As regras do hóquei e mudanças que podem melhorar a modalidade

José NevesMaio 22, 20206min2

As regras do hóquei e mudanças que podem melhorar a modalidade

José NevesMaio 22, 20206min2
É um assunto recorrente em todas as épocas desportivas, a revisão das regras do hóquei em patins. Será que o jogo está bem como está, ou que algumas regras deviam ser revistas?

Sejam treinadores, comentadores, ou simplesmente adeptos, o assunto das regras do hóquei é recorrente em todas as épocas desportivas, algumas potenciais alterações parecem recolher consenso, outras nem por isso. Neste artigo vamos destacar quatro possíveis alterações às regras, que poderiam melhorar ou simplificar o espectáculo que é um jogo de hóquei em patins.

A marcação das bolas paradas

Nos últimos tempos tem sido esta a regra que mais discussão tem gerado, sendo que de todos os intervenientes que se pronunciaram sobre ela, a esmagadora maioria mostra-se a favor da mudança.

Nas bolas paradas, seja livre directo ou penalti, o marcador dispõe de cinco segundos para proceder à marcação do lance, sendo que o guarda-redes, posicionado sobre a linha de baliza, apenas tem permissão para se mover após o avançado entrar em contacto com a bola.

Esta situação deixa o guarda-redes numa posição bastante desfavorável, e à mercê não só do marcador da bola parada, como do próprio árbitro, e do critério deste sobre qualquer movimento que o guardião faça.

Qualquer adepto de hóquei em patins já assistiu, muitas vezes até dentro do mesmo jogo, a critérios bastantes dispares sobre as movimentações que são permitidas aos guarda-redes no momento de uma bola parada, e esse é um dos principais problemas apontados à forma como a regra está definida, deixando a validação, ou não, do lance ao critério do árbitro que o estiver a ajuizar.

A solução apontada por muitos, e já testada na última edição da Elite Cup, é um regresso ao apito. A contagem de cinco segundos do árbitro é substituída pelo apito, e, a partir do momento em que o árbitro dá o sinal sonoro para a marcação do livre directo, ou penalti, o avançado tem permissão para efectuar a respectiva marcação, e o guarda-redes tem permissão para se movimentar.

Desta forma, o árbitro era poupado a uma das mais difíceis tarefas, e das que mais contestação gera durante o jogo, o guarda redes ficaria a saber exactamente quando se podia movimentar, sem ficar á mercê do critério do árbitro, e os adeptos teriam uma leitura bem mais acessível dos lances de bola parada.

O time-out dado no imediato

Outro dos temas que, maioritariamente, os treinadores referem como possível mudança, prende-se com os descontos de tempo, ou time-outs. Actualmente, um treinador que peça um time-out terá de esperar até à próxima paragem de jogo para que este lhe seja dado, e muitos são os casos em que essa paragem ocorre largos minutos depois do pedido à mesa ter sido efectuado.

A proposta de mudança tornaria o processo de pedido de time-out semelhante ao que acontece, por exemplo, no basquetebol, com o desconto de tempo a ser dado ao treinador não na próxima paragem de jogo, mas sim na próxima posse de bola da sua equipa.

A dupla penalização e o power-play

Quando há uns anos, no futebol, se verificaram algumas alterações de regras, a questão da dupla penalização foi muito discutida, mas afinal o que era isso da dupla penalização?

Ficou definido que a dupla penalização se prendia com os lances de penalti que, até aí, eram punidos com vermelho para o jogador que o cometesse, sendo que nessa situação a equipa era penalizada em duas situações, no penalti e no cartão vermelho. Assim, hoje, apenas em caso de agressão ou falta anti-desportiva um jogador que cometa um penalti é penalizado com cartão vermelho.

Mas voltando ao hóquei em patins, a situação da dupla penalização é igualmente verificada em quase todos os jogos que se disputam, senão vejamos;

Qualquer falta cometida que mereça uma admoestação de cartão, seja azul ou vermelho, dá origem a um lance de bola parada, livre directo ou penalti (1ª penalização). Se o jogador encarregado de marcar a bola parada fizer golo, o castigo fica por aqui, um quinto elemento da equipa que sofre o golo entra, e o jogo prossegue 5×5.

