TAXAS… e Taxinha e fazer judo em Portugal ficou mais caro

João CamachoMarço 1, 20266min0

TAXAS… e Taxinha e fazer judo em Portugal ficou mais caro

João CamachoMarço 1, 20266min0
João Camacho fala um dos recentes problemas do judo em Portugal, com a subida dos valores para praticar a modalidade

Fazer Judo em Portugal vai ficar mais caro! A Federação Portuguesa de Judo (FPJ) tenta resolver a gravíssima situação financeira em que se encontra, subsidiando-se, ainda mais, junto da comunidade judoca (clubes, associações, treinadores, árbitros, atletas e famílias). Polémicas à parte, tivemos o arranque do Circuito Mundial em Paris, na etapa que provou, mais uma vez, que o Judo é uma modalidade de sucesso, com muita emoção e espetáculo.

Taxas e Taxinhas…

Temos a reputação de ser o país das taxas e taxinhas. Tanto no setor público como no privado, deparamo-nos com frequência com a exigência de taxas que sobrecarregam os orçamentos familiares. Eram aproximadamente 16:30h do último dia do ano de 2025, quando a Federação Portuguesa de Judo (FPJ) brindou a comunidade do Judo com um comunicado em que informava da decisão de implementar um conjunto de taxas, cujo objetivo seria atenuar a situação calamitosa das suas contas. Se não há dúvidas relativamente à alarmante (e estou a ser comedido na avaliação) situação financeira da FPJ, o retorno financeiro das taxas implementadas é, no mínimo, questionável, pois estas poderão ter um impacto devastador na demografia, critério importante na dotação orçamental que todos os anos permite à FPJ receber a respetiva dotação. A preocupação de que estas taxas sendo necessárias para garantir a viabilidade financeira da modalidade e compreendendo na generalidade a sua aplicação, fica no entanto a dúvida que se aplicadas como proposto na circular federativa, poderão ter um impacto devastador no fomento e crescimento do Judo, nomeadamente na capacidade de captação e fidelização dos escalões etários de base.

A fundamentação partilhada pelo presidente da FPJ de que as taxas serão, e passo a citar, “para garantir melhores condições de funcionamento, maior capacidade de apoio à formação, ao alto rendimento, ao Judo adaptado, à arbitragem, à organização competitiva e ao desenvolvimento sustentado do Judo em Portugal”, é muito duvidoso, pois é por demais evidente que o objetivo é ter encaixe financeiro, no curto prazo, para poder pagar a monstruosa dívida, com destaque para estas duas entidades:

– À Federação Internacional de Judo (ultrapassa os 800.000€), que quase resultou numa suspensão do Judo Português a nível internacional…

– À Universidade de Coimbra (370.633€) relativa a testes COVID-19 realizados nos anos de 2021 e 2022.

A decisão não é consensual e divide profundamente o Judo Português, pois, além de outras considerações, é claro que esse mecanismo não será suficiente para resolver este enorme desafio. Como reiteradamente tenho partilhado nestes artigos, seria importante procurar investidores, patrocínios, mas o facto é que apesar dos sucessos consecutivos da modalidade a nível internacional- recordo que desde os Jogos Olímpicos de 2016, no Rio de Janeiro, que Portugal conquista consecutivamente medalhas no principal evento desportivo à escala mundial – a situação atual, as polémicas e escândalos que puseram o Judo Português nas principais manchetes noticiosas, fazem do Judo um “produto” pouco apetecível para um eventual investimento em larga escala.

Já diversas associações, clubes e treinadores começaram a partilhar a discordância com o mecanismo de taxas, destacando-se o presidente destituído Jorge Fernandes, atual presidente da Associação Distrital de Judo de Coimbra, que está a movimentar-se para recolher assinaturas que permitirão a realização de uma Assembleia Geral Extraordinária da Federação. Adicionalmente, caracterizou esta “imposição como uma brutalidade”. Admitindo que uma das taxas implementadas – a de filiação na FPJ – seja competência da direção, considera que as outras terão, no seu entender, de ser aprovadas em assembleia geral, nomeadamente, as de participação em competições ou as de graduação.

A novela promete próximos capítulos….

Arranque do Circuito Mundial 2026 – Grand Slam Paris

O Circuito Mundial arrancou em Paris, tal como em 2025, no início do mês de Fevereiro. A Accor Arena, ou Bercy Arena como também é conhecida, vestiu-se de gala e teve as bancadas esgotadas, literalmente ao rubro, com perto de 20000 pessoas a criar um ambiente único de celebração do Judo!

Portugal levou até Paris seis judocas, delegação em que se destacava Patrícia Sampaio, que, para além de ter tido um 2025 memorável, terminando o ano na liderança dor ranking mundial, vinha a Paris defender o título brilhantemente conquistado em 2025, na competitiva categoria dos 78Kg femininos.

O sorteio isentou Patrícia da primeira ronda, uma vez que era uma das cabeças de série em prova, e no combate da segunda ronda, frente à francesa Liz NGELEBEYA, que estudou muito bem a judoca de Tomar, típico da escola francesa diga-se! Patrícia acabou por ser surpreendida, sensivelmente a meio do combate, depois de cometer um erro que pagou muito caro. Patrícia sofreu um Wasari e, apesar de ter tido uma boa reação, quase imediata à vantagem que sofreu, não conseguiu mais que um Yuko, o que acabou por marcar o afastamento, prematuro, da competição. O Judo tem esta “ingratidão”, é muito cruel, um erro pode ditar o afastamento de uma competição, sem que o judoca tenha possibilidade de resposta, e semanas de treino e compromisso acabam por se perder… devido a “apenas” um erro. Na verdade, tudo isto faz parte do processo, as lições e a aprendizagem tornam o judoca mais forte, mais consistente e todos, num determinado momento, já passaram por uma situação destas. Há que levantar a cabeça e continuar a trabalhar porque um dia menos bom jamais define o Atleta!

A participação portuguesa ficou marcada pela enorme prestação de Taís Pina, que esteve muito perto de chegar ao pódio da fortíssima categoria dos 70Kg. Depois de um percurso fantástico, que a fez chegar às meias-finais, Taís foi derrotada num emocionante e imprevisível combate pela Suíça Campeã do Mundo de Júniores, April Lynn FOHOUO e, no combate para o bronze, a qualidade de trabalho no solo da Japonesa Rin MAEDA acabou por fazer a diferença, quando já no ultimo minuto do tempo regulamentar, conseguiu aplicar um estrangulamento à judoca portuguesa.

Destaque também para o 7.º lugar de Miguel Gago, na imprevisível categoria masculina dos 66Kg. Miguel é um judoca em evidente crescimento, cada vez mais consistente, e que tem legítimas aspirações a conquistar um lugar no Jogos Olímpicos de Los Angeles, marcados para o verão de 2028.

Também viajaram até Paris Bárbara Timo (70Kg) com um sorteio muito matreiro e muito complicado, Maria Siderot (52Kg) e Otari Kvantidze (73Kg), que não passaram das eliminatórias, mas globalmente com boas prestações, tendo todos ganho os primeiros combates que disputaram.

O Circuito Mundial começa a ganhar ritmo e ainda este mês irá viajar até ao Uzbequistão, ficando marcado para o mês de Junho o início da janela de qualificação para o Jogos Olímpicos de Los Angeles.

Sampaio GS Paris (Foto: IJF)


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