Portugal brilha na retoma do judo de Selecções com pódios

João CamachoNovembro 16, 20207min0

Portugal brilha na retoma do judo de Selecções com pódios

João CamachoNovembro 16, 20207min0
Já decorreram os primeiros torneios internacionais de judo com vários portugueses a registarem bons resultados, como a medalha de bronze de Bárbara Timo e Jorge Fonseca no GP Budapeste. A actualidade do judo e as preocupações do momento na opinião de João Camacho

O circuito mundial regressou com o Grand Slam de Budapeste e, em Porec, na Croácia, decorreram os campeonatos da Europa de Juniores e Sub.23. Portugal esteve em destaque, com um conjunto de resultados muito positivos e que evidenciaram a importância, na altura em que tudo estava fechado, de definir um protocolo de segurança e procedimentos que permitiram às equipas nacionais de séniores e júniores continuar a sua preparação e atividade. No entanto, face ao agravamento da crise pandémica à escala global, com o ressurgimento de uma segunda vaga muito agressiva, a Federação Internacional de Judo decidiu cancelar todas as provas até Janeiro de 2021.

Grand Slam Budapeste

Depois da paragem forçada do circuito mundial no final de Fevereiro, o dia 23 de Outubro ficará marcado como a primeira grande competição de Judo pós pandemia. O Grand Slam de Budapeste decorreu debaixo de um clima de muita precaução, muitas regras, muitos testes, muitas máscaras, com um desfecho francamente positivo, tanto para a organização, como para a prestação da equipa Portuguesa.

Portugal terminou a competição na posição 14, num universo de 61 países que levaram 405 atletas até Budapeste. A 14.ª posição reflete as três medalhas de Bronze de Rodrigo Lopes (60Kg), Barbara Timo (70Kg) e Jorge Fonseca (100Kg), e os quintos lugares de Telma Monteiro e Rochelle Nunes.

Ficou evidente a importância de manter a seleção e competidores em atividade durante as restrições e confinamento impostos pelas autoridades de saúde e governo. O modelo desenhado e implementado pela Federação Portuguesa de Judo (FPJ), que permitiu, e que continua a permitir já que ainda decorre, que todos os atletas fossem testados, semanalmente, e treinassem isolados em bolha, teve nos resultados obtidos nesta etapa, e nos Campeonatos da Europa de Juniores, a prova de que é possível manter viva a modalidade.

Tudo isto só é possível com um bom planeamento e com um esforço financeiro elevado, implicando a afetação de verbas que, à data da apresentação do orçamento de 2020, não estavam, naturalmente, previstas, e tornando especialmente exigente as tarefas de gerir e criar condições para a continuidade da prática da modalidade. A título de exemplo, a FPJ teve o desafio de negociar os custos dos testes à Covid (e foram muitos testes), acabando por conseguir acordar com um laboratório um valor substancialmente mais baixo do que à data se praticava no nosso país. Aliás, tenho de destacar o esforço e empenho da FPJ em criar condições para salvaguardar a competição, em desenhar um plano e definir um conjunto de recomendações, esforço reconhecido pela FIJ, a mais alta entidade regulatória deste desporto. Contudo, como já tive oportunidade de partilhar com os leitores, no que respeita à formação vejo muita incerteza e um futuro sombrio. Sobressai a falta de rumo, de orientação, com muitos clubes ainda fechados, ou com a atividade muito condicionada, sem falar de outros que, lamentavelmente, fecharam de vez.

Em Budapeste, Rodrigo Lopes conquistou a sua primeira medalha no circuito Mundial. Uma fantástica prestação do Luso-Brasileiro que representa o nosso país desde 2019 e tinha como melhor prestação o 5º lugar no Grand Slam de Brasília de 2019. Aos 24 anos, Rodrigo tem um percurso desportivo impressionante, recuperou de uma lesão gravíssima com sucesso, e mostrou uma qualidade e solidez que lhe permitem, com toda a legitimidade, sonhar com uma presença Olímpica em Tóquio, na super competitiva categoria dos 60Kg.

