadamente a vida a um dos mais idolatrados desportistas desde que há memória. Aos 41 anos, a precoce morte de Kobe Bryant deixou o mundo do desporto em choque, e hoje, passados 365 dias, as inexatas circunstâncias do acidente continuam a assombrar as cabeças daqueles que lhe eram próximos. Marc Gasol, famoso basquetebolista e amigo próximo do norte-americano, é aliás exemplo vivo disso, com o espanhol a recentemente afirmar que, passado um ano desde a morte do amigo, ainda não se sente naturalmente “confortável em falar sobre o assunto”.

Sem aparentes falhas mecânicas no helicóptero da Island Express Helicopters que retirou ainda a vida a outros sete passageiros a bordo, consequentes foram os processos judiciais (milionários) instaurados contra a empresa, muitos deles partindo da inconsolável viúva de Kobe e mãe de Gianna, Bryanna. Como sabemos, não haverá quantia monetária possível que “amenize” uma perda de um familiar ou amigo que nos é querido, mas, de um ponto-de-vista minimamente racional, cabe-nos perceber a opção tomada por Bryanna, face a toda a tragicidade e dúvida que norteia o acontecimento.

Decidimos, deste modo, com este escrito, homenagear neste dia inglório mas marcante para os amantes do desporto mundial, a pessoa de Kobe Bryant, relembrando os feitos do norte-americano a nível pessoal e profissional.

Intitulado como um “génio egoísta”, Kobe Bryant poliu a sua imagem desde logo com uma inabalável vontade de vencer, uma arrogância típica e uma genialidade autêntica. Ao estrear-se na NBA aos 17 anos, sem um valorizável passado académico, Kobe assume o sonho pessoal de se tornar no “novo Michael Jordan”. Nesse caminho, o famoso pivot Shaquille O´Neal assumiu particular preponderância com a dupla feroz que protagonizou com Kobe, que o levou ao seu primeiro campeonato da NBA, na tenra idade de 22 anos. Dois anos passados e o número de títulos conquistados na melhor liga de basquetebol do mundo, tinha subido para três no palmarés de Kobe Bryant.

A frieza de um ainda inexperiente Kobe nos momentos decisivivos, assim como os movimentos individuais geniais no ataque, por alguns na altura caracterizados como “egoístas”, levaram o mundo a aperceber-se que as semelhanças a Michael Jordan não seriam assim tão desacertadas. Afinal, Jordan apenas conseguiu conquistar o seu primeiro título da NBA aos 28 anos, enquanto Kobe tinha-lo feito aos 22 anos…

Com a importante mão de Phil Jackson, seu treinador em diversos momentos da sua carreira nos LA Lakers, o “Black Mamba” – alcunha que Kobe adotou após observar os famosos filmes de Bruce Lee – veio a somar mais dois títulos para o currículo, em 2009 e 2010, na altura em que conhece e faz parelha com Pau Gasol, um ano após conseguir o seu primeiro prémio MVP da NBA.

Com duas lesões que acabaram por, lentamente, levar Kobe a abandonar as quadras – uma rotura do tendão de Aquiles e uma fratura no joelho – o astro foi obrigado a finalizar a sua carreira no ano de 2016, já após variadas prestações (e conquistas) olímpicas pelo seu país e mais de uma dezena de presenças consecutivas no All-star Game da NBA.

A somar a estas conquistas desportivas pessoais, Kobe demonstrou, supra, a sua aptidão fora da quadra.

Em 2018, Kobe Bryant vence um Óscar de melhor curta-metragem de animação e um Sports Emmy Award for Outstanding Post-Produced Graphic Design com o seu projeto, com Glen Keane, “Dear Basketball” onde é retratada a vida do basquetebolista norte-americano desde os seus sonhos infantis até à consagração dos seus 20 anos de carreira.

Foi com enorme revolta que nos despedimos de Kobe Bryant de maneira tão precoce, mas o vasto legado intelectual, pessoal e profissional que felizmente o caracteriza ficará para sempre transposto entre nós.


Entre na discussão


Quem somos

É com Fair Play que pretendemos trazer uma diversificada panóplia de assuntos e temas. A análise ao detalhe que definiu o jogo; a perspectiva histórica que faz sentido enquadrar; a equipa que tacticamente tem subjugado os seus concorrentes; a individualidade que teima em não deixar de brilhar – é tudo disso que é feito o Fair Play. Que o leitor poderá e deverá não só ler e acompanhar, mas dele participar, através do comentário, fomentando, assim, ainda mais o debate e a partilha.


CONTACTE-NOS



newsletter