O Singular Cavalheiro da F1, Sir Frank Williams (1/2)
Quão irónico e impiedoso será o destino para deixar numa cadeira de rodas o líder mais bem-sucedido da história do desporto rei automóvel? Eis Sir Frank Williams, um dos últimos cavalheiros da F1 e o mais singular de todos.
Francis “Frank” Owen Garbett Williams nasceu no mesmo dia em a lendária fortaleza de Massada caiu nas mãos do Império Romano, a 16 de Abril, mas de 1942 em South Shields, nas margens do Rio Tyne e bem no norte de Inglaterra, fruto de uma união atribulada entre um oficial da Força Aérea Britânica e uma professora de ensino especial. A separação precoce dos seus progenitores levou-o até à pátria de William Wallace, mais concretamente a Dumfries no sul da Escócia.
A paixão pela velocidade do patriarca foi geneticamente herdada pelo jovem Francis e inflamada quando o jovem Williams aceitou boleia de um dos seus amigos e sentiu o Jaguar XK150 atingir uns impressionante 160 quilómetros por hora. A fina linha que traça o destino de cada um dos mortais estava agora determinada para Frank Williams pelo fascínio da mecânica, pela luta constante contra o relógio e pelo desejo ardente de ser o primeiro a cruzar o xadrez.
Nem o próprio Frank Williams estava totalmente consciente do legado que viria a começar nesse instante. E como as decisões ficam para quem as praticam, Frank Williams decidiu ainda muito jovem investir todos os seus rendimentos no seu grande amor, o desporto motorizado.
Em 1961, então com somente 19 anos, estreou-se como piloto ao volante de um Austin A40, no entanto, a paixão do novato Francis não era devidamente acompanhada pela sua velocidade em circuito, despertando-o cedo para a dura realidade de que provavelmente não teria grande sucesso a pilotar. Para gáudio dos Deuses da velocidade, quis o destino que Frank Williams conhecesse dois jovens pilotos que viriam a mudar por completo o rumo da sua vida, Piers Courage e Jonathan Williams.
Piers Courage era um dos herdeiros da Cervejaria Courage, uma marca centenária fundada em 1787 e extremamente popular no Reino Unido, assim sendo, para além de ser um piloto bastante talentoso, tinha também abundantemente capital para investir no desporto motorizado. A ligação entre Piers Courage e Frank Williams será de tal forma umbilical e simbiótica que, será justo dizê-lo, não existiria a lenda de Courage sem Williams e o legado de Williams sem Courage.
O papel de Jonathan Williams acaba muitas vezes por ser negligenciado e esquecido, contudo, assim que Frank Williams passou a ter imensas dificuldades em autofinanciar a sua carreira enquanto piloto, Jonathan integrou Frank na sua equipa de mecânicos na Fórmula Júnior, o que seria fundamental para Frank Williams alavancar as suas competências mecânicas, técnicas e iniciar-se nos meandros das competições Fórmula.
Em 1966, já depois de Bobby Charlton e companhia conquistarem o ceptro de Campeões do Mundo de Futebol, viria a ser fundada a Frank Williams Racing Cars.