A temporada 2021/22 nas competições europeias de hóquei em patins

José NevesJulho 15, 20224min0

A temporada 2021/22 nas competições europeias de hóquei em patins

José NevesJulho 15, 20224min0
Continuamos a análise à temporada 2021/22 do hóquei em patins, desta vez com as competições europeias da modalidade.

Foi uma época conturbada no que às competições europeias diz respeito, com o braço de ferro entre a WSE (World Skate Europe) e os clubes integrantes da EHCA (European Hockey Clubs Association), as duas provas regidas pela WSE acabaram por ter formatos e intervenientes diferentes.

No que concerne a Liga Europeia, e com o desejo da EHCA em criar uma Superliga Europeia semelhante à existente no basquetebol, os 12 clubes que integram a recente associação de clubes (Porto, Sporting, Benfica, Oliveirense, Barcelos, Barcelona, Liceo, Reus, Noia, Caldes, Forte dei Marmi e Saint Omer) acabaram por renunciar às provas da WSE.

Assim, o organismo que tutela o hóquei em patins europeu acabou por cortar o número de participantes para apenas oito, atribuindo convites a algumas das equipas que, à partida, iriam participar na prova secundária, a WSE Cup.

Dois grupos de quatro equipas foram então criados, com dois representantes portugueses a serem convidados para ocupar as vagas deixadas em aberto pelos “tubarões”, AD Valongo e SC Tomar.

Numa Liga Europeia sem representantes espanhóis, para além dos dois clubes lusos participaram ainda os italianos do Lodi, Trissino e Sarzana, os franceses do La Vendéenne e do Coutras, e os suíços do Diessbach.

O maior derrotado da fase de grupos acabou por ser o Amatori Lodi, equipa italiana que havia dado nega ao convite feito pela EHCA para poder participar na principal prova de clubes europeus. O terceiro lugar no grupo A, atrás de Trissino e Tomar, significava o não apuramento para a tão desejada Final-4.

Final-4 essa, realizada em Torres Novas, que contou com duas equipas italianas, e outras tantas portuguesas. Para além dos apurados do grupo A, Trissino e Tomar, marcaram presença os apurados do grupo B, Valongo e Sarzana. Devido ao emparelhamento das meias finais, era garantido que a final seria disputada entre um representante de cada nação, uma vez que portugueses, bem como italianos, iriam jogar entre si nas meias.

A meia final italiana terminou com uma vitória inequívoca do Trissino por 4-0, já a portuguesa foi bem mais equilibrada. Foi necessário recorrer ao desempate por penaltys para encontrar a equipa portuguesa que iria a uma histórica final da Liga Europeia.

Depois de recuperar de uma vantagem de três golos no jogo (1-4), a equipa do Valongo acabaria por levar o jogo para um prolongamento que nada desempatou. Na decisão por penaltys foi Bernardo Mendes a vestir a pele de herói ao defender três penaltys da equipa nabantina, e a assegurar a histórica final europeia para a equipa de Edo Bosch.

No jogo da final, e após um empate no final do tempo regulamentar pelo mesmo resultado (4-4), o título europeu foi igualmente decidido no desempate da marca de penalty, mas desta vez o herói foi transalpino. Duas defesas de Stefano Zampoli valeram o primeiro título europeu da história do Trissino, bem como apenas o segundo de equipas italianas, sucedendo assim o Trissino ao Follonica de 2006.

WSE Cup

Na WSE Cup, anteriormente denominada de Taça CERS, houve pela primeira vez uma fase de grupos. 12 equipas no total, divididas em quatro grupos de três, onde os dois primeiros de cada grupo se apuravam para os oitavos de final.

Juventude de Viana e Sanjoanense foram os representantes portugueses na competição, com sortes diferentes na fase de grupos.

A equipa de Viana do Castelo inserida no grupo B com os italianos do Valdagno e os espanhóis do Igualada, terminou na segunda posição, deixando pelo caminho a equipa catalã, e apurando-se para os oitavos.

Já a Sanjoanense, no grupo C, teve como adversários duas formações espanholas, Calafell e Voltregà, não conseguindo evitar o último lugar e consequente eliminação da prova.

O mesmo Calafell que foi carrasco da Sanjoanense, acabaria por ser também o responsável pela eliminação da equipa de Reinaldo Ventura. Nos oitavos de final a Juventude de Viana perdeu ambas as mãos da eliminatória diante dos catalães, por 3-6 em casa, e 1-2 fora, ficando de fora da Final-4.

Numa Final-4 que contou com Valdagno, Follonica e Lleida, foi mesmo o Calafell a sair por cima, batendo o Lleida na meia final, impedindo assim a quarta conquista consecutiva do Lleida, e o Follonica na final por 6-5.

A vitória do Calafell significou o 19º troféu ganho por formações espanholas, tendo as últimas quatro edições da prova sido ganhas por equipas do país vizinho.

 

(Foto de Capa: António Lopes / WSE)


Entre na discussão


Quem somos

É com Fair Play que pretendemos trazer uma diversificada panóplia de assuntos e temas. A análise ao detalhe que definiu o jogo; a perspectiva histórica que faz sentido enquadrar; a equipa que tacticamente tem subjugado os seus concorrentes; a individualidade que teima em não deixar de brilhar – é tudo disso que é feito o Fair Play. Que o leitor poderá e deverá não só ler e acompanhar, mas dele participar, através do comentário, fomentando, assim, ainda mais o debate e a partilha.


CONTACTE-NOS



newsletter