O “dropout” no desporto (e na Patinagem de Velocidade)

Francisco FigueiredoFevereiro 15, 20203min0

O “dropout” no desporto (e na Patinagem de Velocidade)

Francisco FigueiredoFevereiro 15, 20203min0
As desistências no desporto são cada vez mais preocupantes e a Patinagem de Velocidade sofre do mesmo problema. Uma reflexão sobre o problema e potenciais soluções

Quem está ligado à prática desportiva patinada sabe que é relativamente fácil cativar uma criança para a prática da patinagem. Aquele “brinquedo” diferente de todos os outros e que nos transmite sensações tanto de instabilidade e insegurança como de desafio e conquistas a cada passo que damos é realmente motivador. Por isso, a patinagem torna-se uma modalidade “fácil” de abordar quando ultrapassado o receio inicial de alguns. No entanto, à semelhança de todas as outras atividades desportivas, existe uma primeira fase de encantamento que, à medida em que as aprendizagens se tornam mais exigentes e o nível de treino necessário à evolução aumenta, se vai desvanecendo…

Por ser um tema importante, o tempo de permanência nas atividades desportivas já vem sendo alvo de análise em várias zonas do globo (Estados Unidos da América, Austrália, França, Portugal, Dinamarca, Finlândia, Suécia, entre outros). Assim, Figueiredo et al (2009), Fonseca et al (2016) e Monteiro et al (2017), referem que a longevidade na prática oscila entre os 3 e os 5 anos, em média, sendo que é entre os 12 e os 17 anos que se centra maior parte do abandono da prática desportiva.

Refira-se ainda que atletas do sexo feminino tendem a abandonar mais cedo que os do sexo oposto. Referem-se por Fonseca et al (2016) mais duas variáveis: a do abandono da modalidade e a do abandono da prática física. Por vezes acontece, nas idades mais precoces, a experimentação de uma atividade diferente da já praticada, mudando de modalidade desportiva.

Consideram-se ainda, de acordo com a bibliografia consultada, três tipos de abandono: o abandono voluntário (devido a outros interesses como intensificação da vida social, namoros, dedicação exclusiva aos estudos), o abandono por pressão (dos treinadores, dos pais, do clube), e o abandono por lesão. Se no último caso a questão é linear (se a lesão for efetivamente impeditiva da continuidade da prática), nos outros temos casos para ponderar o tipo de intervenção que devemos adotar. Monteiro (2017) refere ainda a falta de tempo ou a falta de capacidade de conciliar a atividade académica com a prática desportiva.

Considerando que estes estudos foram feitos em modalidades como o futebol, o andebol, a natação, o voleibol e o atletismo, temos taxas de abandono sempre acima dos 50% ao ano. Na Madeira, de acordo com Fernandes et al (2009), a média de desistências no andebol madeirense cifra-se nos 37% ao ano, beneficiando do facto de existirem na Região Autónoma da Madeira equipas masculinas e femininas na primeira liga de Andebol, o que permite ter uma visão de eventual carreia a longo prazo na modalidade, “o sonho”.

Mais um dado importante –  o número absoluto de praticantes desportivos quase duplicou mas com uma particularidade: de acordo com o IPDJ / PORDATA, entre 2003 e 2017, aumentaram os praticantes até juniores e os veteranos, mas diminuíram no escalão de séniores…

Com todos estes dados, onde fica a patinagem? Alguém tem dados concretos sobre a evolução do número de praticantes, desistentes e seus reais motivos? O que poderemos fazer para que esta realidade se inverta? Constatamos de forma empírica que à entrada do ensino secundário começam as “baixas” (escalão de Juvenis, na Patinagem de Velocidade).

Ou seja, se a partir dos 14/15 anos deixamos de ter massa crítica, como poderemos chegar a ter séniores competitivos? Tendo em conta o tempo médio de participação desportiva, não estaremos a “espremer” a laranja “ainda verde”?


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