Lourenço França. “O nosso objectivo era treinar e ser melhor que ontem.”

Sofia GoulartAgosto 21, 201916min0

Lourenço França. “O nosso objectivo era treinar e ser melhor que ontem.”

Sofia GoulartAgosto 21, 201916min0
Uma entrevista extensa e interessante com o treinador Lourenço França, que ajudou ao trio da ginástica acrobática português ganhar a Prata em Minsk 2019. O passado, presente e futuro nesta entrevista em exclusivo
Lourenço, no passado mês de Junho, o trio elite sénior do ACM, foi notícia em vários meios de comunicação social devido aos resultados extraordinários alcançados – Duas medalhas de prata e uma de bronze – na 2ª edição dos Jogos Europeus, em Minsk, Bielorrússia. Como olha para este feito inédito, conquistado por Portugal, numa prova que foi disputada “ponto a ponto”, face a uma concorrência fortíssima de outros países?

R: Antes de mais, muito obrigado pela oportunidade e pelo convite.

Em relação aos Jogos Europeus, há um sentimento de felicidade pelos resultados mas, sobretudo, pela forma como os mesmos foram alcançados. Um dos dados interessantes é o facto de o trio Português ter apresentado a maior dificuldade de toda a competição. E não foi num exercício, foi nos 3. Foi a maior dificuldade no Equilíbrio, no Dinâmico e no Combinado – não só é algo raro, pois é mais frequente um trio ser “mais forte” num exercício do que noutro, como foi inesperado para as nossas adversárias. Este é um factor que nos enche de orgulho. A concorrência era muito forte com belgas, bielorrussas (a jogar casa), israelitas e… portuguesas. Só nós sabíamos o nosso real valor. Foi muito bom!

Eu costumo relembrar o início de todas as épocas quando elas chegam ao final e sei o quanto tive de acreditar no nosso sistema, mesmo quando, à nossa volta, só havia desconfiança. Prova a prova, Taça do Mundo atrás de Taça do Mundo, fomos cimentando os elementos, incrementando a dificuldade, aprimorando a coreografia.

Nunca defendi que a dificuldade definisse apuramentos para as provas internacionais porque sei que os apuramentos são temporalmente distantes das provas mas sei bem a importância que uma boa dificuldade tem quando a execução e a artística conseguem ter padrões elevados.

Foi isso que tentamos durante toda a época. O que foi bom, realmente bom, foi ver o sistema a funcionar. Nem todas as provas foram fantásticas. Mas todas serviram o seu propósito. Tirámos o melhor de cada uma, especialmente das que correram menos bem.

Para Portugal estas 3 medalhas foram muito importantes. Relembro o impacto que tiveram na Aldeia Olímpica junto da Missão Portuguesa. As comparações que as pessoas faziam com os grandes desportistas portugueses destes e doutros tempos, que “só conquistaram 2 medalhas e vocês conquistaram 3!”; e nós a pensarmos: “Mas estas pessoas não estão boas da cabeça!, como é que nos comparam com os melhores portugueses de sempre?”. Foi algo que não conseguíamos imaginar e nos deixou realmente emocionados mas imensamente felizes.

Estamos a falar de um grupo recém formado (A Bárbara esteve afastada dos praticáveis durante cerca de 4 anos, a Francisca durante 1 e a Francisca S.M veio de um trio júnior), mas as ginastas que o integram já possuem bastante experiência em campeonatos europeus, Mundiais e noutras provas internacionais. Foi lançado algum desafio à Bárbara e à Francisca para regressarem aos treinos esta época ou já era algo que ambas desejavam?  Como se desenvolveu todo o planeamento e a preparação para esta época e para os Jogos Europeus?

R: Respondendo directamente, não foi lançado nenhum desafio a nenhuma delas. Nós nunca faríamos um Par/Grupo com o objectivo de conquistar o que quer que fosse. Nem pensar! O objectivo é treinar e ser melhor que ontem (individualmente, gimnicamente e acrobaticamente). Os objectivos são dos ginastas não são do treinador. Nós estamos cá para ajudá-los a concretizar os sonhos e objectivos que os GINASTAS têm.

Quanto às ginastas, a Francisca nunca deixou de praticar. Abrandou o ritmo, obviamente, mas nunca deixou a equipa. E posso garantir que não foi fácil para ela, ver um ano inteiro a passar sem competir.

Foi duro e por isso eu sabia o que ela queria. A Bárbara decidiu voltar aos treinos e recomeçou muito antes de termos qualquer perspectiva de formar este ou outro grupo. Nem podia ser de outra forma: nós só contamos com quem cá está. Por isso ela tinha de mostrar que realmente queria “cá estar”. E, em meados de Junho de 2018, depois de uma prova em Espanha em que o Acro Clube da Maia participou, começamos a explorar este novo Trio.