Mas se a bola não entrar a equipa que sofreu a admoestação fica ainda reduzida a quatro unidades por dois minutos, ou até sofrer um golo, o chamado power-play, e é aqui que surge a 2ª penalização. De nada valeu ao guarda-redes tapar os caminhos para a baliza no penalti ou livre directo, porque nos dois minutos seguintes será forçado a trabalho redobrado por uma equipa em superioridade numérica.

Comparando com o parente de inverno da família do hóquei, o praticado no gelo, as infracções são punidas com dois minutos de power-play, mas não existem bolas paradas no hóquei no gelo, a inferioridade numérica é a única penalização que a equipa sofre pela infracção cometida.

A solução passaria pela remoção de uma das penalizações, em caso de cartão dar-se lugar a uma bola parada, mas o jogador que cometeu a falta ser substituído, ou não haver direito a qualquer bola parada e o jogo recomeçar com dois minutos, ou quatro em caso de cartão vermelho, em situação de power-play.

O número de jogadores na ficha de jogo

Outra situação que já foi alvo de discussão por parte dos intervenientes é o aumento do número de jogadores na ficha de jogo.

Actualmente são várias as equipas com mais de 10 jogadores no plantel, sendo que em alguns casos os treinadores chamam aos trabalhos da equipa sénior ao longo da época atletas ainda com idade de júnior, mesmo que esses atletas acabem por não ser utilizados na equipa principal.

Com o aumentar de jogos previsto para a próxima época graças à introdução de uma nova competição no final da primeira volta (nos mesmos moldes da Coppa Italia e da Copa del Rey), e com o regresso dos playoffs no final da fase regular entre os oito primeiros classificados, volta a fazer sentido debater a questão do número de jogadores na ficha de jogo.

Mas não é só do ponto de vista da gestão feita pelo treinador do grupo de trabalho que o aumentar de opções no banco traz benefícios. Com o limite de jogadores não elegíveis para a selecção portuguesa previsto para 2021-22, um maior número de jogadores na ficha de jogo significaria também um maior número de jovens jogadores portugueses a integrar as escolhas no plantel principal do seu respectivo clube, incluindo nos denominados de “grandes” onde no passado os maiores talentos nacionais têm tido maiores dificuldades de entrar nas escolhas dos seus treinadores.

Seguindo as pisadas de modalidades como o basquetebol ou o futsal, que no passado deram a possibilidade aos treinadores de levar mais atletas para cada jogo, no hóquei em patins poderíamos assistir a um aumento para 12 atletas (2 guarda-redes e 10 jogadores de campo) ou 13 (3 guarda-redes e 10 jogadores de campo).

Com esta medida, vários clubes acabariam por envolver os seus melhores juniores na equipa sénior, e estes jovens atletas poderiam ter a sua estreia ao nível da primeira divisão mais cedo.

 

(Foto de Capa: Catarina Maria /  FPP)


2 comments

  • Fernando Alvega

    Maio 23, 2020 at 8:46 pm

    Estou de acordo com todos os pontos excepto no da A dupla penalização e o power-play.

    Se vamos partir para o que o futebol fez quando dos lances de grande penalidade, então temos também que olhar para o que acontece a uma equipa quando um jogador é expulso.

    Que vantagens é que vai tirar uma equipa se o jogador expulso da outra equipa é substituído ao fim de 2 minutos ou seja, a única diferença que existe entre o cartão azul e o vermelho é que neste último o jogador que o levar já não pode entrar em campo.

    No meu entender jogador expulso (vermelho directo) e a sua equipa terá de sofrer as consequências jogando com menos 1 até ao final do jogo.

    Por outro lado, jogador que leve com 2 azuis seria expulso mas aqui até podia-se levar em partida o que hoje acontece ou seja, ao fim de 2 minutos a equipa penalizada podia ficar completa.