Depois de uma paragem para debelar uma lesão no cotovelo, Bárbara Timo – para os mais distraídos recordo que é a atual Vice-campeã do Mundo dos 70Kg – regressou ao mais alto nível, com uma excelente prestação nesta etapa de “retoma”, conquistando a medalha de Bronze.

Por sua vez, o campeão do Mundo dos 100Kg Jorge Fonseca, terminaria também com o bronze ao peito, em resultado de uma prestação muito consistente, que evidenciou o trabalho e empenho com que o Jorge e abordou o período de confinamento, ficando evidente que está num bom momento de forma e pode sonhar com um pódio nos Europeus de Praga.

Destaque para as prestações de Telma Monteiro e Rochelle Nunes, que acabaram derrotadas no combate para atribuição do Bronze, e terminaram em 5.º lugar nas categorias de 57Kg e +78Kg, respetivamente. Uma palavra final de conforto e votos de rápidas melhoras para a fantástica Judoca Patricia Sampaio, que se lesionou no 1.º combate frente à Holandesa Natascha Ausma. Patricia já está em recuperação prevendo-se o seu regresso para o final de Janeiro.

Bárbara Timo no GS Budapeste (Foto: FPJ)

Campeonatos da Europa de Juniores e Sub. 23

A cidade Croata de Porec recebeu os Campeonatos da Europa de Juniores e Sub. 23. Implementado um protocolo idêntico ao da FIJ para o Grand Slam de Budapeste, a prova decorreu com um conjunto de regras e procedimento que garantiram a máxima segurança de todos os intervenientes.  Apresentaram-se em Porec 356 atletas em representação de 37 países.

A prestação Portuguesa foi muito positiva, tendo terminado na 14.ª posição do quadro de Medalhas, com especial destaque para a Prata de Joana Crisóstomo, nos 70Kg, e o Bronze de Raquel Brito nos 48Kg.

As duas atletas tiveram uma fantástica prestação, Joana Crisóstomo, com um conjunto de resultados bastante sólido no seu percurso competitivo, em que, no segundo ano de Júnior, consegue o melhor resultado da sua carreira, deixando em aberto um promissor futuro, não só neste escalão etário, como no escalão principal de séniores, onde tem a forte concorrência de Barbara Timo. Quanto a Raquel Brito, ainda no seu primeiro ano de Júnior, e que já tem no seu currículo a prata nos Campeonatos da Europa de Cadetes, em 2019, mostra que a transição está a decorrer sem sobressaltos e tem um promissor futuro pela frente.

No que respeita à prestação da equipa Portuguesa no Europeu de Sub. 23, ficou um pouco aquém das expectativas, com a ressalva de que a equipa era composta maioritariamente por atletas do escalão Júnior. Alguns atletas a evidenciar alguma falta de rodagem a este nível, a cometerem erros de quem esteve longe dos tapetes de competição durante algum tempo, o que, embora constrangedor, é perfeitamente compreensível. Destaco o 5.º lugar de Teresa Santos na cat. 52Kg, uma categoria em que precisamos de renovação, pois as condições de Joana Ramos – apesar de não parecer- não poderão durar para sempre.

Campeonatos da Europa de Praga

A capital da República Checa, Praga, irá receber os campeonatos da Europa de Judo. A prova irá decorrer entre os dias 19 e 21 de Novembro. Depois da sólida prestação no Grand Slam de Budapeste as expectativas são altas, com Portugal a apresentar uma delegação onde temos um misto de experiência e Juventude, com legitimas aspiração de chegar ao pódio em diversas categorias. Esta será, provavelmente, a última grande competição de 2020 em solo Europeu. A aposta é a retoma a todo o gás no final de Janeiro de 2021, mas numa altura em que o número de infeções e mortes decorrentes da Pandemia de Covid19 cresce descontroladamente, resta-nos ter esperança de que a necessidade de um novo confinamento e interrupção de toda a atividade não tenha de ser decretado. Seria catastrófico…

Jorge Fonseca no pódio do GS Budapeste (Foto: FPJ)

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