A mais inexperiente era mesmo a Francisca Sampaio Maia. Como mais nova do grupo foi a que teve mais de aprender. A Bárbara, enquanto Sénior, já tinha participado em Taças do Mundo, Europeus, Mundiais e World Games. Foi tri-medalhada nos Europeus de 2013 e é a única acrobata portuguesa no activo a ter ido a World Games. É, creio, a ginasta de Acrobática há mais tempo a competir. A Francisca Maia é Campeã da Europa de Juniores e já venceu medalhas em Europeus e Mundiais por Idades. No entanto, não fazia ideia de como era o “mundo” dos Seniores. Por isso, foi um ano muito bom em termos de experiência para as duas Franciscas.

Este Trio fez 13 competições até Julho de 2019. Treze em 9 meses! Foi o número decidido para aferir tudo e sabermos que estariam prontas. Sabíamos que poderíamos ter uma oportunidade para os European Games. Não queríamos desaproveitar isso. A primeira prova foi a Acro Champions League em Novembro. Depois ainda fizeram mais 5 provas internacionais (Bristol, WCup Maia e Puurs, Geneve e Pontevedra). E ainda fizeram actuações com os ArtGym Company para além das provas nacionais e distritais todas (e mais uma ou outra prova particular).

Todas serviam um propósito. Todas ofereciam excelentes oportunidades para falhar. Era esse o objectivo. Não que as ginastas falhassem mas que experimentassem e tivessem que lidar com o máximo número de momentos de avaliação quanto possível. Se pensarmos que, normalmente, os ginastas em Portugal fazem 6-7 provas, conseguimos perceber a necessidade/importância de ter este “jovem” trio a preparar-se para a maior prova de sempre em apenas 1 ano.

O ACM foi fundado em 2004. Desde então, já passaram pelo clube vários atletas que foram medalhados em várias competições internacionais da modalidade, nos vários escalões existentes… Há campeões do mundo, da Europa e outros tantos com medalhas nos circuitos de Taças do Mundo. Não existe uma “fórmula mágica” para estes resultados, mas existem vários fatores que contribuem, seguramente, para os mesmos.  Na sua opinião, quais são esses “ingredientes”? Podemos afirmar que o clube é uma “fábrica de campeões”?

R: Agradeço este resumo que nos enche de orgulho. O Acro Clube da Maia é uma “fábrica de ginastas”, isso gosto de pensar que é. Se vão vencer provas ou não dependerá de quanto trabalho estiverem na disposição de despender. Eles e as suas famílias, claro. Os ingredientes da “receita” são: querer, crer e trabalhar. Só funcionam juntos e por esta ordem.

Desde pequeno que eu quero ser astronauta… mas não trabalhei nada para isso (gosto sempre de dar este exemplo aos meus ginastas). Se eles querem realmente uma coisa, terão de acreditar nela (isso fará com que trabalhem na medida da sua fé) e depois já têm a “medida” de quanto terão trabalhar. Nós damos treino a todos: queiram fazer ginástica, ser Campeões Distritais, Nacionais ou do Mundo, sendo que o volume e o empenho no trabalho é exponencialmente proporcional ao objectivo que cada um tem.

Ao longo da sua carreira profissional, lidou com crianças e jovens das mais variadas faixas etárias, tendo, provavelmente, acompanhado o crescimento de muitos até à respetiva idade adulta. Quais são as características que considera que um ginasta deve reunir que o podem ajudar a atingir determinados patamares de excelência? Por outro lado, sabendo que há sempre algumas fases melhores do que outras na vida dos ginastas, qual é o papel crucial que um treinador pode desempenhar para os motivar e incentivar a não desistirem, num dia menos bom? Quais foram os momentos mais relevantes em que teve de intervir?

R: Em relação à primeira questão importa fazer uma declaração de interesse: eu não acredito no talento (essa coisa americanizada a que se chama “raw talent” ou talento cru, natural); eu acredito no trabalho. Para mim, ter talento não é ser excepcionalmente alto e, por isso, jogar basquetebol ou voleibol, da mesma forma que não o é alguém que é baixo e com tendência genética para a hipertrofia e ser um bom ginasta de argolas. A genética ajuda na morfologia mas o Spud Webb tinha 1,67m jogou 13 anos na NBA (+ de 800 jogos) e venceu um concurso de afundanços; ele conseguiu isso pelo trabalho apesar da “má genética” para o desporto que ele escolheu, mas foi o desporto que ele quis, acreditou ser possível e trabalhou para conquistar.