    Outra coisa que se podia mudar era as dimensões da baliza porque no meu entender, os equipamentos usados pelos guarda-redes quase que a tapam completamente.
    Na minha opinião as balizas deviam ter dimensões iguais ou muito parecidas com as do Hóquei sobre o Gelo, podendo admitir-se que os guarda-redes ao contrário do que fazem hoje possam defender de pé. Os equipamentos dos guarda-redes não podiam ser aumentados nem mais 1 mm que fosse em relação aos de hoje.

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  • Manuel Coutinho

    Maio 23, 2020 at 11:15 am

    A partir do momento em que o árbitro dá o sinal sonoro para a marcação do livre directo, ou penalti, o avançado tem permissão para efectuar a respectiva marcação, e o guarda-redes tem permissão para se movimentar. A melhor solução para ambas as partes , árbitro e jogadores – Equipas!

    A proposta de mudança tornaria o processo de pedido de time-out semelhante ao que acontece, por exemplo, no basquetebol, com o desconto de tempo a ser dado ao treinador não na próxima paragem de jogo, mas sim na próxima posse de bola da sua equipa. Aceito tal pretensão…há momentos tácticos a serem corrigidos, quanto antes.

    Qualquer falta cometida que mereça uma admoestação de cartão, seja azul ou vermelho, dá origem a um lance de bola parada, livre directo ou penalti (1ª penalização). Se o jogador encarregado de marcar a bola parada fizer golo, o castigo fica por aqui, um quinto elemento da equipa que sofre o golo entra, e o jogo prossegue 5×5. Concordo com esta situação.

    Mas se a bola não entrar a equipa que sofreu a admoestação fica ainda reduzida a quatro unidades por dois minutos, ou até sofrer um golo, o chamado power-play, e é aqui que surge a 2ª penalização. De nada valeu ao guarda-redes tapar os caminhos para a baliza no penalti ou livre directo, porque nos dois minutos seguintes será forçado a trabalho redobrado por uma equipa em superioridade numérica. Esta argumentação sobre a situação do guarda redes é falsa, essa é uma das funções do guarda redes, proteger a sua própria baliza… quem comete a perigosa falta, além de ser penalizado deve reconhecer o seu errado acto (prejudicando a sua equipa, principalmente o seu guarda-redes) são as próprias contingências do jogo. Jogador deverá ser expulso durante dois minutos e o adversário ter direito a livre directo ou penalti…. substituir um jogador pelo o que cometeu a infracção é o mesmo que erradamente ( já vi este filme – entrar um jogador que mal patina e dá cabo do adversário e não sofre daí nenhuma consequências da sua equipa, nesta perspectiva nem culpo o jogador, mas sim, quem os orienta…então nas camadas mais novas a parte pedagógica, por vezes, deixa muito a desejar) lamento!

    Aceito e talvez concorde com o nº de 10 jogadores de campo e dois guarda redes, embora tenha algumas dúvida nesta solução de aplicar/ introduzir de Juniores nas equipas, em jogos de alta competição…certamente dependerá aqui dos critérios dos treinadores e da capacidade da equipa (finanças) e dos clubes. Se esta aplicação fosse de forma obrigatória/introdução/ inscrever dois juniores na ficha da inscrição, melhor seria e até mais justa equitativamente perante a realidade competitiva.

    A modalidade para se desenvolver em termos de qualidade, que já é bem alta, mas desejamos sempre melhor, julgo ser este o principal objectivo, terá que passar pela parte pedagógica, física, técnica, táctica e outros factores volitivos, com aquisição de conhecimentos, principalmente por quem deseja acompanhar a trajectória das camadas mais jovens, desde os mais pequeninos…pois o espaço da carolice já era… exigindo também aos senhores Árbitros que seguem/apitam apitam jogos de escalões mais novos, que adoptem uma postura mais dialogante – apresentar, dirigir, explicar, comentar (faltas), diria numa palavra, serem mais pedagogos, afinal, são crianças e não adultos!

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