Quanto à segunda questão tenho algumas ideias bastante… assertivas sobre o assunto:

Desistir: não sei o que é, não compreendo, sequer, o conceito; um atleta pode terminar a carreira, pode mudar de carreira, mas não desiste! Ou então, não chegou a ser atleta; fez desporto ou uma actividade física regular. Um atleta não sabe o que é desistir. Mas em algum momento, todos terminarão a sua carreira desportiva.

Hoje em dia há uma enorme pressão sobre os nossos jovens porque os adultos furtam-se às suas responsabilidades (passando-as para os jovens) achando que estão a ajudá-los a crescer. Mas não estão. Não é por acaso que só se pode conduzir aos 18 anos, só se pode votar aos 18 anos, o ensino é obrigatório até aos 18 anos (ou 12º ano). No fundo, é o Estado a dizer que antes dessa idade não há maturidade para fazer determinadas escolhas. Como é que os jovens podem saber o que é melhor para eles? Isso cabe aos pais!

É para isso que eles existem! Não é para serem amigos deles! O amigo não nada arrumar o quarto nem obriga a fazer os trabalhos de casa. Na juventude, ainda não há responsabilidade para tanta liberdade (por isso é que é tão boa!). Os pais são, mais do que tudo, líderes. E o trabalho mais difícil do líder é tomar decisões.

 Dar sugestões é fácil, e os jovens devem  poder dar as suas opiniões, as suas sugestões, as suas ideias, mas depois, cabe ao adulto tomar a decisão. E tomar decisões é difícil. Por isso é que, até determinada idade, têm de ser os líderes da família – os pais – a fazê-lo. Passar essas responsabilidades para os jovens é duro, difícil e, sobretudo, injusto para eles.

Cito um exemplo muito próximo: há muitos, muitos anos, um certo jovem ginasta, depois de uma série de maus resultados desportivos, de insucessos e de ver um sem-número de solicitações sociais a acontecer à sua volta, disse ao pai que achava que estava na altura de terminar essa carreira.

Tinha 15 anos. O pai disse-lhe: “Vais fazer ginástica até aos 18 anos. Enquanto morares nesta casa é assim. Aos 18, se quiseres, tens autorização para fazeres o que entenderes a esse respeito.” No fundo, o que o pai lhe fez, foi retirar-lhe a enorme pressão que é o poder que se tem ao decidir sobre algo tão importante como essa actividade (ou qualquer outra que, neste caso, o pai achou determinante).

Bem sabia o pai da importância formativa que o desporto tinha sobre o jovem e o quanto o ajudaria a crescer. Ao retirar-lhe essa pressão, e tendo ele a “obrigação” de continuar ligado até aos 18 anos, resignou-se e tentou fazer o melhor com o tempo que, obrigatoriamente, iria “gastar” a fazer ginástica. Obviamente, pouco depois e com a persistência do trabalho, os “maus tempos” do jovem passaram. Os resultados mudaram, os insucessos transformaram-se a sucessos. Bem ou mal, ainda cá ando…

Por outro lado, e pegando nas palavras da pergunta inicial sobre “motivar e incentivar a não desistirem, num dia menos bom”, tudo o que posso dizer é ninguém deve abandonar algo ou terminar de tentar num dia menos bom. É o pior erro que alguém pode fazer. Se é para terminar algo, que seja num dia bom, em grande, depois de um momento feliz. Terminar quando é difícil, quando custa, quando não está a correr bem não está, simplesmente, correcto e é, sempre, um erro do qual, tantas vezes, nos arrependemos.

Há uns anos, uns ginastas meus quiseram terminar a carreira (em meu entender muito precocemente) e vieram comunicar-me a decisão. Sugeri-lhes que confiassem um pouco no que os treinadores tinham planeado e que esperassem até determinada data (estávamos em Outubro e tínhamos uma prova, a primeira, lá para Novembro ou Dezembro); sugeri-lhes que esperassem até às férias de Natal e depois, se ainda pensassem da mesma forma, que tomassem a decisão que considerassem melhor para eles sempre com o meu apoio.

O que é certo é que eles acreditaram e ficaram. E ficaram até serem 4º no Mundial de Juvenis e Vice-Campeões da Europa de Seniores (entre muitos outros títulos), respectivamente. Actualmente ambos são treinadores. “Good things take time.” E eu acrescento que quanto melhores forem essas “coisas”, mais tempo deverão demorar a conquistar. Assim daremos o real valor a tudo.

Como acha que a ginástica acrobática é “vista” em Portugal? Considera que há mais adesão por parte do público? Qual é a “magia” desta modalidade? O que lhe falta para ser elevada ao estatuto de modalidade Olímpica?

R: Ui, tantas perguntas. Em relação a Portugal acho que é incrível o momento que atravessamos na Ginástica Acrobática. Posso garantir que uma grande percentagem dos nossos jovens em idade escolar conhecem a modalidade (já a viram, fizeram ou conhecem quem faça). As gerações anteriores (os seus pais e avós que são, entre outros, os actuais decisores do país) são, também, muito mais informadas e a Ginástica Acrobática é uma modalidade cada vez mais conhecida. A cobertura mediática realizada após e em consequência dos resultados dos Jogos Europeus de Minsk foi incrível e sem precedentes.

Os telejornais da RTP, SIC, SportTV e Porto Canal interromperam a emissão para ir, em directo, receber estas 3 ginastas. Até pensamos que o Ronaldo vinha no mesmo voo… Isto é algo absolutamente notável. E é sinal que o feito desportivo foi, realmente, sentido pelo país.

A Ginástica Acrobática é a modalidade gímnica competitiva mais praticada em Portugal (pelos dados da FGP). Isto diz bem da adesão que a mesma tem em quem a vê e em quem a faz.

Quanto à magia desta modalidade reside em 3 pilares: trabalho de equipa, dificuldade perceptível pelo público e conjugação do que de melhor têm todas as outras vertentes gímnicas (a estética da Ginástica Rítmica com a sua dança e  coreografias; os elementos técnicos da Ginástica Artística; os movimentos e habilidades dos Trampolins e, até, a envolvência e beleza da Patinagem Artística – já viram Natação Sincronizada recentemente? Cada vez tem mais Acrobática: duplos, piruetas, pinos!). Tudo isto é perceptível pelo público e é algo apreciado mesmo que não compreenda o ajuizamento. Prova disso é o Cirque du Soleil (as pessoas pagam muito dinheiro para ver estes acrobatas) ou os programas Got Talent que têm, consistente e repetidamente, finalistas e vencedores que são acrobatas (como em Portugal em 2015 com os ArtGym Company, ou os Spelthorne na Grã-Bretanha ou, recentemente, em Israel).

Para que a modalidade seja olímpica falta exclusivamente vontade política. Vontade de quem decide.

Vontade da FIG e das federações nacionais. Espalham-se mitos sobre a necessidade de haver maior representação na modalidade (como termo de comparação, no Mundial que precedeu o anúncio de que os Trampolins seriam Olímpicos, houve tantos países participantes como nos Mundiais de Acro em Paris em 2014; ou seja, essa justificação não colhe) ou sobre a necessidade de manter o número total de ginastas nos Jogos (dentro de todas as modalidades – como se o sistema estivesse dependente de cotas e para entrarem x ginastas de Acrobática teriam de sair os mesmos x de outra modalidade gímnica) – tanto quanto sei a Natação não retirou especialidades quando duplicaram o número de Saltadores para a Água (quando introduziram os Saltos Sincronizados).

Em 2016, por ocasião do anúncio sobre os Jogos Olímpicos da Juventude, a FIG anunciou que seriam os Trios Femininos a entrar no evento. Estávamos em Agosto de 2016. Em Outubro a FIG reformulou a ideia inicial e substituiu os Trios pelos Pares Mistos. Resumidamente, os países tiveram 18 meses para criar Pares Mistos com intervalos de idades totalmente diferentes do que era comum nos seus programas competitivos (15-18 anos, ou seja, uma volante que podia ser Sénior com um base que seria um jovem Júnior).

O que é certo é que os países estavam prontos quando chegamos ao apuramento nos Mundiais de 2018. Ou se não estavam, ficaram. 12 Pares de 5 continentes com idades “estranhas” estavam prontos para um grande show nos Jogos Olímpicos da Juventude em Buenos Aires. Mas estes Pares não existiam antes.

Foram formados com um objectivo. Se a FIG disser que em Paris 2024 haverá Acrobática com “Quadras Mistas e os ginastas terão de ser louros de olhos verdes, com tamanho de pé entre os 38 e os 46”, os países estarão prontos! Se há estes ginastas hoje? Não! Basta dizer que, do programa competitivo nem existem Quadras Mistas (o exemplo é, propositadamente, estapafúrdio)!…

A modalidade desenvolver-se-à e crescerá com esse objectivo e nessa direcção. Ou seja, o que falta para que a modalidade ser Olímpica? A FIG querer. Há 20 anos a FIG incluiu a Ginástica Acrobática no seu seio. Será que já seríamos olímpicos se tivéssemos continuado na extinta IFSA? Ou noutra Federação qualquer? O Karaté já é Olímpico, a Escalada já é Olímpica, o Skate já é Olímpico… Não precisaram da FIG para o serem. Está na altura de a nossa Federação Internacional tomar a defesa das suas modalidades e dos seus ginastas que há muito trabalham e anseiam por essa oportunidade.


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